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“É sempre uma honra, e uma responsabilidade ao mesmo tempo, trabalhar com alguém do calibre de Don Gula” – Supa Squad

“Abranda” é o single que traz de volta os Supa Squad e desta vez com uma participação de luxo: Regula. Estivemos à conversa com a dupla sobre este novo lançamento e não só… sabe mais abaixo. | Por Daniel Pereira

Qual foi o processo de criação deste novo single e o que permitem transmitir com ele?
Este tema foi criado em 2020, durante a pandemia, ainda sem a participação do Regula, e é um misto de espontaneidade no estúdio com a vontade de voltar ao Dancehall, sendo essas as nossas raízes.
É um tema que tenta mostrar como chegámos onde estamos, o nosso « status quo”, como culminação do hustle ao longo dos anos. Não chegou a ser lançado porque sentíamos que o som tinha um certo potencial que poderia não ser alcançado naquela altura. Então ficou na “gaveta“, por assim dizer.


Como surgiu o feat com o Regula?
Já desde o “System Ovaload” dos nossos primeiros singles, houve uma conexão com o Regula, ele gostou da vibe e até chegámos a participar num concerto dele, portanto já havia uma abertura para uma futura parceria. Numa das conversas com ele, mostrámos o som e foi um click para ele! Achámos que fazia todo o sentido e o resto é história!


Como se sentem em fazer um feat com um dos nomes maiores do rap nacional?
É sempre uma honra, e uma responsabilidade ao mesmo tempo, trabalhar com alguém do calibre de Don Gula. Mas sentimos que estivemos à altura e estamos todos contentes com o resultado final.


Podemos esperar novos feats com artistas hip-hop?
O hip-hop sempre se enquadrou bem nos estilos variados que apresentamos ao público, e sempre esteve presente ao longo dos anos no nosso repertório, portanto será sempre uma possibilidade, novas colaborações com artistas hip-hop!


Como será o futuro próximo dos Supa Squad?
Num período pós-pandemia, o objetivo é ir voltar à estrada e vincular os novos singles lançados assim como “recuperar o tempo perdido” com o nosso público. Preparamos também para lançar o nosso EP “Patrões”, cujo “Abranda” conta como quarto single do EP, e que irá incluir diferentes tipos de sonoridades e outras colaborações.

Campo (demasiado) pequeno para um Sam The Kid tão grande

Após dois anos e meio de espera, os fãs de Sam The Kid puderam, finalmente, voltar a sentir a magia de um dos principais nomes do hip-hop nacional ao vivo, juntamente com o toque especial dos Orelha Negra e de uma orquestra.

Um evento tão marcante e algo raro não podia começar de qualquer maneira, por isso foi Napoleão Mira, pai de Sam, a assumir os primeiros minutos do espetáculo, fazendo o que melhor sabe: declamando a sua poesia. Sobre o filho, sobre a ligação entre ambos, sobre a suas vidas de um modo geral, estava então dado o mote para o que se avizinhava ser uma noite épica.

E assim foi, “a partir de agora” era a vez do homem da noite assumir os holofotes. Com “decisões” ao nível do reportório que levaram tanto os fãs mais jovens, como os mais graúdos à loucura em 2h de concerto ou, segundo o artista, de “partilha da sua intimidade”.

No entanto, desde cedo se pôde perceber que esta não ia ser, simplesmente, a noite de Sam, muitos dos que o acompanharam na sua jornada e que o ajudaram a alcançar o seu estatuto estiveram presentes e fizeram a festa com ele, para além da importante e sentida homenagem ao falecido grande amigo Snake, onde foi possível ouvir-se uma gravação do mesmo a felicitar Samuel pelo sucesso do álbum “(Entre)tanto” em 1999.

 NBC juntou-se à festa para ajudar a relembrar aos presentes que na carreira de Sam The Kid, “juventude (ainda) é mentalidade” e que Chelas será sempre “o sítio”; se houvesse algum “tagarela” ou “cobardola” que ainda não soubesse que “Gaia-Chelas” é o eixo mais pesado do hip-hop em Portugal, com Mundo Segundo, esta dupla voltou a demonstrar porque é que continuam a percorrer juntos o país como duas das principais referências do rap feito em português; Slow J e Gson também se juntaram à festa e “para sempre” vai ficar na memória dos presentes a forma entusiástica como este trio foi aclamado pelo público – uma celebração autêntica; e os “mais pesados da capital” (Xeg, Regula, Valete e Sam The Kid) tiveram a audácia de protagonizar o momento mais inesperado da noite ao se juntarem para recriar a atuação dos mesmos, em 2012, naquele preciso palco.

