Hip Hop Rádio

CÍNTIA

REPORT + ENTREVISTAS HHR | NOS ALIVE C/ BEATRIZ FREITAS

1 emissão: 12 entrevistas!

Estivemos no NOS ALIVE e hoje contamos-te tudo
.

Beatriz Freitas esteve à conversa com muitos dos artistas que fizeram parte do cartaz e que vão revelar como foi a sua passagem pela edição deste ano do festival. E sim, temos algumas surpresas para ti: curiosidades, exclusivos, novos lançamentos e muito mais!

Uma emissão especial que conta com as entrevistas de:

Eu.clides – (02:18)

Dino D’Santiago – (10:00)

Amaura – (16:54)

Jura – (23:46)

Pedro Mafama – (27:34)

DJ Danifox – (34:02)

Lord XIV – (39:43)

Yuri NR5 – (44:28)

Holly – (52:02)

Russa – (56:55)

Da Weasel – (1:08:31)

Cintia – (1:10:53)

Ouve abaixo!


Edição de áudio por Nuno Mina.

HHR no Festival Iminente ’21: Quatro dias na Disneyland da cultura Urbana

Depois de alguns avanços e recuos e toda uma pandemia pelo meio, um dos mais míticos eventos voltou em toda a sua glória, para nos agraciar com o melhor que sabe fazer: enaltecer a cultura urbana. A Hip Hop Rádio marcou presença na décima edição do Festival Iminente, que decorreu entre sete a dez de outubro de 2021, quatro dias repletos das mais orgânicas expressões de arte, oferecendo exposições, instalações, graffiti, dança, tatuagens, e música…muita música.

Anteriormente realizado em Oeiras e depois no famoso Miradouro Panorâmico de Monsanto, este festival criado por Vhils tem agora uma nova casa:  Matinha, localizada num dos mais recentes e prolíficos focos de cultura em Lisboa, em constante expansão, o Beato, perto da Underdogs Gallery.

Desta vez com um tema relacionado com feira popular, fazendo alusão à diversão efémera, fugaz e elétrica da qual sentimos tanta falta, foi-nos proporcionado um recreio de arte espalhada, paredes outrora abandonadas vestidas de graffiti e outras obras de arte ocupando os espaços por artistas como Mariana a Miserável, Pedro Podre, Pipoca e OpenField, honrando um dos principais conceitos do festival: pegar em algo abandonado e fazer dele uma enorme instalação de arte, como tão bem sabe Vhils fazer.

Depois de mais de um ano a conter a vontade de atender a um bom festival, com copos reutilizáveis, pó, espaços cheios de gente e a correria entre palcos na esperança de apanhar todos os preferidos, o retorno teria de ser épico: e foi. Com cabeças de cartaz de luxo como Slum Village e The Alchemist, capazes de fazer qualquer hip hop head largar tudo e ir, a vasta oferta de performances não ficou por aí, podendo contar com mais de 50 artistas distribuídos ao longo de quatro dias cheios de cultura, na sua maioria esgotados, não diferindo muito das edições anteriores.

A festa nunca parou, tomando lugar em três palcos, para além de todo o recinto que respirava arte: Palco Gasómetro, com maior capacidade, o Palco Choque, uma literal pista de carrinhos de choque e o Palco Cine Estúdio, que nos matou as saudades de uma boa estufa de calor humano e entusiasmo.

Começámos o primeiro dia logo com uma grande voltagem de energia, numa data que parece ter sido estipulada para dançar, como tanto tínhamos saudades. Honrando o sentimento, a primeira atuação vista foi uma batalha de breakdance no Palco Choque, que mais tarde continuou no Skate Park. Acontecendo duas vezes por dia, as batalhas de breakdance revelaram-se como uma das mais entusiasmantes performances a não perder, reunindo sempre uma grande e entusiasta multidão para as ver, sempre acompanhadas pelo host Wilson e thebboywannabedj.

Não abrandando na energia e adicionando-lhe mais uns quantos volts poderosos, dirigimo-nos ao Palco Gasómetro para ver Pongo, num concerto que incendiou o palco, a plateia e todos os que poderiam estar a ouvir, mesmo que de longe. Este concerto foi a personificação de tudo o que mais sentimos falta, a energia radiante e unida de todos os presentes, o cantar em uníssono, a dança desenfreada, os empurrões, coros e pó levantado; tudo isto coordenado pela artista, que dançou e cantou incansavelmente, levando-nos desde hits como “Bruxos” -que apresentou no A COLORS SHOW – a uma nova versão de “Kalemba (Wegue Wegue)“, não fosse ela uma exintegrante de Buraka Som Sistema. A artista chegou a saltar do palco e ir dançar para o meio da multidão, tal não era a energia sentida, naquele que foi um verdadeiro grito desafogado de liberdade em forma de concerto.

