Hip Hop Rádio

orelha negra

Campo (demasiado) pequeno para um Sam The Kid tão grande

Após dois anos e meio de espera, os fãs de Sam The Kid puderam, finalmente, voltar a sentir a magia de um dos principais nomes do hip-hop nacional ao vivo, juntamente com o toque especial dos Orelha Negra e de uma orquestra.

Um evento tão marcante e algo raro não podia começar de qualquer maneira, por isso foi Napoleão Mira, pai de Sam, a assumir os primeiros minutos do espetáculo, fazendo o que melhor sabe: declamando a sua poesia. Sobre o filho, sobre a ligação entre ambos, sobre a suas vidas de um modo geral, estava então dado o mote para o que se avizinhava ser uma noite épica.

E assim foi, “a partir de agora” era a vez do homem da noite assumir os holofotes. Com “decisões” ao nível do reportório que levaram tanto os fãs mais jovens, como os mais graúdos à loucura em 2h de concerto ou, segundo o artista, de “partilha da sua intimidade”.

No entanto, desde cedo se pôde perceber que esta não ia ser, simplesmente, a noite de Sam, muitos dos que o acompanharam na sua jornada e que o ajudaram a alcançar o seu estatuto estiveram presentes e fizeram a festa com ele, para além da importante e sentida homenagem ao falecido grande amigo Snake, onde foi possível ouvir-se uma gravação do mesmo a felicitar Samuel pelo sucesso do álbum “(Entre)tanto” em 1999.

 NBC juntou-se à festa para ajudar a relembrar aos presentes que na carreira de Sam The Kid, “juventude (ainda) é mentalidade” e que Chelas será sempre “o sítio”; se houvesse algum “tagarela” ou “cobardola” que ainda não soubesse que “Gaia-Chelas” é o eixo mais pesado do hip-hop em Portugal, com Mundo Segundo, esta dupla voltou a demonstrar porque é que continuam a percorrer juntos o país como duas das principais referências do rap feito em português; Slow J e Gson também se juntaram à festa e “para sempre” vai ficar na memória dos presentes a forma entusiástica como este trio foi aclamado pelo público – uma celebração autêntica; e os “mais pesados da capital” (Xeg, Regula, Valete e Sam The Kid) tiveram a audácia de protagonizar o momento mais inesperado da noite ao se juntarem para recriar a atuação dos mesmos, em 2012, naquele preciso palco.

Mas “sozinho”, Sam demonstrou ininterruptamente porque é que enche as principais salas de espetáculo do país. Com uma energia e presença contagiantes, o rapper de Chelas puxava por um Campo Pequeno que aplaudia efusivamente e cantava em uníssono as letras  fio a pavio de qualquer canção. Fossem temas mais enérgicos como “Não Percebes”, “Negociantes” ou “Poetas de Karaoke”, ou temas mais introspetivos e íntimos como “Retrospetiva De Um Amor Profundo”, “Hereditário” ou “16-12-95”, a sala era sempre “pequena” para conter o entusiasmo do público que acompanhava Sam The Kid na sua inigualável performance. O “recado” ficou dado, fosse a rimar, fosse a demonstrar beats de Orelha Negra ou até mesmo a mostrar adereços do famoso “Quarto Mágico” da Zona I, Sam “transpira” hip-hop e está num patamar elevadíssimo.

E “sendo assim” o fim do espetáculo chegou. Enquanto recebia um aplauso monumental (de pé) depois de tocar o som que “adora”, Samuel Mira agradeceu, muito sentido, a todos os intervenientes naquele bonito espetáculo, incluindo a orquestra, para o qual é um “orgulho” tocar com as vozes de apoio de David Cruz e Amaura. Neste momento ainda houve espaço para o artista se orgulhar de si próprio por ainda ter capacidade de rimar 2h ao vivo num grande nível de forma constante – “tou fat mas a rima tá forte”. E de facto, podemos confirmar, a grandeza foi muita para um pequeno campo que se foi encerrando com uma frase no ar: “só mais uma”.

Texto: Diogo Marchante
Fotografia: Beatriz Côrte

A música é para toda a vida, e este festival também!

Parece mentira mas é verdade, após 2 anos parados, os festivaleiros podem agora voltar a este que é o habitat natural da música: o Vodafone Paredes de Coura está de volta!

Localizado no sítio do costume, o Vodafone Paredes de Coura conta com mais de 25 anos de história! Nasceu pelas mãos de um grupo de amigos que apenas queriam passar “um bom bocado” e hoje é considerado um dos maiores festivais de Portugal sendo que já foi considerado como um dos cinco melhores festivais de verão da Europa. 

