Hip Hop Rádio

Queima das fitas ’21: O Retorno

Sexta-feira acabou com a primeira Queima das Fitas, em dois anos, e parece que com o fim do festival académico terminou também o bom tempo. Um último dia de Queima, onde São Pedro não foi nada amigo dos estudantes, mas em que Baco esteve ao lado dos boémios e a festa fez-se à chuva, ao vento e ao relento.

Quando as portas do recinto abriram pela primeira vez, já se ouvia hip-hop nas filas que chegavam até à ponte de Santa Clara. Rony Fuego e Wet Bed Gang foram os primeiros a estrear o palco pós-confinamento. O protagonismo da noite vai para a energia do grupo de Vialonga que deixaram o público de mão no coração a cantar o hino de Portugal. “Nós sentimos que, como artistas do povo, mais que a questão pandémica é que nós sentimos que tínhamos que devolver ao povo (…) Em relação a hoje, foi uma noite histórica, enquanto irmãos, estamos na estrada há relativamente pouco tempo, desde 2017, e depois isto parou na altura em que o nosso comboio estava na melhor fase. Foi uma altura muito complicada mas que superámos muito bem e esta noite deu para lavar as nossas almas e estamos muito contentes e à espera do próximo jogo.”, partilharam os Wet Bed Gang com a Hip Hop Rádio após a atuação.

No segundo dia da Queima das Fitas, a nave pousou sobre o Parque da Cidade e Lon3r Johny trazia todos os lugares preenchidos. O artista presenteou o público com convidados como Profjam, Lhast e Cripta, e do nada, todas as expectativas tornaram-se realidade. O concerto deu-nos tudo desde bom som a bons visuais e uma vibe aliciante que fez o público entoar até ao fecho das portas do recinto. O artista ainda nos adiantou que há um álbum a caminho e já começamos a magicar onde é que a nave nos vai levar.

Após dois dias repletos de boa música, domingo e segunda feira foram dias dedicados às tradições académicas confinadas durante dois anos. Mas, ao quarto dia, fez-se Chá de Camomila e recebemos Toy Toy T-Rex bem relaxados e de braços abertos. Tivemos a oportunidade de observar todas as influências do artista em palco, o mix de toda a cultura que inspirou cada nota de som do seu projeto musical. O artista já tinha sido convidado à cidade na semana em que se regeu o primeiro confinamento, após adios e cancelamentos, T-Rex chega a Coimbra e manifesta um misto de emoções pelo calor na sua receção por parte do público. No mesmo dia, a dose de hip-hop volta a ser dupla no palco principal do recinto, e Plutónio traz do Bairro da Cruz Vermelha até aos estudantes, começando com uma clara sátira a todas as notícias precedentes ao concerto. O artista entrou em palco de uniforme típico de prisioneiro, algemado e acompanhado por dois oficiais da polícia. Não foi só a entrada que marcou o concerto, mas sim um repertório muito bem conhecido pelo público e ainda com direito a convidados como Richie Campbell.

No quinto dia, o palco principal pareceu sofrer alguns contratempos, Nenny e Julinho KSD sendo os alvos de falhas técnicas e má propagação de som. Os artistas viram-se obrigados a trocar o microfone a meio da performance e mesmo assim, quem estava para lá da frontline sabia-lhe a pouco o que ouvia, mas quem sabia a letra juntou-se à festa e correu-se contra o contratempo. Já no palco secundário, contámos com a companhia de vários Dj’s sets de Stiff, TrillSeco e Nedved juntamente com alguns artistas da Andamento Records; a estrela, contudo, brilhou quando Xtinto sobe ao palco com a participação especial de Dez no tema “Sangue Novo”. Se a voz em algum tempo falhou, havia quem soubesse a melodia, a letra, os acordes, os beats.

Para a Hip Hop Rádio o último dia foi na quinta feira com a participação de artistas como Waze durante a atuação dos Karetus; Madman e Mitcha no palco secundário deram a conhecer um pouco de Ponte da Barca aos estudantes, e Sacik Brow trouxe-nos uma vibe mais old school junto com R&B: nada melhor para uma balada da despedida. Não fiquem tristes, a chuva trouxe algo bom. Em Maio, voltamos.