Hip Hop Rádio

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“Desghosts” só mesmo no título: Stereossauro apresentou o novo disco no Capitólio

No passado dia 6 de novembro, o Capitólio recebeu o concerto de apresentação de “Desghosts & Arrayolos”, novo disco de Stereossauro, e a Hip Hop Rádio esteve presente. Este álbum duplo contou com várias colaborações dos mais diversos estilos musicais e, como tal, esperava-se um espetáculo único, não estivesse a noite repleta de convidados como Aurea, Blaya, Carlão, Chullage, Manel Cruz, Marisa Liz, MC Zuka, Sara Correia, Selma Uamusse e xtinto.

A noite arrancou pouco depois das 21h30 com DJ Ride, numa altura em que ia começando a surgir cada vez mais público. Meia-hora depois o relógio marcava 22h quando Stereossauro subiu ao palco, estando acompanhado do já apresentado DJ Ride, mas também de Nuno Oliveira na bateria e Bruno Fiandeiro na guitarra. O DJ e produtor percorreu o seu novo disco na íntegra (e mesmo alguns sons de “Bairro da Ponte”), incluíndo as faixas resultantes de parcerias com artistas que não estiveram presentes. “Salto”, música que nasceu de uma colaboração com New Max, foi a escolhida para abrir o show.

Foto: Fábio Gonçalves

Não tardou muito até entrar em cena a primeira convidada da noite – Selma Uamusse – que subiu ao palco logo após o primeiro tema. “Vêm aí vozes incríveis, só venho aquecer”, dizia a própria; contudo, entregou ao público uma interpretação que foi além de um mero aquecimento, mostrando ali um pouco da qualidade que a noite avizinhava.

De seguida surgiu xtinto para cantar “Saia”, um dos temas que mais facilmente fica no ouvido graças ao seu instrumental, mas sobretudo pela lírica, que possui referências às “Sete Saias” (Nazaré) e à música popular portuguesa “Ó Rosa Arredonda a Saia”. O rapper mostrou-se muito bem na atuação, aliás, foi um dos melhores da noite. Curiosamente – e fica a incógnita se terá sido propositado ou não – um dos versos de “Saia” é “Malmequer, bem me queres, de rojo a apanhar cada pétala que caia”. Na verdade, a interpretação de xtinto aconteceu imediatamente depois de “Malmequer”, tema colaborativo entre Stereossauro e New Max ter sido tocada em palco.

Foto: Fábio Gonçalves

De seguida chegou Manel Cruz para interpretar “Mar de Gente”, um dos artistas mais aplaudidos e acarinhados da noite, até mesmo pelo próprio Stereossauro, que não escondeu a sua admiração pelo músico. A seguir, foi tempo de voltar a tocar “Flor de Maracujá”, um dos sons inseridos no álbum anterior, mas sempre agradável de se matar saudades, não fosse uma das melhores faixas do DJ e produtor.

Aurea foi a convidada seguinte para cantar “Mais Que Tudo” – cujo videoclip foi lançado precisamente hoje (dia 10 de novembro) -, com uma interpretação sólida e muito confiante. Depois desta atuação, que foi também uma das melhores da noite, pouco deu para recuperar, pois veio logo a seguir Sara Correia. Sabem quando estão a ouvir uma música num concerto e querem ouvir outra vez logo a seguir? Foi essa a sensação transmitida durante quase toda a atuação, devido à mistura da voz da fadista com um instrumental poderoso, que se complementaram muito bem, resultando numa atuação arrebatadora. “I told you so”, bem disse Stereossauro no fim.

Foto: Fábio Gonçalves

O concerto redirecionou o foco aos sons de “Bairro da Ponte”, desta vez com “Depressa de Mais” e, logo a seguir, “Barco Negro”. Seguiu-se Blaya, que chegou e interpetou “Pensão do Amor”, um dos sons já conhecidos antes da apresentação oficial do disco e também um dos que mais facilmente ficam no ouvido, sobretudo a parte do refrão. A artista, que foi comunicando várias vezes com o público, soube estar à altura da energia que a música pedia, levando Stereossauro a dizer no fim: “Fiquei a suar”. MC Zuka seguiu-se na lista de convidados com o tema “Senta”, uma faixa bastante agradável e, tal como a última, também a pedir mais energia.

Foi vez de chegar Chullage, curiosamente o único convidado que interpretou uma música do álbum “Bairro da Ponte”. O rapper oriundo da Arrentela fê-lo de forma irrepreensível, honrando este FFFF, ou melhor dizendo, “Fado, Futebol, Fátima, Festivais e Facebook”, que bem mereceu ser revisitado com o seu intérprete a cantá-lo ao vivo.

