Hip Hop Rádio

Festival

rEPORT SDC: HHR À CONVERSA C/ BISPO | PLUTÓNIO | iVANDRO | AJAXX

Estivemos à conversa com BispoPlutónioIvandro e Ajaxx sobre as suas carreiras, a volta aos palcos, o panorama atual da cultura Hip-Hop e tantos outros temas, que aconteceram durante a nossa passagem no festival Sol da Caparica.

Ouve abaixo esta emissão conduzida por Daniel Pereira

Vê ainda fotografias de alguns momentos Hip-Hop que aconteceram na edição deste ano do festival, por Nayara Silva e Bruno Marques.

Fmm sines 2022: há tanto hip-hop por esse mundo fora

Passados dois anos estivemos de volta ao festival mais multicultural de Portugal. Para a HHR, o final de julho é sempre de descoberta porque vamos a Sines, onde tem lugar o Festival Músicas do Mundo. Vem connosco e descobre o Hip-Hop, em toda a sua extensão mundial. | Por Daniel Pereira

É um facto que neste ano não tivemos nenhum rapper português presente no cartaz do FMM no entanto o Hip-Hop e a cultura urbana estiveram bem presentes.

O dia 27 de julho trouxe-nos Flavia Coelho Soundsystem e a cantora brasileira prestou uma atuação bastante enérgica em que o fast flow foi imagem (ou som) de marca. Logo de seguida foi a palco Dubioza Kolektiv, grupo bósnio, cheio de pujança, que mistura o rock, o punk e o rap.

No dia seguinte tivemos o “dia do Hip-Hop” que contou logo às 18h com Bia Ferreira num concerto cheio de “barras” que nunca mais acabavam, no bom sentido. A partir das 22h atuou James BKS, que acompanhado por Gracy Hopkins e Anna Kova e tantos outros músicos, apresentou uma autêntica “Hip-Hop Party” em que não faltou o hit “New Breed”. Seguiu-se Ana Tijoux, rapper franco-chilena, que deu um concerto que tocou, e cativou, todo o público presente no palco do Castelo.

No último dia de FMM tivemos Pedro Mafama, artista emergente português, que entrevistámos, e que te conta abaixo, em primeira pessoa, como foi o seu concerto, e muito mais…

O cartaz fechou com a atuação de Batida B2B DJ Dolores que contaram com várias músicas de rap “mixadas” com tantas outras sonoridades.

Adoramos o FMM e a comunhão que só este festival sabe fazer entre estilos. Afinal de contas Hip-Hop é isso mesmo: é união, é mistura.

Fotografias por Daniel Pereira e Carlos Pfumo

A música é para toda a vida, e este festival também!

Parece mentira mas é verdade, após 2 anos parados, os festivaleiros podem agora voltar a este que é o habitat natural da música: o Vodafone Paredes de Coura está de volta!

Localizado no sítio do costume, o Vodafone Paredes de Coura conta com mais de 25 anos de história! Nasceu pelas mãos de um grupo de amigos que apenas queriam passar “um bom bocado” e hoje é considerado um dos maiores festivais de Portugal sendo que já foi considerado como um dos cinco melhores festivais de verão da Europa. 

Além das boas paisagens e ambiente envolvente, a diversidade de artistas é sem dúvida o que torna este festival tão especial.

Entre Princess Nokia, Sam the Kid com Orquestra e Orelha Negra, Conjunto Corona e muito mais.. A verdade é que o Paredes de Coura não é o mesmo sem o melhor cabeça de cartaz: TU!

Não te esqueças de dar uma olhadela no cartaz, sabemos que não te vais arrepender! De dia 16 a 20 de Agosto temos encontro marcado na Praia Fluvial do Taboão. Nós vamos lá estar, e tu? Vais mesmo deixar escapar a oportunidade de viver este que é o habitat natural da música? 

Podes garantir o teu bilhete aqui.

Até já! 😉 

A cultura não para e o SBSR.FM EM SINTONIA ESTÁ QUASE AÍ

Evento trás de volta os grandes palcos e acontece nos dias 17 e 18 de dezembro.

Num ano marcado pela pandemia por COVID-19 e pelos concertos escassos, não havia melhor maneira de terminar 2020 do que com um festival de música. Tendo em conta, claro, todas as medidas de segurança impostas pelos tempos atuais, o SBSR.FM EM SINTONIA trata-se de um evento inédito que conta com um grande cartaz. Nomes como Profjam e Benji Price, que irão apresentar o aclamado álbum “System”, Papillon ou Chico da Tina, vão estar presentes entre muitos outros artistas ligados à cultura Hip-Hop.

Os horários de todos os concertos, que respeitam as horas atualmente estipuladas para o recolher obrigatório, foram já anunciados e são os seguintes:

Podes ainda comprar o teu bilhete aqui.