Além das boas paisagens e ambiente envolvente, a diversidade de artistas é sem dúvida o que torna este festival tão especial.

Entre Princess Nokia, Sam the Kid com Orquestra e Orelha Negra, Conjunto Corona e muito mais.. A verdade é que o Paredes de Coura não é o mesmo sem o melhor cabeça de cartaz: TU!

Não te esqueças de dar uma olhadela no cartaz, sabemos que não te vais arrepender! De dia 16 a 20 de Agosto temos encontro marcado na Praia Fluvial do Taboão. Nós vamos lá estar, e tu? Vais mesmo deixar escapar a oportunidade de viver este que é o habitat natural da música? 

Podes garantir o teu bilhete aqui.

Até já! 😉 

Orelha Negra e A Garota Não juntam-se em “Ready (Mulher Batida)”

Os Orelha Negra continuam a desvendar a composição da “Mixtape III”, próxima obra da banda. Depois de “Parte de Mim” e “Alta Volta” é vez de “Ready (Mulher Batida)” ver a luz do dia.

O tema surgiu em colaboração com A Garota Não, artista que não só deu voz ao tema como também é a autora da letra. A mistura e masterização tem a assinatura de Artur David, sendo que “Ready (Mulher Batida)” foi gravado por Fred no Covil do Dragão. No videoclip, acompanha-se o processo criativo de um quadro pintado por Mázinha.

Apesar de ser o terceiro tema avançado pelos Orelha Negra, a “Mixtape III” não tem ainda data prevista. A faixa já se encontra disponível nas plataformas digitais.

Orelha Negra e Mano Azagaia juntos em “Alta Volta”

Acaba de ser desvendado mais um tema que fará parte da terceira mixtape dos Orelha Negra. “Alta Volta” é o segundo trabalho conhecido deste novo projeto, depois do lançamento de “Parte de Mim”, em colaboração com Ace e Boss AC, no passado mês de abril.

Fotografia: Direitos Reservados

Desta vez, o grupo constituído por Sam The Kid, DJ Cruzfader, Francisco Rebelo, Fred Ferreira e João Gomes junta-se ao moçambicano Mano Azagaia, que dá vida à lírica deste novo som da banda. “Alta Volta” conta ainda com a mistura e masterização por Artur David e foi gravado por Fred no Covil do Dragão.

A música já se encontra disponível nas plataformas digitais. O videoclip, realizado por João Gomes, pode ser visto no vídeo abaixo.

Só vou por onde me levam os meus próprios passos: Coliseu foi o destino

Não havia silêncio que se ouvisse nas ruas do Porto. Quanto mais próxima do coliseu, mais adrenalina se sentia. Crónica de Rita Carvalho.

Passo despercebida no meio da multidão, na mente levo as letras que me criaram. Realidade urbana aquela que se caracteriza neste meu Porto, naquela que foi a tua noite.

A noite é dos poetas (não de karaoke), da Juventude e daqueles que vivem de amor. Tiveste o mundo à tua volta, concentrado naquelas paredes que compõe o Teu Quarto, o Meu Coliseu.

Hereditário és, e isso ninguém te tira: vi uma diversidade de idades, de visões presentes na noite em que fizeste história, na noite em que criaste o meu teu “eternamente hoje”. Só demonstra o quão és fruto de amor, o quão aproximas gerações e fazes parte da memória de Portugal.

A intemporalidade e universalidade que me proporcionaste foi algo bastante surreal e peculiar: Foi como se estivesse em Chelas a viajar no tempo. Estranha Forma de Vida esta que me faz viajar ao 7º Céu e voltar numa questão de segundos.

Entre Mil Razões e Mil Lágrimas, a verdade saiu da caixa, saíste tu, Samuel Mira. A noite foi tua, portanto. Foi da tua omnipresença. A noite foi de Sam the Kid no seu estado mais puro e genuíno. A noite foi de Mundo Segundo, foi de Dj Cruzfader, foi de Orelha Negra, foi de Orquestra, foi de Napoleão, de NBC, de Xeg, de Sunrise, de Sp, de Carlão… A noite foi tua e de TODOS. Foi noite de cada alma que habitava naquele coliseu naquela noite. Enfim, a noite é tua todas as noites e não faria sentido se fosse de outra forma.

Este pode não ter sido o primeiro dia do resto da minha vida, mas é como se tivesse sido: rejuvenesceu de igual forma.

Obrigada Samuel, Obrigada por me rejuvenesceres sempre que te ouço.