O espetáculo caminhava a passos largos para o fim. Depois de “Nunca Pares” (do álbum “Bairro da Ponte”), subiram ao palco Carlão e Marisa Liz, os dois convidados que ainda não entrado em cena. Se algumas atuações já tinham tido partes com explosões de energia, quando chegou a vez de “A Noite” – som também lançado antes do disco -, o êxtase durou do início ao fim, tendo sido sem dúvida uma das músicas em que mais se notou mais o público a manifestar-se, saltando repetidamente ou mesmo cantando em coro. Estava mais do que explicado – e com motivos para tal – o porquê de, antes de o concerto começar, serem várias as pessoas a falarem desta música em concreto.

O alinhamento chegou ao fim com mais uma revisitação ao último álbum, através de “Verdes Anos” de Carlos Paredes. No entanto, e não tivesse avisado já Stereossauro – “A Sara pode entrar em palco quando ela quiser” -, o concerto culminou com uma nova interpretação de “O Mundo Há de Ser Mais” por parte de Sara Correia.

O público aplaudiu de pé todos os intervenientes neste espetáculo cheio de boa vibe, que voltaram ao palco para agradecer. Embora este trabalho duplo de Stereossauro se intitule “Desghosts & Arrayolos”, a verdade é que curiosamente o espetáculo ali proporcionado esteve longe de ser um desgosto ou algo que desse vontade de “dar ghost” antes do seu fim: pelo contrário, a dinâmica do concerto manteve-se bastante agradável ao longo do tempo, sem se notar grandes quebras no ritmo da noite. Na verdade, foi um “arraial” (como o próprio associou ao nome “Arrayolos”) com boa energia em pleno Capitólio. Depois de “Bairro da Ponte”, o DJ e produtor mostrou uma vez mais o quão bem resulta a sua criação artística com o recurso a vários artistas de estilos muito diferentes uns dos outros. Notou-se claramente que se trata de um disco feito para ser tocado na presença do público, um facto reforçado pela interpretação dos convidados, que conseguiu superar ainda mais as versões em estúdio.

Foto: Fábio Gonçalves

“Desghosts & Arrayolos” já se encontra nas plataformas digitais. Entretanto, no próximo sábado, Stereossauro estará presente na próxima sexta-feira, pelas 22h, no Time Out Market (Lisboa) num concerto que resulta de uma iniciativa da Super Bock.

O hip-hop que incendiou as Fitas de Coimbra

Think Music, ORTEUM, Beatbombers, Plutónio, Mishlawi, Lhast e Dino D’Santiago foram os principais representantes do hip-hop nacional na última edição da Queima das Fitas, que terminou na última sexta. A supremacia do género no cartaz das semanas académicas continua em 2019 e Coimbra não foi exceção nesta senda de festivais universitários onde o rap e o djing continuam a ser uma das principais armas para atrair novos – e velhos – públicos.
 
O primeiro dia de recinto foi também o dia “do” hip-hop – a segunda-feira, que habitualmente representava as rimas e batidas, passou a representar os grupos académicos. Ao palco principal subiram Yuzi e Sippinpurpp, no início da noite, seguidos de ProfJam, que deixou o público a pedir mais – “mais” ou Mike El Nite, que acompanhou os concertos da label nos pratos antes de assumir ele o palco num novo conceito, DJ ON THE MIC, passando e cantando algumas das faixas mais icónicas do atual panorama musical, de 21 Savage a Drake. Contudo, do outro lado do recinto, à mesma hora que Mário Cotrim, subiam ao Palco RU( o coletivo ORTEUM, de Tilt, Mass e Nero – onde foram percorrendo algumas das faixas mais e menos conhecidos do seu portefólio, principalmente do disco de 2016, Perdidos&Hashados. Na mesma noite estavam também programadas as atuações dos dois MC’s da Andamento Records, Heartless e holympo, que, por incompatibilidades com a organização. não chegaram a pisar o palco da tenda eletrónica.
 
Três noites depois, regressou o hip-hop ao Palco Fórum Coimbra, com os Beatbombers em separado: primeiro, o veterano Stereossauro, no final da noite, Dj Ride, já habitual no certame. Entre os seus concertos ecléticos, um Dino D’Santiago felicíssimo desceu do palco para junto do público com um grande sorriso, depois do seu “Mundo Nobû” e da bonita “Como Seria” o deixarem em cumplicidade com os estudantes que tanto dançaram ao ritmo cabo-verdiano do cantor já com créditos firmados no movimento.
 
Para fechar as noites de hip-hop, Dj Dadda, com muita “Cafeína”, atuou um pouco antes de Plutónio e Mishlawi, cujos mais recentes temas – e EP, no caso do luso-americano – incendiaram a plateia. Lhast encerrou a noite com dj set e, mais uma vez, foi o hip-hop que mais incendiou as fitas da Queima de Coimbra.

Fotografias de Pedro Dinis Silva e Pedro Emauz Silva – via jornal A Cabra.

