Hip Hop Rádio

O Hip-Hop mudou e a forma de o divulgar também: a importância do Instagram

A primeira parte do título poderá ser enganadora. O Hip-Hop, na realidade, não mudou, foi, é e continuará a ser uma forma sem filtros de alguém expressar a sua realidade. A maneira como a generalidade do público olha para esta cultura e a forma como a aceita é que mudou. Vamos conhecer Afonso Ventura e Filipe Barros, detentores, respetivamente, da Tranqui.low e Mad Rhymes, duas páginas de Instagram sobre cultura urbana e autênticos novos media do Hip-Hop.

Por Daniel Pereira


O Instagram

Publicações, instastorys, hashtags, arrobas. Todos estes termos, na forma que os conhecemos hoje, eram inexistentes há 10 atrás. A evolução dos tempos originou a Internet, que mais tarde originou a Web e que mais tarde ainda originou as Redes Sociais. Vamos diretos ao assunto: o Instagram. A rede social com data de criação em 2010 tem como principal intuito a partilha de imagens e é a que mais tem crescido e a um ritmo alucinante nos últimos anos, com destaque para este ano de 2018. Além do crescimento de número de utilizadores que usam a plataforma, as inovações, que têm papel principal nesse mesmo crescimento, são também cada vez maiores. Se antes o utilizador tinha apenas uma forma de postar imagens (através de publicações no seu perfil), hoje existe outra forma denominada de Instastory: postagem de imagens, também no perfil mas que passadas 24 horas são apagadas automaticamente. E é nesta parte que as modificações na plataforma se têm acentuado mais. Hoje o Instagram permite até que os Instastorys sejam acompanhados de música dos mais variados artistas, fornecida pela plataforma e de forma oficial. No entanto a ligação do Instagram com a música não vem de agora e a “culpa” é do público.  Segundo dados do website Goobec, em 2018 esta rede social saiu dos 700 milhões de utilizadores correspondentes a 2017 e chegou até ao primeiro milhar de milhão. Há cerca de 5 anos “toda a gente” tinha uma conta no Facebook, atualmente “toda a gente” usa o Instagram, incluindo claro está artistas e fechando mais ainda o espectro: artistas de Hip-Hop, “só” o estilo de música que mais tem crescido e ganhado espaço seja no panorama nacional como no internacional. Qualquer rapper que esteja para lançar uma música nova, irá anunciá-lo aos seus fãs através de por exemplo um instastory, não o irá fazer através do seu website, se é que tem website sequer. As notícias estão atualmente no Instagram, a realidade é essa. É possível fazer um paralelismo: assim como qualquer pessoa pode fazer rap e divulgá-lo, qualquer pessoa pode também fazer jornalismo ou seja, pode divulgar o que se passa no mundo do Hip-Hop. O fator comum que determina o sucesso dos “novos rappers” e “novos jornalistas” é a qualidade na inovação.

Numa era em que todos têm acesso a tudo de forma igual, o público quer algo novo.


Ranking Goobec das principais redes sociais em 2018

“Conteúdo incrível e batidas inesquecíveis, fiquei apaixonado por isto!”

