Hip Hop Rádio

Wedge: “Gostava que a minha música fizesse o que a música dos meus ídolos fez por mim”

Wedge contou-nos como foi o seu primeiro contacto com o hip-hop e como a paixão pela cultura foi crescendo dentro de si aos poucos, até ser impulsionado para tentar a sua sorte nas rimas. A energia que sentia a ouvir certas sonoridades, mesmo sem perceber na altura o seu conteúdo, enraizou-se em si de forma vincada e, desde aí, não houve dúvidas de qual seria a resposta a dar quando lhe perguntavam qual o tipo de música que gostava de ouvir.

Quando surgiu a paixão pelo hip-hop?

A paixão por esta cultura existe desde que me lembro de ouvir música. Eu cresci com os meus pais e o meu irmão mais velho, pelo que o meu gosto musical bebeu muito daquilo que eles ouviam. Da parte dos meus pais, fui absorvendo artistas como Caetano Veloso, Martinho da Vila, Bonga, Paulo Flores, Tito Paris e Rui Veloso. Da parte do meu irmão, surgiu a ligação com álbuns de Biggie Smalls, Tupac, Dr. Dre, Snoop Dogg e Missy Elliott.

O que te levou a aventurares-te na música?

Um dos meus hobbies sempre foi decorar letras. Como na altura em que comecei a fazê-lo o acesso à internet era limitado, ouvia-as repetidamente para poder escrevê-las à mão, não perdendo uma oportunidade para mostrar que as sabia. Gostava de divulgar, à minha maneira, os conteúdos que tanto idolatrava, fosse na escola, no carro, em casa de amigos, em festas, ou até mesmo em família. Era a minha forma de prestar homenagem a esta arte.

Aos 14 anos começam então a surgir os primeiros improvisos. Inicialmente num círculo de amigos mais próximos e, uns anos mais tarde, mais confiante e à vontade, rodeado de desconhecidos. As reações que recebia eram positivas e era quase sempre encorajado a escrever letras. Na verdade, desde os 13 anos que escrevo prosa, mas foi dia 8 de outubro de
2016 (sim, esta data está gravada) que tomei a decisão de levar a música e a arte das rimas de forma mais séria.

Neste dia, concretizei um sonho que guardei durante anos: o de ver o Sam The Kid ao vivo, algo que me marcou de uma forma que ainda hoje se perpetua. Este momento teve a particularidade de acontecer no Instituto Superior Técnico, faculdade onde estudo. Desde então, não houve um único dia em que não pensasse em criar os meus próprios temas, no que posso fazer para marcar a diferença, bem como na forma como me quero representar e expressar nesta cultura.

Como tem sido o feedback do pessoal à tua música?

Maioritariamente positivo. O que tenho recebido tem sido um forte combustível para continuar o meu trabalho. Contudo, sei que quem hoje me apoia, amanhã me pode guardar na gaveta do esquecimento. Parte da minha motivação passa por evitar que isso aconteça.

Quais as tuas maiores influências dentro da cultura?

Panorama internacional: Tupac, Biggie Smalls, Eminem, Dr. Dre, Kendrick Lamar, Kanye West. Panorama nacional: Sam The Kid, Regula, Valete, Halloween, ProfJam, Slow J, Holly Hood.

Onde gostavas de chegar com a música? Tens algum objetivo já estabelecido?

Gostava que a minha música fizesse o que a música dos meus ídolos fez por mim – gerar confiança e fazer acreditar que qualquer sonho é alcançável. A nível de objetivos, gostava de, por um lado, colaborar com os meus ídolos, por outro, descobrir outros talentos que possam acrescentar valor à cultura. Um objetivo menos altruísta passa por cultivar um bom trabalho no mundo da música, para que possa colher os frutos do meu esforço e com eles garantir o meu sustento.

Consegues revelar algum projeto que esteja para sair, se é que estás a pensar nisso?

O meu projeto atual intitula-se Quimera, uma compilação de 6 temas que traduzem o culminar de várias experiências e com os quais pretendo expor a minha versatilidade. Quanto a projetos futuros, tenho algo em mente, ainda sem nome, mas já com estrutura. Pretendo fazer algo que ainda não foi feito, pois acredito que esse é um dos trunfos deste jogo. Por esse motivo, não é apropriado revelar muito mais, mas terão novidades em breve!

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