Hip Hop Rádio

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Tilt na Casa Independente: De volta ao Karrossel

Passados dois anos desde o seu último concerto a solo, voltamos a dar uma volta no Karrossel com Tilt. Desta vez com a instalação montada na Casa Independente, o rapper agraciou-nos com um concerto repleto de convidados especiais, temas novos e interação com o público, numa véspera de Halloween que voltou atrás na hora, como que deixa dos astros, para podermos celebrar durante mais tempo este regresso cósmico.

A noite arrancou com DJ Ketzal, que abriu a bilheteira e iniciou o espetáculo com um DJ set onde demonstrou as suas skills de scratch. Após ter guiado o público durante uma hora de viagem pela mais refinada seleção de rap tuga, preparando-o para o que estava para vir, a personagem principal do espetáculo revelou-se, sorrateiramente, por detrás da cortina lateral e avançou, pronto para assombrar.

Tilt pisou o palco ao som de “Epidural“, com toda a vontade de aniquilar e uma saudação: “Boa noite, sobreviventes do apocalipse! Que bom ver-vos.”, o que verdade seja dita, não tem tanto de hipérbole como se possa pensar num primeiro instante, relembrando-nos do surreal que é poder-se finalmente celebrar música ao vivo nestas condições.

Prontamente levou-nos numa volta alucinante ao som de temas como “Tecnologia Primitiva, O Museu“, uma faixa “com dez anos, mas sempre atual”, “Perdido e Hashado” produzido por Metamorfiko, -apresentado por Tilt como um dos seus produtores preferidos-  e “1926”, onde foi feito um feat com o público, entusiasta, na parte do refrão.

O artista apresentou ainda temas como “Bilheteira” e “Calhau” -uma faixa pela qual admitiu ter um carinho especial- antes de chamar ao palco a primeira grande convidada da noite: Cora. Juntos apresentaram o seu novo tema “Orla”, que se encontra presente no primeiro álbum da artista, “Trochilidae”.

Seguindo o tema de diversão efémera, lema pelo qual se parece reger, o rapper anunciou que iria fazer uma “brincadeira”, que se traduziu num medley pesado onde juntou os temas “Ugh”, com beat de IL-BRUTTO, “Eliminação”, “Doentes” e “Mercenários”.

Logo de seguida e sem dar tempo ao público para recuperar do arraial de lírica que tinha acabado de testemunhar, foram chamados ao palco os próximos convidados: Nero e Mass, completando assim 3/3 de ORTEUM em palco, para cantarem “Indigesto”. Antes de se retirarem, Tilt anunciou concerto do conjunto dia 19 de novembro, no Musicbox.

Mas a procissão ainda ia no adro no que toca a surpresas. Em mais um momento de partilha a mãos largas, o artista revelou que está a preparar um novo disco intitulado “Espirro” e presenteou-nos com um sneak peek a capella mortífero, com a qualidade de barras a que já estamos habituados: “Música para os teus ouvidos era cair-te um piano em cima”.

Para o deleite do público, a faixa que se seguiu foi a emblemática “Homem do Lixo”, que arrancou fortes entoações da letra, da parte dos presentes, prosseguindo-se de “Amor a Roma” e ainda “Lei”, antes de ser evocado o último convidado especial da noite: Nerve. Uma das duplas mais temidas juntou-se em palco, para abanar placas tectónicas ao som de ”Thomasin”, naquela que não seria a última performance de 2/3 de Escalpe naquela noite.

Depois de apresentar a sua mais recente faixa “Treze”, humoristicamente dedicada por Tilt “às pessoas que tiveram que comprar bilhete à porta” e “Amor Romano”, sobre um instrumental diferente e numa performance intimista, Nerve marcou novamente presença em palco, para nos brindar com a maior surpresa da noite: em celebração do primeiro aniversário de Escalpe, assinalado naquela noite, a dupla apresentou um novo som, ainda sem título, que vamos apelidar de “uma promessa de rebentar com a tuga”. Foram assim levantados mais uns milímetros do véu sobre o que será Escalpe, um projeto há muito a ser magicado e por isso coberto por uma aura de misticismo, que os fãs urgem em desmistificar. No entanto, ainda não existe data para a grande revelação, pelo que é recomendada paciência.

