Hip Hop Rádio

Praia. Skate. Rap. Haverá melhor forma de começar o verão? (Sumol Summer Fest – Dia 1)

O camping da Ericeira voltou a ser a capital da música urbana. Com um cartaz muito ligado ao Hip-Hop, o fim-de-semana prometia ser wild. Concertos ao pôr do sol e pela noite dentro, campeonatos de skate, streetart e até um jogo da pinata dos tempos atuais… houve de tudo no Sumol Summer Fest. O ponto de partida perfeito está dado: começaram os festivais de verão. Quando chegámos ao recinto já Puro L animava os festivaleiros no palco Quicksilver. Se existem coisas positivas que a globalização e redes sociais trouxeram, certamente uma delas é a facilidade com que é possível divulgar música. É bonito ver como um rapper portuense mete tanta gente de braço no ar na Ericeira. Num festival com tanta boa vibe, melhor início era impossível. Por muito que Daniel cantasse “Fica na tua / Baza da minha”… ninguém bazou e L não conseguia tirar o sorriso da cara. A boa vibe continuou depois com SlimCutz que apresentou um set bastante astuto.

O primeiro concerto no palco Sumol ficou a cargo de Kappa Jotta. Já há muito que o esperávamos com um palco desta envergadura e a sua performance não desiludiu de maneira nenhuma. Com um mini dj set de Maskarilha e “Movs” a abrir o concerto, Kappa Jotta cantou temas que foram muito celebrados como “Pela Cidade”, “Chama” ou “DPDC”. Bad Tchicken teve a sua habitual chamada ao palco para “Tentação”, havendo, no entanto, desta vez outros convidados. Amaro, que faz parte da recente crew de Kappa Jotta “Good Fellas Good Music”, surgiu para cantar o recente “Off set” e ainda presentou todos os presentes com um accapella exímio. O ponto alto do concerto foi o último convidado. Carminho, sim, a filha de Kappa Jotta, foi a palco para cantar “Fala a sério” e apesar da tenra idade já se notam alguns (muitos) traços de MC. “Obrigado por estarem aqui comigo na vossa hora de jantar” disse Kappa Jotta a determinada altura do concerto. Claro, só podia ser assim, saímos todos do concerto com a barriga cheia de boa música.

Era apenas o início, mas ainda faltavam passar muitos nomes pelo palco Sumol.

Seguiram-se os They, primeiro nome internacional a passar por aquele palco. A dupla americana de R&B e Hip-Hop entrou cheio de power e pautou o seu concerto entre esse mood e uma toada mais calma e sentimental. Com Dante Jones e Drew Love é assim, uma autêntica montanha russa musical. Não faltaram hits como “Broken”, “What I Know Now” ou “Pops”. Nem todos conheciam bem o seu trabalho, mas temos a certeza que maior parte desses tem atualmente no seu histórico de pesquisa no google “They”.

Elegemos como momento alto da noite o concerto que se seguiu. Sam The Kid entrou em palco e apresentou Mechelas. Foi só isto, e isto é muito. Houve apenas uma surpresa, uma que vale por muitas outras: mais de quinze convidados que fazem parte da compilação estiveram presentes e cantaram os seus respetivos temas. Cruzfader (que foi o aniversariante da noite) de um lado e Stikup do outro foram os primeiros a entrar em palco. STK entrou depois com Boss AC que foi o primeiro convidado e mostrou o que é ser um verdadeiro histórico do Hip-Hop Tuga. À boleia da “Caravana”, entrámos então num momento que gostaríamos que se prolongasse “eternamente”: era Sir Scratch e Amaura que entravam em palco. Beware Jack mostrou depois que não “engana” e Classe Crua veio mesmo para ficar. Bob Da Rage Sense e Francis Dale vieram de seguida e com eles escalámos “montanhas”. MC Zuka surgiu depois “na fita”, Bispo, claro, também apareceu e foi quase como que a satisfação de uma “necessidade” e Muleca XIII “arrisca”, mas arrisca bem, 3 b-girls acompanharam-na em palco. Nameless veio depois e mostrou o que é ter um flow próprio, próprio de um “narrador”, Karlon Krioulo mostrou que faz mesmo tudo e agora com o palco cheio por culpa dos GrogNation sentimos que ali estávamos a sintonizar o “canal” certo. Continuando a balançar entre a velha e a nova escola, Lancelot apontou a sua “Flecha dos Elfos”, cheia de rap rico, a todos os presentes e Blasph continuou no mesmo espírito e não parou a “ondulação”. Seguiu-se depois Ferry que mostrou o porquê de ser um dos “Reis do Bairro”, entendendo-se por bairro o panorama do rap nacional. De Angola a Portugal, “de experientes a amadores”, surgiu depois Kid MC e Phoenix RDC fechou esta “História”, pelo menos a referente a músicas produzidas por Sam The Kid e cantadas por outros MCs. Estava claro, a faltar algo. O que vale é que a cena saiu mesmo sem pressões e “sendo assim” houve um final perfeito.

Depois de um grande concerto seguiu-se um grande nome do rap internacional que apesar de não ter dado um concerto tão bom como o MC de Chelas, cumpriu. Havendo lançado música nova com Post Malone na tarde daquele dia o público vibrou e muito com o rapper americano, Young Thug, que mesmo estando um tanto ou pouco apático, contagiou. “The London”, “Best Friend” ou “Gang Up” foram alguns dos temas tocados num concerto que foi curto mas pelo que pudemos ver da vibração do público, eficaz.

DJ Overule fechou a noite da melhor forma com um set muito enérgico variando entre a música nacional e internacional. Landu Bi acompanhou-o como MC de serviço e não deixou ninguém indiferente com a sua voz grave.

Foi assim o primeiro dia de Sumol Summer Fest. Queres saber como foi o segundo? Sabe tudo na parte 2 já disponível.

Foto-galeria do primeiro dia, por Beatriz Dias, para ver aqui.

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