 Seguiu-se Herlander, artista lisboeta que espalhou magia para uma também considerável multidão, desta vez no Palco Choque, e voltámos para o palco principal para ver outra das cabeças de cartaz da noite, Plutónio.

Não se afastando muito da energia sentida em Pongo, Plutónio veio devolver algo há muito em falta: um moshpit, ao som de “Cafeína”, um dos seus mais conhecidos temas. Este concerto serviu para mostrar que o público nunca parou de ouvir as músicas que mais gosta, como o próprio agradeceu pelo feito, tendo como prova disso o coro de vozes em uníssono, que respondia a todas as músicas apresentadas. Este coro explodiu em “Lisabona”, validando os versos: “Depois do coliseu, a única coisa que bateu mais que eu foi o corona”.

O ritmo não esmoreceu, passando desta vez para o palco Cine Estúdio com Scúru Fitchádu, numa performance de pura garra e calor humano, e seguiu-se o Palco Choque, que não estava menos cheio, onde uma multidão fez papel de carrinho, na área dos carrinhos de choque e se agrupou para ver DJ Glue. Este icónico DJ eletrizou todo o recinto, com remisturas de hinos do rap, do mais antigo ao mais recente, arrancando aplausos e gritos da plateia.

Em simultâneo estava a acontecer o concerto de DJ Shaka Lion no palco principal, numa onda mais reggae, naquele que foi um dia de triunfo para DJ’s. A noite acabou honrando este facto, de forma explosiva, com DJ Ride a causar estrago no palco Cine Estúdio, com uma destreza invejável, exibindo diversas técnicas de scratch e domínio da mesa de misturas.

Ainda a recuperar do dia um, seguiu-se o que considerámos o dia mais aceso do festival. Para além da promessa da enorme cabeça de cartaz reservada para este dia, The Alchemist, avizinhava-se um verdadeiro arraial de dança com nomes como Julinho KSD, Dino D´Santiago, Cintia e Holly.

Começando pelo concerto de Julinho KSD, naquela que foi a tão esperada apresentação ao vivo do seu primeiro álbum “Sabi na Sabura”, sentiu-se no ar toda a libertação após ano e meio de dançar em casa. Com convidados como Dino D´Santiago para cantar o tema “Kriolo” e Instinto 26 para cantar os hits “Gangsta”, “Sólido” e “Bandidas”, o público não parou um segundo, dançando ao som dos ritmos quentes e dançáveis de populares temas como “Mama Ta Xinti”, “Sentimento Safari” e “Hoji N´Ka ta Rola”. Este concerto terminou com uma roda, que levantou muita poeira ao som de “Stunka”.

De seguida dirigimo-nos ao Palco Choque para mais uma eletrizante performance, desta vez pela parte de Cíntia, que também fez uma multidão dançar ao som de populares temas como “Savana”, “African Queen”, “Grana” e um dos seus mais recentes singles “Je t’aime”. Este mesmo palco acolheria mais tarde HOLLY, que manteve em chamas todos os presentes, com ávidos remixes de obras como “Donda” de Kanye West, envergando uma sweat estampada com o nome e imagem de um dos grandes nomes do hip hop, DMX, falecido recentemente.

Este dia contou com uma das mais aguardadas e entusiasmantes performances: The Alchemist, uma verdadeira lenda no que toca a produção. Depois do aclamado álbum “Alfredo´s” que partilha com outro dos maiores nomes do hip hop atual, Freddie Gibbs, o artista preparava-se para atuar para um recinto cheio de pessoas que envergavam o merchandising da obra, em pulgas para ver um dos maiores produtores existentes, diretamente da Califórnia. The Alchemist encheu o recinto do Palco Gasómetro, onde fãs deliraram ao assistir a um puro espetáculo de mistura de poções, fazendo jus ao nome, obtendo as maiores manifestações de entusiasmo com a batida de “$500 Ounces”, ou qualquer outra faixa presente em “Alfredo´s” e beats que pareciam estar a ser cozinhados à nossa frente.

O penúltimo dia de festival não esmoreceu em termos de cabeças de cartaz de luxo, sendo o prato principal desta vez Slum Village, diretamente de Detroit.