Mas “sozinho”, Sam demonstrou ininterruptamente porque é que enche as principais salas de espetáculo do país. Com uma energia e presença contagiantes, o rapper de Chelas puxava por um Campo Pequeno que aplaudia efusivamente e cantava em uníssono as letras  fio a pavio de qualquer canção. Fossem temas mais enérgicos como “Não Percebes”, “Negociantes” ou “Poetas de Karaoke”, ou temas mais introspetivos e íntimos como “Retrospetiva De Um Amor Profundo”, “Hereditário” ou “16-12-95”, a sala era sempre “pequena” para conter o entusiasmo do público que acompanhava Sam The Kid na sua inigualável performance. O “recado” ficou dado, fosse a rimar, fosse a demonstrar beats de Orelha Negra ou até mesmo a mostrar adereços do famoso “Quarto Mágico” da Zona I, Sam “transpira” hip-hop e está num patamar elevadíssimo.

E “sendo assim” o fim do espetáculo chegou. Enquanto recebia um aplauso monumental (de pé) depois de tocar o som que “adora”, Samuel Mira agradeceu, muito sentido, a todos os intervenientes naquele bonito espetáculo, incluindo a orquestra, para o qual é um “orgulho” tocar com as vozes de apoio de David Cruz e Amaura. Neste momento ainda houve espaço para o artista se orgulhar de si próprio por ainda ter capacidade de rimar 2h ao vivo num grande nível de forma constante – “tou fat mas a rima tá forte”. E de facto, podemos confirmar, a grandeza foi muita para um pequeno campo que se foi encerrando com uma frase no ar: “só mais uma”.

Texto: Diogo Marchante
Fotografia: Beatriz Côrte

Regula e NBC juntos em “Besta (O Teu Melhor Amigo)”

Besta (o teu melhor amigo)” é o nome do single que reúne os dois artistas. Da última vez que partilharam um som, brindaram-nos com o tema “Especial” do álbum “1.ª Jornada” de 2002.

O single conta com produção de Filetes, mix e masterização de Charlie Beats. Depois de “Tarzan”, “Genuíno”, “Nada a Ver”, “Wake N’ Bake” (com Dillaz), “Pay Day”, “Júlio César” e “Futre”, este é o oitavo tema do rapper do Catujal após o seu último disco – “Casca Grossa” – e estará provavelmente incluído no álbum “Ouro Sobre Azul” anunciado em 2017 pelo próprio.

O vídeo é assinado por Chris Costa, Rafael Duarte e Iúri Policarpo.

Dissecação | Regula

“Como eu não sei quando é que o tecto cai-me em cima,
Eu juro, por mais guita que eu faça do rap eu não saio da esquina”

Independente, irreverente, dono de personalidade artística vincada e singular. Foi (também) com a edição de Gancho que o rap se tornou uma potência musical no nosso país, fruto das novas sonoridades e estilo que Tiago Lopes implantou. A tendência inverteu, o rap popularizou-se e novas estéticas sonoras surgiram. Até à data, o hip-hop era um movimento underground. Regula, “nascido nos Olivais, criado no Catujal”, inverteu a balança mediática, vendeu centenas de cópias e arrecadou milhares de visualizações | Por Bruno Fidalgo de Sousa

“Eu não nasci num berço d’ouro, vi muita merda e rezei tanto gastei o terço todo”

Bellini “já girava nos blocos, ainda era um meia foda”. Foi precisamente no Catujal (“sabes qual é o local/ onde todos vendem material como se fosse legal”), em Loures, que cresceu e descobriu o ninho do qual nunca saiu. Do mesmo modo que a “Catuja” se tornou um palco para a arte de Regula e uma referência em várias das faixas do – extenso – portefólio do MC português, tornou-se também o palco que o viu evoluir e destacar-se nas battles da escola – e nas posteriores.

“No bules eu varro o salão e chamam-me patrão a mim?
Devem tar a falar da battle. Heavy metal.
Pa’ postura da altura eram dicas heavys né’ram?”

“A primeira vez que ouvi rap português, é que eu decidi que queria ser MC”, explica Don Gula no seu documentário. Em 1996, depois de longas horas a ouvir Black Company e Da Weasel (“eu ouço o Pacman desde os tempos dele no Casal”), forma os Duke Skill. A primeira música chamava-se “Fim do Mundo”, mas foi com o 1ª Jornada (editado pela Encruzilhada Records, do DJ Cruzfader) que o – ainda – Bellini cravou raízes num movimento em expansão. Com ele rimaram NBC e Sam The Kid (com quem já tinha participado em Sobre(tudo)) e o videoclip de “Especial” passou por várias vezes na SIC Radical e na extinta Sol Música.

