Hip Hop Rádio

Estraca

GuiaHHR: 17 faixas que marcaram fevereiro

Todos os meses, o Guia Hip-Hop Rádio debruça-se sobre os álbuns, faixas ou temas atuais do movimento no mês em questão. Se, em janeiro, analisámos os álbuns por lançar este ano e entrevistámos os seus criadores, em fevereiro, no culminar dos seus curtos 28 dias, destacamos as dezassete faixas que marcaram o mês, desde “Bom Lugar”, nascida nas OHME Sessions de Puro L, a “Torre Eiffel”, de Harold. Um ensaio de Bruno Fidalgo de Sousa.

No primeiro dia de fevereiro, o MC portuense Puro L divulgou a segunda sessão das suas OHME Sessions. 

Depois de “Quem Me Dera”, a solo, une-se a Zim, novamente com um instrumental de The Plan Beats, neste “Bom lugar”.

“Às vezes tenho fome, é aliciante o come back/ mas já não me identifico sequer com esse leque/ já não quero ser rico só quero que o mic rec

“Mais Do Que Pele” é o segundo single do próximo álbum de Grilocks, Nimbus – que marca a sua estreia com a Mano a Mano, de TNT. O tema, já noticiado pela HHR, sucedeu a “Labirintos” e conta com a poesia de Napoleão Mira e o selo instrumental de Khapo.

“falta-me o teu corpo de mulher fogueria/ para me aquecer em noites de ventania/ resta de nós esse tempo de bebedeira, o teu sorriso emoldurado à cabeceira e o disco preferido da tua melomania”

No início do mês, a HHR publicou uma breve sobre o novo álbum de Mishlawi. Depois de vários singles de sucesso, o prodígio da Bridgetown editou Solitaire, álbum de 12 faixas. 

“Audemars”, com Nasty C e produção de Sensay Beats e Prodlem, é o tema que destacamos.

“imma spend all the budget on a Aduemars/ and it don’t tell the date I live like no tomorrow/ come and hit the dank and we gon’ go to Mars”

 

A estreia de L-Ali com a Superbad. não podia ter corrido melhor: “Siri” é o tema que une o MC de Alfama com uma produção magistral de Here’s Johnny, que também assina a engenharia de som – como habitual.

LISTA DE REPRODUÇÃO, com VULTO., foi um dos destaques do ano passado. Aguardam-se novidades.

“L legado tão lembrado como lido/ L-ALI porque nunca ‘tou no mesmo sítio / vivo com a solidão que escolhi como quem namora o beat em 80 e picos”

“O Último dos Reais” é o mais recente single e marca o regresso de Ary Rafeiro, desta vez com o apoio dos Bons Malandros. Produzido pelo próprio, conta com vídeo da Rutz Rec. O tema foi estreado no sétimo aniversário da plataforma RAPNotícias

“A inveja chama e diz que vim pela fama/ vim mostrar que os diamantes podem sair sozinhos da lama/ sem escravidão humana/ negar-se o bling bling para por a brilhar o povo de bermuda e havaiana”

Servidos com um instrumental de Hyzer, holympo e Palazzi juntaram-se sob o selo Andamento Records para criar o tema “Shawty”, no início do mês, que teve depois direito a vídeo de @phykecam e @phonesex.jpeg. A masterização é de Nedved.

“O nosso fim foi adivinhado/ no fim já não tinha afinidade/ o nosso baixo é desafinado/ pouca cabeça para a tua idade/ sei que te faltou maturidade”

Três anos depois, Syer (Sujidade Máxima) tem um novo tema e este é inteiramente dedicado ao falecido Beto di Ghetto. “Quando A Alma Se Despe” tem instrumental de Syndrome e vídeo de Wilsoldiers. É de saudar o regresso de Syer – com uma sentida homenagem.

