Hip Hop Rádio

tuga

Myles brinda-nos com novo tema

“WINEE” é o nome do seu mais recente single. Mix e master a cargo de Pablo.

Depois de “Safira“, Myles está de volta com novidades. O tema conta com suporte em vídeo assinado por WOODZOOM e pode ser ouvido nas várias plataformas digitais.

A Tribo chega à Invicta: Kappa Jotta e convidados no Hardclub

Na passada sexta-feira, o Hardclub teve a oportunidade de receber quatro grandes nomes no panorama do hip-hop nacional para uma noite calorenta e cheia de boa energia, algo que o Porto tem uma especial capacidade de transparecer.

Uzzy, Spliff, Kappa Jotta, e Dj Maskarilha foram os protagonistas desta noite que, segundo os mesmos, irá para sempre ficar nas suas memórias. A Tribo juntou-se para uma noite épica e a Invicta não desiludiu. 

Fiquem com a reportagem fotográfica completa por Ana Pereira aqui.

“A História do Hip Hop Tuga” vai ter novo capítulo


Segunda edição vai ter lugar em Lisboa, na Altice Arena, dia 8 de março de 2019. Bilhetes já à venda a partir de 20€.

“A História do Hip Hop Tuga” marcou o Sumol Summer Fest e o verão de 2017. Face ao sucesso do espetáculo, tanto dentro como fora de palco, o público poderá ver um novo capítulo já no próximo ano.

O conceito do evento é simples: percorrer a história do Hip Hop português – que conta com mais de 25 anos –  trazendo a palco nomes representativos desta cultura. Sam The Kid, General D, Black Company, NBC, Mind Da Gap, Dealema, Capicua, Allen Halloween, Dillaz ou GROGNation foram alguns dos nomes que subiram a palco no ano passado. A nova edição  contará com mais nomes, tanto rappers old school como emergentes, mas não só: também dj’s, writersb-boys completarão a festa.

O elenco será apresentado a partir de setembro. Entretanto, os bilhetes estão à venda na Blueticket e nos locais habituais.

Mirandela Music Fest: Em noite de Dillaz, quem incendiou o clima foi Phoenix RDC

O parque Ribeira de Carvalhais recebeu a terceira edição do Mirandela Music Fest, nos dias 8 e 9 de junho. Com a missão de assumir uma dimensão nacional, Domi, Phoenix RDC e Dillaz eram as cartas do primeiro dia. E se Dillaz era o trunfo da noite, Phoenix RDC foi rei.

Domi iniciou a noite de Hip Hop. Com o seu flow caraterístico, conquistava o público lentamente e foi com o beat de Charlie Beats que o agarrou: “Não esqueço” sintonizou a plateia com o jovem rapper.

Seria de “Pensamento Leve” que acabaria o concerto. Paradoxalmente, quem se avizinhava para subir ao palco era um peso pesado. No backstage, Phoenix RDC dá saltos e gritos para aquecer. A fome que tem de palco nota-se no seu olhar. Quando entra em cena, basta ele para o encher. E de que maneira.

Com Phoenix não há uma linha que separa o palco da plateia. Não há um concerto feito. E a meio da atuação isso comprovou-se. O rapper parou uma música para saltar do palco e ir à primeira fila por água na fervura, após alguns elementos do público começarem desacatos. Com o álcool e os nervos à flor de pele, é normal isto acontecer. O que não é normal é o artista descer à terra. Phoenix ajudou um fã a saltar da grade, levou-o consigo para trás do palco e continuou o concerto.

A cada música relembrava que havia tempo para Dillaz. A noite era longa e era para aproveitar cada música, cada artista. “Não há pressa”. Com Phoenix há espaço para tudo e todos. Há lugar para toda a música, seja para a cabeça ou para a anca. Mas sublinhava:

“O rap também é sentimento, não é só festa”

“Dureza”, “Todo Santo Dia” e “Fama” incendiaram o clima e levaram o público ao auge.
Phoenix entre as músicas não se limitava a puxar pelo público. O rapper dirigia palavras à cultura Hip Hop, ao público e aos seus sonhos. Incentivava a lutar, a tentar. E afirmava, afincadamente, que nenhuma pessoa do público é menos que ninguém.

“Há aí muitos filhos da puta que querem acabar com os vossos sonhos?”

“Consequências” seria a última música. E bastariam alguns minutos para a noite continuar. O número 75 aparecia no ecrã gigante. E Dillaz, acompanhado de Vulto, Zeca e Spliff, subiam a palco.

Quem segue o rapper da Madorna pelos recintos do país, não estranharia o alinhamento. Houve espaço para clássicos como “Pedras no meu sapato” ou “Não sejas agressiva”, onde Dillaz nem precisava de cantar, pois o público trauteava as músicas de cor. “Protagonista”, “Cria Atividade” e “Mo Boy” seriam algumas das músicas que engoliam a plateia e que faziam com que ninguém conseguisse estar parado.

Com “Saudade”, Dillaz despediu-se do público. E seria a saudade a trazê-lo novamente a palco para cantar a última música e despedir-se com o melhor ambiente possível: “Clima” fechava a primeira noite.

A organização não desiludiu, a noite passou a correr e os artistas contribuíram para dar mais um passo na consolidação desta cultura como predominante no nosso país. Dillaz, no final do concerto, lembrava que era o público o responsável pelo rap nacional.