Ainda com a cabeça à roda de tal volta no Karrossel, foi a vez de DJ Nelassassin apresentar um DJ set de hip hop maioritariamente internacional, para uma pista repleta de pessoas determinadas a dançar, que certamente não ficaram desiludidas. Podia sentir-se na atmosfera a euforia e uma desenfreada vontade de dançar, consumada ao som dos inúmeros temas que o DJ ia passando, enquanto riscava os discos com uma mestria invejável.

Foi assim o regresso de Tilt em nome individual aos palcos, num concerto marcado por convidados especiais, surpresas e pela destreza lírica do artista, que nunca para de surpreender. Com barras mordazes inseridas em verdadeiros poemas, -que contam elaboradas histórias que muitas vezes não parecem encaixar neste mundo, mas que talvez encaixem noutros- Tilt pode ser considerado como detentor de um dos melhores pen game do rap português, mostrando-se ciente do peso que a lírica possui no género e carregando-o às costas “até que o ombro estale.” Concertos como este fazem-nos relembrar do incomparável que é ouvir rap puro ao vivo, deixando-nos cada vez mais impacientes na expectativa do que mais poderá vir por aí … é de ficar de olho na Raia.

Fotografias por Sebastião Santana.

Amon x Nero x Dj Sims lançam EP “Sem Tirantes”

Sexta-feira farta, “pa quem se importa” com Hip Hop, com novo EP de Amon x Nero x Dj Sims, entitulado: “Sem Tirantes“.

Este poderoso EP é constituído por nove faixas, todas elas escritas por Amon e Nero, produzidas por Groove Synthdrome e com scratch de Dj Sims. O som “Do Nada” conta ainda com a grande participação de Orteum. Para já, as músicas encontram-se disponíveis no Youtube de Raia Records, no entanto, essa não foi a única agradável surpresa do canal hoje: o lançamento da faixa “O Meu Melhor“, que faz parte do EP, fez-se acompanhar de um videoclipe, cuja realização ficou a cargo de Sebastião Santana e produção de Raia. Importante ainda referir que a simbólica ilustração, presente na capa do EP, – também ela por Sebastião Santana- é da autoria de Rúben Silva.

Todas as faixas estarão disponíveis em breve, em todas as outras plataformas.

F*ck you Corona! Quero as noites Hip-Hop de volta

Há meses que não vou ao sítio onde sou mais feliz. Nunca imaginei que o mundo virasse do avesso e que os únicos concertos que podia ver fossem através de LIVES de Instagram. O sentimento varia entre tristeza e raiva, mas é a esperança que tem de prevalecer. Pela cultura, pelo Hip-Hop.

Texto e fotografias por Daniel Pereira

Dia 21 de fevereiro foi a data da primeira Raia Sesh, mas também da última grande noite Hip-Hop a que fui este ano. Para quem vive na Grande Lisboa como eu vivia sabe que acaba quase por ser banal: todas as semanas (ou mesmo dias) há algo novo para ver, um concerto novo a cada esquina. Havia. É um lugar comum falar que a pandemia Covid-19 mudou a vida de todos, mas a realidade é que mudou mesmo. A cultura é ainda o setor mais afetado e talvez seja a imensa saudade dela que revela a sua importância para a sociedade. As atividades presenciais continuam suspensas, porém a cultura nunca deixou de existir, aliás, é ela que nos tem ajudado a superar esta crise. É uma forma de escape. Exige respeito, não podemos descurar algo sem o qual não conseguimos viver.

