Hip Hop Rádio

Super Bock em Stock: O Hip-Hop é Música Autêntica

O hip-hop não ficou – nem podia ficar – de parte no festival que defende a “música autêntica”. Foram dois dias recheados de boas sonoridades e acima de tudo uma excelente vibe, sendo o Capitólio o  principal local escolhido para acolher todos estes concertos de hip-hop que quase não se conseguiam contar pelos dedos | Por Carolina Costa

Fotografias por: Daniel Pereira

São 18 horas e já se ouvem as primeiras batidas pela Avenida da Liberdade. Sensei D e Maria começavam nos pratos num conceito a que deram o nome de “Ciência Rítmica Avançada”, mostrando-nos diferentes sons e ritmos que não nos deixaram manter os pés no mesmo sítio. Seguiu-se a atuação de Russa que não perdeu a oportunidade de puxar pelo público para a acompanhar nas letras e mostrou que o sexo feminino também consegue dar cartaz no movimento. Depois, acompanhado de Prodígio e Don G, NGA trouxe tudo o que tinha ao palco e não deixou dúvidas de que o hip-hop tem o que é preciso para merecer um lugar nos mais variados cartazes.

Mais tarde, a fila para entrar no Capitólio parecia não terminar e já se começava a ouvir Masego dentro edifício. Percorrendo o novo álbum Lady Lady e também alguns temas mais antigos, durante cerca de uma hora fomos transportados para um mundo onde todas as melodias funcionam e encaixam na perfeição, mesmo sendo improvisadas no momento. Acompanhado por uma banda e coro fantástico, o músico francês não deixou em casa o saxofone e a energia e toda a musicalidade a que estamos habituados não faltou neste concerto.

No segundo dia do festival a chuva era muita, obrigando Darksunn a mudar a atuação para dentro do Bloco Moche, algo que até agradeceu. SP Deville já não teve a mesma sorte, o que não influenciou a presença de toda a gente que, mesmo à chuva, esteve nos “bastidores” do Capitólio. Numa atuação sentida e muito íntima, chamou ainda X-Tense para partilhar o palco e cantar “#PIXAGRANDE”, tema do seu último álbum Rosa Dragão. De seguida diretamente do Porto, Lazy começou a aquecer o interior do Capitólio que ainda contava com pouca gente. Isto não foi impedimento para o artista que, acompanhado em palco, não deixou que o número de pessoas fosse um fator desmotivante e conseguiu levantar alguns braços e assobios por parte dos presentes. Com Duplo na mesa de mistura, as rimas do MC ressoaram pela sala com um sentimento “crú” e puro que conseguiu trazer a Lisboa.

Do outro lado da Avenida, Dino D’Santiago enchia a Casa Alentejo tendo lotação esgotada e uma fila extensa à porta. Mesmo ao lado do Coliseu dos Recreios, o espaço deixou um pouco a desejar e muita gente a ouvir o concerto de fora. O sucesso que este novo álbum do artista está a ter não não se fazia sentir tão grande até sentirmos o calor e energia que se vivia naquela pequena sala.

De volta ao Capitólio, Lolo Zouaï começava a atuação apenas com um microfone e uma folha da setlist no chão.  A artista de Brooklyn entrou em palco sozinha e assim ficou até ao fim do concerto, não precisando de ninguém para conseguir puxar pelo público e mostrar a sua grande capacidade vocal. Para fechar a noite – e o festival no que toca ao hip-hop – o tão esperado concerto de Rejjie Snow começava com o seu DJ a preparar o público. Entre temas como “Sicko Mode” ou “Mo Mamba” até “Praise the Lord”, a energia eufórica ia um pouco de encontro com a vibe que o artista costuma passar nas suas músicas. Percorrendo algumas músicas do seu mais recente álbum Dear Annie e também outros clássicos, este foi um concerto cheio de diferentes emoções, em que num momento estávamos a dançar em “Charlie Brown” e no a seguir no meio do mosh pit com “Flexin’”. A personalidade descontraída mas animada de Rejjie não deixou ninguém parado nesta tão esperada atuação do artista irlandês em Portugal.

 

Foto-galeria completa aqui.

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