Apoia a cultura e sintoniza-te na música nacional!

Sol, praia e muita música: assim foi o “Show da Caparica”

Sol, Calor, Bebidas Frescas, e Música. Muita música. Eram estas as maiores promessas do festival de Verão Sol da Caparica. E, como não podia faltar, houve hip-hop para dar e para vender. | Texto: Leandro Peleja | Fotografia: Diana Reis e Rafaela Ramos

A sexta edição do festival realizado em Almada trouxe os portugueses Carlão, Fred (Ex- 5:30), Boss AC, Plutónio, Mishlawi, TrueKey, Força Suprema, e ainda o rapper brasileiro Gabriel, o Pensador.

O festival, mantendo o cartaz tradicionalmente lusófono, deu-nos 3 dias de boa música e muitas memórias para guardar. Sendo que a grande novidade foi o palco dedicado aos comediantes.

Após o primeiro dia, mais dedicado ao Kizomba e ao Pop, chegámos ao segundo com a atuação de Diana Lima. Infelizmente não trouxe nenhum convidado, mas foram várias as pessoas que vibraram ao som das músicas feitas em conjunto com Monsta e Deezy. Depois seguiu-se Fred, ex-membro do grupo 5:30, com um espetáculo que nos fez entrar no “momento” e mexer o corpo. E, para terminar a noite em grande (pelo menos para os amantes de hip-hop), Carlão. A jogar claramente em casa, o Almadense, ex-Da Weasel, meteu toda a gente a saltar e a vibrar com os seus êxitos.

E assim chegámos ao terceiro dia. Exaustos pelas poucas horas de sono, e pela correria de andar entre os vários palcos do festival para não perdermos nenhum concerto. Mas, ainda assim, muito ansiosos pelo grande dia. O Dia D. O dia mais “hip-hopiano” deste festival! Nesta altura já se sabia que o primeiro dia do festival tinha batido o seu recorde de assistência com 23000 pessoas! Mesmo assim, foi sem espanto, que encontrámos o recinto completamente lotado. Filas intermináveis para entrar.

Já com o palco recheado, mesmo prejudicado pelas filas para entrar no recinto, Truekey abriu o dia com um espectáculo que contou com NastyFactor (GrogNation) como convidado. Um concerto quer teve “um cheirinho do projecto que vem aí”. Em entrevista exclusiva revelou-nos que o festival “apesar de se manter tradicionalmente lusófono, consegue ter grandes nomes em palco” e isso só prova o valor da música nacional.

Seguiu-se a Força Suprema, desta vez com os quatro membros originais (Nga, Prodigio, Don G e Masta), em palco. Um espectáculo electrizante. Que contagiou o público (cada vez mais!), que “snifou cada linha” do grupo da Linha de Sintra. Mas foi com a chegada de Plutónio que se registou a maior enchente de público junto ao palco. O rapper da Bridgetown trouxe ao palco os seus mais recentes êxitos, vibrando com a assistência. Em entrevista à Hip Hop Rádio, o rapper confessou que já está a preparar o seu próximo álbum, e que ainda hoje se assusta com o tremendo sucesso que “Meu Deus”, uma música com conteúdo, tem vindo a fazer. Logo de seguida veio o outro rapper da Bridgetown, Mishlawi, que terminou o grande espectáculo começado pelo seu colega.

Enquanto isso, no palco principal, Boss Ac cantou os seus maiores clássicos, juntamente com algumas músicas do novo álbum. E depois surgiu o rapper brasileiro, Gabriel, o Pensador. Entrando em palco com “Matei o Presidente”, Gabriel seguiu viagem com as suas músicas mais conhecidas, levando o público a acompanhar cada verso da “parada”. Quase a terminar a noite, Richie Campbell trouxe um concerto cheio de energia, boas memórias e bons momentos. Sendo que o momento mais alto da actuação foi a presença de Plutónio e Mishlawi em palco para o tema “Rain”. No fim, surgiram os Karetus para “partir a casa toda”. Passando vários sons da actualidade do hip-hop nacional e internacional, levaram o público ao rubro. Meteram pessoas a cantar e a saltar. E foi ao som de “Maluco”, dos Wet Bed Gang, que todos, armados em malucos, saltámos o mais alto possível. E, por momentos, pareceu que tocámos na Lua da Caparica. Nós. Todos nós. Os 37000 que tinham acabado de bater o maior record de assistência de sempre no festival na “Margem Certa do Rio”, como Carlão salientou (e bem!).

E depois de um último dia dedicado ás crianças e aos amantes de djing, terminou o festival. “A melhor edição de sempre do festival”, segundo alguns ouvintes entrevistados. Que Show! Que Show da Caparica. Vemo-nos para o ano, Sol! (O festival, claro! Porque o Sol da Caparica não se vai pôr assim tão cedo.)

