Hip Hop Rádio

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“Toque” reúne Mirai e Domi

Depois de “Froid“, Mirai volta a disponilizar novo single e, desta vez, com a participação de Domi. “Toque” conta com produção de Lazulli e mix e master de Charlie Beats.

Cheezy Ramalho assinou o videoclipe.

Domi: “Foi talvez o ano mais criativo que tive na minha carreira”

Depois de aproveitar o ano passado para fazer uma pausa, Domi está de regresso com o seu novo single “Ondas da Praia”. Este tema surge num registo diferente daquele que o artista habituou o seu público, mas isso não o deixa preocupado: objetivo do algarvio é marcar a diferença e mostrar precisamente que não se insere numa “caixa”. Em conversa com a Hip Hop Rádio, Domi falou do seu reencontro com a música e sobre o que representa este primeiro de muitos trabalhos a serem lançados em 2021.

Há uma semana saiu “Ondas da Praia”, o teu novo single. Como tem sido o feedback do público?

Tem sido dividido: bom porque foi uma música que não lançava há muito tempo e as pessoas estavam já com saudades de me ouvir… houve até pessoas que, por causa da alteração do registo, gostaram imenso de eu ter arriscado; por outro lado, tenho um feedback menos bom, no sentido em que, – eu também já estava à espera, obviamente -, devido à mudança de registo, as pessoas talvez estão habituadas a ouvir o Domi de outra forma e eu percebo perfeitamente que seja estranho ter aparecido com este registo, mas sou eu na mesma. As pessoas estão no direito de achar estranho, mas tenho tido críticas construtivas, por isso é que não levo isso como uma cena negativa. Claro que às vezes não conhecem o trabalho por trás, o artista em si, o que motivou a mudar de registo, mas só digo ao meu público que não estou fechado numa caixa. Sou um artista e faço diversas coisas, sinto-me à vontade para tal, canto bem, e foi o Charlie também que me puxou um bocadinho… e o “Ondas da Praia” foi sem dúvida fruto desse trabalho do ano de 2020.

Como nasceu este tema?

Precisamente quando eu apresentei a ideia ao Charlie. Ele apresentou-me este beat com uma sonoridade completamente diferente e disse “acho que tu conseguias fazer uma cena fixe aqui”. Sendo o beat algo muito mais musical e melódico, também me puxou logo para fazer algo que fosse nesse registo e assim nasceu o “Ondas da Praia”.

O que significa este som para ti?

Significa que estou muito orgulhoso. É o primeiro passo, ou seja, a primeira música depois de voltar, por causa do ano que estive parado, e marca pela diferença por ser uma música diferente, por ter arriscado. Estou muito orgulhoso por ter conseguido isso, por estar a evoluir e a fazer coisas novas.

Anunciaste que este é o primeiro trabalho de muitos que irás lançar ao longo deste ano. Qual foi o objetivo ao escolher “Ondas da Praia” como cartão de visita?

O meu objetivo foi precisamente esse: não me colocar numa caixa, porque os próximos sons que eu tenho para lançar são muito mais fiéis ao Domi que as pessoas conhecem. Decidi que seria este o primeiro para mostrar que não sou só exclusivamente aquilo, mas muito mais. Apresentei agora uma cena diferente, mas não quer dizer que o meu próximo som não seja já diferente do “Ondas da Praia”, portanto quis marcar a diferença… foi mesmo esse o objetivo.

Não receias que agora o público pense de alguma forma que este é o primeiro de muitos trabalhos, mas todos eles num registo diferente?

Não, de todo, porque aí estaria a fugir àquilo que sou como artista. Isto foi simplesmente um som diferente que representa igualmente o Domi como todos os outros, mas foi um som que as pessoas não estavam habituadas a ouvir. Mas o Domi não é só o “Ondas da Praia”… lá está, eu não gosto de me colocar em caixas… não é porque fiz este som que agora vou fazer todos os sons assim e é isso que eu quero que, na verdade, as pessoas percebam: que eu tenho essa liberdade e que sou eu que escolho.

E ao fazeres um som diferente, isso pode ajudar-te também a ir buscar outros públicos que não te ouviam anteriormente…

Sim, mas nem é na tentativa de ir buscar algo. É porque eu naturalmente tenho isto dentro de mim e sinto-me à vontade para o fazer, então estou completamente resolvido comigo para o fazer e isto também é o Domi.

Durante a pandemia muitos artistas aproveitaram o facto de estarem em casa para produzir mais trabalhos. No teu caso, o processo foi igual ou este ano sabático serviu para te afastares também um pouco da música?

Foi precisamente para me reencontrar outra vez na música. Foi muito bom porque deu-nos tempo para poder estar connosco e poder estar a produzir. Estes dias fechados em casa obrigam-te a ir produzir. Foi muito importante para mim, foi muito produtivo e foi daí que nasceram todas estas músicas que agora vamos ouvir em 2021. Nesse aspeto, foi talvez o ano mais criativo que tive na minha carreira.

Tendo em conta que prevês lançar vários sons teus ao longo deste ano, já tens algum número definido de músicas novas?

Não, vou deixar na incógnita… Ainda não sei bem o que vou fazer, mas tenho temas novos e eles já estão acabados. É só mesmo definir uma estratégia e começar a partilhar o meu trabalho.

Há alguma colaboração prevista?

Sim, tenho várias. Prefiro manter em segredo.