O Mirandela Music Fest é a prova de que, verão após verão, o Hip Hop cresce. E seja nos grandes centros urbanos ou num canto escondido do nosso país, há público, dos 10 aos 50, que enche os recintos e que contribui para o crescimento da cultura Hip Hop.

Reportagem por: Nuno Mina e Tomás Novo

Novo som de X-Tense sai em liberdade

 

A Hip Hop Rádio noticiou ontem que o rapper X-Tense havia sido preso por posse ilegal de cocaína e cannabis. Contudo, não passou de uma press-release combinada. Nada nem ninguém foi preso e a sua nova música foi a única coisa que saiu em liberdade. É assim em clima de “Narcos”, que o rapper marca o seu regresso.

A Hip Hop Rádio nunca noticiará em “estilo CMTV”. Se isso alguma vez acontecer, saberá que o está a fazer e terá nele o intuito que sempre esteve na base da rádio: promover a cultura. Que o burburinho e as críticas acabem na ação de ouvir a música.

Por Nuno Mina e Daniel Pereira

Queima das Fitas em Brasa, acabou por deixar Saudade

Mundo Segundo e STK chegaram com a “comitiva”, Dillaz foi “protagonista” numa noite confusa e os Wet Bed Gang invadiram a zona de imprensa. Pelo meio, o Palco RU( recebeu as OSHUN e os Ermo e o Palco Secundário teve a sua própria noite de hip-hop. A semana académica mais aguardada do país repetiu (novamente) alguns nomes, mas acrescentou ao habitual reportório de artistas as atuações de Kappa Jotta ou Blaya. Por Bruno Fidalgo Sousa e Nuno Mina


Sexta-feira, primeiro dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Durante o soundcheck já se conseguia perceber o que Blaya prometia para a noite: muito r&b, muita energia, muita vontade. O misto de funk e hip-hop de “Faz Gostoso” (tema que faz parte do próximo disco da artista) incendiou (e fechou) a noite. O ritmo dos Buraka Som Sistema também se fez sentir na Praça da Canção, num dos dias com maior lotação do certame. Depois da atuação de Blaya, o descanso.

Sábado, segundo dia da Queima das Fitas de Coimbra. 

Não há hip-hop no Palco Fórum Coimbra, há hip-hop no Palco RU(. As norte-americanas OSHUN sucedeu aos Ermo no alinhamento. “Stuck” ou “Sango” foram algumas das faixas na mala da dupla que deixaram o público cada vez mais na sua vibe.  

Segunda-feira, quarto dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Depois de um sábado apinhado no palco principal para ver Xutos e Pontapés e Linda Martini e de um domingo desgastado pelo tradicional cortejo de carros alegóricos, o regresso, desta vez em força, do hip-hop ao Palco Fórum Coimbra teve hora marcada para a uma da manhã.

 

Kappa Jotta, com DJ Maskarilha nos pratos, foi o principal estreante destes palcos. O MC da Linha de Cascais não precisou de trazer muitos “homies” para contagiar os fãs com a sua energia, mas foi para receber Gaia e Chelas que Coimbra, mais uma vez, entrou em alvoroço. A dupla de MC’s (que esteve em três de quatro edições) fez-se acompanhar de NBC, Bispo, Zachy Man, Maze, Ace e Bezegol num concerto inovador – dentro do que tem sido o seu registo na Queima das Fitas, num “caso isolado” que “se pode repetir”, como referiu Mundo Segundo.

Enquanto isso, na principal tenda eletrónica do certame, era DJ Fifty o responsável pela noite e a repetir a participação nas festas académicas coimbrãs (esteve presente na Festa das Latas do passado outubro), uma lufada de ar fresco no circuito (quase) exclusivo de EDM da Queima das Fitas.

 

 

Terça-feira, quinto dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Dillaz e Calema dividiam o cartaz. Contudo, foi o MC da Madorna que se destacou como principal atuação da noite, eclipsando a banda que o sucedia em palco. Antecipava-se “Saudade” durante o soundcheck, e foi com “Saudade” que o rapper se despediu dos fãs. Com Vulto e Zeca no apoio e Spliff a dar forma ao som, Dillaz (presente na, agora, antepenúltima edição) não divergiu do reportório que costuma levar consigo: entre “Falas de Má Língua” e “Bocas Falam Tudo”, não houve tempo para conversar com o Chapz em conferência de imprensa.

Quarta-feira, sexto dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Para aqueles que nem sequer imaginavam hip-hop fora do palco principal, fica aqui provado que o rap da zona centro ainda está vivo – e com espaço para crescer. Nina, Menfis e Mate, MC Ruze, Jackpot BCV e Ésse Print (acompanhado de Tribal99) fizeram o alinhamento numa noite com pouca adesão mas muito hip-hop.

Quinta-feira, sétimo dia da Queima das Fitas de Coimbra. 

Noite de Wet Bed Gang e Richie Campbell, velhos conhecidos dos estudantes. O coletivo de Vialonga apresentou-se com banda – uma novidade e certeza para os próximos concertos – e entre IV Filhos do Rossi foram a melhor atuação da noite (Richie Campbell e a sua Bridgetown limitaram-se a renovar reportório naquele que foi o terceiro concerto em três anos consecutivos de festival).