“Desde a 1ª Jornada vi aparecer haters do nada
a tentar destruir uma carreira formada
até me verem com a algibeira jardada”

Ao mesmo tempo, Valete, Xeg, DJ Bomberjack, Tekilla, Madvision ou Kacetado marcavam posição no game com as suas primeiras mixtapes, algumas das quais com a presença de Don Gula. Também as participações com os (à data) veteranos Cool Hipnoise, New Max ou SP & Wilson lhe granjearam algum reconhecimento. Mas foi mais precisamente em 2005, com o apoio de STK e com as rimas ágeis de Xeg, que o Tira-Teimas saiu para a rua. E, com ele, a expansão: nos quatro anos que se seguiram houve tempo para duas mixtapes que engrossaram o leque musical de Regula, alguns freestyles e uma escrita crua e braggadocious: Kara Davis (2007) e Kara Davis Vol.2: Lisa Chu (2009), ambas mixadas por DJ Kronic. Foi a Horizontal Records – guiada por Valete – que deu o mote e o MC do Catujal não vacilou, vendendo cerca de mil cópias no primeiro mês.

“Valete diz que eu ’tou no auge da minha carreira
e já me pôs 10,000 paus na minha carteira”

Simultaneamente a cumprir uma carreira de MC e de barbeiro (na Vasco’s Barbershop), foi preciso chegar a 2013, quatro anos depois de Lisa Chupara Don Gula passar a atuar para multidões e não para nichos. Foi com a edição de Gancho, pela Superbad., que temas como “Casanova” ou “Cabeças de Cartaz” se tornaram músicas obrigatórias para os vários hip-hop heads que acompanharam a expansão do movimento – seja no palco, na Internet ou na rádio. Moisés Regalado descreve o álbum na perfeição: “Em Gancho não há pérolas escondidas ou momentos secundários — como acontece na esmagadora maioria dos álbuns — e todos os temas se tornaram imediatamente icónicos, assumindo o estatuto de singles sem que o fossem e até de clássicos instantâneos.”

“Eu vivo a vida num auge máximo, depois de umas quantas bottles sou um alvo fácil”

Casca Grossa (2015) e 5-30 (2014) foram os trabalhos que se seguiram. No primeiro, voltou a “apadrinhar” Holly-Hood (o seu antigo hypeman), com quem já tinha rimado anteriormente (Lisa Chu e Gancho) e colaborou com STK, Valete ou Blaya num projeto bastante eclético que dividiu opiniões. Pretendia, à maneira de Regula, criticar a comercialização do rap e o “rap que bate”, com ajuda de videoclips realizados pelo próprio.

O “Toni do Rock” não colocou o álbum à venda em grandes centros (“Sa’foda os royalties nem o da FNAC bate”), mas sim na sua barbearia (Pente Fino, nos Olivais, que abriu portas quase na mesma altura em que lançou Casca Grossa) e tatuadoras conhecidas. De facto, o bairrismo de Gula sempre fez parte da sua lírica. O próprio afirma-o em entrevista ao jornal PÚBLICO, quando da edição do álbum: “Sou bairrista. Até posso dar um grande salto em termos de sucesso, mas nesse caso faço uma vivenda aqui nos Olivais. (…)Não é por acaso que a minha empresa se chama Stay Local. Isto tem a ver com a minha identidade.”

Identidade essa que se manteve presente nas várias colaborações e em 5-30, álbum homónimo do grupo que compôs com Carlão e Fred Ferreira (Orelha Negra). Com temas marcantes (“Vício”, “Chegou A Hora” ou “Pitas Querem Guito) na cena musical da altura, o projeto teve um êxito inegável e imediato. Juntar Don Gula, um Pacman renascido e o primogénito de Kalu (Xutos e Pontapés) num super-grupo é arte – ainda que o coletivo tenha ficado por aí. No ano anterior, foi com “Solteiro”, tema dos Orelha Negra, que os versos de Regula chegaram – novamente – a todo o país.  É quase certo poder afirmar que literalmente todos os ouvintes de hip-hop reconhecem a resposta para o o clássico “E em homenagem à Amy”…

“reflito numa bula enquanto o Gula me apara” – STK

“Passaram-se anos, eu ainda ’tou a gastar grana do Gancho”

Ouro Sobre Azul já conta com cinco singles e uma colaboração (Dillaz, em “Wake n’ Bake”). O lançamento pode estar para breve: já passam três anos de Casca Grossa e as cinco faixas “cá fora” agoiram o (já) habitual: um Regula com novas sonoridades (trap à Gula na ementa), mas com o mesmo egotripping, bairrismo, a mesma competitividade (“Mas quem é que disse que tu bates? É preciso ter tomates”), ostentação e autenticidade. Como – e bem – se mantém durante tantos anos.

