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Já se pode ouvir o novo álbum da trapstar do Minho

Chico da Tina disponibilizou o seu novo projeto, “Minho Trapstar”.

Depois de “Trapalhadas“, EP que contém cinco temas lançado em julho do presente ano, Chico da Tina apresenta novo álbum. Com 10 temas e participações de Bejaflor, Co$tanza, tripsyhell, Shynju, Guilhermenz, Keslley, Lil Noon e Sisi Byas, “Minho Trapstar” é o primeiro álbum da trapstar do Alto Minho.

Este é apenas o segundo projeto, mas em menos de um ano o trapper conseguiu virar vários holofotes para o seu caraterístico trap e concertina. Com o EP de estreia, arrecadou o Prémio Mimo de Música. Para já, resta aproveitar estes 10 novos temas do “rei da rima”.

Rap Notícias celebra sétimo aniversário em festa

O sétimo aniversário da plataforma digital Rap Notícias tomou lugar nos estúdios do TimeOut e tinha hora marcada de arranque para as 22:00. Com um cartaz bem representado – como já nos tem habituado – e um line up diferente do habitual, não se podia pedir melhor | Por Rodrigo Santos

O espaço foi ficando cada vez mais composto até subirem ao palco Sir Scratch, João Moura e Sam the Kid, para levarem a cabo uma emissão do seu podcast “Três Pancadas”, num contexto bastante diferente daquele que o público está habituado: foi uma iniciativa arriscada pelas repercussões que os espetadores, ansiosos pelo espetáculo musical, poderiam sentir ao assistir a tudo menos a um concerto. No entanto, o conceito “pegou” e, de facto, existiu espaço para intervenção do público e para debates construtivos sobre temas mais sérios, relacionados com o hip-hop, mas também houve espaço para assuntos mais descontraídos – como a história de como STK conseguiu assistir a um dos concertos mais marcantes da sua vida (U2, no Estádio de Alvalade).

Podcast Três Pancadas, pela primeira ao vivo. Fotografia de Rodrigo Santos

Prosseguida a conversa, era agora tempo de passar à música e quem abriu as hostilidades foi Dj Perez, contando exclusivamente com temas de hip-hop nacional: o suficiente para começar a criar um clima festivo entre o público que se ia aproximando cada vez mais do palco com vista a estar mais próximo do primeiro MC da noite, Estraca, que pisou o palco do TimeOut pela meia-noite. O concerto começou bastante agitado, com uma energia contagiante trazida pelo rapper do Lumiar, que em uma
hora teve tempo para passar pelo seu reportório mais conhecido e fazer ecoar entre o público as letras dos seus temas. Contou com Pajo, que atuou ao lado do MC, completando o entusiasmo e dinamismo vivido em palco. A atuação serviu ainda para demonstrar a boa relação de Estraca com os seus fãs: ao longo das músicas existiam sempre bastantes trocas de cumprimentos e “propz” de parte a parte – estava montado o clima ideal. A audiência estava agora mais atenta e mais quente depois de terem vibrado ao som de Estraca e preparava-se a entrada de Keso e Virtus em palco. E o mesmo aconteceu já de madrugada.

Os dois artistas alternaram entre as suas músicas, dividindo quase por metade os temas cantados pelos dois. Virtus foi o primeiro a trazer o norte à capital, interpretando letras sentidas com uma musicalidade interessante. Apesar de ser o MC que à partida detinha o menor protagonismo, até por não ter um grande destaque num cenário atual, foi uma agradável surpresa, boa interação com o público, uma energia muito própria, deixando até aqueles que desconheciam com uma impressão muito favorável ao mesmo. Com Keso, o nível era mais exigente, já familiarizado com a casa, e perspetivava-se uma atuação ao nível daquilo que já lhe é habitual e assim foi, com um estilo bastante próprio e algo obscuro (“baixa lá as luzes pah”), fez o público prestar atenção a temas bastante delicados que não eram de todo desconhecidos. “Gente e pedra” e “Underground” foram apenas duas das faixas mais sentidas pela sua popularidade, que o rapper fez questão de modificar com o arranjo do som, pedindo ao Dj
que parasse o beat e prosseguiu à capela, mostrando os seus dotes vocais em perfeita sinfonia com as letras.