“é o despertar do monstro que adormeci nos 90/ talvez seja a última vez que solto a voz nas ruas/ Felisberto, meu irmão, tenho saudades tuas/ ando triste, pensativo, desolado como nunca”

“Qual a Percentagem” foi a segunda resposta de Estraca a benji price, sucedendo a “solero”. A produção é de Forgotten e Beatowski e a engenharia de som de CharlieBeats.Como diz a breve lançada à data, o MC do Lumiar “alarga-se para a Think Music, citando nomes como ProfJam ou Lon3r Johny“.

trazem rimas importadas, misturam na linguagem, dão a cara por um tarifário mas estão sempre sem mensagens/ what the fuck”

Depois de editar Tourquesa, um dos melhores álbuns do ano passado, o MC de Barcelos, Cálculo, regressou aos singles, na companhia de Zim, com “Complicado”. A produção é do próprio Cálculo, com guitarra de Beni Mizrahi.

“O teu amor é caro e só vem de encomenda/ eu desconfio sempre de quem o põe à venda/ vou caír como sempre, pode ser que aprenda/ queria ver racional mas ele pôs-me a venda”

Jay Fella, MC da Mano a Mano que tem divido palcos com Silab (com duas mixtapes homónimas no percurso), divulgou este mês o tema “Manter”, ilustrado com artwork do próprio, com um type beat de J Cole e um flow singular a que o artista já nos tem habituado.

“Era suposto eu comprar fazenda/ mas eu deixei-me a dormir na escola/ enquanto eu sonhava ser lenda no rap diziam ser um prodígio para a bola”

Dez, que, junto de xtinto, percorreu a Odisseia em 2016, regresso com um novo tema a solo, “EMMM”, – como noticiado pela HHR – com produção de Dzyrd, engenharia de som de benji price e vídeo de Billy Verdasca. 

“Perguntam como é que foi feito isso/ foi com a sarda do Sardet foi feitiço/ eu bem te disse que quando pego no lápis, num ápice/ grafito um gráfico na lápide, não há PIDE, não há peace”

Mais um tema divulgado pela Hip-Hop Rádio: “Death Note” une dois rappers da Think Music, Lon3r Johny e Fínix MG, novamente com engenharia de som de benji price e, desta vez, com produção de Jammy. O vídeo está assinado por Rui Duarte.

“Mo wi mas eu tou na estrada life já não é só Cacém/ roupas tem-se, notas tem-se, nossa, o game é a nossa wave/ até pássaros sabem um nigga dropa bem, eu sou coca sem corte/ a 100, nota-se bem que choca lames”

Estreou-se o ano passado a solo com Esquizografia, EP que figurou nos melhores do ano para a HHR. Pibxis tem novo single: “Underbanger“, com produção de Keso e divulgado através da Paga-lhe o Quarto Records. O vídeo é de André Oliveira.

“Ás no topo e não baralho, vai po caralho/ tem que vir todo ele em taco ou então dá banano/ o stack intacto a passar po’ mano/ ou então chama aí um macaco e pede para passar o pano”

O décimo quarto tema deste ensaio não é de fácil degustação: Johny Gumble, Tilt e Nero, em representação dos ORTEUM e Richards Beats no instrumental, à moda da Pipa de Vinho Rec. “Jurássico” é mais um grande tema – sucede a “Anda”, de ORTEUM e DJ RM.

“No meu ouvido já só soa uma nota/ impede-me morrer, permite-me viver na cova/ imagina o que poupava se caixões fossem berços/ e morresses onde nasceste, independentemente da volta?”

De surpresa, ProfJam divulgou #FFFFFF este mês, o seu primeiro álbum, em colaboração com o produtor Lhast. Se “Água de Coco” e “Tou Bem” já tinham sido um sucesso, as restantes nove faixas do disco têm partilhado de igual atenção. “À Vontade”, com Fínix MG, o único convidado, é um dos temas com mais visualizações.

