Hip Hop Rádio

“Prétu” é a nova cara de Chullage

Rapper da Margem Sul está de volta ao lançamento de singles, mas desta vez com um novo projeto e sob o nome de Prétu.

Depois de participar em “Classe Crua” e “Bairro da Ponte“, Chullage está de volta ao lançamento de singles, mas com outra roupagem. Waters (Pa Nu Poi Koraji) é a primeira música deste novo projeto e conta com a participação de Lowrasta.

Prétu é um projecto onde Chullage “decidiu juntar o seu próprio universo sónico ao universo mais escuro das suas letras” de maneira a “expressar o seu pensamento sobre o colonialismo, o Pan-africanismo e o contexto político de África e da sua diáspora”. Contudo, “não deve ser considerado como um alter-ego, mas sim uma rinkada”. Como se pode ler no seu site, “é uma conversa consigo e com a sua comunidade onde se propõe a matar o preto ou a preta que a prática colonial e racista construiu dentro de nós, para que daí, da reafricanização do espírito, possa nascer uma nova entidade prétu/préta”.

Ao contrário de outros projetos da sua autoria, aqui o rapper “produz a totalidade da sua música, a partir dum universo de samples que sempre tiveram ressonância em si ou que fizeram parte das suas memórias de infância”. Não se regendo somente ao Hip-Hop, terá “influencias do dub, ao batuku, kilapanga, hip hop ou grime”.

Por sua vez, este primeiro tema reflete sobre “a exploração dos corpos negros na nossa sociedade; centra-se na forma como estes ainda são tratados como gado ou mercadoria”. Waters” estuda como a cultura, o desporto, construção, o lazer, a prisão e outras indústrias vivem ainda da continuação da escravatura, e como os corpos negros ainda estão acorrentados a essas indústrias”.

O tema surge ainda em formato visual com a realização de Miguel Almeida, sob o selo da MDA Colors. Contudo, em vez de trabalhar com atores ou modelos, “optou por trabalhar com uma empregada de limpeza, um trabalhador da construção civil, uma padeira, uma operadora de loja, estudantes, atletas e outros que fazem parte do seu circulo pessoal”, pois “essas pessoas invisíveis não aparecem nas narrativas portuguesas de sucesso, mas são exploradas diariamente para manter esta máquina”.

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