Podes consultar a foto-galeria por Diana Reis (dia 16) aqui e Rafaela Ramos (dia 17) aqui.

Festival Iminente regressa a casa com uma programação que elogia a cultura hip-hop

O festival Iminente está de volta ao Panorâmico de Monsanto depois de um ano a viajar por Xangai, Rio de Janeiro e Londres. Nos dias 19, 20, 21 e 22 de Setembro poderás percorrer os cinco palcos do festival que terão artistas musicais e visuais, b-boys, performers, bailarinos e debates.

Artistas como Apollo G, Classe Crua, Dealema, Beatbombers, Mynda Guevara, Força Suprema, Kappa Jotta ou Vado Más Ki Ás  fazem parte do cartaz desta edição. Os bilhetes custam 15€ e são limitados a 5000 unidades por dia.

Consulta o cartaz completo aqui.

Meo Sudoeste 2018: Rap tuga, nunca me falhas

Texto por Daniel Pereira

Fotografia por Nayara Silva e Daniel Pereira


Mais uma edição de MEO Sudoeste e novamente o hip-hop fez-se ouvir no Alentejo.

O início do mês de agosto é já sinónimo de uma coisa: MEO Sudoeste. O icónico festival da Zambujeira do Mar esteve este ano na sua vigésima (20ª) edição e, para quem é fã de Hip-Hop, dificilmente se pediria um cartaz melhor, pelo menos no que toca aos nomes nacionais… A realidade é esta: no que ao rap diz respeito, os nomes que saltavam à vista no cartaz eram Lil Pump e Desiigner.  Os cabeças de cartaz (atuaram no mesmo dia) . o resto do nomes hip-hop confinados no habitual “E muito mais”. E na verdade havia muito mais para ver e ouvir, mais e melhor, mas já lá iremos.

Por motivos de agenda não pudemos estar presentes no dia em que o recinto abriu pela primeira vez ao público. Este é portanto o primeiro dia oficial de MEO Sudoeste, apesar de há dias terem havido os já habituais concertos no campismo. Do que chegou até nós, Piruka deu um excelente concerto no palco principal, com direito a alguns momentos especiais (a família do rapper subiu a palco), deixando já a sensação de que os concertos dos rappers portugueses iriam ser bons. Na realidade isso seria já expectável, visto que a vontade dos artistas nacionais em atuar neste que é já um dos mais importantes festivais do país é imensa.

Algo para constatar no segundo dia de festival. Muitos eram os concertos a ver e começaram cedo. Por volta das 19h30 entraram no palco LG os Richfellaz, banda de 5 elementos, da cada um com o seu estilo musical, criada neste ano de 2018. Devido à hora precoce do concerto e ao desconhecimento por parte do público seria de esperar uma pequena audiência –  assim foi. No entanto, os que lá estiveram passaram um excelente bocado com a energia ao vivo que esta banda proporcionou. Um nome a manter em conta.

A partir das 20h30 o recinto do palco LG começou a encher. Fácil de adivinhar o porquê, o senhor que se seguia era Papillon. “Deepak Looper”, primeiro álbum do MC de Mem-Martins, por muitos aclamado como álbum do ano, ia ser apresentado ao vivo no MEO Sudoeste e ninguém queria perder. O concerto começou e a enchente revelou-se. Muitos foram os que vibraram com as letras e flows do rapper do grupo GROGNation, mas também com Dj e a banda que Papillon normalmente leva para os seus concertos a solo. Nota para um momento emotivo do concerto, antes de cantar a faixa “Imagina”, em que o artista revelou e admitiu perante o seu público que não tinha preparado cantar essa faixa e que não sabia se conseguiria. É notória a ligação sentimental do rapper com o tema e verdade é que esta foi executada, sim, e da única forma que Papillon sabe fazer as coisas: na perfeição. O público ficou arrepiado. A partir daqui a festa continuou até por volta das 22h, hora em que acabou. Foi “só” um dos melhores concertos que pudemos ver na edição deste ano de MEO Sudoeste.

O Hip-Hop não parava no palco LG e de seguida tivemos Eva Rap Diva, MC que tem ganho cada vez mais espaço no panorama do rap nacional. A rapper angolana não desiludiu e apesar de ter contado com um público em menor dimensão comparativamente com o concerto anterior, viveu-se uma autêntica “Hip-Hop Party”. E claro está, os habituais e exímios freestyles e empatia com o público não faltaram no concerto de Eva.

Passámos de seguida para o Moche Ring e, por falar em empatia, se houve senhor que teve empatia com o público foi Cálculo. Cada vez mais o público o adora e é merecido. O rapper de Barcelos conta com dois álbuns espetaculares e cheios de boa vibe (“A Zul” e “Tourquesa”) que começam cada vez mais a entrar nos ouvidos dos portugueses. Ainda por cima estamos no verão, e é este o tradicional tipo de música para a época em questão. Cálculo fez o seu concerto passando por estes seus dois trabalhos e o público não poderia pedir mais.