“Prof dá-me o co-sign mano e não é miragem na estrada/ meu barco afundou mas Poseidon viu a mensagem na bottle

Amaura, da Mano a Mano, é a prova viva que o R&B ainda está vivo. Com Mad Marcus e instrumental de Gold, “Coopero” é o segundo tema da cantora com a label, sucedendo a Blues de Tinto e a uma colaboração em Flow.

“Hoje é para a nódoa negra e para o jogo de mãos, hoje és tu com uma venda sem guia na contramão/ para o puxão de cabelos, enfraquece sansão/ ontem madalena era arrependida hoje madalena não é não, não, não”

 

Harold, MC do coletivo GROGNation, tem novo tema a solo para celebrar o dia do amor: “Torre Eiffel”, noticiado pela Hip-Hop Rádio. A faixa é acompanhada por Marta Ferreira, pela guitarra de Henrique Carvalhal e pela produção de Migz e KYO e de el Conductor,

“eu sei que eles todos me querem ver morto/ eu só quis um pouco mais do teu corpo/ sem ti não há conforto sou bicho solto”

Rap Notícias celebra sétimo aniversário em festa

O sétimo aniversário da plataforma digital Rap Notícias tomou lugar nos estúdios do TimeOut e tinha hora marcada de arranque para as 22:00. Com um cartaz bem representado – como já nos tem habituado – e um line up diferente do habitual, não se podia pedir melhor | Por Rodrigo Santos

O espaço foi ficando cada vez mais composto até subirem ao palco Sir Scratch, João Moura e Sam the Kid, para levarem a cabo uma emissão do seu podcast “Três Pancadas”, num contexto bastante diferente daquele que o público está habituado: foi uma iniciativa arriscada pelas repercussões que os espetadores, ansiosos pelo espetáculo musical, poderiam sentir ao assistir a tudo menos a um concerto. No entanto, o conceito “pegou” e, de facto, existiu espaço para intervenção do público e para debates construtivos sobre temas mais sérios, relacionados com o hip-hop, mas também houve espaço para assuntos mais descontraídos – como a história de como STK conseguiu assistir a um dos concertos mais marcantes da sua vida (U2, no Estádio de Alvalade).

Podcast Três Pancadas, pela primeira ao vivo. Fotografia de Rodrigo Santos

Prosseguida a conversa, era agora tempo de passar à música e quem abriu as hostilidades foi Dj Perez, contando exclusivamente com temas de hip-hop nacional: o suficiente para começar a criar um clima festivo entre o público que se ia aproximando cada vez mais do palco com vista a estar mais próximo do primeiro MC da noite, Estraca, que pisou o palco do TimeOut pela meia-noite. O concerto começou bastante agitado, com uma energia contagiante trazida pelo rapper do Lumiar, que em uma
hora teve tempo para passar pelo seu reportório mais conhecido e fazer ecoar entre o público as letras dos seus temas. Contou com Pajo, que atuou ao lado do MC, completando o entusiasmo e dinamismo vivido em palco. A atuação serviu ainda para demonstrar a boa relação de Estraca com os seus fãs: ao longo das músicas existiam sempre bastantes trocas de cumprimentos e “propz” de parte a parte – estava montado o clima ideal. A audiência estava agora mais atenta e mais quente depois de terem vibrado ao som de Estraca e preparava-se a entrada de Keso e Virtus em palco. E o mesmo aconteceu já de madrugada.

Os dois artistas alternaram entre as suas músicas, dividindo quase por metade os temas cantados pelos dois. Virtus foi o primeiro a trazer o norte à capital, interpretando letras sentidas com uma musicalidade interessante. Apesar de ser o MC que à partida detinha o menor protagonismo, até por não ter um grande destaque num cenário atual, foi uma agradável surpresa, boa interação com o público, uma energia muito própria, deixando até aqueles que desconheciam com uma impressão muito favorável ao mesmo. Com Keso, o nível era mais exigente, já familiarizado com a casa, e perspetivava-se uma atuação ao nível daquilo que já lhe é habitual e assim foi, com um estilo bastante próprio e algo obscuro (“baixa lá as luzes pah”), fez o público prestar atenção a temas bastante delicados que não eram de todo desconhecidos. “Gente e pedra” e “Underground” foram apenas duas das faixas mais sentidas pela sua popularidade, que o rapper fez questão de modificar com o arranjo do som, pedindo ao Dj
que parasse o beat e prosseguiu à capela, mostrando os seus dotes vocais em perfeita sinfonia com as letras.

