Hip Hop Rádio

Um “funeral” na FCSH

Intimista, pessoal, “um monólogo” como descreve o rapper num verso de Lenda. Estas são algumas das palavras que poderão resumir brevemente o que ontem se sucedeu na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Numa entrada sem grandes surpresas, Nerve aparece como quem quer dar início à cerimónia o mais rapidamente possível. “Dá p’ra ver que acabei de chegar” foi o mote escolhido para abrir o concerto, verso que pertence à sua mais recente faixa Deserto. Depois desta preparação para o que viria, Nerve prossegue com Água de Bongo, música mais antiga e que o rapper, em tom de brincadeira ou talvez ironia, desconfia que o público a conheça.

Depois de algumas conversas com os presentes e um acapella a anteceder um futuro lançamento, solta mais faixas do álbum de 2015: Trabalho & Conhaque,  entre elas uma das mais conhecidas, Monstro Social. Entre as músicas surgem “shoutouts” aos produtores dos instrumentais e, numa delas em particular, também  ao pai do produtor que foi o arquitecto que desenhou a FCSH.  Nerve recorre a um discurso minucioso que, de certo modo, mantém a sua faceta de homem misterioso e junta factos curiosos que captam a nossa atenção.

Um regresso ao passado com Pobre de Mim mostrou que a maior parte do público já é fã de longa data. Após algumas palavras, entramos na fase “lamechas” do concerto, avisou o artista, antecedendo Gainsbourg que foi entoado por quase todos os presentes. Nerve serve-se desta atmosfera mais calma para perguntar quem realmente gosta do trabalho que faz e, entre risos,  solta a faixa Trabalho, como já se estava a adivinhar.

O fim estava próximo e ouve-se Nós e Laços, música que se insere perfeitamente neste “cortejo fúnebre” que presenciámos na sexta-feira à noite. Sem grandes rodeios, Nerve anuncia que a próxima será a última do concerto e dá licença ao instrumental mórbido de Subtítulo que deixou a faculdade em êxtase. Entre “versos de fidalgo” encerra esta cerimónia e deixa-nos com curiosidade de ouvir a continuação dos acapellas com que nos presenteou.

Um concerto num estilo simples, em que foi viável pedir, humildemente, que ninguém gravasse os acapellas que avançam com versos de um trabalho a ser lançado futuramente. Este é um exemplo da proximidade que Nerve estabelece com os ouvintes, em que por vezes até responde a comentários vindos da audiência com o seu sarcasmo do costume.

Artigo escrito por: Carolina Costa

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