“Pessoal, não tenho mais nada para tocar para vocês portanto vou meter a música do Dragon Ball”. Sim, o final de concerto foi com a música de genérico da série “DragonBall GT”, deixando claro está, todos bem dispostos para os concertos que se seguiriam.

Neste palco tivemos depois Phoenix RDC, Estraca, Nasty + Harold, Mike El Nite e DJ Kronic para finalizar a noite.

Phoenix teve uma das mais bem ensaiadas plateias, foi um dos melhores concertos que já assistimos do MC de Vialonga.

Estraca mostrou a todos que numa época em que o mumble rap ganha cada vez mais seguidores é ainda possível dar concertos de rap com mensagem e pôr todos a cantar.

Nasty Factor e Harold foram um bocado prejudicados pela atuação dos Wet Bed Gang no palco principal (tal como Kura, colmataram o cancelamento do concerto de Hardwell) mas não deixaram de animar o público que fez questão de os ver neste novo formato em que são cantadas músicas em conjunto dos dois rappers do coletivo GROGNation, mas também faixas “a solo”.

Mike El Nite fez um autêntico riot com direito a arremesso de rebuçados Dr. Bayard para o público. O rapper contou ainda com a participação especial de SippinPurp neste tema e o concerto acabou em êxtase com “T.U.G.A.”.

Ainda neste dia e em relação ao palco principal, descurámos completamente o concerto de Wizkid, pois ficámos na dúvida se realmente estava a acontecer uma perfomance do artista nigeriano ou se se tratava de um DJ Set. No que ao rap internacional diz respeito, não estava a começar bem.

Wet Bed Gang foi o completo oposto. Simplesmente espetacular. Avisados 4 horas antes de que iam atuar no palco principal do MEO Sudoeste (GSon fez questão de mencionar isto várias vezes ao longo do concerto), não deixaram de ter a pujança que lhes é habitual. Sem banda mas com Conductor nos pratos muitos foram os hits tocados na Zambujeira Do Mar e que puseram todos a cantar. Feedback brutal do público visto o cada vez maior número de seguidores da banda (perdemos o número das vezes que ouvimos músicas de Wet Bed Gang a “bombar” nas colunas dos campistas) e mais um concerto que nos faz pensar que estamos perante o maior fenómeno atual do rap português.

Depois de tantos concertos de hip-hop neste dia, passamos agora para o terceiro dia de Meo Sudoeste.

O dia começou perto das 21h com Domi no palco LG. Por volta das 21h30 começaram Mundo Segundo e Sam The Kid no palco principal. A Hip Hop Rádio teve portanto de fazer “piscinas” para poder ver os dois concertos. Pudemos constatar uma coisa: o público para o concerto de Domi esteve sempre presente em enorme quantidade. Raros foram os que arredaram pé para ver o concerto de Mundo Segundo e Sam The Kid, fazendo-o apenas quando Domi finalizou o seu concerto. O MC do Algarve, que recentemente assinou pela Universal, deu um concerto seguro e cheio de energia que não deixou ninguém indiferente. Começa a ser um caso sério no panorama do rap nacional.

Entretanto Mundo Segundo e Sam The Kid atuavam no palco principal e contavam com um público não em grande número para o habitual número que este palco fiel costuma trazer. Concerto que contou com os clássicos do costume, executados com perfeição pelos dois MC’s, DJ Guze e Cruzfader. Maze apareceu para tocar alguns temas em parceria com os dois MC’s e o seu “Brilhantes Diamantes”, música icónica do Rap Português. Nota ainda para o facto de Sam The Kid ter cantado “Retrospectiva De Um Amor Profundo”, faixa que não era cantada ao vivo há já algum tempo e que infelizmente não foi executada na totalidade. Bem, deduzimos o porquê de Sam The Kid ter optado por não cantar os oito minutos da música. A realidade é que muito do público presente não “aguenta” mais do que dois minutos por faixa ora não estivesse a marcar presença neste concerto pura e simplesmente para guardar lugar para os concertos de Desiigner e Lil Pump.

Sobre estes dois concertos internacionais: já lá iremos. Antes ainda tivemos Bispo no palco LG. O MC de Algueirão Mem-Martins contou com a maior enchente que pudemos ver neste palco e com um público fiel. Bispo atua agora com banda e os seus concertos estão cada vez melhores. Deezy marcou a sua presença para cantar “Nós2”, tema recente em parceria entre os dois e que está a fazer um enorme sucesso. Bispo é provavelmente um dos nomes que mais está a subir a pulso no panorama do Hip-Hop nacional e é fácil perceber porquê. A qualidade está toda lá e capacidade de se reinventar também e o público percebe isso.