Antes do nome mais esperado da noite houve uma entrada de última hora, Ary Rafeiro, com uma passagem curta pelo palco, mas com uma boa impressão, trouxe mais andamento a quem assistia, com temas festivos e uma boa dinâmica de palco: o público cooperou bem na apresentação do seu novo single, “O Último dos Reais”. Nota para a mensagem final que deixou, apelando ao respeito pela diversidade de género, raça e religião,
ensaiando votos de uma cooperação entre todos, de modo a formar um mundo mais desprovido de ódio e desrespeito: uma mensagem importante tendo em conta o cenário de tensão vivido em Portugal nos últimos tempos.

Pouco antes das três da manhã, o nome mais aguardado entrava em ação: Phoenix Rdc, acompanhando do seu “gang”, marcava com impacto o primeiro tema trazido a concerto, um autêntico espetáculo visual que agradava quem estava a assistir, vestido de colete anti-balas e acompanhado por danças várias trazidas por quem se encontrava na sua back. Sentia-se entre o público um verdadeiro sentimento de admiração e isso talvez tenha sido provocado pelo novo álbum lançado pelo MCde Vialonga: “Melhor Álbum de Hip-Hop Português”. De facto, as faixas do novo álbum entraram bem no alinhamento e isso era visível através das expressões de quem assistia, que acompanhavam o rapper com exímia distinção na interpretação das letras. Phoenix passou também pelos seus temas mais antigos e até convidou quem não soubesse o refrão do tema “12:00” a sair do recinto- “quem não souber este refrão pode
bazar”. Nota positiva para o último MC da noite, que deixou o público a falar e com sede de mais atuações do rapper. Nota menos positiva para o hypeman, com intervenções forçadas e às vezes pouco pertinentes. No geral uma fantástica atuação.

O sétimo aniversário da Rap Notícias foi fechado pelo Dj Kwan que atribuiu o final ideal para a festa que já se prolongava para lá das quatro da manhã, com temas de hip-hop familiares e inclusive dos intervenientes no evento, despertando no público os últimos passos de dança antes das portas fecharem.

O evento dava-se assim por terminado: uma noite bastante bem passada, com uma organização a roçar o impecável e com atuações bastante bem conseguidas. No geral, foi uma boa escolha de intervenientes que, em conjunto, enriqueceram mais uma celebração promovida por umas das mais antigas plataformas de divulgação deste movimento.

Foto-galeria de Rodrigo Santos aqui.

1 ano de “TV Chelas”

O canal “TV Chelas” fez no mês passado 1 ano desde o upload do primeiro vídeo. “TV Chelas” foi o nome escolhido por Sam The Kid, autor do canal, que nos brinda semanalmente com conteúdos exclusivos dedicados ao Hip Hop.

Primando por um estilo próprio nunca antes explorado em Portugal, o canal já passou a meta dos 20 mil subscritores e continua em grande crescimento.

O autor e artista, Sam The Kid, de vez em quando publica vídeos já com bastantes anos onde é possível recordarmos momentos vividos por ele, na estrada, em concertos e no backstage que trazem grandes memórias mesmo a quem não esteve presente. Faz questão de homenagear lendas já partidas, amigos de infância, como o GQ e o Snake.

Como se já não bastasse, criou o programa “Às 3 pancadas” onde se junta a Sir Scratch e João Moura – Dono da Rap Notícias – e juntos recebem um convidado do panorama Hip Hop onde os 3 “entrevistadores” fundem os largos conhecimentos da cultura e conseguem criar um debate que nos prende ao ecrã durante mais de uma hora.