Filipe é natural de Braga. Afonso, alentejano de Évora. Com o gosto pelo Hip-Hop em comum são detentores, respetivamente, das páginas de Instagram, Mad Rhymes e Tranqui.low. Atualmente ambos na casa dos 20, começaram a ouvir rap desde muito novos… e às escondidas: “A minha irmã é mais velha do que eu 6 anos e ouvia bastante rap, cenas clássicas de quem cresceu em meados dos anos 2000, Sam The Kid, 50 Cent, Boss AC, várias coisas… E havia um CD que ela tinha que me fascinava, era dos Mind Da Gap, o “Suspeitos Do Costume”. Fascinava-me o exterior do disco, algo me cativou naquela capa, apesar de na altura ter que o ouvir ás escondidas. – conta-nos Filipe. Afonso também começou a ouvir rap desde pequenino e mesmo que na altura bloqueado pela mãe, as primeiras escutas foram de Boss AC e Da Weasel: “Alguém me ofereceu Amor, Escárnio e Mal Dizer e mostrou-me esta forma diferente de fazer poesia, mostrar o que estava mal e provocar sensações nas pessoas”. Colaborou em tempos na H2 Tuga, um dos mais antigos media sobre Hip-Hop em Portugal, onde fez algumas entrevistas e artigos. Já Filipe, apenas mais recentemente começou a contribuir para a Cultura. Após aquele primeiro contacto com o Hip-Hop, o gosto foi esfriando, mas nunca desapareceu. “Com o passar dos anos fui-me desinteressando da música, não a consumia, ela apenas estava lá. Foi preciso descobrir o Metal e o Hardcore para reacender a minha chama pela música, estilos que me agradavam, mas não me cativaram da forma como o Rap cativa. Um dia dois colegas meus estavam a falar de Rap no intervalo da escola e referiram, entre outros, um nome que me cativou bastante, o de Dealema. Desde a primeira vez que ouvi Dealema que soube que queria fazer do Hip Hop estilo de vida. Conteúdo incrível e batidas inesquecíveis, fiquei apaixonado por isto!”

“É uma comunidade descomprometida, sem barreiras ou limitações”

Tanto Filipe como Afonso iniciaram o seu projeto em 2017. A Tranqui.low assume-se como uma “Comunidade de Hip-Hop e cultura urbana que mostra o melhor que se faz cá e lá, mais cá. É uma comunidade descomprometida, sem barreiras ou limitações tal como o nome transmite.” A Mad Rhymes foi criada em 2012 sob o nome Funky Beats & Mad Rhymes. “Eu era um miúdo na altura, não sabia o que queria fazer, nem as minhas intenções eram as mesmas de agora.” Filipe, durante o seu então hiato ao Hip-Hop desistiu do projeto. No final de 2017 voltou a pegar nele, apesar de definir a data de aniversário como dia 25 de Março de 2018, que é a data da criação do projeto como ele se encontra hoje. “Somos uma plataforma de “jornalismo” e digo-o como que entre aspas para reservar o devido respeito a quem o faz profissionalmente, e divulgação musical, ainda sobre a forma de uma página de Instagram, apesar de também termos presença nas restantes redes. O lema da Mad Rhymes é “Hip Hop, Sempre”, uma espécie de código de honra editorial, que assenta em manter o máximo de respeito por esta cultura que nos abraçou.”

“Apenas Sentia que faltava algo”

Nos últimos 10 anos o Hip-Hop tem vindo sempre a crescer e deixaram de ser apenas os media generalistas que divulgavam esta cultura. Esse destaque era e continua a ser esporádico por parte dos grandes meios de comunicação social. Surgiram então plataformas para dar voz ao Hip-Hop num todo e não apenas quando um artista de rap mais conhecido do público em geral lançava um álbum. Rimas e Batidas, Rap Notícias e Hip Hop Sou Eu são seguramente os meios de comunicação social de maior dimensão “ao serviço” do Hip-Hop. Um grande passo para a proliferação da cultura visto que esta passou a ser divulgada por quem realmente se interessava e percebia dela. No entanto, e mesmo com este “avançar” dos tempos, tanto para Filipe como para Afonso era preciso fazer mais pela cultura Hip-Hop. “A Mad foi criada numa altura em que me sentia insatisfeito com a falta de bom conteúdo digital ligado ao Hip-Hop em português, não só ao Hip-Hop nacional, mas também internacional. Não querendo tirar valor ás páginas e sites que existiam, eu consumia-as assiduamente, apenas sentia que faltava algo. E a Mad Rhymes veio com esse intuito de criar bons conteúdos, originais, principalmente a nível textual, é algo que temos muito cuidado em criar.” Para Afonso, a origem da criação da Tranqui.low tem razões semelhantes: “Estava numa fase da vida em que não tinha nenhum projeto que me desafiasse, decidi criar algo diferente, novo, de certa forma inovador no que toca ao panorama nacional e ver no que é que dava, aprendendo sempre com o projeto e perceber o que faz falta, o que é que as pessoas querem ver sem perder a essência da Tranqui.low.”