Vamos então agora falar de Desiigner e Lil Pump e perceber o porquê do facto de Mundo e STK abrirem para estes dois concertos ser ridículo. Sim, o hype está lá, os hits também e a histeria do público sem dúvida mas será que tudo isto vale a pena quando as performances em palco são sofríveis e descomprometidas? O rap tuga responde a esta pergunta com um redondo não, acreditamos nós.

Se Desiigner foi razoável, Lil Pump foi péssimo.

O primeiro ganha pontos pela sua energia e pujança em palco (em palco como quem diz porque esteve maior parte do tempo agarrado às grades que separam o público do palco). No entanto não podemos deixar de dizer que o concerto de Desiigner foi um autêntico mar de adlibs.

O segundo, é difícil arranjar palavras para descrever. Acreditamos que qualquer miúdo da frontline, fã acérrimo do rapper de Miami, Florida, caracterizado de forma a fazer parecer ele, se tivesse ido a palco atuar, ninguém notaria a diferença. Do que a Hip Hop Rádio apurou com os festivaleiros, alguns já esperavam um concerto duvidoso, outros esperavam ansiosamente pelo concerto do seu trapper favorito e muitos estavam simplesmente curiosos para saber o que Gazzy Garcia, MC com 17 anos, na altura (fez 18 anos no passado dia 17 de agosto) seria capaz de fazer ao vivo. A realidade é que Lil Pump não esteve em palco mais de meia hora e mesmo assim foi muito. Dúvida desfeita.

Antes de passarmos para o último dia de festival em que pudemos ver o concerto de Yuzi, notas de destaque para o palco Vila Santa Casa no campismo que contou ao longo dos quatro dias com vários DJ Set de Sensi a começar os dias dos festivaleiros, a Curadoria de Xeg com o projeto “Animação Em Acção”, a Curadoria de Francisco Rebelo com o projeto “OPA” e a Curadoria de Capicua com o projeto “OUPA!”. Iniciativas de louvar que permitem mostrar novos talentos do Hip-Hop Nacional. Também uma ressalva para Krayze, que animou todos com os seus passos de dança no Palco EDP nos intervalos entre concertos.

Como dissemos, no último dia de Meo Sudoeste pudemos ver Yuzi,  rapper que tem ganho cada vez mais notoriedade no panorama do trap nacional. Assistimos a um dos concertos mais enérgicos do palco LG e provavelmente ao maior mosh pit de todo o festival (nem no palco principal assistimos a um maior). Yuzi não estava sozinho, Benji Price acompanhou-o nos pratos e Yellow nas backs. Por lá passaram também Profjam, SippinPurp e Lon3r Johny como participações especiais e os restantes membros da Think Music que marcaram presença apenas para ajudar à festa. O único que não esteve presente foi Fínix MG. Yuzi deu uma autêntica lição do que é um bom concerto de trap, ao contrário de Desiigner não deslizou apenas por adlibs e ao contrário de Lil Pump… bem… simplesmente não esteve parado em palco.

Já demonstrámos o quanto gostámos do rap tuga ao invés do rap internacional na edição deste ano?

Os Karetus fecharam o palco principal e felizmente pudemos ouvir Hip-Hop mais umas quantas vezes, fosse através dos pratos do DJ ou através da chamada ao palco, mais uma vez, de Wet Bed Gang para o sempre espetacular e poderoso “Maluco”.

Fiquem com as nossas Foto-Galerias:

Nayara Silva – Galeria 1

Daniel Pereira – Galeria 2

Até para o ano MEO Sudoeste!

Beat Fest: um marco na história, uma herança para o futuro

No Alto Alentejo não há rede. Pelo menos, não em Ribeira da Venda. Não há como estar online e só durante as tardes – para quem viajou de carro – é que é possível deslocar-se aos aglomerados vizinhos em busca daquele traço a mais, na tentativa de carregar as instastories gravadas na véspera. Assim, as fotografias e entrevistas ficam para depois. Por agora, é tempo de tomar um banho, descansar e, porventura, ler este ensaio e esta reflexão sobre o que o Beat Fest foi, o que criou e representa | Por Bruno Fidalgo de Sousa

A equipa da Hip Hop Rádio esteve em Portalegre para assistir à primeira edição do certame que prometia muito: os nomes de Piruka, Slow J e a dupla de veteranos STK e Mundo Segundo eram cabeças de um cartaz recheado de rap e batidas portuguesas. Agora que a tenda está arrumada e o calor alentejano ficou para trás, é hora de afirmar que a consagração do hip-hop nacional já tem nome e marca. O festival que se orgulha – e com todo o direito – da sua programação exclusiva de rappers e DJ’s e da sua identidade singular chegou ao fim, depois de quatro dias de temperaturas elevadas, durante a tarde no campismo, à noite em palco.