Hip-Hop consolida o seu espaço

Em conferência de imprensa, Sam The Kid refere a mais-valia na novo programação de festivais académicos, onde não se inclui “apenas um dia de hip-hop, um grupo, um artista”. A aposta no hip-hop tem-se notado cada vez mais na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra, um investimento que abrange também as tendas eletrónicas e o Palco Secundário. No Palco RU(, que se apresenta, ano após ano, com um cartaz independente e progressista, essa aposta já era consolidada (Allen Halloween, Keso, Conjunto Corona ou Deau foram alguns dos nomes que lá deixaram a sua marca em anos anteriores).

Sem descurar as limitações e dificuldades típicas da Queima das Fitas, o balanço – em termos de hip-hop – é positivo. “É sempre especial vir tocar à Queima de Coimbra”, afirmou Mundo Segundo. Já STK foi mais longe: “já existe uma tradição tão forte [em Coimbra] e a energia que eu sinto é a mesma [de há quatro anos para cá]”.

A cultura Hip-Hop consolida, assim, o seu espaço na Queima das Fitas. Mas não só. Em todas as semanas académicas, cada vez mais, são os rappers e djs quem traz mais público aos recintos. E a equipa da Hip Hop Rádio, como não podia deixar de ser, vai estar presente em todo lado para cobrir essas atuações.

 

Vhils: “A ideia é expor a entranha dos materiais”

Alexandre Farto tinha pouco mais do que uma década de idade quando agitou uma lata pela primeira vez e deu vida a uma parede. Nessa altura, nunca lhe passaria pela cabeça que mais tarde seriam as paredes a agitar-lhe a vida. Diretamente do Seixal, Alexandre deu lugar a Vhils. E, entre sprays e explosões, tem apresentado, ao longo dos anos, técnicas e obras inusitadas que já percorreram o mundo. Hoje em dia é indiscutivelmente um dos mais importantes street artists do país. A Hip Hop Rádio esteve à conversa com o artista.

Conta com uma longa carreira: são dezenas os países por onde já passou e centenas as paredes que já teve nas mãos. Recuando no tempo, ainda se lembra do seu primeiro risco na parede?

Lembro-me vagamente. Comecei a interessar-me pelo graffiti por volta dos meus dez anos, em 1997. Coincidiu com o primeiro grande boom do graffiti em Lisboa e todos os dias via tags e bombings surgirem nas paredes ao longo do caminho que fazia para a escola. Comecei a escrever os primeiros tags e a desenhar os primeiros projectos em papel nessa altura mas foi só uns dois ou três anos depois que comecei a pintar tags perto de casa e da minha escola e pouco depois pintei a minha primeira parede a sério, embora ainda muito tosca, numa construção abandonada no Seixal.


Na altura, quais/quem foram os seus impulsionadores para praticar e desenvolver esta arte?

Comecei com alguns amigos da escola que também se estavam a interessar pelo graffiti na mesma altura, mas as minhas grandes referências eram writers mais velhos e as crews mais activas da Margem Sul e Lisboa que eu via nas paredes e comboios: Tape, Obey, Mosaik, Kreyz, Time, Darko, Iser, Roket, Sher, Byzar, Hium, Klit, Oxi, Ram, Mar, UCB, CIA, GVS, SKTR, R1, entre muitos outros.

Podemos considerar a sua arte como paradoxal? Ao mesmo tempo que remove algo da parede, está-lhe a acrescentar significado?

Em termos concretos, sim, mas prefiro vê-lo como um processo de tornar visível aquilo que já lá estava, embora estivesse invisível. Ou seja, prefiro pensar que o significado já está presente nos materiais com que trabalho, e que eu estou apenas a ajudar a trazê-lo à superfície. Um dos conceitos fundamentais do meu trabalho, e que deriva desses anos de vandalismo e graffiti ilegal que mencionei atrás, é o recurso a estas técnicas de remoção, decomposição ou destruição enquanto força criativa. A ideia é expôr a entranha dos materiais através desta subtracção, mas isto porque acredito que esta entranha é composta por várias camadas que se vão acumulando com o passar dos anos e que reflectem os acontecimentos e influências a que estamos sujeitos. O que o meu trabalho tenta fazer, de forma muito simbólica, é remover algumas destas camadas de modo a expor parte destas memórias perdidas que se foram acumulando. Neste sentido, pode ser visto como uma espécie de nova arqueologia urbana que procura entender o que se esconde sob a superfície das coisas, com essa ideia de expor o que já lá se encontra.


Já esteve em todo mundo, já “marcou” muitas cidades. Contudo, qual foi a cidade que mais o marcou a si?

Todas tiveram a sua importância e todas marcaram-me, cada uma à sua maneira. Obviamente que Lisboa teve e continua a ter um papel fundamental na formação da minha personalidade, nas minhas ideias e na minha percepção do mundo, assim como no meu trabalho. Londres também teve uma enorme influência nos anos em que lá vivi, que foram anos importantes para o desenvolvimento do meu trabalho e para a internacionalização do mesmo. E o facto de ter passado os últimos dois anos em Hong Kong, fez com que esta cidade também tivesse deixado marcas importantes em mim. Mas todas as outras cidades onde já trabalhei deixaram a sua marca, algo que é visível no meu trabalho e no modo como tem usado estes contextos diferentes para desenvolver a reflexão que o tem guiado sobre a condição humana nas sociedades urbanas presentes.


Ao nível da arte, quais são as sua referências?