Aquela noite era especial. Os Orteum eram cabeça de cartaz de uma noite de, e para, a cultura Hip-Hop. Bdjoy, Tom, DJ Ketzal e muitos outros acompanharam a banda numa sala mítica: O Cine Incrível. Os grandes eventos estavam de volta a Almada e eu não podia estar mais contente pois apesar de não ter nascido na cidade, sinto-me um filho da terra – na altura vivia a minutos da sala de espetáculos. Pude presenciar de perto toda a envolvência daquela noite, os concertos, o público tipicamente Hip-Hop, o convívio dentro e fora da sala, antes, durante e após as atuações. Rap corrosivo, outras vezes mais melódico, improvisos, beatbox, dj sets e um público que estava lá não apenas para ver, mas para viver. Houve de tudo durante aqueles concertos e quanto mais escrevo aqui mais o sentimento de nostalgia se adensa. Não sei se isso é bom, ou mau.

Foi uma noite que não queria terminar, mas, infelizmente, acabou e mal sabia eu que não iria ter mais destas tão cedo. Passado um mês foi decretado estado de emergência. Entretanto ainda consegui ir a dois concertos, mas é esta que recordo como a última grande noite Hip-Hop deste ano. Atualmente, ainda não sei quando voltaremos aos concertos (tal como eram antes), e isso assusta-me. Os tempos são de adaptação e paciência e uma coisa é certa: a carga de tristeza presente neste desabafo é igual ao peso da esperança que tenho, e que todos devemos ter, de que um dia vai voltar tudo ao normal. Hustle, agora, mais do que nunca.

Fotografia de Alicia Gomes.

Super Bock Em Stock 2019: concertos particulares para ouvidos atentos

Dez foram os nomes Hip-Hop que constavam no cartaz do Super Bock Em Stock. Um no Coliseu dos Recreios, os outros nove no Capitólio. Todos de luxo e dirigidos para um público particular: quem viu, queria ver.
Por Daniel Pereira | Fotografias por Alicia Gomes

O aparecimento do Super Bock Em Stock permitiu que deixasse de parecer estranho um festival em pleno novembro. Tanto na edição do ano passado como na recente edição, a chuva fez parte da festa. Mas nem isso fez com que os festivaleiros se afastassem da avenida da Liberdade. O público moveu-se de sala em sala, uns através dos shuttles disponibilizados pelo festival, muitos a pé. E faziam-no com gosto. A sede de descobrir música nova era muita.

O primeiro dia começou com João Tamura. Com uma esperada atuação intimista, o músico apresentou-se com banda e não deixou ninguém indiferente. O Primeiro Ato de “Singapura” acabou de estrear e começar o Superbock em Stock com ele foi como uma bênção.

Passando de fora para dentro do Capitólio, Amaura foi a senhora que se seguiu. Dona de uma voz de ouro e tão característica do soul mostrou a todos o que é ser Hip-Hop sem fazer rap. Muitas são as colaborações de Amaura em discos de Rap, mas agora, finalmente, temos o prazer de ver um trabalho a solo. “Em contraste” é disco intimista, mas também dançável e tudo isso foi espelhado no concerto. No final “Blues Do Tinto” aqueceu e causou a boa disposição tanto a músicos como ao público e a última faixa “dança” tirou TNT dos pratos e trouxe-o até às rimas. Daqueles concertos que arrancaram aplausos de pé e que, mesmo se houvessem lugares sentados (como um concerto de soul por vezes pede), fariam-no tal e qual.

Bambino atuou por volta das 21h50 num concerto, no mínimo, peculiar. Acompanhado de Sanryse nas backs e Camboja Selecta nos pratos uma coisa era notória: a qualidade de Bambino estava lá, mas não apareceu – pelos mais diversos motivos – pelo menos no que toca nas rimas em que tudo foi bastante atabalhoado. Já na MPC, esteve irrepreensível tal como Camboja Selecta que “dropou” instrumentais fenomenais. Sanryse mostrou também que está de volta, ele que tem uma voz incontornável na cena do Hip-Hop nacional e que neste concerto nos brindou com um pouco de Freestyle. As coisas são como são e certamente queremos estar presentes no próximo concerto de Bambino até porque o projeto IN3GAH irá trazer um dos álbuns que mais irá dar que falar.