“Eu não espero um Globo d’Ouro
boy, eu quero o globo todo
Porque mesmo quando eu estava na merda
Nadava no topo do lodo”

“Baralho azul e roxo como se fosse do Barça”

Tiago Lopes é, indiscutivelmente, um dos mais prolíficos MC’s nacionais. Não só pela maneira genuína como encara o seu rap e a sua pessoa, como pela importância que teve enquanto umas das principais figuras do movimento: seja pelo portefólio de renome, pautado com projetos pioneiros e álbuns de relevo na cena musical nacional, como pelo impacto que o seu hip-hop e R&B deixou, números que não se contam, qualificam-se em singles bangers, concertos e vendas. Don Gula contribuiu com novas estéticas e sonoridades, manteve-se fiel ao seu humor característico e à sua personalidade vincada que tanto se traduz em música.

“Quando era puto, metia o dinheiro debaixo do colchão
Agora eu saio do banco a rir, com dois maços no blusão”

Fotografias de Arquivo

Festival Académico de Lisboa

A Cidade Universitária recebeu o Festival Académico de Lisboa nas duas últimas noites do mês, e brindou os universitários (e não só) presentes com bom hip-hop. No primeiro dia, depois de Alpha Heroes, Piruka teve de intervir e levou o público ao rubro durante 1 hora e meia. A energia era contagiante em músicas como “Sirenes”, “Não Se Passa Nada” ou “Ca Bu Fla Ma Nau” que infelizmente não contou com a presença de Mota Jr. Já a meio do concerto, Piruka apresenta o seu novo single que vai sair oficialmente nos finais de Outubro. No final do concerto Piruka cantou a meias com o público o tema “Música” e “Se Eu Não Acordar Amanhã”.

Continuando no primeiro dia, o próximo a atuar foi Virgul, que chamou ao palco Supa Squad para cantar “The One”,aparecendo logo de seguida Putzgrilla, para meterem a Cidade Universitária a cantar “Squeeze Me”. Depois disso, o ex-membro de Da Weasel não desiludiu os fãs do grupo que acabou no final de 2010, reservando um bocado do seu concerto para relembrar alguns dos êxitos mais antigos, como “Força”, “Re-Tratamento” e “Dialetos da Ternura”. O público já estava aquecido para Putzgrilla fecharem a primeira noite do festival.

Para a segunda noite tinha sido reservado mais hip-hop e, depois de Trevo fazerem as honras da casa, foi a vez de todos olharem para Wet Bed Gang. O grupo de Vialonga levou ao recinto uma quantidade ingente de fãs, tendo mesmo sido impossível entrarem todos a tempo do espetáculo, devido à longa fila de entrada para o recinto. Um desses fãs confessou-nos que mesmo chegando 20 minutos antes do concerto de Wet Bed Gang, só entrou no recinto durante a atuação de Dillaz. No entanto, mesmo quem não presenciou o concerto em frente ao palco reconhece que este foi um dos pontos altos do festival: ‘’Ainda que não tenha visto, certamente que o momento alto da noite (não da minha) foi Wet Bed Gang’’.

E desta forma, Kroa, Gson, Zizzy e Zara G provaram mais uma vez que conseguem brilhar em qualquer palco, apesar de ter sido dos concertos mais curtos do festival. Abriram com o single lançado em março deste ano ‘’Todos Olham’’ e continuaram a ‘’abanar a rasta’’ com ‘’Essa Life é Good’’, a festa estava bem lançada e Zizzy decidiu acalmar os ânimos com uma ‘’música para todas as princesas presentes’’. Saíram todos do palco e Gson começou a cantar a solo “Já Passa’’ partilhando depois o palco com Zizzy, num momento mais emotivo, diferente daquilo a que o grupo nos tem habituado. Após uma ovação (merecida) do público entram de novo em palco Zara G e Kroa, e começa a tocar ‘’50/50’’, o single de Zara G e Giovanni, que mais uma vez só contou com a presença do membro de Wet Bed Gang. ‘’Kill ‘Em All’’ foi só o que se ouviu a seguir, seguido pelo ‘’Não Sinto’’ e depois do grupo cantar ‘’Não Tens Visto’’, que contou mais uma vez com um moche intenso do público, toda a gente do recinto acompanhou ‘’Aleluia’’.