GuiaHHR: Dez discos para ouvir em 2019

Em 2018, o Guia Hip-Hop Rádio teve o intuito de analisar e contextualizar os “doze projetos que mais se destacaram no movimento – e porquê”, um pequeno ensaio fruto de infindáveis horas de audição. Neste caso, isso será (quase) impossível, já que o Guia HHR de janeiro se vai debruçar sobre a música que ainda não saiu, à excepção dos singles reproduzidos. Para este ensaio, entrei em contacto com os MC’s e produtores com projetos anunciados, recém-publicados e ainda por desvendar em 2019, com uma só questão. Ficam as respostas. Por Bruno Fidalgo de Sousa.

Como descreves o álbum que te preparas para lançar?

Stereossauro - Bairro da Ponte

“Estou muito ansioso por lançar este trabalho, o Bairro da Ponte é o trabalho mais importante que fiz até agora e o que gostei mais de fazer também, este disco inspira-se na nossa música tradicional, o fado, com vários samples dos “cofres” da Valentim de Carvalho, e tem gente talentosa de todas as idades e estilos musicais a participar, todos os vocalistas e musicos que participam foram incríveis e fizeram este disco possivel.”

Bairro da Ponte chega amanhã às lojas. “Flor de Maracujá” é o primeiro single:

Reflect

Amanhã lanço o meu “Castelo de Cartas”, que continua a contar uma história no ponto em que o “Barco de Papel” a deixou e que começou na “Eu fico bem”.) Tal como aconteceu com o meu primeiro álbum “Último acto”, voltei a criar música desprendido de tudo o que não seja a minha inspiração.Decidi dedicar mais tempo a cada tema e ir contando esta nova história por capítulos. No final, transformar-se-ão no meu terceiro álbum, quando a minha inspiração me permitir dizer tudo até à data em que decida lançá-lo.Até lá e para quem segue o meu trabalho, resta-vos desfrutar da viagem porque o final ainda só eu conheço. E obrigado.”

Reflect, MC e fundador da Kimahera, label algarvia, prepar-se para lançar o seu terceiro álbum. “Barco de Papel”, publicada em fevereiro de 2018, é o primeiro single:

xtinto - Latência

O conceito do Latência começa no retardamento propositado do seu lançamento. Depois da Odisseia, Latência é o jet lag consequente dessa viagem, desta vez mais sozinho e introspetivo.”

Odisseia, com Dez, foi a primeira amostra do trabalho de xinto. O rapper de Ourém prepara Latência, EP em colaboração com benji price. “Quentin Miller”, o último tema do MC, tem produção de rkeat, também da Think Music.

Grilocks - Nimbus

O Nimbus é um álbum introspectivo onde dizimo o meu ego para ouvir o meu eco, transformando problemas em soluções, onde assumo uma forma diferente de estar na vida, menos ingénua e mais confiante. Com vários ambientes, uns mais agitados outros mais românticos, com várias cores e sensações, viaja a vários desassossegos do nosso âmago, que penso serem abrangentes a todos nós, de formas e perspectivas distintas. É inteiramente produzido e dirigido pelo Khapo, sem uma linhagem muito concreta ou definida, há sempre um tema que está ligado a outro, é um álbum dinâmico e com uma intenção profunda.”

Depois de CARISMA, em 2016, Grilocks prepara-se para editar Nimbus, com a Mano a Mano. Por agora, “Labirintos” é o primeiro single, com participação de Bibi Ross. Segue-se “Mais Do Que Pele”, com Napoleão Mira, agendado para dia sete de fevereiro.

Macaia

“É um álbum de ensino para quem crê que pode aprender sempre mais. Um lembrete de que podemos ser mais e melhores, ainda que tudo à nossa volta não esteja em favor do nosso futuro. E é, sem dúvida, um agradecimento a todos os amigos, familiares e desconhecidos que me dão força para subir esta montanha que é a vida. Subimos Todos.”

O álbum de estreia de Macaia, que já demonstrou o seu talento ao lado de Mundo Segundo, Kappa Jotta ou Cálculo, era há muito esperado. O artista de Abrantes tem já dois singles na rua deste projeto ainda sem nome. “Casa de Oportunidades” foi o primeiro tema a ser divulgado:

Tom - MAD

“É complicado descrever uma dica cujo título é Mente a Divagar em simplesmente duas ou três frases… já tinha pensado em fazer uma cena mais consensual e específica mas a meio do trajeto decido abordar mais os aspetos técnicos do meu rap e tentei caminhar por vibes diferentes! Novos flows, métricas, etc… mas tudo dentro das “legalidades”. É uma espécie de egotrip consciente… Onde um gajo se preocupa com o que vai dizer, mas também anda ali à procura duma forma diferente de o poder fazer.”