Mais tarde, o palco do Capitólio foi todo para Cálculo e para os seus músicos. Hugo vem de Barcelos, mas podia muito bem ser de Lisboa pois, acreditamos, sentiu-se completamente em casa. “Estrelas” abriu um concerto que ao início não estava a captar muito o público talvez por desconhecimento do artista. A questão é que quem visse apenas o início do concerto e depois visse apenas o seu final pensaria que era dois concertos diferentes. Não por “culpa” de Cálculo, mas sim devido ao público. O rapper conquistou gradualmente a plateia até chegar a um ponto em que todos cantavam os seus refrões. Acompanhado de Mace e banda, temas como “Hugo”, “Iguais” que trouxe Harold a palco ou “Não paro” fizeram a festa. O concerto de cálculo foi das maiores conquistas de público que vimos nos últimos tempos e é disto que os grandes artistas são feitos. Todos os que ouviram, quiseram ouvir, mesmo que ao início não o soubessem.

O segundo dia começou ao final da tarde em “modo lounge” com Tiago Castro & Ricardo Mariano DJ set. Passámos depois para fora do capitólio onde atuou Keso e todos os integrantes da editora Paga-lhe o quarto. O rapper que têm vindo regularmente atuar em Lisboa desta vez cantou apenas a primeira e última música, deixando o resto da editora brilhar num concerto que deu para descobrir novos talentos. Seguiram-se Orteum já dentro do capitólio que mostraram como profissionalizar o underground. É de louvar como um dos coletivos mais reais do hip-hop nacional chega a um grande festival . O concerto terminou com “anda” que é uma autêntica crítica ao panorama atual do hip-hop português e com muitos dos associados da editora RAIA em cima de palco.

Seguiu-se Perigo Público e Sickonce que apresentaram o seu mais recente projeto e que vai dar muito que falar “Porcelana“. Mesmo com a voz afetado, Perigo Público foi firme nas suas rimas e abriu a mente de todos os presentes. No Algarve faz-se bom Hip-Hop, dois nomes a ter em conta.

No Coliseu Dos Recreios esperava-nos um dos melhores concertos de todo o festival. Slow J revelou que o seu avô morreu no ano passado e disse também que tinha sido pai nesse mesmo ano. A sua música já fala por si mas estes dois fatores, contados no início do concerto, tornaram-no ainda mais emocionante. FAM trouxe Papillon a palco e o percurso musical fez-se entre “You Are Forgiven”, “The Art Of Slowing Down” e até “Free Food Tape”. Muitas músicas ficaram por ouvir, pois é simplesmente impossível fazer mais num concerto de uma hora e pouco, mas todas as que foram ouvidas foram também contadas por todos. O público de Slow J é o país inteiro, ora não estivéssemos na presença de um dos melhores artistas nacionais desta nova geração.

O último concerto Hip-Hopiano levou-nos de volta ao Capitólio desta vez para ver Col3trane. O britânico não desiludiu, antes pelo contrário e fosse numa vibe mais dançável ou intimista convidou todos a entrar no seu concerto. Penélope, última música do alinhamento, é êxito musical conhecido por todos mas é importante conhecer mais deste jovem artista. Um dos nomes a ter em cona na cena internacional da música urbana.

O Super Bock Em Stock foi mais uma vez um prato cheio para os amantes de Hip-Hop. Mais importante que isso: cada vez mais se revela um festival de ouvintes instruídos. Em nenhum concerto houve alguém que não soubesse o que estava a ouvir e nos tempos atuais em que a música pode-se tornar tão impessoal é de destacar um evento que torne a música, de novo, pessoal.

Fotogaleria completa aqui.

Copo Cheio de ORTEUM

Hip-hop puro e duro, um copo de vinho encorpado que se bebe até à “última gota”. Este trio composto pelos liricistas Mass, Nero e Tilt inundou o Titanic com o seu entusiasmo e devoção pela sua arte, contagiando todos os presentes a entrarem na festa e brindarem em família.

Na apresentação do seu mais recente disco “A Última Gota”, ORTEUM, com abertura de DJ Ketzal e com um showcase do que há para vir do rapper e produtor Bambino, abriram as portas do Titanic Sur Mer para mais uma ótima festa de hip-hop, acompanhados por convidados como Beware Jack, TOM, 69MM, Benny B, Elliot e Johny Gumble.

