Hip Hop Rádio

Slow J descobre a sua segunda Casa

Destinado a pisar este palco, Slow J aqueceu os corações dos portuenses realizando um concerto duplo, no Hard Club, nos dias 19 e 20 de janeiro.

20:39, a cidade brilha, mas é dentro do Hard Club que se vai fazer magia. Alguns fãs já se encontram ansiosamente à espera para obterem um lugar na primeira fila, na segunda ronda do artista. O público tinha nele uma grande expectativa, ouvia-se e espalhava-se que o primeiro concerto tinha sido brutal. Os corpos estavam serenos, mas as almas queriam transbordar. Era um sentimento extraordinário que não cabia no corpo. Era o sentimento que João Batista deixa em nós com cada música.

Por entre conversas e gargalhadas chegam as tão esperadas 22h:15. Era tempo de Lhast abrir a grande noite que se avizinhava. Com aproximadamente 1h:30 de atuação, entreteu os fãs com uma vibe de hip hop internacional e nacional, entre eles Kappa Jotta, que esteve presente em ambos os concertos. Num ambiente confortável e hostil, Lhast despede-se do público merecedor da grande admiração e ovação que obteve por parte do mesmo. Arrumado o espaço de Lhast e libertado o tapete sagrado de João Batista, estava tudo propício para entrada de J. Acompanhado por Francis e Fred, Slow J entra de guitarra ao peito e contagia o público com o seu tema “arte” em acústico. Que momento expressivo e digno da sua entrada. Rapidamente se acomodou e se sentiu em casa, alimentando os seus convidados esfomeados com uma boa performance.

Era o momento familiar e por isso ideal de exteriorizar tudo o que outrora tinha sonhado para dentro. Era o momento de, sem medos, se apresentar pela transparência que o singulariza. Era o momento de Nerve, um dos artistas mais promissores do hip hop português, subir ao palco e nos proporcionarem o instante mais vulnerável da noite: “Às vezes dói, mas eu escondo”… Naquele preciso segundo a única coisa que doía era saber que aquele momento era efémero.

“Comida” e “Biza” foram os seguintes temas a ser pintados. Foram igualmente intensos e característicos da sua pessoa e da sua arte que tanto quer mostrar ao Mundo. Arte esta que tem o prazer de partilhar com amigos como Richie Campbell. A amizade destes é facilmente visível pela sua cumplicidade em palco, pela forma como os seus olhos brilham de orgulho quando atuam em conjunto. “Water” foi um dos temas mais genuínos do concerto. Os fãs estavam muito ansiosos para se tornarem os protagonistas da noite e juntos cantarem o refrão da sabedoria criada por ambos. Lhast, orgulhoso, juntou-se abraçando-se aos dois grandes artistas: a verdade é que esta combinação, que muitos diriam improvável, não seria possível sem o mesmo. Após este momento tão sentido e valioso, foi tempo de Slow J aconselhar os seus fãs a nunca perderam a essência, a serem sempre fiéis ao seu instinto com os versos do seu tema Portus Calle. Dizia com um tom acertivo, mas humilde: “normal é ser como nós somos e não como os outros são.”

Foi então tempo de mostrar a sua origem, o seu objetivo com isto tudo, de mostrar que  não faz isto apenas para pagar as contas. Foi tempo de Gson e Papillon subirem ao palco e porem à prova as estruturas da sala 1 do Hard Club, vivendo ali o momento mais energético da noite fazendo-nos acreditar que podemos fazer da nossa boa vida uma vida boa e vice versa. Depois do ambiente ter chegado ao seu auge em termos de fugacidade, estava na altura de alcamar os ânimos, estava na altura de “Sado” e em seguida a tão esperada “Serenata”.

Quem realmente percebe as palavras de João Batista, e quem teve a oportunidade de vivenciar um momento como aquele sabe perfeitamente o quão puras e genuínas são as palavras dele. O quão sincera aquela serenata é declamada, e foi para todos os presentes. O quão toda a arte dele traduzida por palavras é um exorbitante átomo moderado. E assim, após o momento mais esperado da noite, Slow J despede-se com “Mundança”, e sai do palco.

Percebeu-se desde logo que tinha deixado coisas por dizer. O público inquieto não acreditava que acabaria assim, não poderia acabar. E após um minuto, talvez dois, o espaço silencioso ao qual todos tinham direcionado o olhar,  torna-se num palco iluminado e cheio com uma performance de Speedy, um artista muito admirado por Slow j.

J é um dos artistas mais humildes e altruístas presentes nesta cultura a que chamamos hip hop. É também um artista bastante versátil, e com a sua perspicácia inerente, fez um tributo ao nosso grande Rui Veloso cantando um cover que foi muito bem recebido pelo público e pelo próprio Rui, “Não Me Mintas”.

Infelizmente, aproximava-se o final da atuação, todos se questionavam qual seria a música digna de fecho de uma noite tão grandiosa. E acho que não poderia ter sido melhor escolhida: Cristalina, porque todo o seu concerto foi ele próprio a ser Cristalina: a ser criança, a ser sincero, genuíno, a ser puro, a ser feliz. Como dito vezes sem conta durante o concerto “claramente estamos em casa”, e estávamos. Nunca serás feliz se não fores sincero e João é dos seres mais puros e honestos que a cultura Portuguesa podia adotar.

Cá no Porto continuamos a esperar-te: a ti, à tua sinceridade, à nossa felicidade.

O Sado não sente saudade, mas o Hard Club já sente.

Escrito por: Rita Carvalho
Fotografia por: Rafael Baptista

 

1 thought on “Slow J descobre a sua segunda Casa”

  1. Olá, еu li seu blog ocasionalmente e eu possuo սma sіmilar e
    eu estava apenas imaginando ѕe você ganha um monte ⅾe spam gabarito ?
    Տe sim como é que parar , algum plugin оu alguma coisa que você poɗe sugerir ?
    Recebo tanta coisa ultimamente ԛue eѕtá mе deixando louco entãо ԛualquer assistência é mսito apreciado.

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