Mente a Divagar, segundo álbum de originais de Tom (sucessor de Guarda-Factos, de 2016) ainda não tem data. Contudo, já podemos ouvir o tema “O que é que a vida traz”, com instrumental de Razat, primeiro single do disco:

TNT

Este ano vou lançar um novo trabalho, um EP de sete temas, todo produzido pelo DJ Player. Tem algumas participações de pessoal ligado à Mano a Mano, como Amaura e Jay Fella, e outras por revelar. Em breve irei lançar novo vídeo e avançar mais detalhes.”

O rapper de Almada tem já um vasto portefólio. O último trabalho tinha sido Menino de Ouro. “Flow” é o primeiro single, com participação de Amaura.

Praso - L.E.V.

“O nome do álbum diz tudo. É um álbum livre, que me sai por espontânea vontade.”

LEV (Livre e Espontânea Vontade) tem data marcada: 25 de abril. Já estão disponíveis seis temas, um deles, “Até virar pó”, com Sara D. Francisco:

Russa - Mixtape L.S.D:

“Esta mixtape é muito diferente do álbum Catarse, lançado em março. São beats mais clássicos (todos do Madkutz) e o maior foco é em storytelling e não em punchlines, como é hábito. Foi tudo escrito e gravado em apenas um mês, num ambiente descontraído e mais numa de let’s have fun!”

 

Do “Bules Para o Mercado” e “Yoyoyo” foram os primeiros temas desta mixtape de Russa, com produção de Madkutz. Os restantes temas vão ser revelados ao longo das próximas quatro semanas.

Phoenix RDC - O Melhor Álbum de Hip-Hop Português

“Já faço castelos com a merda que esses putos metem na boca”

 

Ainda em janeiro, Phoenix RDC divulgou uma mão cheia de singles e O Melhor Álbum de Hip-Hop Português. O disco tem o selo de sete produtores. “Chiripiti” tem (mais um) instrumental de Lazuli:

Com O Melhor Álbum de Hip-Hop Português já nas ruas e Reflect e Sterossauro com novidades para amanhã, resta aguardar pelo próximo MC a deixar a sua marca em 2019.

Guia HHR: outubro quente traz o diabo no ventre

Outubro quente traz o diabo no ventre. Podia também escrever “outubro quente traz hip-hop no ventre”, que faria igualmente sentido quando nos deparamos com o que este mês deu aos hip-hop heads de Portugal: álbuns, singles, videoclips de renome, bangers, temas ainda por desvendar. Do regresso a solo de Sam The Kid – coroando o ano com Mechelas – à estreia no formato longa-duração de Subtil, a mais um (grande) disco underground dos Colónia Calúnia, aos singles aclamados de Deau, Allen Halloween, Virtus e Holly Hood, entre tantos outros. Não obstante os lançamentos internacionais, o Guia HHR deste mês é dedicado ao hip-hop nacional.

Foi Holly-Hood quem estreou o mês com mais um single da segunda parte de Sangue Ruim, após “Cala a Boca”, lançada há cerca de um ano.”Miúda”, produzida, misturada e masterizada por Here’s Johnny (quem mais?), apresenta-se com um vídeo realizado pelo próprio MC, que já arrecadou mais de dois milhões de visualizações no YouTube e até contou com uma “resposta”, por Annia. O artista da Superbad. ainda não revelou qualquer data para Sangue Ruim. 

Regressou com um “Aviso”, este ano deu o “Ponto de Partida” e no final de setembro disse ser”O Mesmo”, e a verdade é que o mesmo Deau conquistou mais uma vez o público com “Traça a Linha” e “Simples“, ambos os singles produzidos por Charlie Beats nesta que é muito provavelmente a amostra de um novo álbum, depois do  rapper portuense editar Retissências (2012) e Livro Aberto (2015).

“Parceiro tu não te baralhes
Se estiveres a dar cartas na área
Guarda os trunfos que tiveres na manga
Para na altura certa recolheres a bazada
Porque se eles quiserem o ouro
Dão-te com paus até te virares do avesso
Ficares encurralado entre a espada e a parede
Fechado em copas até te encontrares seco”

Deau em “Simples”

Fonseca e Senhor Timóteo foram dois dos artistas que iniciaram o mês com o pé direito: “Deixa Que A M*rda Passe” é o single de apresentação da dupla para um EP em conjunto de quatro temas, no momento em que Fonseca se prepara também para lançar Domínio Do Delírio, com Cripta, que assina a realização deste videoclip, assim como a mistura, a masterização e as vozes adicionais da faixa.

O início do mês trouxe também à tona Subtil, outrora conhecido por 100Nome, que chegou “sem nada a temer”. Áquem-mar é o seu álbum de estreia, “um disco produzido e gravado por Praso no Artesanacto”, que sucede ao EP Venho Pelo Meu Nome e conta com 12 temas, incluindo o single “Cada Um”. É de notar o carinho da label Artesanacto pelo newcomer algarvio (…), apadrinhando o projecto com as suas produções (Montana e RichardBeats assinam um instrumental cada, Praso compôs os restantes onze, incluíndo a “Intro”) e com participações de Mass, Tom, RealPunch, Dani, JV e Odeo.

