Hip Hop Rádio

O dia em que se fez história

Os 22 anos de carreira do Inspetor Mórbido foram celebrados no mítico Hard Club este sábado, dia 2 de Dezembro.

Foi o regresso de um dos maiores artistas do hip hop tuga a uma das casas mais calorentas do país. E nós, fãs e artistas, estivemos lá como nos bons velhos tempos, juntos como um só, para ver a outra face. O concerto tão esperado pelo público hip-hopiano teve início por volta das 22:30h, e desde o primeiro minuto deu a entender que era um típico concerto de hip-hop: ambiente bombástico, boa relação palco- plateia, ótima demonstração do estilo peculiar com a dita “pinta” tanto dos artistas como do público abrangente, não esquecendo a variedade de sonoridade desde um estilo mais underground, até às batidas mais comerciais que ficam no ouvido.

Iniciou-se assim o concerto com a entrada de Majestic TK com uma atitude agressiva mas humilde. Seguiu-se Grandson, que convidou Inztynto para se juntar no palco e proporcionaram-nos um momento cheio de referências ao hip-hop nacional oldschool. UEEST presentearam-nos com um novo single chamado “Portugal”. Beat the System Crew, foram o grupo pioneiro da noite que nos apresentaram um dos momentos mais energéticos do concerto.

João Henrique foi o próximo e sucedeu-lhe Nexus que nos ofereceram um momento acústico, pouco esperado, acompanhado pelo guitarrista Rui Faria. Depois veio LóJico, um rapper gaiense que demonstrou grande mentalidade e abertura pela lírica dos seus sons, apresentando-nos, em palco, um novo single. Zona Norte marcaram a noite pelo seu acapella afirmando “Hip-hop é alma”, frase sincera que é sentida e partilhada por todos os amantes desta cultura. Salama, Cadi Pirataria, Base Off 547, Full Kalash foram os seguintes artistas a pisar o palco até que a primeira e única figura feminina, Ana Luísa, entra convidada por Equilíbrio e nos deixam relaxados devido à combinação de vozes de ambos. Fugitivo, Riça, Kass, Dj SirCyber, Sentido Único, Baddab, Org13, e Rockitmusic estiveram também presentes para mostrar que o hip-hop de hoje em dia não está morto.

Até que chega o momento mais esperado da noite, a entrada de Fusão. João Henrique, que outrora já tinha estado em palco, homenageou Fusão com a ajuda das luzes do público. Com a presença de DJ Flip, Fuse, o soldado com caneta de aço, preenche o palco com Verdade ou Consequência, e baseia a sua performance numa viagem ao tempo, relembrando temas de Sintoniza e Informação ao Núcleo.
A sua humildade inerente esteve lado a lado com as
vras sábias que abraçam intensamente qualquer um com o seu poder de hipnotizar apenas com o olhar. Proferiu: “este concerto não é só sobre mim” demonstrando assim a sua vontade simples e modesta de deixar um legado no hip-hop, dando oportunidade a não 12 magníficos mas a muitos mais para se exibir ao público Nortenho.

O tempo foi passando e com ele clássicos do artista foram apresentados desde “Prémio Nobel”, tema este associado à oferta de oportunidade do rapper para com os outros, até “bons velhos tempos” que fez jus à sua lírica: “É o regresso ao passado“ pois muitos temas foram buscados ao baú e “o presente é futuro” visto que o protagonista da noite disponibilizou aos artistas que outrora o admiravam um momento para se afirmarem e lançarem no mundo da música.

Como em qualquer aniversário, os parabéns têm de ser cantados, e neste não seria exceção!
O rapper foi interrompido e surpreendido pela mulher e em seguida pela fil
bolo de aniversário e em questão de segundos todo o ambiente agressivo do hip-hop tornou-se num momento amoroso, demonstrando que os 22 anos de carreira do artista também foram transbordados de carinho.

Mas Fuse não foi o único a ser surpreendido! Logo de seguida entra em palco um artista que não estava no cartaz, Relax, um rapaz nortenho, simples mas cheio de qualidades e talento. Seguiram-se dois rappers barcelenses, primeiro Mace e depois Delay, que apesar de não serem da cidade Invicta, demonstraram muita satisfação por poderem atuar na capital do Hip-Hop.

Posteriormente foi a vez de Omega Krew, Inztynto (novamente), Contrabando 88, Briga, Estúdio 101, Sujeito, entre outros, de ocuparem o palco, um de cada vez, com o tempo necessário para apresentarem parte do trabalho que têm vindo a construir.
Outro dos enigmas da noite foi mesmo o Enigma, que apesar de não esta
, abriu palco para a segunda atuação de Fuse. A sua entrada era muito esperada: gritavam aqueles que ainda tinham voz, via-se um sorriso rasgado e um brilho no olhar de todos os fãs que se perdurou até ao fim do concerto.
Já se passavam muitas horas de concerto: o público estava cansado, as pernas tremiam, a gar
nhava, mas nada valia mais a pena do que estar naquele momento lindo, inclassificável.

Como de costume, Fuse não desiludiu, e nesta última parte do concerto mostrou-nos a “Alvorada da Alma”, a sua “Caixa de Pandora” e alguns clássicos dealemáticos.

Fuse é um homem de palavra, e como já tinha prometido, presenciou dois sortudos da primeira fila com um casaco do seu grupo DLM e uma sweater do Ser Humano.
“Provavelmente a minha vida não rima com a tua.“ e provavelmente não rima com a de muitos,
m a de todos presentes naquela noite. Ainda rima. As pessoas simpatizam com este simples homem pelo facto de ser ele mesmo, por ser puro, por ser bondoso, por ser altruísta, por não perder a sua essência e por nos ter deixado a todos participar nos seus 22 anos de carreira.
É quando não se procura a felicidade que a se encontra. Ela é tão simples, é tão o dia 2 de dezembro de 2
oite será eternamente inesquecível. O Hip-Hop nacional precisa de mais iniciativas assim, que não se centram em si, mas no futuro desta cultura e na aposta dos novos talentos.

Esperemos que nos voltemos a encontrar todos, daqui a 22 anos, no mesmo sítio para demonstrar que esta paixão que fulmina permanece viva, fusível, e inquebrável.

Texto: Rita Carvalho

Vídeo: Vítor Fonseca

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