“Preferimos ter 10 rubricas a serem trabalhadas com calma do que estar a bombardear o pessoal com conteúdo desinspirado e apressado.”

Mas afinal como funcionam então estas páginas? Existe como que uma espécie de “reposição de stock”, não de produtos como nas lojas, mas de conteúdos Hip-Hop? Existirão horários certos para as publicações assim como uma periodicidade rigorosa? Afonso dá-nos umas luzes: “Já houve horário de posts, rigor, hoje é descomprometido. Antes comprometíamo-nos a fazer 3 posts por dia, hoje fazemos quando têm de ser feitos. Unicamente se forem coisas importantes viramo-nos para a hora nobre (21h).” Talvez por estar mais no início, a Mad Rhymes é mais rigorosa nesse aspeto: “Temos um calendário de posts, eles saem periodicamente, temos as três rubricas principais (trivia, mad lines e quotes), as quais publicamos uma por dia.”. Além destas existem outras com a 3 Discos (consiste em pedir a um rapper por exemplo para escolher 3 álbuns importantes para ele), Mad Radar, Breaking Bad e Mad Notes, lançadas mais esporadicamente e que podem ser facilmente encontradas mal entramos na página. “Não são lançadas todas as semanas, para evitar que o conteúdo seja forçado. Preferimos ter 10 rubricas a serem trabalhadas com calma do que estar a bombardear o pessoal com conteúdo desinspirado e apressado. Além disso, estamos sempre a trabalhar em rubricas novas, sempre a alterar designs e limar as arestas. Não nos damos bem quietos, temos sempre que mover-nos em alguma direção.”

Apesar de mais descomprometida em termos de horários, a Tranqui.low também tem rúbricas certas: “Temos as Playlists Tranqui.low em que convidamos intervenientes da cultura a fazer playlists Spotify ao seu gosto para assim divulgarmos ao público o que esses mesmos intervenientes andam e gostam de ouvir.” Stereossauro, Maze ou Pedro Teixeira Da Mota foram só alguns dos vários que já assumiram a curadoria das Playlists Traqui.low. “A “programação” continua: “Às Quintas feiras partilhamos as melhores fotos de quem usa a hashtag tranquilow. São os chamados Tranquishots. Queremos mostrar quem são os nossos seguidores, não apenas mostrar os intervenientes mas sim mostrar quem dá andamento a esses mesmos intervenientes sejam fotógrafos profissionais ou qualquer pessoa que tire boas fotos. Temos também as Rate the bars em que divulgamos quadras icónicas ou não mas que sejam marcantes. Fazêmo-lo esporadicamente. Além disto estamos presentes em quase todos os eventos que se enquadrem connosco e com a cultura que representamos, lançando depois conteúdos em foto ou vídeo sobre esses mesmos eventos.”