Tenho muitas, sobretudo artistas que trabalharam ou têm trabalhado o espaço público e a cidade como forma de reflectir sobre a condição humana, como o Gordon Matta-Clark, o Banksy, o JR, o Shepard Fairey, mas também artistas contemporâneos como a Katherina Grosse, o Anish Kapoor, e muitos outros como Os Gêmeos, Barry McGee, Faile, Interesni Kazki, AkaCorleone, ±MaisMenos±, Conor Harrington…


Se agora lhe desse uma parede e lhe pedisse para inscrever nela um rosto de um escritor, o título de um filme e um excerto de uma música que o tenham marcado, o que é que nos apresentaria? E porquê?

Escolheria como escritor o rapper, cantautor e compositor Chullage; o título do filme seria o Good Bye, Lenin!; e a música seria a “A Luta Continua” do músico angolano de intervenção David Zé, assassinado no contragolpe fraccionista do MPLA em 1977. São tudo referências que me tocaram e me consciencializaram, e que mostram o potencial que a arte tem para tornar visível aquilo que se encontra invisível e para colocar o foco em assuntos importantes que, de outra forma, não seriam falados.


Para concluir, qual é o grande passo que ainda lhe falta dar?

Tenho ainda muitos por dar. Projectos e ideias não me faltam, o que por vezes se torna difícil é conseguir encontrar o tempo e os meios para os colocar em prática.

Entrevista por: Nuno Mina

L-ALI: “Um dos meus objetivos quando escrevo é foder as métricas todas”

No passado dia 11 de Janeiro, no espaço DAMAS, deu-se um acontecimento que ficará escrito nas páginas primordiais da atual ascensão do hip-hop em Portugal e a isso temos que agradecer ao Gato Mariano (host da festa) e a todos os artistas que estiveram presentes no evento. Colónia Calúnia e toda a malta ligada a este coletivo, são uns dos principais responsáveis pela nova identidade que se está a dar a este estilo musical. Seriam eles que acenderiam a noite com a apresentação de novos sons de um EP que está para chegar, outros sons já conhecidos e ainda uma extensa e louvada participação de TILT. Para aquecer o ambiente antes da esperada atuação do duo de L-ALI e Vulto, contámos com os beats incessantes de MAF, seguido de DarkSunn que dispensa apresentações e, mesmo antes de se abrirem as cortinas, Metamorfiko no seu humilde SP-404.
Foi uma noite que garantiu que a inovação musical está presente e ainda tem muito a mostrar, e quem teve a oportunidade de assistir a este evento, muito dificilmente esquecerá que lá esteve, num início mais underground de um “novo movimento”.
A equipa da Hip Hop Rádio esteve lá e ainda conseguiu trocar umas palavrinhas com L-ALI.

Já sabemos o nome do teu novo EP, “Lista de Reprodução”, vão surgir algumas participações?

Não, todos os sons estão produzidos pelo Vulto e é tudo cantado por mim.

Em relação a singles, o que é que tens planeado para este ano?

Há muitas cenas planeadas. Vão sair muitas coisas “no plural”, não vou revelar muito mas muitas delas sairão pela Think Music. Vou estar a trabalhar com o Kidonov durante algum tempo, ele está a fazer toda a pós-produção das minhas músicas. Vou continuar a trabalhar com o Vulto, com a malta da Think… Mas os próximos lançamentos vão ter muita mão aqui da malta [Colónia Calúnia].

Fala-nos um pouco sobre a tua sinergia com o Vulto. Concordas que a sonoridade dele acabou por definir, de certa forma, o teu rap?

O Vulto é um dos principais responsáveis pela minha identidade. O nosso método de trabalho já mudou muito… Nós começámos a trabalhar para aí há quatro anos, tínhamos um amigo em comum, e eu fui a casa do Vulto que me mostrou uma sonoridade que eu nunca tinha pensado sequer; nunca tinha experimentado rimar sobre beats daquele tipo. Eu vinha de uma cena mais marcada e aí deu para me desprender de todos os registos que eu tinha. No fundo tive que criar alguma coisa que casasse bem com os beats dele.

Estes registos que falas acabam por ser os teus backgrounds musicais, podes exemplificar alguns?

Eu sempre ouvi muito indie rap: madlib, MF Doom… eu papava tudo, desde os 13/14 anos. Depois mais ou menos na mesma altura surgiu Odd Future, surgiram muitas coisas boas e eu estava a apanhar um bocado de tudo.

A tua música sempre começou por ser lançada exclusivamente pela internet?

Sim, o meu primeiro EP foi largado no Youtube e no Soundcloud. Depois mandámos ao Rimas e Batidas, curiosamente eles curtiram bué da cena e passaram-no logo na primeira emissão. Foi fixe!

Vês a tua ida para a Think Music como uma oportunidade para explorar novas sonoridades?

Foi à procura de novas experiências na música, novos holofotes. Eu acreditava muito no projeto, sabia que eles estavam a aparecer com algo que não se está a fazer em Portugal, isso é um facto. Eu vinha de um projeto que também não se estava a fazer em Portugal e pensei… Porque não? Isto faz sentido.

O Vulto está incluído nalgum futuro lançamento da Think?

Em princípio não, depende um bocado das vontades dele mas eu acho que, em princípio Vulto será Colónia Calúnia. Não vejo as coisas a misturarem para já, mas não é que um dia não possa acontecer.

Quais é que são as diferenças que notas entre o L-ALI do Colónia Calúnia, L-ALI da Think, e o L-ALI “a solo”?

