Hip Hop Rádio

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Spliff disponibiliza novo EP

“Tecto de Abrir” é o mais recente EP de Spliff, que inclui sete músicas originais. Quase cinco meses depois de lançar “Abracadabra”, tema que também se encontra incluído neste projeto e que já conta com mais de 123 mil visualizações no YouTube até à data, o músico dá agora a conhecer este seu novo EP.

Ao apresentar este novo projeto no seu Instagram, Spliff agradece a todos aqueles que o ajudam a ultrapassar os seus obstáculos, revelando os seus desejos para o futuro: “Espero ficar por cá algum tempo, a fazer aquilo que eu gosto, a minha arte.”

Este EP conta ainda com a co-produção, mistura e masterização por parte de Ricardo Estêvão. “Tecto de Abrir” já se encontra disponível nas plataformas digitais.

Tilhon e Spliff são “Hoodfellas” no novo single de “Rap Ninja”

5º single do EP “Rap Ninja”. Produção a cargo de Spliff com mistura e masterização de Prisma.

Depois de disponibilizar “Cowabunga”, Tilhon está de volta com mais um tema do seu próximo EP. “Hoodfellas” é o quinto single e conta com produção de Spliff.

A apresentação de “Rap Ninja” tem data marcada para dia 5 de Abril.

“Oh, Gira-me” junta Subtil e Spliff

Novo tema de Subtil com assinatura de Spliff na produção da música.

Depois de há pouco mais de um mês o rapper lançar Frieza, surge agora “Oh, Gira-me” tema que conta com a participação do membro de M75, Spliff.

“Sê tu próprio até ao fim da linha mantêm o teu sonho vivo
Toda rosa tem espinhos todo o peixe tem espinha”

A Tribo chega à Invicta: Kappa Jotta e convidados no Hardclub

Na passada sexta-feira, o Hardclub teve a oportunidade de receber quatro grandes nomes no panorama do hip-hop nacional para uma noite calorenta e cheia de boa energia, algo que o Porto tem uma especial capacidade de transparecer.

Uzzy, Spliff, Kappa Jotta, e Dj Maskarilha foram os protagonistas desta noite que, segundo os mesmos, irá para sempre ficar nas suas memórias. A Tribo juntou-se para uma noite épica e a Invicta não desiludiu. 

Fiquem com a reportagem fotográfica completa por Ana Pereira aqui.

Guia HHR: outubro quente traz o diabo no ventre

Outubro quente traz o diabo no ventre. Podia também escrever “outubro quente traz hip-hop no ventre”, que faria igualmente sentido quando nos deparamos com o que este mês deu aos hip-hop heads de Portugal: álbuns, singles, videoclips de renome, bangers, temas ainda por desvendar. Do regresso a solo de Sam The Kid – coroando o ano com Mechelas – à estreia no formato longa-duração de Subtil, a mais um (grande) disco underground dos Colónia Calúnia, aos singles aclamados de Deau, Allen Halloween, Virtus e Holly Hood, entre tantos outros. Não obstante os lançamentos internacionais, o Guia HHR deste mês é dedicado ao hip-hop nacional.

Foi Holly-Hood quem estreou o mês com mais um single da segunda parte de Sangue Ruim, após “Cala a Boca”, lançada há cerca de um ano.”Miúda”, produzida, misturada e masterizada por Here’s Johnny (quem mais?), apresenta-se com um vídeo realizado pelo próprio MC, que já arrecadou mais de dois milhões de visualizações no YouTube e até contou com uma “resposta”, por Annia. O artista da Superbad. ainda não revelou qualquer data para Sangue Ruim. 

Regressou com um “Aviso”, este ano deu o “Ponto de Partida” e no final de setembro disse ser”O Mesmo”, e a verdade é que o mesmo Deau conquistou mais uma vez o público com “Traça a Linha” e “Simples“, ambos os singles produzidos por Charlie Beats nesta que é muito provavelmente a amostra de um novo álbum, depois do  rapper portuense editar Retissências (2012) e Livro Aberto (2015).

“Parceiro tu não te baralhes
Se estiveres a dar cartas na área
Guarda os trunfos que tiveres na manga
Para na altura certa recolheres a bazada
Porque se eles quiserem o ouro
Dão-te com paus até te virares do avesso
Ficares encurralado entre a espada e a parede
Fechado em copas até te encontrares seco”

Deau em “Simples”

Fonseca e Senhor Timóteo foram dois dos artistas que iniciaram o mês com o pé direito: “Deixa Que A M*rda Passe” é o single de apresentação da dupla para um EP em conjunto de quatro temas, no momento em que Fonseca se prepara também para lançar Domínio Do Delírio, com Cripta, que assina a realização deste videoclip, assim como a mistura, a masterização e as vozes adicionais da faixa.