“não sou velha nem nova eu sempre fui expulso da school”

https://www.youtube.com/playlist?list=PLF374FfAS_kioVqSaFu0SxT8zn1cJ2y0R

Mas foi a 13 de outubro que Samuel Mira abalou a estrutura com Mechelas, o álbum de regresso, sucessor de Pratica(mente). Note-se que é maioritariamente um álbum em que STK atua como maestro, o inevitável produtor de toda a obra, alicerando nela nomes como GROGNation, Phoenix RDC, Ferry, Blasph ou Sir Scratch, sendo que todas as faixas já foram publicadas na plataforma TV Chelas. “Sendo Assim” foi a cereja no topo do bolo: Samuel a solo, desde sempre “na life de mil e cem romanos” a rimar num tema que já encontrou lugar no coração dos hip-hop heads. 

Sam The Kid prepara agora Classe Crua com Beware Jack. A edição física do Mechelas pode ser adquirida na loja online da TV Chelas por dez euros.

Confirma-se o mês entusiasmante. E ainda não está perto de terminar:

A 12 de outubro, Amon e Nero e Dj Sims brilharam num instrumental de Groove Synthdrome numa faixa intitulada “Sem Tirantes”, editada pela Pipa de Vinho Rec.

Allen Halloween e Maradox Primeiro, que são um e o mesmo, tentaram diminuir a ansiedade dos fãs do MC “Na Porta do Bar”.

Mais música por Apollo G, “Bem di Baixo”, desta vez com Bispo e Landim e produção de RDG. O tema pertence à mixtape Sucess after Struggle.

Com produção de Andrezo e participação de Murta, Domi estreou “Rosas”, tema que é acompanhado pelo vídeo de Tomás Zimmermann.

A recente Andamento Records publicou “Way”, tema que une Lil Ameal e VIC3 num produção de mendez.

Depois de “Ainda Não Tem Nome”, Virtus aliou-se a SP Deville para o tema “Trapézio”, prenúncio para um novo álbum depois de UniVersos, e conta com uma animação e ilustração de excelência, por Paco Pacato:

“não é questão de lógica é a relação morfológica
não recito ou declamo, repito o que reclamo
na verdade que nos afronta sem frente
que me desmonta e desmente
esta é a segunda a vez que eu fico assim para sempre”

rap das Caldas da Rainha também teve uma palavra a dizer este mês: “Flor de Maracujá é o novo single de Stereossauro, o sucessor de “Nunca Pares”, e conta com letra de Capicua, voz de Camané e uma sample de Amália Rodrigues. A realização é de Bruno Ferreira. O tema fará parte de Bairro da Ponte, que é esperado sair em breve e será editado pela Valentim de Carvalho. O comunicado refere-se ao álbum como “a nova voz de uma velha cidade que pede para ser ouvida”.

Ainda na “cidade das rotundas”, Scorp publicou “Cara Lavada” e já tem nome para o novo projeto: Visão Noturna. Também T-Rec publicou “2T”, faixa com scratch de Stereossauro e instrumental de DONTLIKE.

Com mais um lançamento em 2018, A Vida Continua é o novo álvum de estúdio de Boss AC, sucedendo ao EP Patrão. do qual se reeditaram os temas “As Coisas São Como São”, “O Verdadeiro” e “A Vida (Ela Continua)”. “Por Favor (Diz-me)” é o primeiro single do álbum de 12 faixas e conta com a voz de Matay e vídeo da WILSOLDIERS.

Também Spliff, produtor e agora MC da Madorna, estreou o seu primeiro álbum na arte das rimas este mês. “Miráculo” fora o mais recente aviso e Risco o culminar. São, ao todo, 14 temas, com participações de Zeca, Vulto, Nog e KidSimz. Quase todos os instrumentais foram produzidos pelo habitual companheiro de Dillaz, este que não entra em nenhuma faixa.

E a corda já tá no pescoço
Tu não faças o que eu digo
É mais fácil ires a Marte
Do que seres aquilo que eu vivo

Spliff em “Confundido”

A fechar o mês, destaque ainda para Chá de Camomila, EP de Toy Toy T-Rex, rapper da Linha de Sintra associado à BANDOMUSIC, que conta com 11 faixas e participações de Mafia73, Yuri da Cunha, DCOKY e Nimsay.

Single novo de Jotta R, MC de Évora: “Tão Good“.

holympo também tem novo música: “Palavras”, uma ” versão da balance do lord d”. Manthinks colaborou com DUQUEGOTBEATZ em “GAME MODE“.

TNT foi outro dos rappers com singles publicados. “Flow” é a primeira amostra do próximo EP do MC de Almada, que se alia a DJ Player e AMAURA (Maura Magarinhos), num videoclip assinado por Manuel Casanova. A Mano a Mano disponibilizou também “Missão a Cumprir” no seu YouTube oficial, o primeiro álbum dos M.A.C.