A cumplicidade entre todos os artistas presentes fez com que cada música fosse transmitida de uma forma autêntica e quem realmente gosta de hip-hop underground, onde a verdade da palavra e a musicalidade se juntam, com algum álcool e fumo à mistura, não vai querer perder o que estes rapazes andam a fazer.

Artigo por Duarte Monte Pegado com fotografias de Alicia Gomes, podes ver a foto-galeria completa aqui.

ORTEUM disponibiliza “A Última Gota”

Novo álbum do coletivo ORTEUM. Participações de Beware Jack, DJ RM, Elliot, Benny B e Jhonny Gumble.

Depois da mixtape “Perdidos e Hashados“, ORTEUM está de regresso com mais um trabalho. “A Última Gota” contém 12 faixas e tem o selo da editora independente Pipa de Vinho Rec.

O hip-hop que incendiou as Fitas de Coimbra

Think Music, ORTEUM, Beatbombers, Plutónio, Mishlawi, Lhast e Dino D’Santiago foram os principais representantes do hip-hop nacional na última edição da Queima das Fitas, que terminou na última sexta. A supremacia do género no cartaz das semanas académicas continua em 2019 e Coimbra não foi exceção nesta senda de festivais universitários onde o rap e o djing continuam a ser uma das principais armas para atrair novos – e velhos – públicos.
 
O primeiro dia de recinto foi também o dia “do” hip-hop – a segunda-feira, que habitualmente representava as rimas e batidas, passou a representar os grupos académicos. Ao palco principal subiram Yuzi e Sippinpurpp, no início da noite, seguidos de ProfJam, que deixou o público a pedir mais – “mais” ou Mike El Nite, que acompanhou os concertos da label nos pratos antes de assumir ele o palco num novo conceito, DJ ON THE MIC, passando e cantando algumas das faixas mais icónicas do atual panorama musical, de 21 Savage a Drake. Contudo, do outro lado do recinto, à mesma hora que Mário Cotrim, subiam ao Palco RU( o coletivo ORTEUM, de Tilt, Mass e Nero – onde foram percorrendo algumas das faixas mais e menos conhecidos do seu portefólio, principalmente do disco de 2016, Perdidos&Hashados. Na mesma noite estavam também programadas as atuações dos dois MC’s da Andamento Records, Heartless e holympo, que, por incompatibilidades com a organização. não chegaram a pisar o palco da tenda eletrónica.
 
Três noites depois, regressou o hip-hop ao Palco Fórum Coimbra, com os Beatbombers em separado: primeiro, o veterano Stereossauro, no final da noite, Dj Ride, já habitual no certame. Entre os seus concertos ecléticos, um Dino D’Santiago felicíssimo desceu do palco para junto do público com um grande sorriso, depois do seu “Mundo Nobû” e da bonita “Como Seria” o deixarem em cumplicidade com os estudantes que tanto dançaram ao ritmo cabo-verdiano do cantor já com créditos firmados no movimento.
 
Para fechar as noites de hip-hop, Dj Dadda, com muita “Cafeína”, atuou um pouco antes de Plutónio e Mishlawi, cujos mais recentes temas – e EP, no caso do luso-americano – incendiaram a plateia. Lhast encerrou a noite com dj set e, mais uma vez, foi o hip-hop que mais incendiou as fitas da Queima de Coimbra.

Fotografias de Pedro Dinis Silva e Pedro Emauz Silva – via jornal A Cabra.

GuiaHHR: 17 faixas que marcaram fevereiro

Todos os meses, o Guia Hip-Hop Rádio debruça-se sobre os álbuns, faixas ou temas atuais do movimento no mês em questão. Se, em janeiro, analisámos os álbuns por lançar este ano e entrevistámos os seus criadores, em fevereiro, no culminar dos seus curtos 28 dias, destacamos as dezassete faixas que marcaram o mês, desde “Bom Lugar”, nascida nas OHME Sessions de Puro L, a “Torre Eiffel”, de Harold. Um ensaio de Bruno Fidalgo de Sousa.

