Hip Hop Rádio

Uma Trap House à beira-mar plantada

Texto: Daniel Pereira
Fotografia: Nayara Silva e Daniel Pereira

No passado sábado deslocámos-nos até à Praia Da Nova Vaga na Costa da Caparica para mais uma “It’s A Trap”, a primeira em espaço aberto. São estas as festas de Trap de maior importância em Portugal e um dos motivos principais que leva a tal é precisamente a inovação. É tempo de verão e apesar de este ainda não ter chegado em força o público já não quer festas em espaço fechado. Foi esse o motivo, acreditamos nós, que levou a organização a apostar no cenário mais icónico desta estação do ano, a praia, mais precisamente o Tartaruga Beach Bar, que cedeu o espaço. Aposta ganha, “tava demais o bar da praia”.


Eram cerca da meia noite e meia quando apanhámos a boleia do “Trap Bus” (autocarro especialmente disponibilizado pela festa pois a praia da Nova Vaga é um pouco deslocada dos grandes centros) e passado cerca de meia hora de uma viagem bastante animada chegámos à “It’s A Trap”. De realçar que o “Trap Bus”, que tinha como ponto de partida o Cais Do Sodré, fez várias viagens de ida e volta, com o autocarro sempre cheio deixando infelizmente algumas pessoas de fora, pois era muito o público a aderir a este serviço. Mais um sinal de que estas festas estão com uma vitalidade brutal.

Quando entrámos na festa e vimos o espaço a nossa primeira reação foi de espanto. Parecia tudo bastante improvisado, adaptado e na realidade era. E era assim que tinha de ser. O Tartaruga Beach Bar não tem um palco enorme ou um super bar nem grandes backstages ou áreas VIPs mas isso não é sinónimo de uma grande festa. Uma grande festa tem que ver com a “vibe” entre o público e a música e com a ocasião. Neste “It’s A Trap” o público praticamente misturava-se com os artistas e o objetivo era todos se divertirem, desde a menina que estava a trabalhar no bar até ao rapaz que levou uma máscara do filme “The Purge”.

O primeiro homem da noite a dar música foi Dj Big com um set bastante virado para o Trap como seria de prever, sem descurar também alguns “Boom-Baps”. Um dos momentos mais fortes do set foi a passagem de “SAD!!” de XXXTentacion que meteu todos a cantar e fazer um “X” com os braços de forma a homenagear um talento que partiu cedo. “Goosebumps” de Travis Scott foi outro dos temas mais celebrados. Mais um grande set de Dj Big como já nos habituou.

 

A partir daqui começou a rebaldaria, no melhor sentido. Se durante o set de Dj Big já estavam Profjam e a sua turma a fazerem uma autêntica festa no backstage (era mais um “side stage”, passem pela galeria para perceber melhor), quando chegou a altura dos membros da Think Music fazerem as suas atuações, essa festa exaltou-se ainda mais.

O primeiro a entrar foi, claro está, o fundador da label, Profjam, com “Yaba” seguindo-se depois Prettieboy Johnson com “Vitamina”, Fínix MG com “Think Music”Yuzi que cantou um maior número de músicas entre elas “#YUZIGANG” (com direito a um grande “moche”) e “Gwapo” partilhando o palco com Profjam. Por lá passou também Mike El Nite para cantar o viral “Dr. Bayard” com a ajuda de Fínix MG apenas pois SippinPurp não marcou presença na Praia Da Nova Vaga. Vários rebuçados foram atirados para o público e Mike El Nite então tratou da tosse do público. Outro nome que esteve presente foi L3ner Johny para cantar “Vampire Bite”, mais uma das várias músicas que permitiram um “moche” do público.

Os Live Acts já tinham acabado mas a festa continuou noite dentro com Oseias a assumir os pratos com um DJ set mais uma vez, como era de prever, muito ligado ao Trap.

Gostaríamos de felicitar o João Moura e a sua Rap Notícias não só pela iniciativa mas também pela coragem de organizar as primeiras grandes festas de Trap em Portugal. Só podemos pedir mais, seja com outros artistas, outros tipos de espaços ou outros locais pois acreditamos que as “It’s A Trap” terão sempre sucesso.

Numa altura em que se fala muito se o Trap faz parte do Hip-Hop ou se constitui um género completamente novo uma coisa é certa: o Trap, seja como género ou como sub-género, cria festas singulares para um público singular. Um público singular que no entanto não deixa de ser diversificado pois todos os “Trappers” são diferentes entre si. E na realidade… não é o Hip-Hop, diversidade?

 

 

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