Para o final, reservamos o álbum de outubro (talvez do ano). Os Cólunia Calúnia já tinham avisado com “Caixão” [em baixo], mas só no final do mês é que [caixa] chegou ao público. O coletivo edita mais um trabalho este ano, desta vez com rimas de Secta e instrumentais de Metamorfiko. L-Ali, Nerve e Tilt são os convidados deste álbum que sucede a MONRÓVIA, CONSÓRCIO, LISTA DE REPRODUÇÃO, YARIKATA, RETARDED TEMAKI, EYELASHES GONE a@, todos eles publicados este ano no BandCamp do coletivo.

Se a expressão “quantidade não é qualidade” costuma vestir o hábito da verdade, com os Colónia Calúnia essa métrica não se aplica. Rui Miguel Abreu, na sua crítica ao álbum, afirma mesmo:

[caixa] exige atenção. Cospe na cara, chuta nos tomates, grita nos ouvidos. Não admite distracções. Não dá para ouvir a fazer o jantar ou enquanto se está de olhar perdido na janela que desenrola o caminho que falta para chegar a casa, ao sofá. Escutar no escuro, sem estímulos externos, é a melhor maneira de entrar neste labirinto de sons, de sílabas, de ideias, de nós de sentido, de pequenas torturas ao pensamento. Dói, mas é bom. Custa, mas é de borla”

e acrescenta ainda:

“Este é o melhor disco do ano que quase ninguém vai ouvir.”

Afinal, “qual é a cor do céu da boca de um Estrumfe?”

Um outubro quente, um novembro para ficar em casa a ouvir todos os singles, mixtapes, EP’s e álbuns que o Guia HHR aqui lista, analisa e destaca. Um mês para recordar. 

Ensaio de Bruno Fidalgo de Sousa

GuiaHHR: para vindimar, deixa o setembro acabar

Para vindimar, deixa o setembro acabar. As uvas ainda estão verdes. Só no próximo mês é que chega o outono e, com ele, chegam-nos trabalhos de Carlão ou NGA, Brockhampton ou – de regresso após oito anos de paragem – Cypress Hill.  A primeira edição do GuiaHHR chega em tempo de vindima, as colheitas estarão prontas em breve e o início do ano letivo reserva novidades e muitas horas de música.

É já no próximo dia oito que Filhos da Rua 2 chega às ruas, segundo a confirmação da Rimas e Batidas. O sucessor de KING (2014) conta já com dois singles, “Perfeito” e “Tatuagens, Cicatrizes & Diamantes”. Vale lembrar que o primeiro Filhos da Rua data de 2012. Com selo Dopemusik, o mentor dos Força Suprema regressa aos álbuns a solo, num registo que não lhe é desconhecido.

Por outro lado, também Carlão, ex-Pacman, pretende editar Entretenimento! no mês de setembro, álbum já esperado desde junho e que sucede ao EP Na Batalha na discografia do MC de Almada, que iniciou o seu percurso a solo com Quarenta, em 2015. Para já, o singles “Contigo” (produção de  Branko (ex-Buraca Som Sistema) e PEDRO) é a única amostra de mais um trabalho original de Carlos Nobre Neves que, ainda em 2017, participou com três temas no projeto “Livres e Iguais”.

Entretenimento! conta com participações de Slow J (no tema “Repetidamente”, dado a conhecer no último SuperBock SuperRock pela dupla), Manel Cruz (Ornatos Violeta) ou António Zambujo.

Também se esperavam novidades de Lójico. Sem confirmação oficial, o tweet do MC portuense deixa em expetativa os fãs que esperam, ansiosos, pela vindima. “O Que Era Amor Virou Incómodo” foi a única pista, mas espera-se, finalmente, o EP “amor&arte”, que já conta com quatro singles no YouTube e produções de Lazuli, Memoriais ou Holly. O master e captação é de Kap, MC gaiense que editou em 2015 Do Nada Nasce Tudo.

 

Do outro lado do oceano há novidades a acompanhar todo o mês de setembro.

Na passada segunda-feira, o coletivo norte-americano Brockhampton anunciou, no Twitter, o lançamento de Iridescence. Ainda sem data definitiva, o quarto álbum de originais do coletivo – que sucede aos três (!) Saturation, todos eles editados no passado ano – já teve dois nomes: Puppy e The Best Years Of Our Lives. Agora, terminada a tour e com três singles já lançados (“1999 WILDFIRE”, “1998 TRUMAN” e “1997 DIANA”), o regresso do grupo liderado por Kevin Abstract aos álbuns afigura-se próximo. Um subtítulo – “Made in London”, alimenta o suspense neste que será o quinto trabalho de originais do coletivo texano.