Esperas lançar durante este ano algum EP ou álbum ou neste momento isso não passa pelos teus planos futuros?

É uma boa questão e faz todo o sentido, porque é precisamente isso que eu me pergunto a mim próprio: o que eu quero mais, o que eu preciso mais… Já estou tão abençoado e felizmente as coisas sempre me correram muito bem, mas também tenho um lado humano, como temos todos, e queremos sempre mais, mais e mais… O que eu quero para ficar estável e para me sentir verdadeiramente realizado é precisamente a pergunta que estou à procura de resposta e acho que demora mesmo muito tempo.

Sim e às vezes nem sequer encontramos uma resposta…

Sim e eu acho que é isso que nos move, na verdade.

“Ondas da Praia” encontra-se disponível em todas as plataformas digitais.

Novo álbum de Nasty Factor – “A Vida dos Felizes”

Depois de recentemente ter lançado “Mania” e “Caminha”, ambas acompanhadas de vídeosNasty Factor apresenta-nos agora “A Vida dos Felizes”, uma coletânea de onze faixas, que contam com colaborações de vários nomes como Domi, Prizko e AJ.

Como antecipado pela capa do álbum, que aparenta ser uma fotografia de infância do artista, o próprio leva-nos assim numa viagem autobiográfica, com paragens de cariz altamente confessional, em faixas como “Skit“, “Cinzento” e “Velocidade Cruzeiro”, onde se podem ouvir sentidos desabafos e confissões, sobre os mais variados temas.

“A Vida dos Felizes” é uma obra completa, dotada de escrita crua e intimista, e de beats cativantes, para ouvir com atenção. O álbum já se encontra disponível nas plataformas digitais.

Guia HHR: verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho

Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho. Neste caso, o São Martinho trouxe com ele muito rap, o sol brilhou por bem mais de três dias – no que toca ao calendário hiphopiano, este novembro que agora termina contou com muitos singles e pouco álbuns, mas tudo bem: “chuva em novembro, Natal em dezembro”.  No território nacional, chegaram-nos os singles de ZA, Harold, Malabá ou Scorp, entre tantos outros, assim como a edição do primeiro EP de Domi ou o segundo EP colaborativo de Fonseca e Cripta. Lá fora, Earl Sweatshirt acaba de editar Some Rap Songs e The Alchemist The Alchemist Bread EP, Chuck D regressa a solo com Celebration of Ignorance, mas o principal destaque do mês vai para Oxnard, terceiro longa-duração de Anderson .Paak, mas não é no hip-hop internacional que nos focamos. O São Martinho, este mês, foi proveitoso: para finalizar da melhor forma, Slow J lança novo single e xtinto rima num beat de VULTO. Halloween rima e produz novo tema: “Meu Querubim”. Muitos dias de sol para ouvir muita – e boa – música. 

Logo no primeiro dia do mês, ZA une-se ao veterano Nameless no tema “#TUDOCÓPIAS”, com produção de Facto e scratch de Dj Kronic. O sabor a boombap é acompanhado pela crítica e opinião dos dois MC’s à estagnação da veia inovadora do hip-hop (A “C ” ’tá a vir com droga tão cá tudo quer ser dealers/Dillaz) . Ainda este ano, ZA lançou “Só quero que saibas”, com Tito, e participou nos cyphers da Rec Fellaz (#SAFODASESSIONS).

“soam sempre a blá blá blá, mas por cá, cara pi
flows viraram vestuário e vai tudo à Zara, G”

Seguiram-se os singles em catadupa. Valdir publicou “Bébi” no seu Soundcloud, com produção de tenro), Ferry rimou num beat de Xpress em “Nada“, Estraca e Madkutz voltaram a a unir esforços em “Espíritos“, uma “homenagem ao hip-hop nacional e a todos os que partiram e fizeram parte desta cultura”. Também YOUNGSTUD (o seu EP Aversão chegou-nos em Junho) voltou aos temas inteiramente produzidos por si (e sem samples) com “Sem Olá não há Adeus“:

“aguenta coração tipo um relato do euro
mas o herói improvável no fim nunca vou ser eu
as luzes do túnel renovam ânimo em cada paragem
mas quando chegar ao fim da linha vai ser tudo igual man”

Ao mesmo tempo, NGA publica o videoclip de “Depois do Amor“, tema do seu mais recente álbum Filhos da Rua 2, e Kappa Jotta revela “Coragem“, faixa integrada na Mixtape Ser Humano Vol.II, com Macaia e Khapo, que também oferece o instrumental. Harold e Lon3r Johny são também os donos de dois temas noticiados pela Hip-Hop Rádio, a solo e com videoclip, respetivamente: “Eterna” e “Trapstar“.

O trabalho de estreia de Domi há muito tinha que sair e, por fim, está nas ruas. O EP 3º Maior é o primeiro projeto do rookie algarvio, com selo Universal, com os singles  “Pensamento Leve” e “Não Esqueço” entre novidades. Conta com colaborações de Murta e Jimmy P e produções de Andrezo e Charlie Beats, que também misturou e masterizou.

A meio do mês, Malabá, Sacik Brow (“sinto o game grave cada vez que gravo”) e Evang disponibilizaram “Circo”, com produção de Ray Denz, em mais uma faixa com selo SeriousRecords. O tema tem videoclip assinado por João Azevedo.