No primeiro dia de fevereiro, o MC portuense Puro L divulgou a segunda sessão das suas OHME Sessions. 

Depois de “Quem Me Dera”, a solo, une-se a Zim, novamente com um instrumental de The Plan Beats, neste “Bom lugar”.

“Às vezes tenho fome, é aliciante o come back/ mas já não me identifico sequer com esse leque/ já não quero ser rico só quero que o mic rec

“Mais Do Que Pele” é o segundo single do próximo álbum de Grilocks, Nimbus – que marca a sua estreia com a Mano a Mano, de TNT. O tema, já noticiado pela HHR, sucedeu a “Labirintos” e conta com a poesia de Napoleão Mira e o selo instrumental de Khapo.

“falta-me o teu corpo de mulher fogueria/ para me aquecer em noites de ventania/ resta de nós esse tempo de bebedeira, o teu sorriso emoldurado à cabeceira e o disco preferido da tua melomania”

No início do mês, a HHR publicou uma breve sobre o novo álbum de Mishlawi. Depois de vários singles de sucesso, o prodígio da Bridgetown editou Solitaire, álbum de 12 faixas. 

“Audemars”, com Nasty C e produção de Sensay Beats e Prodlem, é o tema que destacamos.

“imma spend all the budget on a Aduemars/ and it don’t tell the date I live like no tomorrow/ come and hit the dank and we gon’ go to Mars”

 

A estreia de L-Ali com a Superbad. não podia ter corrido melhor: “Siri” é o tema que une o MC de Alfama com uma produção magistral de Here’s Johnny, que também assina a engenharia de som – como habitual.

LISTA DE REPRODUÇÃO, com VULTO., foi um dos destaques do ano passado. Aguardam-se novidades.

“L legado tão lembrado como lido/ L-ALI porque nunca ‘tou no mesmo sítio / vivo com a solidão que escolhi como quem namora o beat em 80 e picos”

“O Último dos Reais” é o mais recente single e marca o regresso de Ary Rafeiro, desta vez com o apoio dos Bons Malandros. Produzido pelo próprio, conta com vídeo da Rutz Rec. O tema foi estreado no sétimo aniversário da plataforma RAPNotícias

“A inveja chama e diz que vim pela fama/ vim mostrar que os diamantes podem sair sozinhos da lama/ sem escravidão humana/ negar-se o bling bling para por a brilhar o povo de bermuda e havaiana”

Servidos com um instrumental de Hyzer, holympo e Palazzi juntaram-se sob o selo Andamento Records para criar o tema “Shawty”, no início do mês, que teve depois direito a vídeo de @phykecam e @phonesex.jpeg. A masterização é de Nedved.

“O nosso fim foi adivinhado/ no fim já não tinha afinidade/ o nosso baixo é desafinado/ pouca cabeça para a tua idade/ sei que te faltou maturidade”

Três anos depois, Syer (Sujidade Máxima) tem um novo tema e este é inteiramente dedicado ao falecido Beto di Ghetto. “Quando A Alma Se Despe” tem instrumental de Syndrome e vídeo de Wilsoldiers. É de saudar o regresso de Syer – com uma sentida homenagem.

“é o despertar do monstro que adormeci nos 90/ talvez seja a última vez que solto a voz nas ruas/ Felisberto, meu irmão, tenho saudades tuas/ ando triste, pensativo, desolado como nunca”

“Qual a Percentagem” foi a segunda resposta de Estraca a benji price, sucedendo a “solero”. A produção é de Forgotten e Beatowski e a engenharia de som de CharlieBeats.Como diz a breve lançada à data, o MC do Lumiar “alarga-se para a Think Music, citando nomes como ProfJam ou Lon3r Johny“.

trazem rimas importadas, misturam na linguagem, dão a cara por um tarifário mas estão sempre sem mensagens/ what the fuck”

Depois de editar Tourquesa, um dos melhores álbuns do ano passado, o MC de Barcelos, Cálculo, regressou aos singles, na companhia de Zim, com “Complicado”. A produção é do próprio Cálculo, com guitarra de Beni Mizrahi.