Musicalmente ou liricamente não noto diferença porque cada música é uma música. Acho que a única coisa que muda é o canal. A letra que eu vou fazer vai depender do beat, não vai depender de sair pela Think ou pela Rimas e Batidas, isso é meramente um placar, um carimbo.

Sobre as tuas letras, elas provêm de um lado pessoal mais agressivo ou de um personagem? Ligando isto também à máscara que optaste por deixar para trás.

Uma personagem definitivamente. Eu gosto de brincar com palavras, um dos meus principais objetivos quando escrevo é foder as métricas todas.

Julgo que muitos dos teus ouvintes são fãs do duo L-ALI + Mike El Nite. Há alguma próxima track em vista?

Há aí umas coisinhas para este ano.

Tens algum artista ou projeto musical português em preferência deste ano que passou?

Este ano não fiz listas de preferidos porque sinceramente acho que se está a tornar um bocado redundante e preferi não fazer parte disso. Mas para melhor álbum nacional do ano vou ter que dar ao Slow J, acho que é indiscutível…

A lista do ano é uma boa iniciativa, toda a gente escolhe o que quer da forma mais sincera possível, a Rimas e Batidas e a H2Tuga têm tido malta com boas opiniões para fazerem isso, mas decidi não fazer parte disso desta vez. De facto, o que importa é que este foi um grande ano para o hip-hop tuga e acho que isso chega. Tivemos mais hip-hop em festivais do que em qualquer outro ano.

Reportagem por:                                                            Fotografia:
Christian Ferreira                                                       Christian Ferreira
Diogo Henriques

Bispo | Dissecação

“Um brinde à minha raiz, 2725 Algueirão Mem Martins” – Mentalidade Free

Pedro Bispo, rapper de 25 anos natural de Algueirão – Mem Martins, vinca bem a sua posição no rap sem nunca se esquecer do seu ponto de partida. Apesar das inúmeras referências do rapper à sua raiz em diversas faixas, Bispo apresenta, com Mentalidade Free, uma faixa com conteúdo dedicado às suas origens. No fim, o ouvinte é saudado – “Seja bem-vindo”, sendo recebido com prazer na realidade apresentada pelo artista.

“Discman na sacola, com o Sam, Sobre(tudo)” – Baú

Uma das grandes influências do rapper foi Sam the kid, com a faixa O Recado, pertencente ao álbum Sobre(tudo). São ainda destacadas pelo rapper outras músicas que o influenciaram bastante, em concreto Charuto cubano pertencente aos Da blazz e O nosso nome dos Mind da Gap.

“Desde kid a curtir bom rap, e agora um killer a matar a track” – Amén

O contacto com o rap dá-se desde tenra idade. As influências resultam numa vontade enorme de escrever e criar conteúdo. Aos 11 anos grava a sua primeira música. Ao olhar para o seu caminho, Bispo reconhece a evolução que teve ao longo do percurso.

“Deus é grande como diz o Fumaxa” – Sem Máscaras

Mais que um produtor, Fumaxa é um amigo. O trabalho entre os dois, de forma consolidada, tem início em 2014. Antes disso já tinham dado um lamiré do resultado do processo criativo de ambos, como podemos constatar, por exemplo, na faixa Mentalidade Free que data de 2013.

“E é deitado que penso, enroscado na manta, Se mereço um terço do amor de quem ama” – Aviola

Bispo reconhece que nem sempre foi correcto com a avó, com quem vive. O pouco tempo presente com ela e a falta de atenção têm um pesar na sua consciência. Isso fá-lo questionar se merece todo o amor que recebe da avó, que o adora. Apesar disso, Bispo vê a avó como um “porto-seguro” e promete compensá-la – “E um dia vou-te dar mais que a minha palavra, prometo”.

“Aos 20 outra realidade, 2725 a andar de botas na parada” – Alarme

Uma fase bastante marcante da vida do rapper dá-se aos 20 anos, quando entra para a Força Aérea. Esta vivência faz com que ganhe outra perspetiva da vida, contribuindo para o seu crescimento. Bispo assume que foi, sem dúvida, uma experiência única e positiva.

“Lutar não custa tanto, nem na rotunda abrando!” – Sem Mágoa

A luta e entrega do rapper para fazer cada vez mais e melhor têm dado frutos. O nome do EP lançado em 2017,“Fora d´Horas”, reflete a dedicação, as noitadas e o tempo fora de casa em prol da sua criação. Além da EP lançada, foram alcançadas outras metas. Em concreto, Bispo esteve pela primeira vez no MEO Sudoeste como artista e esteve ainda no palco principal do Sumol Summer Fest. Despertou também o interesse das editoras e, no verão deste ano, assinou pela Sony Music Entertainment.

“Eu sempre quis e fiz para fazer vida disto” – Necessidade

Do sonho para o palco, Bispo continua a rimar avidamente. A “Necessidade” musical e o trabalho demonstrado elevaram o rapper a um patamar bastante promissor no panorama do Hip Hop nacional actual. A correr “como dá”, decerto que o artista continuará a surpreender os ouvintes!

Escrito por: Tiago Francisco

 

O melhor do ano em 12 álbuns

Quase findado o ano e, inevitavelmente, à espera de Sangue Ruim, Ouro Sobre Azul e a continuidade de Unpluguetto, debruçamo-nos sobre mais um ano de história no hip-hop nacional. Um ano onde os séniores do movimento (Damaia, Gaia e Chelas) adiam novamente os seus lançamentos, dando espaço aos recém-chegados e menos mediáticos que, contudo, fazem deste ensaio um bonito portefólio de hip-hop nacional.

