Hip Hop Rádio

Reportagem: “Nova escola, velha escola, melhor escola de sempre”

Algo a que as festas académicas de Lisboa nos têm habituado este ano é, sem dúvida, a bom hip-hop português. A Festa do Caloiro do ISCTE-IUL não falhou neste aspeto e o palco Mega Hits não viu mais nada. Os bilhetes voaram num ápice e à porta ainda se encontravam vários grupos de pessoas à procura da sorte de arranjar um bilhete para uma noite que esgotou em tempo recorde.

Já com o recinto cheio, o primeiro a subir ao palco foi Profjam que, apesar de confessar a preferência em fazer a festa no lugar do público, não desiludiu e o seu concerto foi “top”. E como tentou fazer do palco uma continuação da festa, depois de atuar ao lado de L-ALI e também Valas com o single “Imagina”, não faltou malta da Think Music, e Yuzi subiu ao palco com Finix MG para fazer a festa enquanto Finix apresentava “Think Music”. O concerto de Profjam foi sem dúvida um dos melhores da noite para o público presente.

O palco estava inaugurado e, com pouco tempo de intervalo entre os concertos, o próximo a fazer a festa foi Holly Hood que montou mais um bom espetáculo, e o público ajudou por não abrandar o ritmo que tinha alcançado no concerto anterior. O convidado de Holly Hood para o recinto do ISCTE-IUL foi No Money, que cantou “Veneno” e “Se Eu Não For Rico”. Um dos momentos altos da atuação foi definitivamente a apresentação de “Cala a Boca”, tema que tem dado que falar e que puxou pelo público que tem estado a par dos lançamentos recentes. O concerto acabou com “Cobras e Ratazanas”, tema que contou com um incentivo especial de Holly Hood ao moche, como habitual.

Era nesta altura que o recinto se enchia mais, esperava-se Slow J que deu quase uma missa, desde “Sado” a “Fome”, todas as músicas tocadas foram cantadas em coro por todos os presentes. Foi o único concerto da noite sem convidados, apesar de GSon e Papillon terem sido bem representados pelo público a pedido de Slow J. A noite era de nostalgia, visto que há um ano o artista tinha pisado o mesmo palco mas num contexto completamente diferente. Desde o número de pessoas a assistir até às músicas interpretadas (agora eram maioritariamente as do álbum lançado em março) o sentimento de crescimento e evolução imperavam nesta que foi uma atuação que não esqueceu as origens do rapper nem quem o tem apoiado desde o início.

A energia era contagiante e a velha escola foi muito bem recebida, falo de Mundo Segundo e Sam The Kid que levaram os “hip hop heads” ao rubro com temas como “Tudo o que tenho”, “Era uma vez” (Mundo Segundo) e “Sofia” (Sam The Kid), bem como com os convidados. Maze cantou “Brilhantes diamantes” e Bispo entrou em palco para partilhar o tema “Pormenores” com Sam The Kid. Uma pequena curiosidade nesta atuação foi que o público era menor do que nos concertos anteriores, contrariando o que se esperaria. Reconhecemos que o hip-hop está em evolução mas não devemos esquecer quem o fez crescer. Esta dupla de artistas já contribuiu tanto para o hip-hop que não deve ser desvalorizada pois a sua música é intemporal.

E assim acabou mais uma noite de música que, não sabendo a pouco, deixa água na boca para o que o futuro vai trazer a quem aprecia boa música.
Artigo escrito por: André Batista
Fotografias por: Deck97

 

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