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Navy Blue ao vivo na Galeria Zé dos Bois: estreia memorável em terras lusas

Galeria Zé Dos Bois recebeu, no passado sábado, o norte-americano Sageel Sesser aka Navy Blue. Concerto marcou a estreia do rapper em Portugal, numa noite claramente para mais tarde se recordar.

Foto: Keveni Stphane

A vontade de ver o artista era enorme e, na semana do espetáculo, já a organização tinha anunciado que os bilhetes estavam esgotados. À hora marcada (22h), já era muito difícil encontrar um lugar, não estivesse a casa cheia. Nessa altura, estava Demahjiae em cima do palco para abrir aquela noite que parecia prometer.

Cerca de trinta minutos depois, as atenções viraram-se para o nome mais aguardado, que foi logo recebido de forma energética. O espetáculo foi marcado por vários pormenores que era impossível passarem despercebidos: Navy Blue trazia ao peito as cores portuguesas, vestindo uma camisola da seleção devidamente identificada com o seu nome artístico e o número 10 no verso. Apesar de estar lotado, o espetáculo começou de forma particular, com uma “one-minute meditation”, como referiu o próprio – um momento em que reinou apenas o silêncio, no meio de todo aquele calor humano típico de uma sala cheia.

Foto: Keveni Stphane

Foto: Keveni Stphane

Foto: Keveni Stphane

O artista mostrou-se sempre muito carismático e muito competente. Sendo o seu concerto de estreia em Portugal, Navy Blue aproveitou para revisitar algumas faixas do seu álbum anterior. “Memory Lane”, “Alignment” e “1491” foram alguns dos temas que ecoaram este sábado na Galeria Zé dos Bois, todos eles incluídos em “Song of Sage: Post Panic!”, disco de 2020.

O norte-americano demonstrou também alguns dos temas do seu trabalho mais recente, nomeadamente “My Whole Life”. Curiosamente, antes de tocar este tema, o rapper referiu: “I really don’t like performing this next one I don’t know why, but I think people like this one” – e o público do Zé dos Bois não foi exceção, reagindo logo com assobios e a cantar em coro assim que soou o mítico sample “I spend my love time loving you”. Além disso, “Ritual” também foi tocada pouco tempo depois, levando igualmente o público à loucura logo que começou a tocar o instrumental. Mais perto da reta final, Demahjiae juntou-se também ao protagonista da noite e os dois interpretaram “Petty Cash”, faixa integrada no álbum “Navy’s Reprise” e que é uma colaboração entre ambos.

Foto: Keveni Stphane

Foto: Keveni Stphane

É difícil considerar em que música se destacou mais ou em que atuação o público vibrou mais, uma vez que o artista foi sempre muito consistente a nível de qualidade, bem como os fãs mantinham quase sempre o mesmo registo: as palmas e assobios estavam presentes em quase todas as faixas. O à-vontade que se via ali de ambas as partes não parecia mesmo de uma estreia num país – enquanto Navy Blue emanava a sua simpatia, juntamente com algumas piadas pelo meio, o público, sobretudo depois de algumas músicas, já fazia questão de pedir ao artista que cantasse algo em específico.

Foto: Keveni Stphane

Os holofotes deixaram de estar virados para Navy Blue, mas curiosamente o espetáculo não se ficou por ali: as atenções viraram-se naquela altura para a mesa de mistura onde estava Ahwlee e faziam-se ouvir várias faixas enquanto os três artistas continuavam em palco. Desta vez, o ambiente estava mais descontraído e algum público começava a abandonar o espaço, numa altura em que faltavam menos de quinze minutos para a meia-noite.

Foto: Keveni Stphane

Terminada a noite, o espetáculo ficará certamente na memória de quem lá esteve. Navy Blue mostrou bem o porquê de ter esgotado a Galeria Zé dos Bois e fez valer bem a sua estreia em Portugal.

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