Se em termos de publicações, tanto a Mad Rhymes como a Tranqui.low apresentam conteúdos no perfil regulares, no que toca a instastorys a história não é diferente. “Seja um ou outro a qualidade dos mesmos é o mais importante. Pessoalmente apenas prefiro publicações porque são eternas e os instastorys têm conteúdo mais efémero.” – diz-nos Afonso. Já para Filipe tanto publicações como instastorys são igualmente importantes, no entanto tudo depende da comunidade que adquirimos e explica: “Ambas servem o seu propósito, mas é sabido que o pessoal jovem passa mais tempo nas instastorys, ao passo que o pessoal mais adulto já dá mais destaque ao feed. E no caso das instastorys, a forma como são consumidas… nunca vais a uma história procurar grande conteúdo. Maior parte da vezes estás só de passagem, logo, deves abordar o design de uma instastory como algo apelativo, algo que cative imediatamente o olhar das pessoas, só depois o cérebro, por isso é que optamos por publicar lá as noticias, algo breve, que possa servir para tu pesquisares por ti próprio. Temos também algumas rúbricas exclusivas para instastorys, e mais virão certamente, decidimos abordá-las mais como algo informativo, algo que te mantenha a par, sem grandes rodeios e que possas digerir facilmente. Além disso, no nosso caso em especifico é um ótimo terreno para testar ideias novas. Optamos por deixar o conteúdo mais histórico e que possa necessitar de maior concentração, para o perfil.”

“Sentir que estou a ter algum impacto no movimento em que me insiro, é mágico mesmo!”

Mas vamos aos números. Atualmente a Tranqui.low tem por volta de 10.300 seguidores e a Mad Rhymes cerca de 2.100. Tendo em conta que no final do primeiro mês de projeto tinham respetivamente 700 e 50 seguidores, o crescimento tem sido impressionante. “Tenho mais do dobro daquilo que tinha estimado como meta para este ano.” – orgulha-se Filipe. Esse crescimento acontece não apenas devido ao maior número de pessoas interessadas nos conteúdos e na forma de operar das páginas mas também ao facto de mais pessoas quererem participar e fazer parte efetivamente dos projetos. “No início era só eu, ainda hoje sou eu o responsável por 85% dos conteúdos da Mad Rhymes, mas conto com uma equipa de 3 colegas que me estão a ajudar e cada vez estamos melhores!” Já a Tranqui.low começou com Afonso, ao qual se juntaram mais duas pessoas e atualmente são já cerca de vinte.

Tanto a Tranqui.low como a Mad Rhymes, contam já com alguns parceiros, ainda que poucos, não por falta de propostas mas por decisão própria. “A parceria mais importante de todas é a Hip Hop Rádio sem dúvida, que ainda se mantém. É uma união de forças que começou por giveaways ou seja, passatempos de oferta de bilhetes ou álbuns essencialmente, depois troca de ideias, apoio mútuo. Basicamente é a única parceria oficial, volta e meia colaboramos com eventos mas não é nada fixo. O único vínculo de parceria será mesmo com a Hip Hop Rádio. Não é que não surjam mais, simplesmente têm é de ser bem escolhidas e que tenham uma essência mais ou menos dentro da nossa” diz-nos Afonso.

Afonso com um sticker da Hip Hop Rádio

No caso da Mad Rhymes, que também realiza giveaways em parceria com artistas ou eventos, a urgência de realizar parcerias, ou a falta dela, é muito semelhante à da Tranqui.low: “Poucas, algumas a serem cozinhadas, fico mesmo grato quando vejo a quantidade de pessoas que querem colaborar connosco, é algo que me aquece o coração mesmo, ver o respeito dos meus pares e sentir que estou a ter algum impacto no movimento em que me insiro, é mágico mesmo!”

Giveaway da Mad Rhymes de 3 CD’s “Som De Fundo” de Dekor

“Sempre fui um bocado obcecado por analisar se alguém andava a fazer o mesmo tipo de conteúdo de nós ou nós a fazer o mesmo tipo de conteúdo que alguém.”