Fotogaleria de Beatriz Dias, completa aqui.

Mais que uma audição, uma troca de experiências

No passado dia 25 de novembro estivemos em Marvila para assistir a uma audição de talentos hip-hop promovida pela Associação Sons da Lusofonia.

Ao chegarmos à Biblioteca Municipal De Marvila pudemos de imediato constatar que não iríamos assistir a uma audição de talentos “normal” digamos assim. O ambiente era totalmente descontraído, não existiam participantes isolados no seu canto à espera da sua vez, estavam praticamente todos inseridos num só grupo a conversar. Havia a sensação de que já valia a pena estar presente neste evento apenas devido a esta troca de experiências, no entanto a realidade é que o objetivo era auditar talentos e, após algum atraso comparativamente às horas que estavam previstas, os participantes foram chamados a entrar no auditório.

Ninguém iria ser “avaliado” singularmente, todos os participantes poderiam ver todas as audições. Tínhamos cada vez mais a sensação que Rui Miguel Abreu, Carlão, Chico Rebelo e Cap estavam presentes não como júris mas sim como personalidades do hip-hop que apenas queriam ver o que de novo se andava a fazer. 3 das 4 vertentes do hip-hop foram auditadas: participaram concorrentes do Rap , B-boying e Graffiti , apenas ficou de fora o Djing.

A tarde de audições começou com Wesa, grupo de dança do Centro Artes e Formação da J.F. Lumiar, que deixou todos a vibrar com os movimentos destes jovens dançarinos. De seguida tivemos a primeira atuação de rap, a MC de Alverca, Máry M. abriu as hostes com o single “R.A.P” do seu EP já lançado “Momento Certo”. Foi notória a estupefação de todos perante uma performance que foi exemplar. As atuações de rap continuaram com Kaikai, rapper proveniente de Agualva Cacém, Primo, rapper da Baixa da Banheira que nos presenteou com uma atuação cheia de sentimento, Cadi que levou consigo os restantes membros do coletivo de de que fazem parte, Pirataria 2630 (vieram de Rio De Mouro até Marvila apenas para esta audição) e SXR, trio de São Brás, Amadora, composto por Spock (DJ), Errek e Buda XL (MC’s) que fizeram uma das performances mais enérgicas da tarde, um autêntico mini-concerto. Houve ainda espaço para mais duas participações. Ofelia (Ornella Castelhana), artista italiana, residente em São Vicente, fez uma apresentação dos seus trabalhos de desenho e Savy Bastards, MC residente em Arroios que apesar da barreira linguística conseguiu meter todos a cantar com ele.

A última atuação da tarde (em jeito de surpresa) ficou a cargo de DMK, duo constituído por Vera Di Moura e Kastiço, participantes em edições anteriores da OPA – Oficina Portátil de Artes, um projecto pedagógico desenvolvido pela Associação Sons da Lusofonia, desde 2006. No final de cada atuação, não houve apreciação por parte do júri, os vencedores do “prémio” (participação num espetáculo organizado pela Associação Sons da Lusofonia) irão ser
informados mais tarde e de forma individual.

Foi uma tarde muito bem passada na Biblioteca Municipal de Marvila. No final todos tiveram ainda direito a um lanche de convívio pois reiteramos mais uma vez, os objetivos deste evento foram sempre proporcionar o encontro de pessoas com gosto pela mesma cultura e a possibilidade de troca de conhecimentos e experiências, porque afinal o hip-hop é mesmo isso,
união. Estejam atentos às próximas iniciativas da Associação Sons da Lusofonia.

Texto: Daniel Pereira

Fotografias: Carolina Costa

Vodafone Mexefest 2017 – A música que mexe com a cidade está de volta!

O Vodafone Mexefest regressa a Lisboa nos dias 24 e 25 de novembro, transformando umas das principais artérias da capital na montra perfeita para ouvir e descobrir alguns dos artistas mais entusiasmantes do momento.

A Hip Hop Radio vai estar presente nesta que é já a sétima edição. Depois de Valete ser um dos primeiros a ser confirmados, Allen Halloween, Karlon, Statik Selektah, Oddisse, Orelha Negra, entre muitos outros, juntam-se ao cartaz para representar a cultura Hip Hop e prometem incendiar o coração de Lisboa.

A Avenida da Liberdade vai ser palco de muita música e emoção e, com tantos artistas já confirmados para apenas dois dias, promete não desiludir! Não tens desculpa para faltar. A música que mexe com a cidade está de volta… e vai estar à tua espera!