Na costa este, Zoo, próximo álbum de Russ – sucessor do disco There’s Really a Wolf, editado no ano passado, chega às plataformas no dia sete. Capa e tracklist também já anunciadas. rapper de Nova Jersey esteve em Portugal o ano passado, em concerto na Altice Arena onde a Hip-Hop Rádio esteve presente para assistir à confirmação de Russ em solo nacional.

Totalmente distintos de Russ são os Suicideboys. A dupla, composta por Slick Sloth e Ruby da Cherry, escolheu “Carrollton” como single de I Want To Die In New Orleans, que também tem como data de lançamento o sete de setembro.  É o primeiro trabalho desde a edição da série de EP’s Kill Yourself XVI–XX. 

Também os Cypress Hill regressam, a 28 de setembro, com Elephants on Acid, o seu novo álbum de estúdio. Sucede a Rise (2010). O álbum, editado pela BMG, inclui 21 faixas, das quais “Band of Gypsies” é o principal single. B-Real, Sen Dog, Eric Bobo e DJ Muggs preparam-se também para uma tour mundial para promover Elephants on Acid, que também já tem capa e traklist disponível.

Segundo um tweet informal de Oseias, é “Think Music season”: e isso é sempre um bom aviso para os fãs da label de Profjam – cujo álbum exclusivo com Lhast ainda não tem data. A juntar aos artistas já citados, também Stereossauro deu por terminada a edição do seu próximo álbum, ainda sem nome ou data. Noname, rapper de Chicago, foi mais uma artista que anunciou o seu álbum, Room 25, a sair no próximo mês, e o talentoso Virtus, rapper portuense, anunciou que iria “voltar às aulas” em setembro.

Já vão uns anos a chumbar por faltas. Vamos repor isso. Novidades []

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Logic também se prepara para mais um lançamento. Young Sinatra IV sucede a Bobby Tarantino II, já no próximo dia 28.

Para vindimar, deixa setembro acabar. Só aí podemos escutar com atenção as novas sonoridades que, já fora do forno, aguardam a recepção do público e a sua cristalização no universo do hip-hop, que nunca é apenas hip-hop.

 

Beat Fest: um marco na história, uma herança para o futuro

No Alto Alentejo não há rede. Pelo menos, não em Ribeira da Venda. Não há como estar online e só durante as tardes – para quem viajou de carro – é que é possível deslocar-se aos aglomerados vizinhos em busca daquele traço a mais, na tentativa de carregar as instastories gravadas na véspera. Assim, as fotografias e entrevistas ficam para depois. Por agora, é tempo de tomar um banho, descansar e, porventura, ler este ensaio e esta reflexão sobre o que o Beat Fest foi, o que criou e representa | Por Bruno Fidalgo de Sousa

A equipa da Hip Hop Rádio esteve em Portalegre para assistir à primeira edição do certame que prometia muito: os nomes de Piruka, Slow J e a dupla de veteranos STK e Mundo Segundo eram cabeças de um cartaz recheado de rap e batidas portuguesas. Agora que a tenda está arrumada e o calor alentejano ficou para trás, é hora de afirmar que a consagração do hip-hop nacional já tem nome e marca. O festival que se orgulha – e com todo o direito – da sua programação exclusiva de rappers e DJ’s e da sua identidade singular chegou ao fim, depois de quatro dias de temperaturas elevadas, durante a tarde no campismo, à noite em palco.

Falar das infraestruturas é redundante, falar das condições é supérfluo. Contar os braços que, para cima e para baixo e vice-versa se agitavam na multidão é missão impossível. Mais fácil seria contar as horas de calor extremo que os campistas superaram, ávidos pelo próximo concerto. Hoje, muitos hip-hop heads podem sentir-se orgulhosos de ter estado na primeira edição de um certame feito para durar e que, das mais variadas formas, se distingue dos demais.

Há muito que os festivais deixaram de ser festivais de música para passar a ser festivais de verão. É inegável o quão rentável para as organizações é a aposta nos nomes mais conhecidos das massas, nos nomes que se colocam no topo de vendas em Portugal e não só. Já não é só pela programação que se vai a um festival. É pelo espírito, pela festa, pela moda ou pelo que quer que seja. Quando falamos do Beat Fest, não podemos falar em festival de verão ou em festival de música. Falamos em festival de hip-hop. Não de rap, mas de hip-hop. E isso – seja para os veteranos e pioneiros, seja para os recém-chegados a esta cultura – é, não só um prazer, mas uma vitória. Porque o espírito, em Comenda, Gavião, era muito mais do que aquele que se esperava: “aquele sabor e toque das old school hip-hop parties”.

Obviamente que esse sabor e toque já não são os mesmos, também por culpa da própria evolução do movimento. Se faltava alguma coisa, seria o breakdance, a única vertente sem representação – Youth One, um dos pioneiros do graffiti nacional, esteve durante os três dias oficias de festival encarregue das tintas. Também um cypher à moda antiga se enquadraria, ou até mesmo um confronto de turntablism (sugestões para as próximas edições?). Mas, se hoje em dia esta cultura se pode orgulhar de ter um festival exclusivo, muito se deve à aproximação do público, cada vez mais numeroso.

