Hip Hop Rádio

Os grandes artistas não estão xtintos

Por Daniel Pereira | Fotografia de Alexandra Parente

Já há muito tempo que não via o Musicbox assim. Entrei numa quinta-feira à noite, por volta das 23 horas, e encontrei uma casa já bem composta. Não interessava se o dia seguinte (sexta-feira) era de trabalho, já que foram muitos o que quiseram ver xtinto e que, acredito, acham tal como eu que este é um dos nomes mais promissores na cena do rap nacional.

Eu, confesso, estava à espera de muito público, mas não de uma multidão tão farta e xtinto, a meio do concerto, confessou o mesmo: “Não estava à espera de tanta gente”. É impressionante a base de fãs que o rapper de Ourém já conseguiu gerar. É óbvio que o selo Think Music foi fulcral neste processo, mas, na minha opinião, Francisco Santos vingaria com ou sem o apoio da label. Label essa que fez questão de estar presente no concerto: Mike El Nite, Lon3r Johny e o impulsionador Profjam, a vibrar na primeira fila como se do seu primeiro concerto se tratasse; ou Fínix MG e Benji Price, que subiram a palco, entre outros membros da editora. Quando se ouve por aí dizer que a Think Music é uma família, não é da boca para fora. Basta ouvir os trabalhos mais recentes do rapper e a seguir, ou antes, ouvir por exemplo o EP “Odisseia”, em conjunto com DEZ (que nesta noite também foi convidado a cantar) para perceber que xtinto é mais que um rapper que rima em boombap, trap, ou o que quiserem que ele rime: é um artista com A grande. No conjunto de todo o seu reportório há letras ricas com um pen game de eleição, fast flows, vários tipos de melodias, músicas introspetivas, moshpits. E foi possível ver tudo isto no seu concerto no Musicbox, o primeiro de 2020.

Para mim é ainda indecifrável como xtinto consegue fazer música que não é para toda a gente (aconselho a lerem qualquer uma das suas letras) e mesmo assim chegar a tanta gente. Dá que pensar. Bem… é a Think Music certo?

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