Hip Hop Rádio

The World Battle: ”Hip Hop is a subculture stronger than all the cultures”

A final do Main Event do The World Battle foi o culminar perfeito de uma semana dedicada às danças urbanas na cidade do Porto. O sétimo e último dia por João Norte.

Ainda antes de começarem as battles, as centenas de pessoas que rodeavam o recinto de dança na Sala 1 do Hard Club foram presenteadas com um momento musical inesperado. Durante 10 minutos o hip-hop deu lugar ao fado e, com guitarra portuguesa e a doce voz de uma fadista, celebrou-se a música portuguesa num local em que se encontravam dezenas de dançarinos de todos os cantos do mundo.

De facto, The World Battle faz jus ao nome, desde os concorrentes aos jurados, que eram, na sua maioria, estrangeiros. Por isso, tanto Mix e Max como Sambo e Abreu tiveram de entusiasmar o público em inglês, como duplas de anfitriões.

Ao longo da competição sentiu-se o apoio do público aos dançarinos portugueses, e quatro deles passaram das meias finais. Melissa foi a única que saiu do Hard Club com um troféu de primeiro lugar, em House 1v1.

No entanto, mesmo sem o primeiro lugar, cada vez que Sílvio Ferreira contraía os músculos era evidente, pelos suspiros e gritos, que quase todos na audiência queriam que ele ganhasse. No entanto, acabou por perder na final de Popping contra o francês Creesto. Na competição de Kids 1v1, o Bboy Mirre jogou em casa, e embora tenha perdido na final contra o belga Bboy Cis, nunca perdeu o suporte dos portuenses.

Nas pausas entre as diferentes competições, Max Oliveira teve tempo para rasgar grandes elogios aos portugueses que se encontravam no evento. Um dos DJ’s do Main Event, DJ JUL Nako, de Vila Nova de Gaia, foi referido pelo líder da Momentum como uma “lenda” do hip-hop nacional.

Entre as meias finais e a final, os dois dirigiram-se ao recinto de dança e, num momento nostálgico, relembraram memórias de quando um miúdo, um “trinca-espinhas”, lhes dizia que um dia iria ser o melhor dançarino do mundo. A verdade é que esse dia já tinha chegado, e esse mesmo rapaz estava naquela sala com eles. É português, o seu nome de palco é P.Lock e até hoje ainda não perdeu nenhuma batalha 1v1. Por isto, foi chamado ao centro da Sala 1 do Hard Club para receber das mãos de Max e JUL Nako um “lifetime achievement award”.

Apesar disto, não houve troféus para todos os vencedores. Antes da final de Bboying 1v1 entre dois membros da Navi Exist Crew, Kuzya agarrou no microfone e, dirigindo-se ao público, disse “We aren’t gonna battle, the winner is Navi crew, but we are gonna give you a show”. E, assim, em meros instantes, todas as pessoas levantaram-se num furor épico que fez a sala entrar em erupção. Num ápice, Lussy Sky e Kuzya tiraram as camisolas e todo o Hard Club ficou hipnotizado com 2 rondas excitantes de breaking energético. No fim, os dois bboys concordaram em partilhar o prémio de vencedores, num gesto memorável de desportivismo, além de terem saído de Portugal com o troféu de primeiro lugar na categoria de Crew com a vitória da Navi Exist sobre os cazaques Devil’s Silver Crew.

A tarde de domingo foi uma conclusão satisfatória a uma semana de celebração da cultura urbana no Porto. Quando Max começou a enumerar todas as nacionalidades representadas naquela sala, a lista parecia infindável, o que torna ainda mais especial a realização anual da Porto World Battle naquela que é a cidade berço do hip-hop em Portugal. Tal como ele disse “Cultures tend to make differences (…) but hip hop is a subculture stronger than all the cultures”.

Fotogaleria de João Norte disponível aqui.

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