Falar das infraestruturas é redundante, falar das condições é supérfluo. Contar os braços que, para cima e para baixo e vice-versa se agitavam na multidão é missão impossível. Mais fácil seria contar as horas de calor extremo que os campistas superaram, ávidos pelo próximo concerto. Hoje, muitos hip-hop heads podem sentir-se orgulhosos de ter estado na primeira edição de um certame feito para durar e que, das mais variadas formas, se distingue dos demais.

Há muito que os festivais deixaram de ser festivais de música para passar a ser festivais de verão. É inegável o quão rentável para as organizações é a aposta nos nomes mais conhecidos das massas, nos nomes que se colocam no topo de vendas em Portugal e não só. Já não é só pela programação que se vai a um festival. É pelo espírito, pela festa, pela moda ou pelo que quer que seja. Quando falamos do Beat Fest, não podemos falar em festival de verão ou em festival de música. Falamos em festival de hip-hop. Não de rap, mas de hip-hop. E isso – seja para os veteranos e pioneiros, seja para os recém-chegados a esta cultura – é, não só um prazer, mas uma vitória. Porque o espírito, em Comenda, Gavião, era muito mais do que aquele que se esperava: “aquele sabor e toque das old school hip-hop parties”.

Obviamente que esse sabor e toque já não são os mesmos, também por culpa da própria evolução do movimento. Se faltava alguma coisa, seria o breakdance, a única vertente sem representação – Youth One, um dos pioneiros do graffiti nacional, esteve durante os três dias oficias de festival encarregue das tintas. Também um cypher à moda antiga se enquadraria, ou até mesmo um confronto de turntablism (sugestões para as próximas edições?). Mas, se hoje em dia esta cultura se pode orgulhar de ter um festival exclusivo, muito se deve à aproximação do público, cada vez mais numeroso.

(Relembro-me do meu primeiro festival, de todos os outros que vieram por contágio, das festas de hip-hop e das festas caseiras com a coluna de mão a vibrar. A diferença entre todas essas sessões musicais está no público, na forma como sentem o que cantam e na forma como, todos juntos, sentem o hip-hop. Phoenix RDC contou à Antena 3 que só no Hard Club sentira o mesmo ambiente que em Comenda. Isso é de louvar.)

O Beat Fest tem agora espaço para deixar uma herança pesada às próximas gerações. É um marco no movimento, como quase todos os que passaram pelo palco nestes últimos dias afirmaram. É o fator exclusividade: um festival de hip-hop, organizado por malta do hip-hop para malta do hip-hop – quando digo “malta”, refiro-me a todos os hip-hop heads e a todos os fãs que marcaram presença e não arredaram pé durante as horas de concertos, refiro-me à malta que cá caminha desde o início. E, quando falo em exclusividade, falo do quão única é esta arte. Se, antigamente, havia a “malta do rock”, a “malta do metal”, “a malta do funk”, hoje – e já há alguns anos – podemos falar da “malta do hip-hop” e da forma como, a pouco e pouco, se vai conquistado cada vez mais espaço, seja em boombap ou trap, seja nova ou velha escola.

Foram quatro duros dias – muito sol, demasiado calor e bastantes horas de pé. Foram muitos braços no ar e muitas rimas e batidas levadas pelos mais eclécticos artistas dentro daquilo que é o rap e, acima dele, o hip-hop: do freestyle de Eva RapDiva e Sangue Bom (MC do coletivo Alcool Club), aos mosh pits incentivados pelos GROGNation, por Kappa Jotta ou Holly Hood, aos refrões de Phoenix RDC ou Dillaz, cantados do fundo do peito pelo público, aos pratos de Nel’Assassin, Gijoe, Kwan, à guitarra de Slow J ou à vibe de Mishlawi ou Cálculo.

O hip-hop nacional está mais vivo do que nunca – o hip-hop nacional esteve em peso em Comenda e o Beat Fest tem tudo para continuar. E, como a última frase do set de Stereossauro que encerrou a festa, a mensagem de despedida só podia ser esta: “se é para morrer, morremos de pé”.

Fotografia de Bruno Fidalgo de Sousa

“A História do Hip Hop Tuga” vai ter novo capítulo


Segunda edição vai ter lugar em Lisboa, na Altice Arena, dia 8 de março de 2019. Bilhetes já à venda a partir de 20€.

“A História do Hip Hop Tuga” marcou o Sumol Summer Fest e o verão de 2017. Face ao sucesso do espetáculo, tanto dentro como fora de palco, o público poderá ver um novo capítulo já no próximo ano.