Sam The Kid tem na sua posse centenas (ou milhares) de conteúdos exclusivos, por isso ficaremos sempre na incógnita de como vai ser o próximo vídeo. Uma coisa é certa, nunca desilude.

Este é um canal que todos os ouvintes de Hip Hop têm que seguir obrigatoriamente.

Por tudo isto e não só, a cultura Hip Hop só te tem a agradecer. Obrigado, Sam The Kid.

 

 

O segundo sacramento de Slow J: A confirmação.

Quem chegou cedo ao Mercado da Ribeira ontem pode constatar o que já se esperava: casa cheia. Os bilhetes para o 5º aniversário da plataforma digital RAPNotícias esgotaram como previsto, muito por culpa do próximo suspeito do costume: João Baptista Coelho, que apresentou no estúdio da TimeOut o seu mais recente projeto, The Art of Slowing Down (TAOSD).

A fila de espera rapidamente deu lugar a um DJ set de Lhast, à medida que o público ia enchendo o local. O produtor, cada vez mais em voga no quotidiano do hip-hop português, deu o mote para a noite: Xamã a rodar nos pratos, e o próprio Profjam sobe ao palco para alegria do público que nunca vacilou. Logo a seguir, chega a vez de Gson, apoiado por Conductor dos Buraka Som Sistema, e o MC dos Wet Bed Gang (que também subiram ao palco) deixou em delírio a plateia, principalmente com o tema “Voar”. O flow de Gson (e voz) e a energia eletrizante do grupo fizeram do showcase “pré-Slow” um dos momentos altos da noite, despertando ainda mais a vibe dos fãs. “Porque os meus sonhos falam ainda mais”, ouviu-se da voz do MC, que sai vai afirmando cada vez mais – os Wet “levaram o rap tuga a Neptuno” – e ainda bem que assim é.

O “pós-Slow”, que foi o concerto da noite e merece o maior destaque, chegou com um cypher secundado por Mike El Nite nos pratos (e mais tarde também com o mesmo a rimar, fazendo de storyteller e detalhando a sua história com o homem da noite), contando com rappers como Profjam, Bispo, Malabá ou Benji Price (a nova aposta da Think Music). “E com a tua ajuda lembrar, que também é fixe abrandar”, brincou Mike, num tributo ao rapper da Margem Sul muito bem executado.
Após o cypher, DJ Big agarra a mesa e termina a noite como ele bem sabe: hip-hop, hip-hop, hip-hop, relembrando os clássicos como Canal 115 e fazendo o público mexer com Alright ou Hot Nigga.

Chega, finalmente, a altura de falar do rapper prodígio que encantou o Estúdio da Time Out com o seu novo álbum. É, de facto, arriscado apresentar o álbum em concerto antes de sair em formato digital. Mas Slow J fez o que lhe competia: brilhou, uma vez mais. Após o chamado, “Slow J, Slow J, Slow J”, protagonizado pelos Wet Bed Gang, Francis Dale e Fred Ferreira começaram um instrumental que ninguém ficou indiferente. Beat de uma das músicas do EP The Free Food Tape, a surpreender o público, e Cristalina a ser cantada na íntegra (!!) pelos fãs, unicamente, sem o rapper subir ao palco. Só por este momento percebe-se a legião que o segue, sabendo cada rima de cor, elevando o espírito que se vivia no Mercado da Ribeira.

E é com a entrada de Slow que começa o riff de guitarra e bateria de Arte, lançada na manhã no concerto. A música, diferente do habitual, mostra aquilo que Slow é: um artista, dos pés à cabeça. “Eu queria ser como os grandes cantores” e “conta-me os teus segredos” são expressões vincadas da música que, como o título diz, é arte. Com breaks bem situados, e um refrão que levou toda a gente a mexer-se e a abanar os braços, Slow chega-se ao público e cumprimenta os fãs da frontline, agradecendo no final da música a todos os presentes.