No final do concerto, Gson fez um pequeno discurso onde referiu que o sucesso do seu grupo, e a ascensão do hip hop nacional, depende em boa parte do contributo que MC’s como Dillaz e Regula deram a esta causa, contando que Regula estava no backstage pronto para atuar, dando assim o mote ao concerto de Dillaz, que começou a festa com ‘’Pula Ou Levas Bléu’’, como ninguém quis ‘’levar bléu’’ todos saltavam na plateia e foi assim que continuou durante os próximos temas, desde ‘’Paga P’ra Ver’’ até ‘’Caminho Errado’’, passando por ‘’Protagonista’’, ‘’Pedras No Meu Sapato’’, ‘’Reflexo’’, e ‘’ Eu Estou Bem’’. E nesta altura a audiência já estava à espera da participação de Regula, que aparece logo a seguir a ‘’Agarra Q’é Ladrão’’ para cantar ‘’Wake N Bake’’. A partir deste momento o público já estava a cantar com Dillaz as músicas na íntegra, e até ao fim ouviu-se ‘’ Não Sejas Agressiva’’, ‘‘Falas de Má Língua’’, ‘’Arena’’ e ‘’Mo Boy’’, antes de acabar com ‘’Saudade’’, que é o que Dillaz deixou a todos com certeza, após mais um grande concerto.

O último nome da noite de dia 30 e do festival era DJ Ride, metade dos Beatbombers, que deu um excelente espetáculo como de costume. No entanto, o Festival Académico de Lisboa preparou uma surpresa para a última noite e Alpha Heroes fecharam o festival, depois de terem sido os primeiros a atuar na noite anterior, demonstrando aqui, a organização, que também se faz a festa com talentos emergentes.

Fora dos concertos, o público destacou de forma positiva o ambiente vivido dentro do festival, e valorização que as bancas de diversas faculdades tiveram para a animação do público. Referindo apenas que a festa deveria durar mais tempo.

Este ano o hip-hop tem estado em peso nas festas académicas, e se continuarem todas com esta qualidade nós não nos importamos nada. Ficaremos à espera de mais.

Escrito por: André Batista
Fotografias por: Carolina Costa e Daniel Pereira

O Hip-Hop deu à Costa | 1ºdia do Festival

O Sol da Caparica recebeu o Hip-Hop de braços abertos, com um cartaz poderoso que celebra, acima de tudo, a língua portuguesa.

Mas ainda antes do Hip-Hop entrar em palco já ele andava pelo recinto.

No skate park do festival, os skaters deslizavam ao som de vários artistas de hip-hop nacional como Slow J, Sam the Kid ou Boss AC. Ao lado, Smile e Robô, numa enorme parede, fizeram surgir Carlão das suas latas de spray. O mote estava dado: o Hip-Hop veio para ficar.

Criolo foi o primeiro rapper a subir ao palco. O público recebeu com calor o artista brasileiro que fez uma viagem pela sua discografia, apresentando músicas desde o seu novo álbum até aos singles mais antigos, passando pelo disco “Convoque Seu Buda” onde pediu, ao som de “Duas de Cinco”, “mais respeito pelos professores.”

Num concerto tanto eufórico como emotivo, Criolo pediu várias vezes “mais amor e menos desigualdade” apelando à luta contra o preconceito e contra a repressão porque essas são realidades que “só nos trazem tristeza.”

O Criolo acabou o concerto emocionado com o público a acompanhar as suas palavras. O artista Paulistano diz que “não existe amor em SP” mas na Caparica existe e houve muito amor para ele.

Criolo deu lugar a Regula para um concerto como já nos habituou. Sem muitas palavras mas com muita energia, Regula sobe ao palco para apresentar as suas músicas e divertir o público.

O MC português trouxe os seus temas mais badalados e aqueles que, obviamente, o público gosta de ouvir quando vai a um concerto de Regula.

Desde “Tarzan”, passando por “Pay Day” e “Wake N’ Bake”, o artista fez questão que toda a gente cantasse em uníssono “Kara Davis” mas foi com “Genuino” que Regula levou o público à loucura.

Regula deu um concerto animado, agradecendo ao público a energia e ao Sol da Caparica pelo facto de ser o terceiro ano consecutivo que integra o cartaz do festival.

O tema “Solteiro” não podia ter ficado de fora, sendo um dos momentos da noite, quando a multidão em frente a Regula cantou o refrão da música acapella.

Artigo por: Mariana Marques
Fotografias por: Carolina Costa e Mariana Marques