A festa começou no palco Gasómetro com GHOYA, rapper criolo, que contou com leais fãs nas primeiras filas a cantarem os seus temas. Seguiu-se Tekilla no Palco Choque, que encantou mais uma vez com temas como “Sinónimos”, faixa que partilha com Sam The kid, “Love You”, uma das preferidas do público e mais canções do seu mais recente álbum “Olhos de Vidro”.

 O Palco Gasómetro foi ainda pisado por Chullage com o seu projeto Pretú, onde cativou toda a audiência com as suas letras carregadas de mensagem, sobre beats mordazes, alguns em colaboração com grandes nomes como Scúru Fitchádu e Cachupa Psicadélica.

 Mais tarde foi a vez de Nenny se estrear neste festival, para uma multidão enorme que ansiava a performance de temas como “Tequila” – também presente em A COLORS SHOW-, “Bússula” e “Sushi”. O principal destaque foi, no entanto, para a música “Dona Maria”, onde a artista chamou ao palco a sua mãe, acompanhada de vários familiares, para dedicar esta profunda canção, num momento que não deixou ninguém indiferente, em busca de lenços para toda a emoção sentida.

Sem grande tempo para recuperar de tanta emoção, seguiu-se um dos momentos mais altos da noite, Slum Village, que proporcionaram um concerto que ficará para sempre na história. A performance de conhecidos temas como “The Look of Love”, “Selfish” -que partilham com Kanye West- “Fall in Love” e inúmeras menções e homenagens a J Dilla vieram mostrar como se faz, num display assertivo de MCS old school, que sabem como levar uma plateia à euforia.

Seguimos para dar mais uma volta no Palco Choque onde atuou Carlitos Lagangz, rapper que deu uma aula de drill internacional aos ouvintes, colados a colunas que quase rebentaram com a agressividade das batidas.

A noite terminou com um DJ Set esgotado de Branko, que fez todo o recinto, na sua capacidade máxima, dançar ao som dos seus temas, não fosse também ele um ex-integrante de Buraka Som Sistema. A quem sobrasse dúvida, podia verificar por todo o merch, vestido pelos fãs presentes no recinto.

Não menos entusiasmante foi o quarto e último dia de festival, que arrancou com a performance de um dos mais icónicos gaienses, David Bruno, acompanhado pelos seus fiéis e talentosos comparsas, Marco Duarte e DJ António Bandeiras.

 Num trio apelidado por David Bruno como “Os power rangers de Rio Tinto”, com indumentária à altura, constituída por e somente um fato de treino, estes artistas brindaram-nos com as habituais histórias, interação com o público, crowd surf de António Bandeiras e o lançamento da regueifa e rosa de António Bandeiras, num concerto que nunca nos cansamos de ver, por ser sempre diferente, divertido e, especialmente, único.

A noite contou ainda com Pedro Mafama, na apresentação do seu novo disco “Pelo Rio Abaixo” e  Eu.Clides, que mostrou os seus dotes de cantor e produtor, tendo encantado todo o público do palco Cine Estúdio.

De destacar ainda a incrível e derradeira batalha de breakdance que ocorreu no Palco Choque, onde nem o público esteve a salvo. Os moves apresentados numa que foi uma das mais e impressionantes exibições de talento em todo o festival, acompanhados da reação efusiva de todos os que viram, vieram relembrar a relevância desta arte e a importância de se dar mais atenção à mesma. Um verdadeiro bónus em pontos de nostalgia, para quem cresceu a ver America´s Best Dance Crew, vidrado no ecrã.

Terminou assim mais uma edição de um dos mais importantes festivais para a nossa tão adorada cultura. Este festival de cariz nómada consegue ser pioneiro na sua essência e conceito, sendo assim importante enaltecer a excelente plataforma que oferece a um grande número de artistas, nas mais variadas vertentes. Depois de todos os contratempos sofridos com a pandemia e a ressacar há mais e um ano sem festivais, Vhils montou uma verdadeira Disneyland para a cultura urbana, onde certamente todos nos sentimos crianças livres e felizes outra vez, rodeadas de arte na sua forma mais pura e crua, durante quatro dias onde só apetecia gritar “finalmente”.

Crítica | Gyals and Gyals (EP de estreia de Cíntia)

Nem todos os dias 13 têm de ser associados a algo negativo e Cíntia que o diga. Oriunda de Loures, a artista escolheu o dia 13 de novembro de 2020 para o lançamento de “Gyals and Gyals”, o seu EP de estreia, precisamente no dia do seu 19º aniversário.