Na segunda música do álbum, já que o concerto contou com o mesmo alinhamento, Casa remete-nos para África e para a família “de todas as cores” do rapper, em jeito de celebração. “Para quê complicar, em casa qualquer cor dá” – e a família de Slow vai crescendo cada vez mais.
Beijos, um interlúdio, que conta com a guitarra nostálgica de Francis Dale, introduz Sonhei Para Dentro, que traz um refrão tipicamente português, remetendo para o fado e acabando com um poderoso “24/7” que o público tomou logo como uma das keywords da música. Sem ninguém dar por isso, Às Vezes inicia-se com uma batida nostálgica, e Nerve sobe ao palco para cantar uma música que, segundo Slow J, “não deve ser cantada em concerto”.

“Aquilo que eu mais gosto de fazer”, diz-nos o rapper, entre músicas, agradecendo ao público que o acompanha. E, com isto, dá início às suas cem barras – Comida. A introdução da guitarra após o primeiro break da música transformou a sua track mais conhecida numa das mais aplaudidas da noite, mas nem isso seria necessário porque Comida tem tudo o que é preciso para se fixar no topo por alguns anos, e ninguém consegue ficar indiferente.

Com uma batida jazz encabeçada pelo trompete, Biza relata a história de Slow, antes de Serenata, que meteu todos os presentes no Estúdio da Time Out a cantar em uníssono. No seguimento, a história do concerto encaixa com três músicas excepcionalmente bem conjugadas: O Último Empregado, Pagar as Contas e Vida Boa. O interlúdio dá o mote e a track seguinte explica – “Pagar as contas, saldar as contas” – antes da entrada de Gson para, mais uma vez, trucidar o beat com o seu flow e dinamismo em palco. Papillon entra também, com as linhas sólidas e reais (“Quantos mais tens mais te cobram, quanto mais alto tu estás mais te dobram”).

Para finalizar essa conjugação perfeita de músicas, Vida Boa, que também contou com a energia de Gson para puxar o público a saltar, e que ambiente se vivia no Mercado da Ribeira! Parecia que todos se queriam aproximar de Slow e, de braços levantados, protagonizaram uma ode ao rap tuga que acredito que o rapper nunca se irá esquecer.

As últimas três músicas do álbum são então Sado (“Eu nunca saí da margem, Sado não julga quem volta, nunca se importa, nunca se importa”), em honra do local que viu João Batista Coelho nascer, P’ra Ti e Mun’Dança (“Depois dessa vida vai vir a outra”). Slow J não tem um estilo definido, e é neste álbum que podemos apreciar isso, contando com instrumentais baseados em géneros musicais como o jazz ou o rock alternativo. Slow apresenta a banda no entretanto, leva Speedy a palco (breackdancer que protagoniza o vídeo de Arte e que tem neste momento ativa uma campanha de crowdfunding) e, guiados pelo beat da última música de TAOSD, os rappers e amigos próximos de Slow J sobem a palco, entre abraços e danças.

Mas Slow não ficou por aí, e depois de sair, “finalizando o concerto”, volta com O Objetivo, Tinta da Raiz e, mais uma vez, Cristalina, que levou a maior ovação da noite.

É disto que o hip-hop vive. De festa, de momentos de loucura, braços no ar, beats fortes, líricas profundas. De momentos de improviso, da banalidade com que os artistas se mexem entre o público.

Slow J traz consigo inovação, novos estilos, sem nunca perder a noção de quem é e do que apoia, e tem nele os olhos postos dos grandes rappers do hip-hop português, como Valete, que esteve ontem presente para assistir à rampa de lançamento do “menino prodígio”. Agora, Slow, o que importa é nunca parar.
Lentamente, como tu sabes, mas sem nunca parar.

 

Escrito por: Bruno Sousa.