O conceito do evento é simples: percorrer a história do Hip Hop português – que conta com mais de 25 anos –  trazendo a palco nomes representativos desta cultura. Sam The Kid, General D, Black Company, NBC, Mind Da Gap, Dealema, Capicua, Allen Halloween, Dillaz ou GROGNation foram alguns dos nomes que subiram a palco no ano passado. A nova edição  contará com mais nomes, tanto rappers old school como emergentes, mas não só: também dj’s, writersb-boys completarão a festa.

O elenco será apresentado a partir de setembro. Entretanto, os bilhetes estão à venda na Blueticket e nos locais habituais.

BEAT FEST: Um festival de batidas, rimas e tintas

 

O hip-hop volta a estar em destaque no panorama dos festivais de verão. No Beat Fest “só” não há breakdance, mas, em contrapartida, apresenta uma programação de luxo a nível de MC’s e DJ’s nacionais. A praia fluvial da Ribeira da Venda, em Comenda, Gavião, recebe, de 2 a 5 de Agosto, o certame que tem como objetivo colocar o Alto Alentejo no mapa do movimento e, “quem sabe, trazer de volta aquele sabor e toque das old school hip-hop parties”. | Por Bruno Fidalgo de Sousa

Não só de MC’s se faz a festa em Comenda. A programação, que conta com Piruka, Slow J ou Mundo Segundo e Sam The Kid como cabeças de cartaz e  Nel’Assassin, Dj Kwan e Stereossauro nos pratos, “seja em clubbing ou turntablism”, só fica completa com Youth One, writer português que irá estar a pintar durante a tarde nos três dias de festival, explica Ivo Novais, um dos organizadores do evento, que acrescenta ainda “principalmente porque o consideramos um artista com alma hip-hop e, sendo a nossa primeira edição, queremos começar com uma vibe distinta”.

Embora o plano inicial contasse com a presença do breakdance e com dois artistas internacionais, o cartaz está fechado. Ivo explica que “infelizmente não conseguimos trazer artistas de breakdance, foi uma dificuldade que não conseguimos ultrapassar, estamos na primeira edição, esperemos que para o ano consigamos ter as quatro vertentes em pleno.”

Para além dos concertos já mencionados, também Mishlawi, GROGNation, Phoenix RDC, Cálculo, Kappa Jotta, TNT, Dillaz, Eva RapDiva e Holly Hood têm presença marcada nos três dias de festival. A completar o certame, a receção ao campista recebe ainda Kroniko, Sacik Brow e Alcool Club, para além de DJ Gijoe. “Esperemos conseguir criar um evento cujo o estado de espírito do público esteja interligado com o dos artistas, e quem sabe trazer de volta aquele sabor e toque das old school hip hop parties”, conclui Ivo.

O festival tem o apoio da autarquia e os bilhetes de entrada diária ficam a 10€, com o passe geral a rondar entre 22€ e 26€.

Fotografia de Arquivo

 

First Steps Porto 2018: um pequeno passo para a criança, um grande salto para o Hip Hop

Nos dias 14 e 15 de julho, o Museu Nacional de Soares dos Reis recebe a sexta edição do First Steps Porto e promete um fim-de-semana repleto de dança, música e arte urbana.
Surgido, inicialmente, com o objetivo de incentivar alunos de danças urbanas a participarem em batalhas de freestyle (apresentações de dança improvisada no momento, com música escolhida pelo Dj), a presente edição contará também com batalhas para bailarinos com experiência e workshops em todas as áreas da cultura Hip Hop.

O formato deste projeto é único em território nacional, uma vez que une num evento anual 5 áreas artísticas diferentes, proporcionando formações de qualidade, abertas ao público e gratuitas.
Aliado ao objetivo de criar um palco para os novos talentos, a First Steps Porto também se carateriza pelo seu cariz social, tendo angariado cerca de 1200€, em 5 edições, para instituições e projetos sociais. Este projeto tem sido realizado por uma equipa de voluntários, que conta com apoio de patrocinadores esporádicos para assegurar a continuidade do mesmo. A recetividade tem sido positiva, tendo recebido durante os 5 anos, mais de 2 mil participantes, provenientes de vários países, entre os quais: Espanha, França, Bélgica, Finlândia, China, Venezuela e Brasil.

A aventura começou em 2011, com um evento com poucos recursos na cidade de Famalicão. Após um feedback surpreendentemente positivo decidiu avançar, em 2013, com um projeto mais estruturado, na cidade do Porto. Esta edição contou com workshops de professores reconhecidos e todos os fundos angariados reverteram para o Lar Nossa Senhora do Livramento. Com o apoio  deste, a edição de 2014 foi realizada na Sala 2 da Casa da Música, tendo sido um fator importante para a visibilidade e consequente incremento no número de  participantes espectadores.