2017 começou em Tilt e terminou em Kappa – pelo menos nos 12 melhores trabalhos selecionados pela redação da Hip-Hop Rádio. Entre mixtapes, EP’s e álbuns, o ensaio que se segue é um sumário de boa música e uma celebração de ano novo sobre o que melhor se fez em Portugal este ano. Por Bruno Fidalgo de Sousa.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=g6FPG_7DC3k]

Tilt – “Karrossel, Karma” (29 de janeiro de 2017)

Depois de ter editado Alimentar Crianças Com Cancro Da Mama, em 2013, Tilt, rapper de Almada que tem cuspido regularmente em projetos como ORTEUM ou Colónia Calúnia, abre o ano de 2017 com Karrossel, Karma, EP de 7 faixas que o próprio caracteriza como “um breve ensaio sobre consciência e transformação”. A verdade é que Tilt é ainda underground no sentido lato da palavra: sem grandes promessas e sem grandes chamadas de atenção, o rapper construiu um EP consistente cujo público viu nascer com bons olhos e que, embora se note a necessidade de o polir, nota-se também um ambiente musical disruptivo que envolve os ouvintes.

Karrossel, Karma é um diamante em lapidação e abre as cortinas para o que aí poderá vir em 2018, seja a solo ou acompanhado.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rzPGBIPWuHE]

Slow J – “The Art of Slowing Down” (17 de março de 2017)

Foi em março que a redação da Hip-Hop Rádio se dirigiu ao Mercado da Ribeira para assistir à confirmação de Slow J. Se “Vida Boa” e “Comida já tinham granjeado o respeito do público pela boa vibe de “J, o encarnado”, o rapper, crooner, produtor e, acima de tudo, músico, lançou The Art of Slowing Down em 2017 e deixou “a tuga” em alvoroço com a harmonia musical e diversidade na produção do seu primeiro álbum, que também contou com participações de Intakto, Fumaxa, Papillon, Gson e Nerve. Com um variado ecletismo musical, com instrumentais enraizados da música africana, do jazz ou do rock alternativo, com faixas acarinhadas como “Casa”, “Biza” ou “Arte”, TAOSD reconheceu Slow J não como uma promessa do hip-hop nacional, mas como uma confirmação da música portuguesa.

The Art of Slowing Down é, assim, o melhor álbum do ano para a Redação da Hip Hop Rádio.

 

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Grognation – “Nada É Por Acaso” (30 de abril de 2017)

O primeiro álbum de originais do coletivo de Mem Martins não é, de facto, por acaso. Com uma mensagem e contexto vincados ao longo de todo o trabalho (desde o pormenor do artwork da capa à voz de Cláudia Cadima entre faixas), os cinco rappers juntaram-se a Sam The Kid, Dj Ride, Lhast ou Cálculo na continuação do estilo musical de Na Via e de Sem Censura. Sem grande alarido e sem algo que o torne “especial”, Nada É Por Acaso é um registo “grog” de excelência: os temas soltos, com enfoque no dia-a-dia, nas desilusões amorosas e na jornada do grupo e a habilidade de Harold, Prizko, Factor, Papillon e Neck em dissecar rimas sobre variados instrumentais sem nunca perder um fio condutor.

Os Grog são os Grog e nada mais. A sua singularidade torna este álbum num must-see de 2017.

 

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Língua Franca – “Língua Franca” (26 de maio de 2017)

Quando duas ou mais línguas coexistiam, surge a língua franca. Mundialmente já foi o latim, o francês, o inglês. Entre nós, a Língua Franca é o hip-hop. Para Valete, Capicua, Emicida e Rael, o Atlântico não precisa de se separar e isso é uma boa notícia. Maio terminou com o lançamento do projeto luso-brasileiro Língua Franca – uma mistura dos quatro rappers supracitados com a produção de Fred Ferreira, Nave Beatz, Kassin e o selo da Sony. Os dez temas que compõem este trabalho por parte de um “supergrupo” são de tácita compreensão: fala-se, entre melodias autênticas como é “Génios Invisíveis” e “Ela”, da condição social, do paralelismo entre o rap luso e o rap brasileiro e da liberdade humana, não fossem Valete, Emicida e Rael pesos-pesados do rap. Capicua também brilha – e com ela a voz feminina no mundo do hip-hop.

Língua Franca é um trabalho de culto. Um álbum com força internacional e que não deixa indiferente quem o ouve. E embora o hip-hop seja minoria, entre nós já só falamos uma língua.

 

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Scorp x Stereossauro – “UMPORUM” (30 de maio de 2017)

O MC caldense juntou-se a Stereossauro e deu seguimento ao seu primeiro projeto, Apontamentos, com uma mixtape editada esta primavera pela Crate Records. Com muito boombap, scratch e instrumentais originais, UMPORUM é um regresso às origens: hip-hop em estado bruto. Se em “Não há remédio” ou “Tudo mesma laia” tanto Scorp como Stereo se fazem valer da sua condição natural de conterrâneos e amigos para iluminar o ouvinte com hip-hop “à velha escola”, é nas outras faixas menos mediáticas que o rapper se faz ouvir: “Ponho a alma numa letra/ Nunca escondi a receita/ Sempre a mudar qualquer cena /É foda ter a tape feita” afirma em “Só Quero”. O rap de Scorp é imprevisível e liricamente expressivo e o MC soube bem passar da teoria à prática.

