Crítica | Gyals and Gyals (EP de estreia de Cíntia)

Nem todos os dias 13 têm de ser associados a algo negativo e Cíntia que o diga. Oriunda de Loures, a artista escolheu o dia 13 de novembro de 2020 para o lançamento de “Gyals and Gyals”, o seu EP de estreia, precisamente no dia do seu 19º aniversário.

Fotografia: Direitos Reservados

Energia e diversão não faltam ao longo das suas músicas e respetivos videoclips, num trabalho que é pautado por alguns temas, como a diversão e o sexo feminino. Ao longo de cerca de 22 minutos, Cíntia mostra-se neste que é o seu trabalho de estreia, composto por sete temas originais: “Grana”, “LocoKnight”, “Hulala”, “African Queen”, “Shooters”, “Savana” e “Oh Mãe”. Este trabalho contou também com vários nomes na produção instrumental, nomeadamente Beatoven, Charlie Beats e Franklin Beats.

É preciso recuar exatamente um ano atrás para chegar à altura em que uma parte deste EP começou a ser mostrada ao público: no dia 13 de novembro de 2019, Cíntia lançou o videoclip de “Grana”, tema mais antigo no seu canal de Youtube, que é precisamente aquele que até hoje causou mais furor: o som já ultrapassou os dois milhões de visualizações. O próprio número fala por si, uma vez que é um tema que capta o ouvinte e permanece na cabeça em repeat.

No entanto, é com “Savana” que se inicia este EP, surgindo como metáfora do seu quarto. Cíntia apresenta uma faixa que promete uma noite mais sensual ao misturar ritmos dançantes e mais africanos com hip-hop: “Bem vinda à Savana, bem vinda ao meu quarto / Quero te ver nua então lanço logo o meu papo”. Londone contribui na segunda parte do tema, numa interessante intervenção por parte do artista, que pessoalmente se revela como uma das peças que mais qualidade adiciona neste tema.

Segue-se o tema “LocoKnight” em colaboração com Miju Muel, Londone e Pucci Jr. Dos temas que ainda não tinham sido lançados individualmente, este é, a nível pessoal, o que se destaca mais neste alinhamento.

Em “Shooters”, Cíntia e Tiller juntam-se numa colaboração que resulta num tema bem-sucedido. Aliás, esta faixa entretanto já integra algumas playlists no Spotify: e Hip Hop Tuga (Digster Portugal) e Rap Tuga. Este reconhecimento faz jus à própria canção, que é uma das que mais qualidade apresenta neste EP, com especial destaque para o instrumental.

Fotografia: Direitos Reservados

O tema que surge exatamente a meio deste trabalho é “Hulala”. Esta faixa apresenta uma sonoridade bastante agradável e descontraída, expressando a forma como se sente perante a sua amada e os efeitos que esta última lhe causa: “Hulala, hulala, hulala/Quando ela me beija, eu perco a calma, a calma, a calma”.

“African Queen”, como o nome indica, brinda-nos com um ritmo mais africano e com uma faixa que faz referência à nacionalidade moçambicana da sua “queen”.

Cíntia fecha o seu trabalho de estreia com “Oh mãe”, a faixa mais pessoal do EP. Como o título adianta, esta música fala da sua mãe, mas a artista vai mais além ao longo do tema: Cíntia também invoca o pai e faz referências à família em geral: “Família ‘tá tão tranquila/’Tamos a tentar ficar ricas/P’ra mim não é uma corrida/Mas quero contar nota”. À semelhança de “Shooters”, este som também já figura as playlists “Hip Hop Tuga” (Digster Portugal) e “Rap Tuga” no Spotify.

À primeira vista, “Gyals and Gyals” pode parecer um trabalho redundante e que se cinge apenas a sons cujas letras abordam ou são dedicadas a um elemento feminino. No entanto, acaba por “honrar” o nome da obra da forma mais clara possível ou não fosse “gyals” precisamente uma gíria inglesa para se referir a alguém do sexo feminino. Cíntia, que nem previa lançar um EP, mas ir lançando os seus sons ao longo do tempo, acaba por mostrar assim um pouco do seu mundo ao público. O EP já se encontra disponível em todas as plataformas digitais.