Antes do nome mais esperado da noite houve uma entrada de última hora, Ary Rafeiro, com uma passagem curta pelo palco, mas com uma boa impressão, trouxe mais andamento a quem assistia, com temas festivos e uma boa dinâmica de palco: o público cooperou bem na apresentação do seu novo single, “O Último dos Reais”. Nota para a mensagem final que deixou, apelando ao respeito pela diversidade de género, raça e religião,
ensaiando votos de uma cooperação entre todos, de modo a formar um mundo mais desprovido de ódio e desrespeito: uma mensagem importante tendo em conta o cenário de tensão vivido em Portugal nos últimos tempos.

Pouco antes das três da manhã, o nome mais aguardado entrava em ação: Phoenix Rdc, acompanhando do seu “gang”, marcava com impacto o primeiro tema trazido a concerto, um autêntico espetáculo visual que agradava quem estava a assistir, vestido de colete anti-balas e acompanhado por danças várias trazidas por quem se encontrava na sua back. Sentia-se entre o público um verdadeiro sentimento de admiração e isso talvez tenha sido provocado pelo novo álbum lançado pelo MCde Vialonga: “Melhor Álbum de Hip-Hop Português”. De facto, as faixas do novo álbum entraram bem no alinhamento e isso era visível através das expressões de quem assistia, que acompanhavam o rapper com exímia distinção na interpretação das letras. Phoenix passou também pelos seus temas mais antigos e até convidou quem não soubesse o refrão do tema “12:00” a sair do recinto- “quem não souber este refrão pode
bazar”. Nota positiva para o último MC da noite, que deixou o público a falar e com sede de mais atuações do rapper. Nota menos positiva para o hypeman, com intervenções forçadas e às vezes pouco pertinentes. No geral uma fantástica atuação.

O sétimo aniversário da Rap Notícias foi fechado pelo Dj Kwan que atribuiu o final ideal para a festa que já se prolongava para lá das quatro da manhã, com temas de hip-hop familiares e inclusive dos intervenientes no evento, despertando no público os últimos passos de dança antes das portas fecharem.

O evento dava-se assim por terminado: uma noite bastante bem passada, com uma organização a roçar o impecável e com atuações bastante bem conseguidas. No geral, foi uma boa escolha de intervenientes que, em conjunto, enriqueceram mais uma celebração promovida por umas das mais antigas plataformas de divulgação deste movimento.

Foto-galeria de Rodrigo Santos aqui.

Benji Price responde com “solero”

A faixa foi lançada hoje pelo rapper e produtor da Think Music e tem como nome “solero”. O tema sucedeu a “jörmungandr”, primeira música que teve como alvo Estraca e obteve resposta do mesmo em “Qual A Razão?”.

Com produção de KenKen KillT iT, é a primeira vez que podemos ouvir benji price a rimar com um instrumental boombap. Fiquem com o tema “solero” aqui.



Guia HHR: verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho

Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho. Neste caso, o São Martinho trouxe com ele muito rap, o sol brilhou por bem mais de três dias – no que toca ao calendário hiphopiano, este novembro que agora termina contou com muitos singles e pouco álbuns, mas tudo bem: “chuva em novembro, Natal em dezembro”.  No território nacional, chegaram-nos os singles de ZA, Harold, Malabá ou Scorp, entre tantos outros, assim como a edição do primeiro EP de Domi ou o segundo EP colaborativo de Fonseca e Cripta. Lá fora, Earl Sweatshirt acaba de editar Some Rap Songs e The Alchemist The Alchemist Bread EP, Chuck D regressa a solo com Celebration of Ignorance, mas o principal destaque do mês vai para Oxnard, terceiro longa-duração de Anderson .Paak, mas não é no hip-hop internacional que nos focamos. O São Martinho, este mês, foi proveitoso: para finalizar da melhor forma, Slow J lança novo single e xtinto rima num beat de VULTO. Halloween rima e produz novo tema: “Meu Querubim”. Muitos dias de sol para ouvir muita – e boa – música. 