UMPORUM é de audição obrigatória para quem sente falta da velha escola. Duas opções agora: scroll down “ou então mete este som se quiseres abanar os cornos”.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=MDiVm0ynobI]

Wet Bed Gang – “Filhos do Rossi” (31 de maio de 2017)

Os filhos do Rossi foram talvez a maior surpresa do rap nacional em 2017. Com apenas três faixas “cá fora” – “Não Tens Visto”, “Todos Olham” e “Essa Life é Good” – os quatro MCs de Vialonga editaram Filhos do Rossi, EP independente e que nos mostra Gson, Zara G, Zizzy e Kroa como filhos do hip-hop – quem já os viu em palco percebe bem a energia e carisma do grupo. Mas quem é Rossi? O mentor e a pessoa que uniu o coletivo da V-Block e o principal impulsionador do seu rap. De facto, os Wet Bed Gang fazem deste seu primeiro trabalho uma homenagem ao seu “pai”, cruzando letras poderosas e bangers com a voz e melodia de Gson e com uma única participação de Jimmy P, neste que é um álbum delicioso de se assistir em concerto.

Espera-se um bom 2018 para os WBG. E é com este EP que o coletivo ganha o prémio Revelação por parte da redação da Hip-Hop Rádio.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=HER4jFfCkmI]

Bispo x Fumaxa – “Fora D’Horas” (1 de junho de 2017)

Bispo iniciou junho “sem parlapie”. Depois de “Bispoterapia” e “Desde a Origem”, o rapper de Mem Martins veio com a parceria do produtor Fumaxa apresentar “Fora D’Horas”. Com muito boombap e uma musicalidade já consolidada por Bispo em cada faixa que toca, este EP é um trabalho de referência – principalmente no que toca à produção. Fumaxa destaca-se este ano por vários trabalhos, mas é em “Fora D’Horas” (assim como no seu trabalho com Chyna) que a sua sonoridade se combina com a voz de Gson e a melodia de Dino D’Santiago e Bispo.

O alarme inicia este EP que volta a mostrar Bispo como ele próprio: com uma vibe e mensagem muito própria, el cantante de rap. E traz à tona Fumaxa – que magistralmente conecta o melhor de todos os intervenientes com os seus beats.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=nVV7oQS2HdU]

Beatbombers – “Beatmbombers LP” (17 de junho de 2017)

“O que é um Dj?” – perguntam os Beatbombers na última faixa do seu LP homónimo. Dj Ride e Stereossauro, juntos, nunca deixam de surpreender. Este verão a prenda foi um álbum recheado de grandes nomes nacionais, como Slow J, Fuse, Maze ou Phoenix RDC, sem nunca perder a sua principal característica: o scratch e o turntablism, a música eletrónica aqui fundida ao drum’n’bass, dubstep ou trap. A acompanhar a produção, D-Styles, Dj Kentauro, Razat, Holly ou a guitarra de Ricardo Gordo.

Beatbombers LP é um trabalho singular da dupla caldense e ganhou o seu direito a figurar nesta lista – quer pela produção e masterização imaculadas como pela lufada de ar fresco que as batidas de Ride e Stereo fizeram sentir.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=6SwBBlsOEM0]

Phoenix RDC – “American Express” (7 de setembro de 2017)

Phoenix RDC não é um novato. Renegado, Caos e Drama deram o mote e American Express surge em 2017 como um álbum de 16 faixas, maturo e compacto. Os instrumentais são originais de Charlie Beats e Moreno e a produção ficou a cargo de Shooh, mas foi Phoenix que tornou este trabalho um verdadeiro “expresso americano”, musicalmente sólido, com o registo que o rapper tem habituado os fãs, musicalmente “das ruas”. Vialonga vai subindo a fasquia dos seus MC’s. Em aparente descontrolo face à disruptora descrição do que vê, de onde mora e do que afeta a sua gente, este comboio mantém-se sob carris, cada vez mais destemido.

Phoenix RDC lança American Express – um dos álbuns do ano por ser, mais uma vez, um registo sólido e consciente do rapper.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=TkACAXPWDx4]

Fínix MG – “Níveis” (12 de novembro de 2017)

O novo recruta da Think Music estreou-se bem: Níveis é um EP de cinco faixas de (ex- Phoenixx MG) Fínix MG, com a produção de Osémio Boémio, Rkeat e Benji Price. Os meninos de ouro da label de Profjam encarregaram-se de chegar ao fim do ano para lançar o projeto sem aviso prévio, apenas com o single “Think Music” disponível até à data. Contudo, este trabalho do MC não desiludiu os fãs que caracterizam Níveis como um trabalho repleto de boa vibe, flow e dicção imaculadas e lírica já tradicional nesta família que se foi criando ao longo de 2017. Fínix MG entra deste modo no game e esperemos que não se fique pelo primeiro nível.

“ProfJam, conseguimos” – afirma em “Think Music”. O CEO deve estar satisfeito.

 

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=tnH26C7m4V0]

Blashp – “Stracciatella & Braggadocio” (17 de novembro de 2017)

Nerve, Keso, dB, Here’s Johnny, John Miller, Syniko e Skunk foram os produtores convidados por Blashp a embelezar Stracciatella & Braggadocio, o mais recente EP do MC da Mano a Mano. Frankie Dilúvio rima com confiança e flow e rima… muito bem. Entre faixas como “€uros Ramazotti” e “Apanha Game?”, o baller, como o próprio Blashp se autodenomina, vai dissecando rimas sobre poderosos instrumentais – não fossem os nomes supracitados uma equipa de peso.

