Hip Hop Rádio

Os caloiros só querem ouvir Hip-Hop | RAC 2018

 

Texto e fotos: Diogo Ventura


 

Depois de três edições seguidas no passeio marítimo de Algés, a Recepção ao Caloiro (RAC) mudou-se, pela primeira vez, para o Campus do IPL, em Benfica. Um sítio mais central que levou a 3 enchentes durante o decorrer da 6ª edição da festa académica.

 

Nesta edição houve músicas para todos os gostos e feitios, mas foi o Hip-Hop nacional que teve uma maior presença no cartaz. Desde a “velha guarda” à “nova escola” ninguém ficou de fora e quem marcou presença nos 3 dias ficou a saber (se não soubesse já) que o Hip-Hop português tem as suas raízes bem cultivadas.

 

No primeiro dia contámos com a presença da dupla Sam the Kid e Mundo Segundo. Estes dois nomes dispensam apresentações. Os seus projetos a solo falam por si só e esta recente junção só veio mostrar que, apesar da idade, os rappers estão cá para o que der e vier. O público vibrou com músicas como “Tu Não Sabes” ou “Brasa”, mas também relembraram com grande euforia singles de Sam The Kid como “Retrospectiva de um Amor Profundo” e “Sofia”.

 

 

No geral foi um concerto muito sólido, típico de alguém que já tem muitos anos de estrada. Contou ainda com a presença, já habitual, de Maze, rapper de um dos grupos mais antigos do Hip-Hop luso, Dealema.

 

 

Para fechar o dia de abertura, o último artista a pisar o palco foi Phoenix RDC. O rapper de Vialonga, hábil contador de histórias, presenciou o público da RAC com um grande concerto, encerrando o primeiro dia da melhor maneira.

 

 

Na noite quente de sexta feira o espírito académico pairava no recinto da RAC. Foi nesse dia que houve a maior afluência. Algo normal, tendo em conta que no cartaz constavam nome como o de Bispo e o de Papillon.

 

O primeiro a atuar foi Bispo que, como em 2017, repetiu a presença nesta RAC. O rapper de Mem Martins brindou toda a gente com a sua forte personalidade, interagindo bastante ao longo do concerto.

 

Durante uma hora e meia ecoou no campus do IPL as letras de Bispo, muitas vezes cantadas apenas pelo público. Mas não ficámos por aqui: a primeira aparição surpresa foi a de Vado Más Ki Ás, que atuou ao som de “Fica Atento”.

 

 

E já no final, para finalizar o concerto, apareceu Deezy para presentear o público com a tão esperada “NÓS2” .

 

 

Após este concerto estavam todos pronto para o concerto de Papillon, que viria a apresentar o seu último álbum, Deepak Looper. O rapper do grupo GROGNation trouxe até Benfica as suas dicas afiadas, os instrumentais que ficam no ouvido, e, acima de tudo, a mensagem que ficou bem presente na mente de todos.  

 

 

No entanto, houve espaço para tocar músicas que não fazem parte do álbum e para isso contou com a presença de NastyFactor e Harold, ambos do mesmo grupo que Papillon. “Voodoo” e “Chama-me Nomes” foram as músicas escolhidas para relembrar que a GROG é um projeto formado por grandes nomes nacionais.

 

 

No final ficou um enorme agradecimento por parte de Papillon, deixando umas últimas palavras de motivação ao público: “Eu sou a prova viva de que podem realizar os vossos sonhos”.

 

No terceiro e último dia foi a vez de Plutónio regressar aos palcos lisboetas e à Recepção ao Caloiro (repetindo a presença de 2016). O rapper do Bairro da Cruz Vermelha brindou o público com os seus versos agressivos em músicas como “3AM” e demonstrou, mais uma vez, que tem uma larga musicalidade. O membro da Bridgetown deixa, a cada concerto que passa, claro que quer deixar a sua marca no panorama do Hip-Hop.

 

E é assim que se vê que o Hip-Hop está a ser cada vez mais ouvido por todas as pessoas. Três dias de RAC e nunca faltou rap tuga, que seja sempre assim.

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