Logo no primeiro dia do mês, ZA une-se ao veterano Nameless no tema “#TUDOCÓPIAS”, com produção de Facto e scratch de Dj Kronic. O sabor a boombap é acompanhado pela crítica e opinião dos dois MC’s à estagnação da veia inovadora do hip-hop (A “C ” ’tá a vir com droga tão cá tudo quer ser dealers/Dillaz) . Ainda este ano, ZA lançou “Só quero que saibas”, com Tito, e participou nos cyphers da Rec Fellaz (#SAFODASESSIONS).

“soam sempre a blá blá blá, mas por cá, cara pi
flows viraram vestuário e vai tudo à Zara, G”

Seguiram-se os singles em catadupa. Valdir publicou “Bébi” no seu Soundcloud, com produção de tenro), Ferry rimou num beat de Xpress em “Nada“, Estraca e Madkutz voltaram a a unir esforços em “Espíritos“, uma “homenagem ao hip-hop nacional e a todos os que partiram e fizeram parte desta cultura”. Também YOUNGSTUD (o seu EP Aversão chegou-nos em Junho) voltou aos temas inteiramente produzidos por si (e sem samples) com “Sem Olá não há Adeus“:

“aguenta coração tipo um relato do euro
mas o herói improvável no fim nunca vou ser eu
as luzes do túnel renovam ânimo em cada paragem
mas quando chegar ao fim da linha vai ser tudo igual man”

Ao mesmo tempo, NGA publica o videoclip de “Depois do Amor“, tema do seu mais recente álbum Filhos da Rua 2, e Kappa Jotta revela “Coragem“, faixa integrada na Mixtape Ser Humano Vol.II, com Macaia e Khapo, que também oferece o instrumental. Harold e Lon3r Johny são também os donos de dois temas noticiados pela Hip-Hop Rádio, a solo e com videoclip, respetivamente: “Eterna” e “Trapstar“.

O trabalho de estreia de Domi há muito tinha que sair e, por fim, está nas ruas. O EP 3º Maior é o primeiro projeto do rookie algarvio, com selo Universal, com os singles  “Pensamento Leve” e “Não Esqueço” entre novidades. Conta com colaborações de Murta e Jimmy P e produções de Andrezo e Charlie Beats, que também misturou e masterizou.

A meio do mês, Malabá, Sacik Brow (“sinto o game grave cada vez que gravo”) e Evang disponibilizaram “Circo”, com produção de Ray Denz, em mais uma faixa com selo SeriousRecords. O tema tem videoclip assinado por João Azevedo.

Subindo um pouco no mapa, destaque para o hip-hop da Zona Centro, que prolifera: com dois temas, “Alcoolémia” e “Mema Zona” (instrumental de SCUM49), Scorp, rapper das Caldas da Rainha, antecipou UMPORUM 2 nas redes sociais, depois de editar UMPORUM com Stereossauro o ano passado, álbum considerado nos doze melhores do ano pela Hip-Hop Rádio. Contudo, ainda se aguarda por Visão Noturna – cujos singles já estão nas ruas, com selo Crate Records e Razat.

Das Caldas da Rainha para a Marinha Grande, Tony Bounce (que também publicou a beat tape R Mutt Vol.2 este mês) empresta um instrumental Fonseca e Cripta que se uniram mais uma vez, depois de A Um Traço da Loucura (2016), para lançar para as ruas Domínio do Delírio, EP de quatro faixas, também noticiado pela tua rádio.