Com muito hustle, flow e rimas diretas e refrescantes, o rapper da Margem Sul apresenta talvez o seu melhor trabalho: mais consistente, mais complexo, mais polido. Sem nunca esquecer o belo trabalho que foi “Frankie Diluvio Vol.1.”

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=cf6ssBzYFE0]

Kappa Jotta – “Ligação” (1 de dezembro de 2017)

Foi com muito “Hustle” que Kappa Jotta se foi afirmando “Pela Cidade”. O rapper da Linha de Cascais começou o mês de dezembro a lançar “Ligação”, segundo álbum de uma dinastia a formar. A voz e flow do MC conjugam-se com rimas ásperas e sem rodeios, retrata histórias e retrata-se a si mesmo: “Kappa no compasso é bruxaria/ Continuo o mesmo Kappa da guerrilha”. Em “Ligação” há Lhast, Slow J, Charlie Beats, Khapo, o velho conhecido DJ Big. Há muita rua pela cidade, há um Kappa Jotta em forma e pronto para ir, aos poucos e poucos, cimentando a sua conquista das rádios portuguesas.

“Ligação” é, porventura, um trabalho de reconhecimento na cena do hip-hop nacional. Falta-lhe ainda tempo para se estabelecer.

 

Não temos de ir a Roma para dar em Romance, vamos pedir ao Porto uma segunda chance.

Essa chance foi dada quando no dia 22 de Dezembro, se reuniram no Hard Club os amantes de hip hop para assistir a uma Ligação energética e memorável.

O clima estava propício, esperava-se uma grande noite.
Faltavam pouco mais de 10 minutos para o início do concerto e o contraste entre o exterior e o interior do edifício era notável. Um frio cá fora que era esquecido quando se entrava no tão bem elogiado Hard Club devido à ansiedade frenética que as pessoas imanavam.O concerto foi pontual, começou por volta das 22 horas na presença de Dj Fifty com uma versatilidade inerente e grandes transições à mistura.

Foi tempo de relembrar alguns clássicos de hip hop tanto nacional e internacional. Haveria melhor maneira de começar o concerto? Creio que não.
Seguiu-se Caixa Toráxica que nos mostrou que estávamos longe do nada porque aquele momento era tudo, aquilo seria um sonho ou realidade?

Foi genuíno, foi íntimo, foi real.
Uma viagem cheia de aventuras e peripécias foi-nos proporcionada por Puro L, um rapper portuense que deixou o público em autêntico êxtase. A sua energia, a sua postura, a sua voz rompem com o espirito de qualquer um. Uma atitude de um puro para um dos públicos mais puros do País, o nortenho.

Já tinham passado mais de duas horas de concerto, a casa estava cheia,  queriam a tão esperada entrada de Kappa Jotta. Esta estava para breve.
Era a vez da atuação de Dj Maskarilha. Este presentiou-nos com uns clássicos old school, que toda a gente sabia de trás para a frente.
Se havia vibe necessária e certa para a entrada de Kappa era aquela.

Sem mais demoras, foi a vez do verdadeiro Virus contaminar a mítica sala 1 do Hard Club.
Ele tinha tanto por dizer, tinha uma overdose de sentimentos em si que queria exteriorizar, e escolheu o Porto para mostrar o rap de rua de que é feito o seu álbum. Escolheu este lugar excêntrico para estar no Hustle com a família, para mostrar à sua mãe pela primeira vez um concerto seu, um momento lindo que ficará para sempre na memória.

Jotta com a sua toalha branca na cabeça e a sua voz inconfundível fez para merecer concretizar todos os seus sonhos ligados e conectados junto dos seus, pois até estes tiveram lugar reservado no palco.
Já cheio de saudades do palco, voltou a pisa-lo com mais feeling, para aquecer os corações com relíquias nostálgicas acompanhado como de costume por Bad Chicken seguidas de umas palavras sábias: “Sigam sempre os vossos sonhos e não deixam que ninguém se ponham entre eles. Eu estou a viver o meu graças a vocês.”
Um instante tão confortável e sereno, que nos fez sentir a todos na nossa segunda casa.

Um ambiente tão propicio a sentimentos foi complementado com Al-x quando este nos deixou um pedaço dele e nos falou de valores de amizade, que são tão necessários, e tão visíveis naquele dia.
Foi uma noite em grande, marcada por muitas emoções. Foi noite de agradecer aos Deuses do Hip Hop, de agradecer pessoalmente ao Barrako 27  que  estive  “ligado à ligação” criada por Kappa Jotta.
Cirilo, Uzzy  e  Factuz  também estiveram presentes, todos atrás do mesmo, chamativos e orgulhosos por poder pisar o palco do Hard Club e atuar perante a família “Hard Clubiana”.

O concerto estava a chegar ao fim, as pessoas estavam cansadas, mas  ansiosas por esse final pois sabiam que ia ser um término “ à grande”, um término à Kappa Jotta.
Juntamente com Reis, ambos saltam para o palco e contaminam todos os fãs com a energia e gratidão que estes sentiam. Foi um romance com um final feliz, único, inesquecível, puro e genuíno.

Escrito por: Rita Carvalho
Fotografia por: Inês Cruz