Subindo um pouco no mapa, destaque para o hip-hop da Zona Centro, que prolifera: com dois temas, “Alcoolémia” e “Mema Zona” (instrumental de SCUM49), Scorp, rapper das Caldas da Rainha, antecipou UMPORUM 2 nas redes sociais, depois de editar UMPORUM com Stereossauro o ano passado, álbum considerado nos doze melhores do ano pela Hip-Hop Rádio. Contudo, ainda se aguarda por Visão Noturna – cujos singles já estão nas ruas, com selo Crate Records e Razat.

Das Caldas da Rainha para a Marinha Grande, Tony Bounce (que também publicou a beat tape R Mutt Vol.2 este mês) empresta um instrumental Fonseca e Cripta que se uniram mais uma vez, depois de A Um Traço da Loucura (2016), para lançar para as ruas Domínio do Delírio, EP de quatro faixas, também noticiado pela tua rádio.

“quando tu precisas conta quantos se mobilizam
é ridículo
objetivo sempre foi fechar o Círculo
histórias nunca pararão
esteja eu na poça ou na piscina de um casarão
à beira-mar com gin e camarão
mas por agora vou sonhando enquanto fumo no paradão”

Por Leiria, também Xtigas e The Dude se juntaram para “Milli” e, mais a norte, em Coimbra, holympo acaba de lançar “Índio“, com produção de l0tus. Também Vado Más Ki Ás aproveitou o final do mês para divulgar “Brincar é no parque“, tema alusivo ao beef com Mota Jr (“fui na tua zona e andas fugido”), assim como o videoclip do tema “Gabriel”, faixa criada para a banda sonora do filme homónimo, a estrear em Março de 2019.

Para finalizar o mês – e quem sabe colher em dezembro – o hip-hop encheu-se de luz: Slow J publica a faixa “Teu Eternamente“, com uma produação de luxo (ele próprio, DJ Ride, Fumaxa, Holly e Papillon); xtinto rima num beat de VULTO, disponível no Bandcamp do produtor, noticiada hoje pela Hip-Hop Rádio; Allen Halloween produz (como Maradox Primeiro) e canta em “Meu Querubim“, com um videoclip produzido inteiramente através de imagens de Taxi Driver, filme de Martin Scorsese de 1976.

“os meus olhos não fingem eu não oiço o que eles dizem
mas vou onde te virem mesmo quando me mentirem
atrás de ti em bares que me fiem”

Para finalizar este guia Hip-Hop Rádio, onde destacamos o que melhor se faz no hip-hop nacional e deixamos também uma palavra de apreço para a qualidade internacional, fica o videoclip de “E Coli”, faixa do novo EP, The Alchemist Bread EP, do produtor norte-americano, com a colaboração de Earl Sweatshirt. O genial vídeo é de Jason Goldwatch.

 

Guia HHR: outubro quente traz o diabo no ventre

Outubro quente traz o diabo no ventre. Podia também escrever “outubro quente traz hip-hop no ventre”, que faria igualmente sentido quando nos deparamos com o que este mês deu aos hip-hop heads de Portugal: álbuns, singles, videoclips de renome, bangers, temas ainda por desvendar. Do regresso a solo de Sam The Kid – coroando o ano com Mechelas – à estreia no formato longa-duração de Subtil, a mais um (grande) disco underground dos Colónia Calúnia, aos singles aclamados de Deau, Allen Halloween, Virtus e Holly Hood, entre tantos outros. Não obstante os lançamentos internacionais, o Guia HHR deste mês é dedicado ao hip-hop nacional.

Foi Holly-Hood quem estreou o mês com mais um single da segunda parte de Sangue Ruim, após “Cala a Boca”, lançada há cerca de um ano.”Miúda”, produzida, misturada e masterizada por Here’s Johnny (quem mais?), apresenta-se com um vídeo realizado pelo próprio MC, que já arrecadou mais de dois milhões de visualizações no YouTube e até contou com uma “resposta”, por Annia. O artista da Superbad. ainda não revelou qualquer data para Sangue Ruim. 

Regressou com um “Aviso”, este ano deu o “Ponto de Partida” e no final de setembro disse ser”O Mesmo”, e a verdade é que o mesmo Deau conquistou mais uma vez o público com “Traça a Linha” e “Simples“, ambos os singles produzidos por Charlie Beats nesta que é muito provavelmente a amostra de um novo álbum, depois do  rapper portuense editar Retissências (2012) e Livro Aberto (2015).

“Parceiro tu não te baralhes
Se estiveres a dar cartas na área
Guarda os trunfos que tiveres na manga
Para na altura certa recolheres a bazada
Porque se eles quiserem o ouro
Dão-te com paus até te virares do avesso
Ficares encurralado entre a espada e a parede
Fechado em copas até te encontrares seco”

Deau em “Simples”

Fonseca e Senhor Timóteo foram dois dos artistas que iniciaram o mês com o pé direito: “Deixa Que A M*rda Passe” é o single de apresentação da dupla para um EP em conjunto de quatro temas, no momento em que Fonseca se prepara também para lançar Domínio Do Delírio, com Cripta, que assina a realização deste videoclip, assim como a mistura, a masterização e as vozes adicionais da faixa.

O início do mês trouxe também à tona Subtil, outrora conhecido por 100Nome, que chegou “sem nada a temer”. Áquem-mar é o seu álbum de estreia, “um disco produzido e gravado por Praso no Artesanacto”, que sucede ao EP Venho Pelo Meu Nome e conta com 12 temas, incluindo o single “Cada Um”. É de notar o carinho da label Artesanacto pelo newcomer algarvio (…), apadrinhando o projecto com as suas produções (Montana e RichardBeats assinam um instrumental cada, Praso compôs os restantes onze, incluíndo a “Intro”) e com participações de Mass, Tom, RealPunch, Dani, JV e Odeo.