O início do mês trouxe também à tona Subtil, outrora conhecido por 100Nome, que chegou “sem nada a temer”. Áquem-mar é o seu álbum de estreia, “um disco produzido e gravado por Praso no Artesanacto”, que sucede ao EP Venho Pelo Meu Nome e conta com 12 temas, incluindo o single “Cada Um”. É de notar o carinho da label Artesanacto pelo newcomer algarvio (…), apadrinhando o projecto com as suas produções (Montana e RichardBeats assinam um instrumental cada, Praso compôs os restantes onze, incluíndo a “Intro”) e com participações de Mass, Tom, RealPunch, Dani, JV e Odeo.

“não sou velha nem nova eu sempre fui expulso da school”

https://www.youtube.com/playlist?list=PLF374FfAS_kioVqSaFu0SxT8zn1cJ2y0R

Mas foi a 13 de outubro que Samuel Mira abalou a estrutura com Mechelas, o álbum de regresso, sucessor de Pratica(mente). Note-se que é maioritariamente um álbum em que STK atua como maestro, o inevitável produtor de toda a obra, alicerando nela nomes como GROGNation, Phoenix RDC, Ferry, Blasph ou Sir Scratch, sendo que todas as faixas já foram publicadas na plataforma TV Chelas. “Sendo Assim” foi a cereja no topo do bolo: Samuel a solo, desde sempre “na life de mil e cem romanos” a rimar num tema que já encontrou lugar no coração dos hip-hop heads. 

Sam The Kid prepara agora Classe Crua com Beware Jack. A edição física do Mechelas pode ser adquirida na loja online da TV Chelas por dez euros.

Confirma-se o mês entusiasmante. E ainda não está perto de terminar:

A 12 de outubro, Amon e Nero e Dj Sims brilharam num instrumental de Groove Synthdrome numa faixa intitulada “Sem Tirantes”, editada pela Pipa de Vinho Rec.

Allen Halloween e Maradox Primeiro, que são um e o mesmo, tentaram diminuir a ansiedade dos fãs do MC “Na Porta do Bar”.

Mais música por Apollo G, “Bem di Baixo”, desta vez com Bispo e Landim e produção de RDG. O tema pertence à mixtape Sucess after Struggle.

Com produção de Andrezo e participação de Murta, Domi estreou “Rosas”, tema que é acompanhado pelo vídeo de Tomás Zimmermann.

A recente Andamento Records publicou “Way”, tema que une Lil Ameal e VIC3 num produção de mendez.

Depois de “Ainda Não Tem Nome”, Virtus aliou-se a SP Deville para o tema “Trapézio”, prenúncio para um novo álbum depois de UniVersos, e conta com uma animação e ilustração de excelência, por Paco Pacato:

“não é questão de lógica é a relação morfológica
não recito ou declamo, repito o que reclamo
na verdade que nos afronta sem frente
que me desmonta e desmente
esta é a segunda a vez que eu fico assim para sempre”

rap das Caldas da Rainha também teve uma palavra a dizer este mês: “Flor de Maracujá é o novo single de Stereossauro, o sucessor de “Nunca Pares”, e conta com letra de Capicua, voz de Camané e uma sample de Amália Rodrigues. A realização é de Bruno Ferreira. O tema fará parte de Bairro da Ponte, que é esperado sair em breve e será editado pela Valentim de Carvalho. O comunicado refere-se ao álbum como “a nova voz de uma velha cidade que pede para ser ouvida”.

Ainda na “cidade das rotundas”, Scorp publicou “Cara Lavada” e já tem nome para o novo projeto: Visão Noturna. Também T-Rec publicou “2T”, faixa com scratch de Stereossauro e instrumental de DONTLIKE.

Com mais um lançamento em 2018, A Vida Continua é o novo álvum de estúdio de Boss AC, sucedendo ao EP Patrão. do qual se reeditaram os temas “As Coisas São Como São”, “O Verdadeiro” e “A Vida (Ela Continua)”. “Por Favor (Diz-me)” é o primeiro single do álbum de 12 faixas e conta com a voz de Matay e vídeo da WILSOLDIERS.

Também Spliff, produtor e agora MC da Madorna, estreou o seu primeiro álbum na arte das rimas este mês. “Miráculo” fora o mais recente aviso e Risco o culminar. São, ao todo, 14 temas, com participações de Zeca, Vulto, Nog e KidSimz. Quase todos os instrumentais foram produzidos pelo habitual companheiro de Dillaz, este que não entra em nenhuma faixa.