Uma das grandes vantagens de iniciar um projeto no Instagram é o facto de ser gratuito. Claro que para o alavancar será sempre necessário despender alguma quantia de dinheiro, caso da Tranqui.low e da Mad Rhymes que apesar de estarem alojadas na rede social, não são “apenas” uma página de Instagram. O objetivo também não será fazer dinheiro com o projeto mas sim contribuir para a Cultura e em termos de gastos, estes serão feitos em prol da mesma. Filipe conta-nos: “Já investi algum dinheiro nisto, as quantias não são nada fora de série, algumas dezenas, quase centenas de euros, mas faço-o pelo Hip-Hop. Refiro-me a material de pesquisa, livros, cd’s e viagens para cobrir concertos, nada que me tenha arrependido. Ainda não fiz dinheiro nenhum com o projeto, apesar de estar agora a trabalhar em merchandising, alguns stickers e umas t-shirts, algo com qualidade, por isso que está a demorar tanto.” O merchandising é também para Afonso uma forma de obter alguns rendimentos, forma essa que já foi aplicada: “O dinheiro investido é claramente superior ao dinheiro recebido, no entanto a experiênciaa de carregar a Tranqui.low nas costas e no corpo é claramente compensadora. O investimento já supera os 2 mil euros muito devido ao lançamento de merchandising e ao registo de marca, nada de publicações pagas ao Instagram. Retorno vamos ver. Daqui a pouco tempo, já posso responder a isso.”

Merchandising Tranqui.low – T-shirts

Uma página Instagram que em cerca de 1 ano se tornou uma marca registada é de facto notável e só demonstra que o bom trabalho é recompensável. Por bom trabalho podemos entender originalidade, característica que Afonso muito preza:

“Existem páginas semelhantes à nossa. Sempre fui um bocado obcecado por analisar se alguém andava a fazer o mesmo tipo de conteúdo de nós ou nós a fazer o mesmo tipo de conteúdo que alguém para nos conseguirmos de certa forma posicionar. O objetivo sempre foi ser diferentes e que os nossos seguidores percebessem isso.” A Mad Rhymes que está pouco e pouco a ganhar o seu lugar também aponta para a originalidade que é aqui muito assente na parte gráfica: “Acho que as pessoas reconhecem o bom conteúdo, e o facto de acharem o nosso design apelativo também ajuda.” Filipe continua afirmando que o simples facto de aplicar o tipo de conteúdo que pratica, da forma que pratica, na rede social Instagram é uma vantagem: “Não há muita gente a abordar [o Instagram] como um meio informativo, com conteúdos dedicados e chamativos. Apesar de ser uma plataforma pouco versátil a nível de conteúdos que te permita publicar, é uma tela em branco, podes fazer o que quiseres com o espaço que tens, e isto é verdade para tudo. Há sempre forma de quebrar a norma. Já Afonso afirma que na rede social “o que funciona bem é ser consistente, nunca parar e ter uma boa relação com quem alimenta a plataforma que são os seguidores.”

“Existiram duas propostas até à data, foram analisadas, foram recusadas e quando for para acontecer é para acontecer e ser bem feito.”

No início a Tranqui.low tinha um objetivo muito simples: mostrar os intervenientes da cultura sendo que o propósito maior seria ganhar dimensão suficiente para poder mostrar quem não andava a ser mostrado. “Ter sempre atenção aos “newcomers” e dar empurrões para essas cores entrarem na paleta de cores que já temos no nosso panorama” – diz-nos Afonso.

Para Filipe o importante, desde o início, correspondia ao bom conteúdo e integridade, características que nunca deixaram de relevantes. Afirma que nunca venderia o projeto para que este chegasse mais longe, quer lá chegar com o seu trabalho e cumprir com as suas metas traçadas. Atualmente o objetivo é expandir a sua presença nas outras redes, aumentar a comunidade e expandir o projeto a outras áreas que permitam elevar a cultura. Para tal, Filipe pretende não migrar mas apostar também noutra plataforma importante no mundo cibernauta: o YouTube. “Acredito que cada vez mais a televisão se esteja a tornar obsoleta, já quase ninguém da nossa idade procura ativamente conteúdo televisivo, estamos mais virados para o YouTube. É um dos nossos objetivos, criar conteúdo em vídeo, algo inovador que não seja só entrevistas, nada de “reacts”. Ainda estamos a começar a delinear as bases desse projeto e a adquirir as competências que nos permitam fazê-lo.”