“não sou velha nem nova eu sempre fui expulso da school”

https://www.youtube.com/playlist?list=PLF374FfAS_kioVqSaFu0SxT8zn1cJ2y0R

Mas foi a 13 de outubro que Samuel Mira abalou a estrutura com Mechelas, o álbum de regresso, sucessor de Pratica(mente). Note-se que é maioritariamente um álbum em que STK atua como maestro, o inevitável produtor de toda a obra, alicerando nela nomes como GROGNation, Phoenix RDC, Ferry, Blasph ou Sir Scratch, sendo que todas as faixas já foram publicadas na plataforma TV Chelas. “Sendo Assim” foi a cereja no topo do bolo: Samuel a solo, desde sempre “na life de mil e cem romanos” a rimar num tema que já encontrou lugar no coração dos hip-hop heads. 

Sam The Kid prepara agora Classe Crua com Beware Jack. A edição física do Mechelas pode ser adquirida na loja online da TV Chelas por dez euros.

Confirma-se o mês entusiasmante. E ainda não está perto de terminar:

A 12 de outubro, Amon e Nero e Dj Sims brilharam num instrumental de Groove Synthdrome numa faixa intitulada “Sem Tirantes”, editada pela Pipa de Vinho Rec.

Allen Halloween e Maradox Primeiro, que são um e o mesmo, tentaram diminuir a ansiedade dos fãs do MC “Na Porta do Bar”.

Mais música por Apollo G, “Bem di Baixo”, desta vez com Bispo e Landim e produção de RDG. O tema pertence à mixtape Sucess after Struggle.

Com produção de Andrezo e participação de Murta, Domi estreou “Rosas”, tema que é acompanhado pelo vídeo de Tomás Zimmermann.

A recente Andamento Records publicou “Way”, tema que une Lil Ameal e VIC3 num produção de mendez.

Depois de “Ainda Não Tem Nome”, Virtus aliou-se a SP Deville para o tema “Trapézio”, prenúncio para um novo álbum depois de UniVersos, e conta com uma animação e ilustração de excelência, por Paco Pacato:

“não é questão de lógica é a relação morfológica
não recito ou declamo, repito o que reclamo
na verdade que nos afronta sem frente
que me desmonta e desmente
esta é a segunda a vez que eu fico assim para sempre”

rap das Caldas da Rainha também teve uma palavra a dizer este mês: “Flor de Maracujá é o novo single de Stereossauro, o sucessor de “Nunca Pares”, e conta com letra de Capicua, voz de Camané e uma sample de Amália Rodrigues. A realização é de Bruno Ferreira. O tema fará parte de Bairro da Ponte, que é esperado sair em breve e será editado pela Valentim de Carvalho. O comunicado refere-se ao álbum como “a nova voz de uma velha cidade que pede para ser ouvida”.

Ainda na “cidade das rotundas”, Scorp publicou “Cara Lavada” e já tem nome para o novo projeto: Visão Noturna. Também T-Rec publicou “2T”, faixa com scratch de Stereossauro e instrumental de DONTLIKE.

Com mais um lançamento em 2018, A Vida Continua é o novo álvum de estúdio de Boss AC, sucedendo ao EP Patrão. do qual se reeditaram os temas “As Coisas São Como São”, “O Verdadeiro” e “A Vida (Ela Continua)”. “Por Favor (Diz-me)” é o primeiro single do álbum de 12 faixas e conta com a voz de Matay e vídeo da WILSOLDIERS.

Também Spliff, produtor e agora MC da Madorna, estreou o seu primeiro álbum na arte das rimas este mês. “Miráculo” fora o mais recente aviso e Risco o culminar. São, ao todo, 14 temas, com participações de Zeca, Vulto, Nog e KidSimz. Quase todos os instrumentais foram produzidos pelo habitual companheiro de Dillaz, este que não entra em nenhuma faixa.

E a corda já tá no pescoço
Tu não faças o que eu digo
É mais fácil ires a Marte
Do que seres aquilo que eu vivo

Spliff em “Confundido”

A fechar o mês, destaque ainda para Chá de Camomila, EP de Toy Toy T-Rex, rapper da Linha de Sintra associado à BANDOMUSIC, que conta com 11 faixas e participações de Mafia73, Yuri da Cunha, DCOKY e Nimsay.

Single novo de Jotta R, MC de Évora: “Tão Good“.

holympo também tem novo música: “Palavras”, uma ” versão da balance do lord d”. Manthinks colaborou com DUQUEGOTBEATZ em “GAME MODE“.

TNT foi outro dos rappers com singles publicados. “Flow” é a primeira amostra do próximo EP do MC de Almada, que se alia a DJ Player e AMAURA (Maura Magarinhos), num videoclip assinado por Manuel Casanova. A Mano a Mano disponibilizou também “Missão a Cumprir” no seu YouTube oficial, o primeiro álbum dos M.A.C.

