Hip Hop Rádio

Rap Notícias celebra sétimo aniversário em festa

O sétimo aniversário da plataforma digital Rap Notícias tomou lugar nos estúdios do TimeOut e tinha hora marcada de arranque para as 22:00. Com um cartaz bem representado – como já nos tem habituado – e um line up diferente do habitual, não se podia pedir melhor | Por Rodrigo Santos

O espaço foi ficando cada vez mais composto até subirem ao palco Sir Scratch, João Moura e Sam the Kid, para levarem a cabo uma emissão do seu podcast “Três Pancadas”, num contexto bastante diferente daquele que o público está habituado: foi uma iniciativa arriscada pelas repercussões que os espetadores, ansiosos pelo espetáculo musical, poderiam sentir ao assistir a tudo menos a um concerto. No entanto, o conceito “pegou” e, de facto, existiu espaço para intervenção do público e para debates construtivos sobre temas mais sérios, relacionados com o hip-hop, mas também houve espaço para assuntos mais descontraídos – como a história de como STK conseguiu assistir a um dos concertos mais marcantes da sua vida (U2, no Estádio de Alvalade).

Podcast Três Pancadas, pela primeira ao vivo. Fotografia de Rodrigo Santos

Prosseguida a conversa, era agora tempo de passar à música e quem abriu as hostilidades foi Dj Perez, contando exclusivamente com temas de hip-hop nacional: o suficiente para começar a criar um clima festivo entre o público que se ia aproximando cada vez mais do palco com vista a estar mais próximo do primeiro MC da noite, Estraca, que pisou o palco do TimeOut pela meia-noite. O concerto começou bastante agitado, com uma energia contagiante trazida pelo rapper do Lumiar, que em uma
hora teve tempo para passar pelo seu reportório mais conhecido e fazer ecoar entre o público as letras dos seus temas. Contou com Pajo, que atuou ao lado do MC, completando o entusiasmo e dinamismo vivido em palco. A atuação serviu ainda para demonstrar a boa relação de Estraca com os seus fãs: ao longo das músicas existiam sempre bastantes trocas de cumprimentos e “propz” de parte a parte – estava montado o clima ideal. A audiência estava agora mais atenta e mais quente depois de terem vibrado ao som de Estraca e preparava-se a entrada de Keso e Virtus em palco. E o mesmo aconteceu já de madrugada.

Os dois artistas alternaram entre as suas músicas, dividindo quase por metade os temas cantados pelos dois. Virtus foi o primeiro a trazer o norte à capital, interpretando letras sentidas com uma musicalidade interessante. Apesar de ser o MC que à partida detinha o menor protagonismo, até por não ter um grande destaque num cenário atual, foi uma agradável surpresa, boa interação com o público, uma energia muito própria, deixando até aqueles que desconheciam com uma impressão muito favorável ao mesmo. Com Keso, o nível era mais exigente, já familiarizado com a casa, e perspetivava-se uma atuação ao nível daquilo que já lhe é habitual e assim foi, com um estilo bastante próprio e algo obscuro (“baixa lá as luzes pah”), fez o público prestar atenção a temas bastante delicados que não eram de todo desconhecidos. “Gente e pedra” e “Underground” foram apenas duas das faixas mais sentidas pela sua popularidade, que o rapper fez questão de modificar com o arranjo do som, pedindo ao Dj
que parasse o beat e prosseguiu à capela, mostrando os seus dotes vocais em perfeita sinfonia com as letras.

Antes do nome mais esperado da noite houve uma entrada de última hora, Ary Rafeiro, com uma passagem curta pelo palco, mas com uma boa impressão, trouxe mais andamento a quem assistia, com temas festivos e uma boa dinâmica de palco: o público cooperou bem na apresentação do seu novo single, “O Último dos Reais”. Nota para a mensagem final que deixou, apelando ao respeito pela diversidade de género, raça e religião,
ensaiando votos de uma cooperação entre todos, de modo a formar um mundo mais desprovido de ódio e desrespeito: uma mensagem importante tendo em conta o cenário de tensão vivido em Portugal nos últimos tempos.

Pouco antes das três da manhã, o nome mais aguardado entrava em ação: Phoenix Rdc, acompanhando do seu “gang”, marcava com impacto o primeiro tema trazido a concerto, um autêntico espetáculo visual que agradava quem estava a assistir, vestido de colete anti-balas e acompanhado por danças várias trazidas por quem se encontrava na sua back. Sentia-se entre o público um verdadeiro sentimento de admiração e isso talvez tenha sido provocado pelo novo álbum lançado pelo MCde Vialonga: “Melhor Álbum de Hip-Hop Português”. De facto, as faixas do novo álbum entraram bem no alinhamento e isso era visível através das expressões de quem assistia, que acompanhavam o rapper com exímia distinção na interpretação das letras. Phoenix passou também pelos seus temas mais antigos e até convidou quem não soubesse o refrão do tema “12:00” a sair do recinto- “quem não souber este refrão pode
bazar”. Nota positiva para o último MC da noite, que deixou o público a falar e com sede de mais atuações do rapper. Nota menos positiva para o hypeman, com intervenções forçadas e às vezes pouco pertinentes. No geral uma fantástica atuação.

O sétimo aniversário da Rap Notícias foi fechado pelo Dj Kwan que atribuiu o final ideal para a festa que já se prolongava para lá das quatro da manhã, com temas de hip-hop familiares e inclusive dos intervenientes no evento, despertando no público os últimos passos de dança antes das portas fecharem.

O evento dava-se assim por terminado: uma noite bastante bem passada, com uma organização a roçar o impecável e com atuações bastante bem conseguidas. No geral, foi uma boa escolha de intervenientes que, em conjunto, enriqueceram mais uma celebração promovida por umas das mais antigas plataformas de divulgação deste movimento.

Foto-galeria de Rodrigo Santos aqui.

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