E a corda já tá no pescoço
Tu não faças o que eu digo
É mais fácil ires a Marte
Do que seres aquilo que eu vivo

Spliff em “Confundido”

A fechar o mês, destaque ainda para Chá de Camomila, EP de Toy Toy T-Rex, rapper da Linha de Sintra associado à BANDOMUSIC, que conta com 11 faixas e participações de Mafia73, Yuri da Cunha, DCOKY e Nimsay.

Single novo de Jotta R, MC de Évora: “Tão Good“.

holympo também tem novo música: “Palavras”, uma ” versão da balance do lord d”. Manthinks colaborou com DUQUEGOTBEATZ em “GAME MODE“.

TNT foi outro dos rappers com singles publicados. “Flow” é a primeira amostra do próximo EP do MC de Almada, que se alia a DJ Player e AMAURA (Maura Magarinhos), num videoclip assinado por Manuel Casanova. A Mano a Mano disponibilizou também “Missão a Cumprir” no seu YouTube oficial, o primeiro álbum dos M.A.C.

Para o final, reservamos o álbum de outubro (talvez do ano). Os Cólunia Calúnia já tinham avisado com “Caixão” [em baixo], mas só no final do mês é que [caixa] chegou ao público. O coletivo edita mais um trabalho este ano, desta vez com rimas de Secta e instrumentais de Metamorfiko. L-Ali, Nerve e Tilt são os convidados deste álbum que sucede a MONRÓVIA, CONSÓRCIO, LISTA DE REPRODUÇÃO, YARIKATA, RETARDED TEMAKI, EYELASHES GONE a@, todos eles publicados este ano no BandCamp do coletivo.

Se a expressão “quantidade não é qualidade” costuma vestir o hábito da verdade, com os Colónia Calúnia essa métrica não se aplica. Rui Miguel Abreu, na sua crítica ao álbum, afirma mesmo:

[caixa] exige atenção. Cospe na cara, chuta nos tomates, grita nos ouvidos. Não admite distracções. Não dá para ouvir a fazer o jantar ou enquanto se está de olhar perdido na janela que desenrola o caminho que falta para chegar a casa, ao sofá. Escutar no escuro, sem estímulos externos, é a melhor maneira de entrar neste labirinto de sons, de sílabas, de ideias, de nós de sentido, de pequenas torturas ao pensamento. Dói, mas é bom. Custa, mas é de borla”

e acrescenta ainda:

“Este é o melhor disco do ano que quase ninguém vai ouvir.”

Afinal, “qual é a cor do céu da boca de um Estrumfe?”

Um outubro quente, um novembro para ficar em casa a ouvir todos os singles, mixtapes, EP’s e álbuns que o Guia HHR aqui lista, analisa e destaca. Um mês para recordar. 

Ensaio de Bruno Fidalgo de Sousa

Dillaz | Dissecação

Sentado, com um cigarro na boca, o maço de Lucky Strike em cima da mesa e um copo de balão na mão. Cinzeiro cheio no meio do vazio enquanto as ruas da Madorna eram a sua vista, o seu mundo. Enquanto o dia não passava, ficava ele na sua desgraça, a sonhar e a fazer desenhos no pó …

“Nascido no Zambujeiro, desenvolvido na Madorna. Dillaz para os ouvintes, Chapz para os do bairro, André para os chegados, filho para a minha mãe.” É assim que o rapper de 25 anos se apresenta. Se haviam dúvidas de quem estávamos a falar, ficam agora dissipadas.

A “Dissecação” é um conjunto de artigos que pretende dar a conhecer as origens dos artistas através das suas letras e, neste caso, não seria possível de outra forma. Dillaz “é rapper não é estrela” e não liga nada… a entrevistas. São poucos os dados biográficos que se conhecem e que o artista revela.

“Aquilo que eu te vou dizer, ouve que é coisa secreta. Tu nunca desconfies duma lágrima de um poeta.” – A Nossa Vida

Piruka, conhecido rapper também criado na Madorna, afirma que este é reservado. Certamente, que já todos reparámos que se contam pelos dedos das mãos as entrevistas cedidas. Mesmo a um convite feito por Rui Unas para o seu conhecido programa, “Maluco Beleza”, Dillaz deu uma nega dizendo que não se sente confortável. Não chega ao extremo do poeta português Herberto Hélder, mas podemos dizer que é também um “poeta oculto”.