A 4a edição da First Steps teve uma nova e acolhedora casa: o Museu Nacional de Soares dos Reis, no coração da cidade do Porto. O formato, neste ano, foi expandido, tendo sido criada outra competição destinada aos bailarinos mais experientes. Mas não ficou por aí. Em 2016 e 2017, o projeto apostou também em formações nas áreas do graffity, djing e beatbox.

Os fundos angariados reverteram sempre para causas sociais que foram, em 2016, a associação ASAS de Ramalde e, em 2017, o Marco – um jovem que sofreu um acidente que o deixou totalmente paralisado. Encontra-se há 3 anos num processo de recuperação lento da fala, movimentos motores e raciocínio e todos os fundos angariados da presente edição reverterão novamente para ele.

A cultura Hip Hop mostra assim a força que pode ter.
Cada pequeno passo de dança, cada pequeno contributo monetário que se fizer, nos dias 14 e 15 de julho, é um salto gigante para o Hip Hop e, consequentemente, para a causa social a que se propõe.

Durante os dois dias de evento, desenvolver-se-ão atividades nas áreas urbanas da dança, graffiti, beatbox, mcing e djing, que estão descriminadas na imagem abaixo.


Escrito por Nuno Mina

Mirandela Music Fest: Em noite de Dillaz, quem incendiou o clima foi Phoenix RDC

O parque Ribeira de Carvalhais recebeu a terceira edição do Mirandela Music Fest, nos dias 8 e 9 de junho. Com a missão de assumir uma dimensão nacional, Domi, Phoenix RDC e Dillaz eram as cartas do primeiro dia. E se Dillaz era o trunfo da noite, Phoenix RDC foi rei.

Domi iniciou a noite de Hip Hop. Com o seu flow caraterístico, conquistava o público lentamente e foi com o beat de Charlie Beats que o agarrou: “Não esqueço” sintonizou a plateia com o jovem rapper.

Seria de “Pensamento Leve” que acabaria o concerto. Paradoxalmente, quem se avizinhava para subir ao palco era um peso pesado. No backstage, Phoenix RDC dá saltos e gritos para aquecer. A fome que tem de palco nota-se no seu olhar. Quando entra em cena, basta ele para o encher. E de que maneira.

Com Phoenix não há uma linha que separa o palco da plateia. Não há um concerto feito. E a meio da atuação isso comprovou-se. O rapper parou uma música para saltar do palco e ir à primeira fila por água na fervura, após alguns elementos do público começarem desacatos. Com o álcool e os nervos à flor de pele, é normal isto acontecer. O que não é normal é o artista descer à terra. Phoenix ajudou um fã a saltar da grade, levou-o consigo para trás do palco e continuou o concerto.

A cada música relembrava que havia tempo para Dillaz. A noite era longa e era para aproveitar cada música, cada artista. “Não há pressa”. Com Phoenix há espaço para tudo e todos. Há lugar para toda a música, seja para a cabeça ou para a anca. Mas sublinhava:

“O rap também é sentimento, não é só festa”

“Dureza”, “Todo Santo Dia” e “Fama” incendiaram o clima e levaram o público ao auge.
Phoenix entre as músicas não se limitava a puxar pelo público. O rapper dirigia palavras à cultura Hip Hop, ao público e aos seus sonhos. Incentivava a lutar, a tentar. E afirmava, afincadamente, que nenhuma pessoa do público é menos que ninguém.

“Há aí muitos filhos da puta que querem acabar com os vossos sonhos?”

“Consequências” seria a última música. E bastariam alguns minutos para a noite continuar. O número 75 aparecia no ecrã gigante. E Dillaz, acompanhado de Vulto, Zeca e Spliff, subiam a palco.

Quem segue o rapper da Madorna pelos recintos do país, não estranharia o alinhamento. Houve espaço para clássicos como “Pedras no meu sapato” ou “Não sejas agressiva”, onde Dillaz nem precisava de cantar, pois o público trauteava as músicas de cor. “Protagonista”, “Cria Atividade” e “Mo Boy” seriam algumas das músicas que engoliam a plateia e que faziam com que ninguém conseguisse estar parado.

Com “Saudade”, Dillaz despediu-se do público. E seria a saudade a trazê-lo novamente a palco para cantar a última música e despedir-se com o melhor ambiente possível: “Clima” fechava a primeira noite.

A organização não desiludiu, a noite passou a correr e os artistas contribuíram para dar mais um passo na consolidação desta cultura como predominante no nosso país. Dillaz, no final do concerto, lembrava que era o público o responsável pelo rap nacional.

O Mirandela Music Fest é a prova de que, verão após verão, o Hip Hop cresce. E seja nos grandes centros urbanos ou num canto escondido do nosso país, há público, dos 10 aos 50, que enche os recintos e que contribui para o crescimento da cultura Hip Hop.

Reportagem por: Nuno Mina e Tomás Novo