Fotografia: Direitos Reservados

Energia e diversão não faltam ao longo das suas músicas e respetivos videoclips, num trabalho que é pautado por alguns temas, como a diversão e o sexo feminino. Ao longo de cerca de 22 minutos, Cíntia mostra-se neste que é o seu trabalho de estreia, composto por sete temas originais: “Grana”, “LocoKnight”, “Hulala”, “African Queen”, “Shooters”, “Savana” e “Oh Mãe”. Este trabalho contou também com vários nomes na produção instrumental, nomeadamente Beatoven, Charlie Beats e Franklin Beats.

É preciso recuar exatamente um ano atrás para chegar à altura em que uma parte deste EP começou a ser mostrada ao público: no dia 13 de novembro de 2019, Cíntia lançou o videoclip de “Grana”, tema mais antigo no seu canal de Youtube, que é precisamente aquele que até hoje causou mais furor: o som já ultrapassou os dois milhões de visualizações. O próprio número fala por si, uma vez que é um tema que capta o ouvinte e permanece na cabeça em repeat.

No entanto, é com “Savana” que se inicia este EP, surgindo como metáfora do seu quarto. Cíntia apresenta uma faixa que promete uma noite mais sensual ao misturar ritmos dançantes e mais africanos com hip-hop: “Bem vinda à Savana, bem vinda ao meu quarto / Quero te ver nua então lanço logo o meu papo”. Londone contribui na segunda parte do tema, numa interessante intervenção por parte do artista, que pessoalmente se revela como uma das peças que mais qualidade adiciona neste tema.

Segue-se o tema “LocoKnight” em colaboração com Miju Muel, Londone e Pucci Jr. Dos temas que ainda não tinham sido lançados individualmente, este é, a nível pessoal, o que se destaca mais neste alinhamento.

Em “Shooters”, Cíntia e Tiller juntam-se numa colaboração que resulta num tema bem-sucedido. Aliás, esta faixa entretanto já integra algumas playlists no Spotify: e Hip Hop Tuga (Digster Portugal) e Rap Tuga. Este reconhecimento faz jus à própria canção, que é uma das que mais qualidade apresenta neste EP, com especial destaque para o instrumental.

Fotografia: Direitos Reservados

O tema que surge exatamente a meio deste trabalho é “Hulala”. Esta faixa apresenta uma sonoridade bastante agradável e descontraída, expressando a forma como se sente perante a sua amada e os efeitos que esta última lhe causa: “Hulala, hulala, hulala/Quando ela me beija, eu perco a calma, a calma, a calma”.

“African Queen”, como o nome indica, brinda-nos com um ritmo mais africano e com uma faixa que faz referência à nacionalidade moçambicana da sua “queen”.

Cíntia fecha o seu trabalho de estreia com “Oh mãe”, a faixa mais pessoal do EP. Como o título adianta, esta música fala da sua mãe, mas a artista vai mais além ao longo do tema: Cíntia também invoca o pai e faz referências à família em geral: “Família ‘tá tão tranquila/’Tamos a tentar ficar ricas/P’ra mim não é uma corrida/Mas quero contar nota”. À semelhança de “Shooters”, este som também já figura as playlists “Hip Hop Tuga” (Digster Portugal) e “Rap Tuga” no Spotify.

À primeira vista, “Gyals and Gyals” pode parecer um trabalho redundante e que se cinge apenas a sons cujas letras abordam ou são dedicadas a um elemento feminino. No entanto, acaba por “honrar” o nome da obra da forma mais clara possível ou não fosse “gyals” precisamente uma gíria inglesa para se referir a alguém do sexo feminino. Cíntia, que nem previa lançar um EP, mas ir lançando os seus sons ao longo do tempo, acaba por mostrar assim um pouco do seu mundo ao público. O EP já se encontra disponível em todas as plataformas digitais.

“GYALS AND GYALS” é o ep de estreia de CÍNTIA

O EP “Gyals And Gyals” foi disponibilizado no dia do seu aniversário.

Foi no dia que completou 19 anos que Cíntia disponibilizou o EP “Gyals And Gyals”. O projecto conta com 7 faixas no total e com colaborações, na sua maioria, associadas à Loco Knight. A produção instrumental conta com nomes como Franklin Beats, Charlie Beats, Holly, Beatoven, entre outros.

Fiquem de seguida com a faixa “Shooters”, com a colaboração de Tiller e produção instrumental, mistura e masterização por Franklin Beats.