“Acredito que já não rimam como há 10 anos e tal, mas não digas que não há rap se só ouves mini-mal” – Falas de Má Língua

Desde pequeno que a música o apaixona e o influencia. O surgimento dos Mind da Gap e de Dealema é fulcral para Dillaz se decidir pelo mundo do Hip Hop. No entanto, muitos outros estilos o moldam. O fado sempre esteve presente na sua vida, não fosse o seu pai guitarrista deste género. E o próprio conta que com apenas “oito aninhos” viu ao vivo “Gabriel, o Pensador” “numa aldeola de Lisboa”. Num dia tanto ouve puro rap americano como Alfredo Marceneiro – fadista português. As suas influências, contudo, não se ficam por aqui. Valete, Fuse, Sam the Kid e Sabotage têm grande importância para o artista. Este último tem um peso maior. Mas sonharia ele alguma vez que passados apenas 3 anos desde o lançamento da sua primeira mixtape, viria a partilhar palco, no Hard Club, com os outros três monstros referidos primeiramente.

“Vou arrancar e marcar boy, um “M” na lua” – Igual Aos Outros

Dillaz entra neste mundo com o grupo M75. Vulto e Zeca acompanham-no e continuam juntos, até aos dias de hoje. No início da segunda década do presente século, saem para a rua os volumes I e II da Mixtape “Sagrada Família”. Pretende mostrar o que as pessoas vêm no seu dia-a-dia, mas que não dão importância, seja por culpa da rotina, da pressa ou de outras barreiras.

“Aqui no bairro nada muda, quem muda é a gente” – Sr. Presidente

Com um flow fiel à velha escola e com uma simples, mas poderosa batida, flui a letra que se torna íntima para cada um dos ouvintes. Temas pessoais – desabafos do rapper – mas nos quais cada um de nós se revê. O segundo volume vem afirmar e abrir caminho para o rapper lusitano. Temas como “Pedras no meu sapato”, “Caravanas passaram” e “Não sejas agressiva” explodem no panorama do Hip Hop português. Ainda de salientar “A Carta” e “Sr. Presidente”. Esta última mostra bem a importância da Madorna para o artista e de como este quer elevar o seu nome, marcando a cidade no mapa.

“Até o ferro a chuva emperra. Não é seres patrão é só não seres mais um balão que sobe com medo da terra” – Copo de Balão

Há dois anos, surge em cena o EP Dillaz & Spliff que mostra bem a grandeza do rapper e consolida a legião de fãs. Tanto apresenta temas bem irónicos – “Gangsters à Sexta-Feira” e “Bocas Falam Tudo” – como bastante sensíveis, com uma lírica impressionante parecendo mesmo que se está a dirigir a cada um de nós, tendo uma conversa connosco – tais como “Copo de Balão” e “Não é só chorar”.

São poetas de cantigas todos escrevem todos ditam, mete o rap nas urtigas conta quantos é que ficam” – Mo Boy

Mais recentemente lança o seu primeiro álbum “Reflexo”, produzido totalmente por si. Se com os anteriores consolidava uma pequena legião de fãs, com este ganha decididamente lugar no Hip Hop português como um dos melhores da Nova Escola – se não mesmo o melhor. As visualizações no Youtube falam por si: a faixa “Mo Boy” chega quase às sete milhões de views e metade das músicas deste álbum passam o milhão.

“Tu tens a arte no organismo e não te dão valor, como tu que viraste arquiteto e querias ser pintor” – Protagonista

Sentimos, claramente, uma evolução avassaladora. E, por outro lado, todas as suas influências vêm à tona. O fado e a musicalidade da guitarra, que em criança nas ruas desconhecidas da Madorna certamente ecoava e influenciava o pequeno Chapz, sente-se agora em músicas como “Sonhar nesta vida” ou “Saudade”. Surge um contraste perfeito entre sons e letras tipicamente da velha guarda – mais agressivas, de disputa – e de temas que atingem qualquer um e que são de grande fragilidade – como a saudade, a tristeza e a perda.

“Quem sente saudade, não sente saúde meu boy” – Saudade

A biografia de Dillaz é fácil e não precisa de ser o próprio a contá-la: as letras falam por si, os beats dão ritmo ao seu discurso e oferecem, a qualquer pessoa, espaço para sonhar. Em tempos, possivelmente, esteve sentado, com um cigarro na boca, o maço de Lucky Strike em cima da mesa e um “copo de balão” na mão. “Cinzeiro cheio no meio do vazio” enquanto as ruas da Madorna eram a sua vista, o seu mundo. E enquanto o dia não passava, ficava ele na sua desgraça, a sonhar e a “fazer desenhos no pó” …

Mas como “sonhar nesta vida não chega”, vemos hoje que Chapz se levantou e tornou-se o “protagonista” – dando voz ao seu sonho.

Escrito por: Nuno Mina