Para o final, reservamos o álbum de outubro (talvez do ano). Os Cólunia Calúnia já tinham avisado com “Caixão” [em baixo], mas só no final do mês é que [caixa] chegou ao público. O coletivo edita mais um trabalho este ano, desta vez com rimas de Secta e instrumentais de Metamorfiko. L-Ali, Nerve e Tilt são os convidados deste álbum que sucede a MONRÓVIA, CONSÓRCIO, LISTA DE REPRODUÇÃO, YARIKATA, RETARDED TEMAKI, EYELASHES GONE a@, todos eles publicados este ano no BandCamp do coletivo.

Se a expressão “quantidade não é qualidade” costuma vestir o hábito da verdade, com os Colónia Calúnia essa métrica não se aplica. Rui Miguel Abreu, na sua crítica ao álbum, afirma mesmo:

[caixa] exige atenção. Cospe na cara, chuta nos tomates, grita nos ouvidos. Não admite distracções. Não dá para ouvir a fazer o jantar ou enquanto se está de olhar perdido na janela que desenrola o caminho que falta para chegar a casa, ao sofá. Escutar no escuro, sem estímulos externos, é a melhor maneira de entrar neste labirinto de sons, de sílabas, de ideias, de nós de sentido, de pequenas torturas ao pensamento. Dói, mas é bom. Custa, mas é de borla”

e acrescenta ainda:

“Este é o melhor disco do ano que quase ninguém vai ouvir.”

Afinal, “qual é a cor do céu da boca de um Estrumfe?”

Um outubro quente, um novembro para ficar em casa a ouvir todos os singles, mixtapes, EP’s e álbuns que o Guia HHR aqui lista, analisa e destaca. Um mês para recordar. 

Ensaio de Bruno Fidalgo de Sousa

Meo Sudoeste 2018: Rap tuga, nunca me falhas

Texto por Daniel Pereira

Fotografia por Nayara Silva e Daniel Pereira


Mais uma edição de MEO Sudoeste e novamente o hip-hop fez-se ouvir no Alentejo.

O início do mês de agosto é já sinónimo de uma coisa: MEO Sudoeste. O icónico festival da Zambujeira do Mar esteve este ano na sua vigésima (20ª) edição e, para quem é fã de Hip-Hop, dificilmente se pediria um cartaz melhor, pelo menos no que toca aos nomes nacionais… A realidade é esta: no que ao rap diz respeito, os nomes que saltavam à vista no cartaz eram Lil Pump e Desiigner.  Os cabeças de cartaz (atuaram no mesmo dia) . o resto do nomes hip-hop confinados no habitual “E muito mais”. E na verdade havia muito mais para ver e ouvir, mais e melhor, mas já lá iremos.

Por motivos de agenda não pudemos estar presentes no dia em que o recinto abriu pela primeira vez ao público. Este é portanto o primeiro dia oficial de MEO Sudoeste, apesar de há dias terem havido os já habituais concertos no campismo. Do que chegou até nós, Piruka deu um excelente concerto no palco principal, com direito a alguns momentos especiais (a família do rapper subiu a palco), deixando já a sensação de que os concertos dos rappers portugueses iriam ser bons. Na realidade isso seria já expectável, visto que a vontade dos artistas nacionais em atuar neste que é já um dos mais importantes festivais do país é imensa.

Algo para constatar no segundo dia de festival. Muitos eram os concertos a ver e começaram cedo. Por volta das 19h30 entraram no palco LG os Richfellaz, banda de 5 elementos, da cada um com o seu estilo musical, criada neste ano de 2018. Devido à hora precoce do concerto e ao desconhecimento por parte do público seria de esperar uma pequena audiência –  assim foi. No entanto, os que lá estiveram passaram um excelente bocado com a energia ao vivo que esta banda proporcionou. Um nome a manter em conta.

A partir das 20h30 o recinto do palco LG começou a encher. Fácil de adivinhar o porquê, o senhor que se seguia era Papillon. “Deepak Looper”, primeiro álbum do MC de Mem-Martins, por muitos aclamado como álbum do ano, ia ser apresentado ao vivo no MEO Sudoeste e ninguém queria perder. O concerto começou e a enchente revelou-se. Muitos foram os que vibraram com as letras e flows do rapper do grupo GROGNation, mas também com Dj e a banda que Papillon normalmente leva para os seus concertos a solo. Nota para um momento emotivo do concerto, antes de cantar a faixa “Imagina”, em que o artista revelou e admitiu perante o seu público que não tinha preparado cantar essa faixa e que não sabia se conseguiria. É notória a ligação sentimental do rapper com o tema e verdade é que esta foi executada, sim, e da única forma que Papillon sabe fazer as coisas: na perfeição. O público ficou arrepiado. A partir daqui a festa continuou até por volta das 22h, hora em que acabou. Foi “só” um dos melhores concertos que pudemos ver na edição deste ano de MEO Sudoeste.

O Hip-Hop não parava no palco LG e de seguida tivemos Eva Rap Diva, MC que tem ganho cada vez mais espaço no panorama do rap nacional. A rapper angolana não desiludiu e apesar de ter contado com um público em menor dimensão comparativamente com o concerto anterior, viveu-se uma autêntica “Hip-Hop Party”. E claro está, os habituais e exímios freestyles e empatia com o público não faltaram no concerto de Eva.

Passámos de seguida para o Moche Ring e, por falar em empatia, se houve senhor que teve empatia com o público foi Cálculo. Cada vez mais o público o adora e é merecido. O rapper de Barcelos conta com dois álbuns espetaculares e cheios de boa vibe (“A Zul” e “Tourquesa”) que começam cada vez mais a entrar nos ouvidos dos portugueses. Ainda por cima estamos no verão, e é este o tradicional tipo de música para a época em questão. Cálculo fez o seu concerto passando por estes seus dois trabalhos e o público não poderia pedir mais.

