Hip Hop Rádio

Queima das Fitas em Brasa, acabou por deixar Saudade

Mundo Segundo e STK chegaram com a “comitiva”, Dillaz foi “protagonista” numa noite confusa e os Wet Bed Gang invadiram a zona de imprensa. Pelo meio, o Palco RU( recebeu as OSHUN e os Ermo e o Palco Secundário teve a sua própria noite de hip-hop. A semana académica mais aguardada do país repetiu (novamente) alguns nomes, mas acrescentou ao habitual reportório de artistas as atuações de Kappa Jotta ou Blaya. Por Bruno Fidalgo Sousa e Nuno Mina


Sexta-feira, primeiro dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Durante o soundcheck já se conseguia perceber o que Blaya prometia para a noite: muito r&b, muita energia, muita vontade. O misto de funk e hip-hop de “Faz Gostoso” (tema que faz parte do próximo disco da artista) incendiou (e fechou) a noite. O ritmo dos Buraka Som Sistema também se fez sentir na Praça da Canção, num dos dias com maior lotação do certame. Depois da atuação de Blaya, o descanso.

Sábado, segundo dia da Queima das Fitas de Coimbra. 

Não há hip-hop no Palco Fórum Coimbra, há hip-hop no Palco RU(. As norte-americanas OSHUN sucedeu aos Ermo no alinhamento. “Stuck” ou “Sango” foram algumas das faixas na mala da dupla que deixaram o público cada vez mais na sua vibe.  

Segunda-feira, quarto dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Depois de um sábado apinhado no palco principal para ver Xutos e Pontapés e Linda Martini e de um domingo desgastado pelo tradicional cortejo de carros alegóricos, o regresso, desta vez em força, do hip-hop ao Palco Fórum Coimbra teve hora marcada para a uma da manhã.

 

Kappa Jotta, com DJ Maskarilha nos pratos, foi o principal estreante destes palcos. O MC da Linha de Cascais não precisou de trazer muitos “homies” para contagiar os fãs com a sua energia, mas foi para receber Gaia e Chelas que Coimbra, mais uma vez, entrou em alvoroço. A dupla de MC’s (que esteve em três de quatro edições) fez-se acompanhar de NBC, Bispo, Zachy Man, Maze, Ace e Bezegol num concerto inovador – dentro do que tem sido o seu registo na Queima das Fitas, num “caso isolado” que “se pode repetir”, como referiu Mundo Segundo.

Enquanto isso, na principal tenda eletrónica do certame, era DJ Fifty o responsável pela noite e a repetir a participação nas festas académicas coimbrãs (esteve presente na Festa das Latas do passado outubro), uma lufada de ar fresco no circuito (quase) exclusivo de EDM da Queima das Fitas.

 

 

Terça-feira, quinto dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Dillaz e Calema dividiam o cartaz. Contudo, foi o MC da Madorna que se destacou como principal atuação da noite, eclipsando a banda que o sucedia em palco. Antecipava-se “Saudade” durante o soundcheck, e foi com “Saudade” que o rapper se despediu dos fãs. Com Vulto e Zeca no apoio e Spliff a dar forma ao som, Dillaz (presente na, agora, antepenúltima edição) não divergiu do reportório que costuma levar consigo: entre “Falas de Má Língua” e “Bocas Falam Tudo”, não houve tempo para conversar com o Chapz em conferência de imprensa.

Quarta-feira, sexto dia da Queima das Fitas de Coimbra.

Para aqueles que nem sequer imaginavam hip-hop fora do palco principal, fica aqui provado que o rap da zona centro ainda está vivo – e com espaço para crescer. Nina, Menfis e Mate, MC Ruze, Jackpot BCV e Ésse Print (acompanhado de Tribal99) fizeram o alinhamento numa noite com pouca adesão mas muito hip-hop.

Quinta-feira, sétimo dia da Queima das Fitas de Coimbra. 

Noite de Wet Bed Gang e Richie Campbell, velhos conhecidos dos estudantes. O coletivo de Vialonga apresentou-se com banda – uma novidade e certeza para os próximos concertos – e entre IV Filhos do Rossi foram a melhor atuação da noite (Richie Campbell e a sua Bridgetown limitaram-se a renovar reportório naquele que foi o terceiro concerto em três anos consecutivos de festival).

Hip-Hop consolida o seu espaço

Em conferência de imprensa, Sam The Kid refere a mais-valia na novo programação de festivais académicos, onde não se inclui “apenas um dia de hip-hop, um grupo, um artista”. A aposta no hip-hop tem-se notado cada vez mais na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra, um investimento que abrange também as tendas eletrónicas e o Palco Secundário. No Palco RU(, que se apresenta, ano após ano, com um cartaz independente e progressista, essa aposta já era consolidada (Allen Halloween, Keso, Conjunto Corona ou Deau foram alguns dos nomes que lá deixaram a sua marca em anos anteriores).

Sem descurar as limitações e dificuldades típicas da Queima das Fitas, o balanço – em termos de hip-hop – é positivo. “É sempre especial vir tocar à Queima de Coimbra”, afirmou Mundo Segundo. Já STK foi mais longe: “já existe uma tradição tão forte [em Coimbra] e a energia que eu sinto é a mesma [de há quatro anos para cá]”.

A cultura Hip-Hop consolida, assim, o seu espaço na Queima das Fitas. Mas não só. Em todas as semanas académicas, cada vez mais, são os rappers e djs quem traz mais público aos recintos. E a equipa da Hip Hop Rádio, como não podia deixar de ser, vai estar presente em todo lado para cobrir essas atuações.

 

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