“quando tu precisas conta quantos se mobilizam
é ridículo
objetivo sempre foi fechar o Círculo
histórias nunca pararão
esteja eu na poça ou na piscina de um casarão
à beira-mar com gin e camarão
mas por agora vou sonhando enquanto fumo no paradão”

Por Leiria, também Xtigas e The Dude se juntaram para “Milli” e, mais a norte, em Coimbra, holympo acaba de lançar “Índio“, com produção de l0tus. Também Vado Más Ki Ás aproveitou o final do mês para divulgar “Brincar é no parque“, tema alusivo ao beef com Mota Jr (“fui na tua zona e andas fugido”), assim como o videoclip do tema “Gabriel”, faixa criada para a banda sonora do filme homónimo, a estrear em Março de 2019.

Para finalizar o mês – e quem sabe colher em dezembro – o hip-hop encheu-se de luz: Slow J publica a faixa “Teu Eternamente“, com uma produação de luxo (ele próprio, DJ Ride, Fumaxa, Holly e Papillon); xtinto rima num beat de VULTO, disponível no Bandcamp do produtor, noticiada hoje pela Hip-Hop Rádio; Allen Halloween produz (como Maradox Primeiro) e canta em “Meu Querubim“, com um videoclip produzido inteiramente através de imagens de Taxi Driver, filme de Martin Scorsese de 1976.

“os meus olhos não fingem eu não oiço o que eles dizem
mas vou onde te virem mesmo quando me mentirem
atrás de ti em bares que me fiem”

Para finalizar este guia Hip-Hop Rádio, onde destacamos o que melhor se faz no hip-hop nacional e deixamos também uma palavra de apreço para a qualidade internacional, fica o videoclip de “E Coli”, faixa do novo EP, The Alchemist Bread EP, do produtor norte-americano, com a colaboração de Earl Sweatshirt. O genial vídeo é de Jason Goldwatch.

 

Lição nº3 e tudo a saltar

Naquela que foi a menos lotada das festas de hip-hop da cidade de Coimbra, o ex libris, desta vez, foi Estraca. Na terceira lição de hip-hop em Coimbra, os fotógrafos subiram ao palco quando o MC do Lumiar desceu, duas músicas depois do início do concerto. Só voltou a subir no encore. Por Bruno Fidalgo de Sousa.

Mais uma noite se passou onde o espaço para a festa foi o Avenue Club. A noite abriu com Why Not, um novo coletivo de Coimbra – que trouxe um formato diferente no seu concerto, alternando faixas originais com DJ-set. Até agora, tem havido sempre espaço para novos talentos do hip-hop coimbrão de brilhar e, desta feita e sem MC Ruze no comando da noite, também um novo coletivo da linha de Sintra se juntou à festa.

Não eram ainda 4h20, mas já os Ivel.inc cantavam que era essa “a hora da oração”. O grupo apresentou-se com Princ€, P.Kappa, El Pedro, Xpress e ChristOnthebeat num concerto que primou por uma boa vibe e bangers face ao pouco público presente.

Também os Ivel.inc desceram do palco para atuar na frontline, mas Estraca fê-lo melhor. Desceu, avançou e foi rodeado pelo público, à medida que cantava faixas como “Palavras”, “Confia”, “Hip Hop” ou “Planeta Novo”. O público estava bem preparado e tanto Estraca como Splinter, que o acompanhava, deixaram-se ficar com “os pés no chão” até ao segundo encore, terminando o concerto com “Clássicos”.

A noite teve tempo ainda para acolher uma nova faixa, com lançamento anunciado pelo MC para dia 30 de março. Antes de subir ao palco pela última vez, um beat de drum catapultou a roda íntima de amigos que o rapper fez nessa noite para um pequeno moshpit. Ao que tudo indica, Estraca queria mesmo “ouvir a voz do povo”.

Fotografia por Bruno Fidalgo de Sousa e Diana Reis