“Pessoal, não tenho mais nada para tocar para vocês portanto vou meter a música do Dragon Ball”. Sim, o final de concerto foi com a música de genérico da série “DragonBall GT”, deixando claro está, todos bem dispostos para os concertos que se seguiriam.

Neste palco tivemos depois Phoenix RDC, Estraca, Nasty + Harold, Mike El Nite e DJ Kronic para finalizar a noite.

Phoenix teve uma das mais bem ensaiadas plateias, foi um dos melhores concertos que já assistimos do MC de Vialonga.

Estraca mostrou a todos que numa época em que o mumble rap ganha cada vez mais seguidores é ainda possível dar concertos de rap com mensagem e pôr todos a cantar.

Nasty Factor e Harold foram um bocado prejudicados pela atuação dos Wet Bed Gang no palco principal (tal como Kura, colmataram o cancelamento do concerto de Hardwell) mas não deixaram de animar o público que fez questão de os ver neste novo formato em que são cantadas músicas em conjunto dos dois rappers do coletivo GROGNation, mas também faixas “a solo”.

Mike El Nite fez um autêntico riot com direito a arremesso de rebuçados Dr. Bayard para o público. O rapper contou ainda com a participação especial de SippinPurp neste tema e o concerto acabou em êxtase com “T.U.G.A.”.

Ainda neste dia e em relação ao palco principal, descurámos completamente o concerto de Wizkid, pois ficámos na dúvida se realmente estava a acontecer uma perfomance do artista nigeriano ou se se tratava de um DJ Set. No que ao rap internacional diz respeito, não estava a começar bem.

Wet Bed Gang foi o completo oposto. Simplesmente espetacular. Avisados 4 horas antes de que iam atuar no palco principal do MEO Sudoeste (GSon fez questão de mencionar isto várias vezes ao longo do concerto), não deixaram de ter a pujança que lhes é habitual. Sem banda mas com Conductor nos pratos muitos foram os hits tocados na Zambujeira Do Mar e que puseram todos a cantar. Feedback brutal do público visto o cada vez maior número de seguidores da banda (perdemos o número das vezes que ouvimos músicas de Wet Bed Gang a “bombar” nas colunas dos campistas) e mais um concerto que nos faz pensar que estamos perante o maior fenómeno atual do rap português.

Depois de tantos concertos de hip-hop neste dia, passamos agora para o terceiro dia de Meo Sudoeste.

O dia começou perto das 21h com Domi no palco LG. Por volta das 21h30 começaram Mundo Segundo e Sam The Kid no palco principal. A Hip Hop Rádio teve portanto de fazer “piscinas” para poder ver os dois concertos. Pudemos constatar uma coisa: o público para o concerto de Domi esteve sempre presente em enorme quantidade. Raros foram os que arredaram pé para ver o concerto de Mundo Segundo e Sam The Kid, fazendo-o apenas quando Domi finalizou o seu concerto. O MC do Algarve, que recentemente assinou pela Universal, deu um concerto seguro e cheio de energia que não deixou ninguém indiferente. Começa a ser um caso sério no panorama do rap nacional.

Entretanto Mundo Segundo e Sam The Kid atuavam no palco principal e contavam com um público não em grande número para o habitual número que este palco fiel costuma trazer. Concerto que contou com os clássicos do costume, executados com perfeição pelos dois MC’s, DJ Guze e Cruzfader. Maze apareceu para tocar alguns temas em parceria com os dois MC’s e o seu “Brilhantes Diamantes”, música icónica do Rap Português. Nota ainda para o facto de Sam The Kid ter cantado “Retrospectiva De Um Amor Profundo”, faixa que não era cantada ao vivo há já algum tempo e que infelizmente não foi executada na totalidade. Bem, deduzimos o porquê de Sam The Kid ter optado por não cantar os oito minutos da música. A realidade é que muito do público presente não “aguenta” mais do que dois minutos por faixa ora não estivesse a marcar presença neste concerto pura e simplesmente para guardar lugar para os concertos de Desiigner e Lil Pump.

Sobre estes dois concertos internacionais: já lá iremos. Antes ainda tivemos Bispo no palco LG. O MC de Algueirão Mem-Martins contou com a maior enchente que pudemos ver neste palco e com um público fiel. Bispo atua agora com banda e os seus concertos estão cada vez melhores. Deezy marcou a sua presença para cantar “Nós2”, tema recente em parceria entre os dois e que está a fazer um enorme sucesso. Bispo é provavelmente um dos nomes que mais está a subir a pulso no panorama do Hip-Hop nacional e é fácil perceber porquê. A qualidade está toda lá e capacidade de se reinventar também e o público percebe isso.

Vamos então agora falar de Desiigner e Lil Pump e perceber o porquê do facto de Mundo e STK abrirem para estes dois concertos ser ridículo. Sim, o hype está lá, os hits também e a histeria do público sem dúvida mas será que tudo isto vale a pena quando as performances em palco são sofríveis e descomprometidas? O rap tuga responde a esta pergunta com um redondo não, acreditamos nós.

Se Desiigner foi razoável, Lil Pump foi péssimo.

O primeiro ganha pontos pela sua energia e pujança em palco (em palco como quem diz porque esteve maior parte do tempo agarrado às grades que separam o público do palco). No entanto não podemos deixar de dizer que o concerto de Desiigner foi um autêntico mar de adlibs.