“O teu amor é caro e só vem de encomenda/ eu desconfio sempre de quem o põe à venda/ vou caír como sempre, pode ser que aprenda/ queria ver racional mas ele pôs-me a venda”

Jay Fella, MC da Mano a Mano que tem divido palcos com Silab (com duas mixtapes homónimas no percurso), divulgou este mês o tema “Manter”, ilustrado com artwork do próprio, com um type beat de J Cole e um flow singular a que o artista já nos tem habituado.

“Era suposto eu comprar fazenda/ mas eu deixei-me a dormir na escola/ enquanto eu sonhava ser lenda no rap diziam ser um prodígio para a bola”

Dez, que, junto de xtinto, percorreu a Odisseia em 2016, regresso com um novo tema a solo, “EMMM”, – como noticiado pela HHR – com produção de Dzyrd, engenharia de som de benji price e vídeo de Billy Verdasca. 

“Perguntam como é que foi feito isso/ foi com a sarda do Sardet foi feitiço/ eu bem te disse que quando pego no lápis, num ápice/ grafito um gráfico na lápide, não há PIDE, não há peace”

Mais um tema divulgado pela Hip-Hop Rádio: “Death Note” une dois rappers da Think Music, Lon3r Johny e Fínix MG, novamente com engenharia de som de benji price e, desta vez, com produção de Jammy. O vídeo está assinado por Rui Duarte.

“Mo wi mas eu tou na estrada life já não é só Cacém/ roupas tem-se, notas tem-se, nossa, o game é a nossa wave/ até pássaros sabem um nigga dropa bem, eu sou coca sem corte/ a 100, nota-se bem que choca lames”

Estreou-se o ano passado a solo com Esquizografia, EP que figurou nos melhores do ano para a HHR. Pibxis tem novo single: “Underbanger“, com produção de Keso e divulgado através da Paga-lhe o Quarto Records. O vídeo é de André Oliveira.

“Ás no topo e não baralho, vai po caralho/ tem que vir todo ele em taco ou então dá banano/ o stack intacto a passar po’ mano/ ou então chama aí um macaco e pede para passar o pano”

O décimo quarto tema deste ensaio não é de fácil degustação: Johny Gumble, Tilt e Nero, em representação dos ORTEUM e Richards Beats no instrumental, à moda da Pipa de Vinho Rec. “Jurássico” é mais um grande tema – sucede a “Anda”, de ORTEUM e DJ RM.

“No meu ouvido já só soa uma nota/ impede-me morrer, permite-me viver na cova/ imagina o que poupava se caixões fossem berços/ e morresses onde nasceste, independentemente da volta?”

De surpresa, ProfJam divulgou #FFFFFF este mês, o seu primeiro álbum, em colaboração com o produtor Lhast. Se “Água de Coco” e “Tou Bem” já tinham sido um sucesso, as restantes nove faixas do disco têm partilhado de igual atenção. “À Vontade”, com Fínix MG, o único convidado, é um dos temas com mais visualizações.

“Prof dá-me o co-sign mano e não é miragem na estrada/ meu barco afundou mas Poseidon viu a mensagem na bottle

Amaura, da Mano a Mano, é a prova viva que o R&B ainda está vivo. Com Mad Marcus e instrumental de Gold, “Coopero” é o segundo tema da cantora com a label, sucedendo a Blues de Tinto e a uma colaboração em Flow.

“Hoje é para a nódoa negra e para o jogo de mãos, hoje és tu com uma venda sem guia na contramão/ para o puxão de cabelos, enfraquece sansão/ ontem madalena era arrependida hoje madalena não é não, não, não”

 

Harold, MC do coletivo GROGNation, tem novo tema a solo para celebrar o dia do amor: “Torre Eiffel”, noticiado pela Hip-Hop Rádio. A faixa é acompanhada por Marta Ferreira, pela guitarra de Henrique Carvalhal e pela produção de Migz e KYO e de el Conductor,

“eu sei que eles todos me querem ver morto/ eu só quis um pouco mais do teu corpo/ sem ti não há conforto sou bicho solto”