Foto de capa do Facebook da Mad Rhymes

Para Afonso o YouTube é também o caminho a tomar no futuro: “É para aí que nós vamos caminhar”. Este não é o único objetivo que levará a uma maior área de ação e diz-nos que pretende também exportar a Tranqui.low para um festival mas que a proposta ideal ainda não surgiu: “Existiram duas propostas até à data, foram analisadas, foram recusadas e quando for para acontecer é para acontecer e ser bem feito.”

Os planos são muitos mas a meta para o curto prazo é apenas uma: “Continuar a receber o “love” que tenho recebido pelas pessoas que seguem a página e sempre a tentar ser inovador. Ao fim ao cabo o que nós vamos alcançar no curto prazo diz muito porque todos os curtos prazos dos dias que nós temos investido nisto já desde este ano e quase meio que a Tranqui.low existe, valem-se disso. Todo o trabalho que hoje nós conseguimos ver que existe feito e o reconhecimento, vem desse curto prazo. No entanto e sem dúvida aponto mais para o longo prazo e para o que é que posso fazer com a nossa equipa mas é basicamente isso, tentar ser inovador e continuar a receber esse “love”. Isso significa que estamos no caminho certo.”

Logotipo da Tranqui.low em Kiev

Filipe afirma que no curto prazo “é difícil falar” e pensa também mais a longo prazo: “este tipo de projetos funciona mais como uma maratona, é algo que tem que ser bem pensado e espero que o futuro seja algo favorável que me permita criar mais e melhor conteúdo. É esse o meu objetivo e a razão pela qual me guio.” No entanto os objetivos a curto prazo não são inexistentes. A Mad Rhymes pretende expandir a sua comunidade e organizar eventos, começando pela cidade de Braga, de onde Filipe é natural.

“O feedback das pessoas, é este o grande ponto alto”

Com o número de seguidores a subir de dia para dia a Mad Rhymes e a Tranqui.low são já duas das mais inovadoras plataformas do Hip-Hop Português. Começaram no Instagram mas são muito mais que isso. O projeto de Filipe co-organizou ainda há bem pouco tempo um evento com Fuse no Hardclub. O projeto de Afonso está presente em praticamente todos os eventos de rap em Portugal, co-organizou com os seus parceiros Hip-Hop Rádio a festa do primeiro aniversário dos mesmos e é já uma marca registada. No entanto quando perguntados acerca dos pontos altos do projeto, as respostas são no mínimo curiosas e revelam uma humildade tremenda. “Ponto forte? Todo o processo de criação e expansão do projecto está a ser mágico, tenho alguns momentos que me marcaram como pessoa e como fã, os quais decido não revelar, apenas porque prefiro guardá-los cá dentro. O facto de ter muitos artistas que seguem a minha página, o facto de se estar a criar uma comunidade e de ver que há mais pessoal dinâmico a criar projetos de qualidade e que são quase todos da minha idade é algo que me deixa muito feliz“ revela-nos Filipe.

Já para Afonso um dos pontos altos foi ainda há bem pouco tempo: “descobrimos que o Profjam foi destaque numa grande página, uma comunidade italiana. Divulgámos isso e ninguém em Portugal ainda tinha descoberto. Nem o artista sabia disso, descobriu por nós e depois foi comentar a foto, que tinha sido lançada há já duas semanas atrás, na tal página da comunidade. Mais pontos fortes… ter sido destacado no programa do canal do Sam The Kid, 3 pancadas, pelo João moura… o feedback das pessoas, é este o grande ponto alto que destaco.”

É esta genuinidade que torna estas duas páginas de Instagram vencedoras. E na realidade essa vitória foi alcançada logo no primeiro dia de projeto pois foi a partir desse momento que a cultura saiu valorizada.

Dá algo ao Hip-Hop, ele irá sempre devolver-te o dobro.

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