O segundo, é difícil arranjar palavras para descrever. Acreditamos que qualquer miúdo da frontline, fã acérrimo do rapper de Miami, Florida, caracterizado de forma a fazer parecer ele, se tivesse ido a palco atuar, ninguém notaria a diferença. Do que a Hip Hop Rádio apurou com os festivaleiros, alguns já esperavam um concerto duvidoso, outros esperavam ansiosamente pelo concerto do seu trapper favorito e muitos estavam simplesmente curiosos para saber o que Gazzy Garcia, MC com 17 anos, na altura (fez 18 anos no passado dia 17 de agosto) seria capaz de fazer ao vivo. A realidade é que Lil Pump não esteve em palco mais de meia hora e mesmo assim foi muito. Dúvida desfeita.

Antes de passarmos para o último dia de festival em que pudemos ver o concerto de Yuzi, notas de destaque para o palco Vila Santa Casa no campismo que contou ao longo dos quatro dias com vários DJ Set de Sensi a começar os dias dos festivaleiros, a Curadoria de Xeg com o projeto “Animação Em Acção”, a Curadoria de Francisco Rebelo com o projeto “OPA” e a Curadoria de Capicua com o projeto “OUPA!”. Iniciativas de louvar que permitem mostrar novos talentos do Hip-Hop Nacional. Também uma ressalva para Krayze, que animou todos com os seus passos de dança no Palco EDP nos intervalos entre concertos.

Como dissemos, no último dia de Meo Sudoeste pudemos ver Yuzi,  rapper que tem ganho cada vez mais notoriedade no panorama do trap nacional. Assistimos a um dos concertos mais enérgicos do palco LG e provavelmente ao maior mosh pit de todo o festival (nem no palco principal assistimos a um maior). Yuzi não estava sozinho, Benji Price acompanhou-o nos pratos e Yellow nas backs. Por lá passaram também Profjam, SippinPurp e Lon3r Johny como participações especiais e os restantes membros da Think Music que marcaram presença apenas para ajudar à festa. O único que não esteve presente foi Fínix MG. Yuzi deu uma autêntica lição do que é um bom concerto de trap, ao contrário de Desiigner não deslizou apenas por adlibs e ao contrário de Lil Pump… bem… simplesmente não esteve parado em palco.

Já demonstrámos o quanto gostámos do rap tuga ao invés do rap internacional na edição deste ano?

Os Karetus fecharam o palco principal e felizmente pudemos ouvir Hip-Hop mais umas quantas vezes, fosse através dos pratos do DJ ou através da chamada ao palco, mais uma vez, de Wet Bed Gang para o sempre espetacular e poderoso “Maluco”.

Fiquem com as nossas Foto-Galerias:

Nayara Silva – Galeria 1

Daniel Pereira – Galeria 2

Até para o ano MEO Sudoeste!

Mirandela Music Fest: Em noite de Dillaz, quem incendiou o clima foi Phoenix RDC

O parque Ribeira de Carvalhais recebeu a terceira edição do Mirandela Music Fest, nos dias 8 e 9 de junho. Com a missão de assumir uma dimensão nacional, Domi, Phoenix RDC e Dillaz eram as cartas do primeiro dia. E se Dillaz era o trunfo da noite, Phoenix RDC foi rei.

Domi iniciou a noite de Hip Hop. Com o seu flow caraterístico, conquistava o público lentamente e foi com o beat de Charlie Beats que o agarrou: “Não esqueço” sintonizou a plateia com o jovem rapper.

Seria de “Pensamento Leve” que acabaria o concerto. Paradoxalmente, quem se avizinhava para subir ao palco era um peso pesado. No backstage, Phoenix RDC dá saltos e gritos para aquecer. A fome que tem de palco nota-se no seu olhar. Quando entra em cena, basta ele para o encher. E de que maneira.

Com Phoenix não há uma linha que separa o palco da plateia. Não há um concerto feito. E a meio da atuação isso comprovou-se. O rapper parou uma música para saltar do palco e ir à primeira fila por água na fervura, após alguns elementos do público começarem desacatos. Com o álcool e os nervos à flor de pele, é normal isto acontecer. O que não é normal é o artista descer à terra. Phoenix ajudou um fã a saltar da grade, levou-o consigo para trás do palco e continuou o concerto.

A cada música relembrava que havia tempo para Dillaz. A noite era longa e era para aproveitar cada música, cada artista. “Não há pressa”. Com Phoenix há espaço para tudo e todos. Há lugar para toda a música, seja para a cabeça ou para a anca. Mas sublinhava:

“O rap também é sentimento, não é só festa”

“Dureza”, “Todo Santo Dia” e “Fama” incendiaram o clima e levaram o público ao auge.
Phoenix entre as músicas não se limitava a puxar pelo público. O rapper dirigia palavras à cultura Hip Hop, ao público e aos seus sonhos. Incentivava a lutar, a tentar. E afirmava, afincadamente, que nenhuma pessoa do público é menos que ninguém.

“Há aí muitos filhos da puta que querem acabar com os vossos sonhos?”

“Consequências” seria a última música. E bastariam alguns minutos para a noite continuar. O número 75 aparecia no ecrã gigante. E Dillaz, acompanhado de Vulto, Zeca e Spliff, subiam a palco.

