Hip Hop Rádio

Festival Académico de Lisboa

A Cidade Universitária recebeu o Festival Académico de Lisboa nas duas últimas noites do mês, e brindou os universitários (e não só) presentes com bom hip-hop. No primeiro dia, depois de Alpha Heroes, Piruka teve de intervir e levou o público ao rubro durante 1 hora e meia. A energia era contagiante em músicas como “Sirenes”, “Não Se Passa Nada” ou “Ca Bu Fla Ma Nau” que infelizmente não contou com a presença de Mota Jr. Já a meio do concerto, Piruka apresenta o seu novo single que vai sair oficialmente nos finais de Outubro. No final do concerto Piruka cantou a meias com o público o tema “Música” e “Se Eu Não Acordar Amanhã”.

Continuando no primeiro dia, o próximo a atuar foi Virgul, que chamou ao palco Supa Squad para cantar “The One”,aparecendo logo de seguida Putzgrilla, para meterem a Cidade Universitária a cantar “Squeeze Me”. Depois disso, o ex-membro de Da Weasel não desiludiu os fãs do grupo que acabou no final de 2010, reservando um bocado do seu concerto para relembrar alguns dos êxitos mais antigos, como “Força”, “Re-Tratamento” e “Dialetos da Ternura”. O público já estava aquecido para Putzgrilla fecharem a primeira noite do festival.

Para a segunda noite tinha sido reservado mais hip-hop e, depois de Trevo fazerem as honras da casa, foi a vez de todos olharem para Wet Bed Gang. O grupo de Vialonga levou ao recinto uma quantidade ingente de fãs, tendo mesmo sido impossível entrarem todos a tempo do espetáculo, devido à longa fila de entrada para o recinto. Um desses fãs confessou-nos que mesmo chegando 20 minutos antes do concerto de Wet Bed Gang, só entrou no recinto durante a atuação de Dillaz. No entanto, mesmo quem não presenciou o concerto em frente ao palco reconhece que este foi um dos pontos altos do festival: ‘’Ainda que não tenha visto, certamente que o momento alto da noite (não da minha) foi Wet Bed Gang’’.

E desta forma, Kroa, Gson, Zizzy e Zara G provaram mais uma vez que conseguem brilhar em qualquer palco, apesar de ter sido dos concertos mais curtos do festival. Abriram com o single lançado em março deste ano ‘’Todos Olham’’ e continuaram a ‘’abanar a rasta’’ com ‘’Essa Life é Good’’, a festa estava bem lançada e Zizzy decidiu acalmar os ânimos com uma ‘’música para todas as princesas presentes’’. Saíram todos do palco e Gson começou a cantar a solo “Já Passa’’ partilhando depois o palco com Zizzy, num momento mais emotivo, diferente daquilo a que o grupo nos tem habituado. Após uma ovação (merecida) do público entram de novo em palco Zara G e Kroa, e começa a tocar ‘’50/50’’, o single de Zara G e Giovanni, que mais uma vez só contou com a presença do membro de Wet Bed Gang. ‘’Kill ‘Em All’’ foi só o que se ouviu a seguir, seguido pelo ‘’Não Sinto’’ e depois do grupo cantar ‘’Não Tens Visto’’, que contou mais uma vez com um moche intenso do público, toda a gente do recinto acompanhou ‘’Aleluia’’.

No final do concerto, Gson fez um pequeno discurso onde referiu que o sucesso do seu grupo, e a ascensão do hip hop nacional, depende em boa parte do contributo que MC’s como Dillaz e Regula deram a esta causa, contando que Regula estava no backstage pronto para atuar, dando assim o mote ao concerto de Dillaz, que começou a festa com ‘’Pula Ou Levas Bléu’’, como ninguém quis ‘’levar bléu’’ todos saltavam na plateia e foi assim que continuou durante os próximos temas, desde ‘’Paga P’ra Ver’’ até ‘’Caminho Errado’’, passando por ‘’Protagonista’’, ‘’Pedras No Meu Sapato’’, ‘’Reflexo’’, e ‘’ Eu Estou Bem’’. E nesta altura a audiência já estava à espera da participação de Regula, que aparece logo a seguir a ‘’Agarra Q’é Ladrão’’ para cantar ‘’Wake N Bake’’. A partir deste momento o público já estava a cantar com Dillaz as músicas na íntegra, e até ao fim ouviu-se ‘’ Não Sejas Agressiva’’, ‘‘Falas de Má Língua’’, ‘’Arena’’ e ‘’Mo Boy’’, antes de acabar com ‘’Saudade’’, que é o que Dillaz deixou a todos com certeza, após mais um grande concerto.

O último nome da noite de dia 30 e do festival era DJ Ride, metade dos Beatbombers, que deu um excelente espetáculo como de costume. No entanto, o Festival Académico de Lisboa preparou uma surpresa para a última noite e Alpha Heroes fecharam o festival, depois de terem sido os primeiros a atuar na noite anterior, demonstrando aqui, a organização, que também se faz a festa com talentos emergentes.

Fora dos concertos, o público destacou de forma positiva o ambiente vivido dentro do festival, e valorização que as bancas de diversas faculdades tiveram para a animação do público. Referindo apenas que a festa deveria durar mais tempo.

Este ano o hip-hop tem estado em peso nas festas académicas, e se continuarem todas com esta qualidade nós não nos importamos nada. Ficaremos à espera de mais.

Escrito por: André Batista
Fotografias por: Carolina Costa e Daniel Pereira

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