(Relembro-me do meu primeiro festival, de todos os outros que vieram por contágio, das festas de hip-hop e das festas caseiras com a coluna de mão a vibrar. A diferença entre todas essas sessões musicais está no público, na forma como sentem o que cantam e na forma como, todos juntos, sentem o hip-hop. Phoenix RDC contou à Antena 3 que só no Hard Club sentira o mesmo ambiente que em Comenda. Isso é de louvar.)

O Beat Fest tem agora espaço para deixar uma herança pesada às próximas gerações. É um marco no movimento, como quase todos os que passaram pelo palco nestes últimos dias afirmaram. É o fator exclusividade: um festival de hip-hop, organizado por malta do hip-hop para malta do hip-hop – quando digo “malta”, refiro-me a todos os hip-hop heads e a todos os fãs que marcaram presença e não arredaram pé durante as horas de concertos, refiro-me à malta que cá caminha desde o início. E, quando falo em exclusividade, falo do quão única é esta arte. Se, antigamente, havia a “malta do rock”, a “malta do metal”, “a malta do funk”, hoje – e já há alguns anos – podemos falar da “malta do hip-hop” e da forma como, a pouco e pouco, se vai conquistado cada vez mais espaço, seja em boombap ou trap, seja nova ou velha escola.

Foram quatro duros dias – muito sol, demasiado calor e bastantes horas de pé. Foram muitos braços no ar e muitas rimas e batidas levadas pelos mais eclécticos artistas dentro daquilo que é o rap e, acima dele, o hip-hop: do freestyle de Eva RapDiva e Sangue Bom (MC do coletivo Alcool Club), aos mosh pits incentivados pelos GROGNation, por Kappa Jotta ou Holly Hood, aos refrões de Phoenix RDC ou Dillaz, cantados do fundo do peito pelo público, aos pratos de Nel’Assassin, Gijoe, Kwan, à guitarra de Slow J ou à vibe de Mishlawi ou Cálculo.

O hip-hop nacional está mais vivo do que nunca – o hip-hop nacional esteve em peso em Comenda e o Beat Fest tem tudo para continuar. E, como a última frase do set de Stereossauro que encerrou a festa, a mensagem de despedida só podia ser esta: “se é para morrer, morremos de pé”.

Fotografia de Bruno Fidalgo de Sousa

BEAT FEST: Um festival de batidas, rimas e tintas

 

O hip-hop volta a estar em destaque no panorama dos festivais de verão. No Beat Fest “só” não há breakdance, mas, em contrapartida, apresenta uma programação de luxo a nível de MC’s e DJ’s nacionais. A praia fluvial da Ribeira da Venda, em Comenda, Gavião, recebe, de 2 a 5 de Agosto, o certame que tem como objetivo colocar o Alto Alentejo no mapa do movimento e, “quem sabe, trazer de volta aquele sabor e toque das old school hip-hop parties”. | Por Bruno Fidalgo de Sousa

Não só de MC’s se faz a festa em Comenda. A programação, que conta com Piruka, Slow J ou Mundo Segundo e Sam The Kid como cabeças de cartaz e  Nel’Assassin, Dj Kwan e Stereossauro nos pratos, “seja em clubbing ou turntablism”, só fica completa com Youth One, writer português que irá estar a pintar durante a tarde nos três dias de festival, explica Ivo Novais, um dos organizadores do evento, que acrescenta ainda “principalmente porque o consideramos um artista com alma hip-hop e, sendo a nossa primeira edição, queremos começar com uma vibe distinta”.

Embora o plano inicial contasse com a presença do breakdance e com dois artistas internacionais, o cartaz está fechado. Ivo explica que “infelizmente não conseguimos trazer artistas de breakdance, foi uma dificuldade que não conseguimos ultrapassar, estamos na primeira edição, esperemos que para o ano consigamos ter as quatro vertentes em pleno.”

Para além dos concertos já mencionados, também Mishlawi, GROGNation, Phoenix RDC, Cálculo, Kappa Jotta, TNT, Dillaz, Eva RapDiva e Holly Hood têm presença marcada nos três dias de festival. A completar o certame, a receção ao campista recebe ainda Kroniko, Sacik Brow e Alcool Club, para além de DJ Gijoe. “Esperemos conseguir criar um evento cujo o estado de espírito do público esteja interligado com o dos artistas, e quem sabe trazer de volta aquele sabor e toque das old school hip hop parties”, conclui Ivo.

O festival tem o apoio da autarquia e os bilhetes de entrada diária ficam a 10€, com o passe geral a rondar entre 22€ e 26€.

Fotografia de Arquivo