Quem segue o rapper da Madorna pelos recintos do país, não estranharia o alinhamento. Houve espaço para clássicos como “Pedras no meu sapato” ou “Não sejas agressiva”, onde Dillaz nem precisava de cantar, pois o público trauteava as músicas de cor. “Protagonista”, “Cria Atividade” e “Mo Boy” seriam algumas das músicas que engoliam a plateia e que faziam com que ninguém conseguisse estar parado.

Com “Saudade”, Dillaz despediu-se do público. E seria a saudade a trazê-lo novamente a palco para cantar a última música e despedir-se com o melhor ambiente possível: “Clima” fechava a primeira noite.

A organização não desiludiu, a noite passou a correr e os artistas contribuíram para dar mais um passo na consolidação desta cultura como predominante no nosso país. Dillaz, no final do concerto, lembrava que era o público o responsável pelo rap nacional.

O Mirandela Music Fest é a prova de que, verão após verão, o Hip Hop cresce. E seja nos grandes centros urbanos ou num canto escondido do nosso país, há público, dos 10 aos 50, que enche os recintos e que contribui para o crescimento da cultura Hip Hop.

Reportagem por: Nuno Mina e Tomás Novo

Entrevista | Domi: o jovem promessa!

Domi é um MC que com apenas 18 anos já se afirma a pés juntos no Hip Hop Nacional. Reside no Algarve e já tem milhões de visualizações no Youtube, centenas de fãs e é já considerado por muitos uma das grandes promessas da nova escola.

Hip Hop Rádio teve uma pequena conversa com o artista:

 

Tens apenas 18 anos e já tens milhões de visualizações no Youtube, modéstia à parte, a que achas que se deve uma afluência tão grande?

Essa é realmente uma pergunta que me é muito solicitada e até eu próprio por vezes me questiono o porquê de ter tido uma grande afluência em tão curto espaço de tempo. Num dia era apenas “eu” por assim dizer e no outro tornava-me quase que como uma “promessa”.  Ainda é com alguma incerteza que respondo a essa pergunta, mas quero acreditar que tudo isto se deve ao facto de as pessoas terem visto em mim algo diferente, algo invulgar, algo genuíno pois eu nunca tentei ser, nem sou o típico estereotipo de “rapper” a que as pessoas estão habituadas.
Sempre fui simplesmente eu e transmiti uma mensagem que era genuinamente minha, acho que isso é o que faz não só seres 100% real mas também faz com que as pessoas se interessem por ti.

Consideras que o facto de viveres no Algarve te dá menos oportunidades de expansão comparativamente com, por exemplo, Lisboa ou Porto?

Se me perguntasses isso há uns anos atrás diria sem pensar duas vezes que sim.
Hoje em dia felizmente as coisas têm vindo a melhorar nesse aspecto. Cada vez mais a sociedade
está virada para o mundo virtual e com isso facilmente posso chegar de uma ponta à outra do país em milésimos de segundos sem sequer saber como.
Agora, falando particularmente do Algarve, acho que sempre fomos um pouco postos de parte por assim dizer e apesar de existirem rappers algarvios com nomes de peso no movimento, penso que ainda está por vir o “profeta algarvio”, se é que me entendem. Na minha opinião, para o resto do país o Algarve é aquele “apartamento” que alugas no verão com os teus amigos, convidas mais pessoal do que é suposto, fazes uma festa de arromba, partes aquilo tudo e no dia seguinte vais-te embora e dizes “para o ano há mais” sem sequer teres a decência de pensar que alguém vai ter de limpar os teus estragos no dia seguinte, mas pronto. Sem apostas para além do turismo, é certo que não vamos longe.

Um álbum, está nos teus próximos planos?

Sem dúvida que é um dos projectos que mais ambiciono, contudo, penso que para tal é necessário um pouco mais de maturidade em termos musicais e não só. Quero que o meu álbum seja pensado do início ao fim, que tenha um propósito e uma mensagem maior do que meras faixas construídas aleatoriamente sem sequer se interligarem entre si. Por enquanto o que posso adiantar é que podem esperar mais facilmente um EP.

Qual é o palco que sonhas pisar um dia? E porquê?

Existem realmente alguns que faço questão de pisar se realmente surgir essa oportunidade, mas qualquer um dos nossos palcos de maior nome a nível nacional será um privilégio para mim pois, na minha opinião, não há nada melhor do que tocar para o público Português e sentires que estás “em casa”.

Com quem sonhas um dia dividir uma música?

Tenho muitos artistas com quem seria a maior honra para mim poder dividir uma música, até porque gosto muito de partilhar toda a parte criativa com outro músico e acaba sempre por sair algo muito mais enriquecedor, não só para mim mas como para quem vai consumir a música.
A minha escolha talvez seja demasiado óbvia e corresponda à resposta de todos os rappers que respondem a esta pergunta, mas, para mim, Sam The Kid é e sempre será um verdadeiro génio desta nossa arte e com quem teria o maior privilégio de partilhar uma faixa.

Qual foi, para ti, o álbum de 2016?

Sem qualquer contestação – “Reflexo”, do Dillaz – é sem dúvida, para mim, o álbum de 2016. Vemos um Dillaz com maior maturidade, maior introspecção e com uma maior reflexão. Não só temos que reconhecer mais um grande trabalho lírico a que nos tem vindo a habituar, mas também de temos de admirar todo o trabalho relativo à produção que é da sua autoria.

 

Alguns dos trabalhos de Domi, no Youtube: