Hip Hop Rádio

O hip-hop é tudo e mais alguma coisa

Hoje comemora-se o dia mundial do hip-hop e podemos notar que o número de rappers em Portugal tem vindo a aumentar ao longo dos anos. No entanto, uma questão que tem vindo a ser muito falada entre os apreciadores de rap é se o hip-hop está a perder o seu valor ou se está simplesmente a evoluir. Primeiro devemos pensar no que é que o hip-hop defende e se existe de facto alguma evolução no âmbito da qualidade das letras das músicas, instrumental destas, na produção ou mesmo no sentimento de quem quer passar a sua mensagem.

O hip-hop é inclusivo

Hoje em dia, a facilidade com que se produz um tema é muito maior comparativamente com há uns anos. Atualmente, apenas com um computador conseguimos fazer uma música, produzir um instrumental. Esta facilidade faz com que cada pessoa possa aspirar a ser rapper. Verificamos que começam a surgir muitos mais artistas, dando-nos a conhecer outros estilos ou, por se dedicarem mais à escrita, mostram uma realidade completamente diferente devido a tudo o que já experienciaram.

O hip-hop é livre

O rap cresceu nas ruas, não se pretende que fale de assuntos básicos que não nos causem qualquer impacto mas sim que continuem a surgir estilos diferentes e também maneiras de pensar diferentes para que possamos sentir o que o artista nos transmite. Resume-se tudo ao sentimento e à vontade de pertencer à cultura, se achas que tens algo de novo a acrescentar ou que podes mudar certas mentalidades com a tua música, porque é que não haverás de o fazer? Se há paixão pela arte que é escrever rimas ou produzir um beat, o artista será sempre fiel à sua música e não vai apenas  “vender” o tema.

O hip-hop é consciente

O rap ensina, leva a uma reflexão maior. Quando o ouvimos pela primeira vez não conseguimos captar toda a mensagem devido aos seus múltiplos sentidos. Deste modo, sempre que voltamos a escutar uma música com atenção percebemos mais um pouco do que o artista nos quer transmitir. Isto torna-se interessante porque os artistas “brincam” muito com a língua e com as palavras de modo a que os temas possam ter várias interpretações. Um exemplo muito simples é quando Sam the Kid escreve: “Sem saber que o sócio ainda gama mais que o Vasco” em “Recado”. Este verso tanto é uma descrição de um rapaz que rouba, como acaba por ser uma referência a Vasco da Gama.

O hip-hop é de todos

Atualmente o cartaz de quase todos os festivais de verão dá lugar a pelo menos um rapper português, sendo um estilo que está em constante crescimento pois também o número de concertos de rap tem vindo a aumentar, não só na capital mas por todo o país. O rap evolui e adapta-se à atual sociedade, incentivando à reflexão sobre diversos assuntos. Ouvir e perceber o rap é uma experiência pessoal pois cada interpretação de uma música é diferente e, por isso, é algo que nos faz pensar e perceber outros pontos de vista e opiniões. Se consegues contribuir para a cultura fazendo o que gostas, fá-lo pela arte e serás reconhecido e apreciado por isso.

Ensaio por: Carolina Costa

1 thought on “O hip-hop é tudo e mais alguma coisa”

  1. O Hip Hop está, certamente, a mudar. Agora, acho que este texto é, de certa maneira, uma boa amostra de como, provavelmente, está a perder parte do seu valor.
    Este seria um bom texto para falarmos de rap… mas insuficiente quando queremos falar de Hip Hop – constituído por muito mais do que o rap!!
    É aqui que me parece que o Hip Hop mais tem perdido – de uma abrangência lata, de um movimento cultural de englobava diversos aspectos artísticos, de expressão e de vivências, “de um edifício colectivo de pedras singulares”, tem-se vindo a afunilar cada vez mais na separação das várias vertentes. Este texto começa por se referir ao Hip Hop, mas remete-se constantemente única e exclusivamente ao rap. HipHoppers não têm que ser rappers e nem todos os rappers são HipHoppers.
    O rap ocupou um lugar de destaque. E isso é bom. O acho ser mau é o olvidar daquilo que fazia do Hip Hop algo muito maior do que um estilo de música, pintura ou dança; aquilo que fazia do Hip Hop um movimento onde alguém se poderia inserir, mesmo sem fazer música, sem pintar ou dançar.
    É neste aspecto onde me parece residir a perda de valor do Hip Hop – no afunilamento, em ver o Hip Hop apenas como uma parte do seu todo.

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