Hip Hop Rádio

MEO SUDOESTE 2019: Quando o dia do Hip-Hop são todos

Verão. Alentejo. Música. Festa. Há 22 anos que o início de agosto é caracterizado por estas quatro palavras. Neste ano o MEO Sudoeste voltou a trazer milhares de festivaleiros à Zambujeira do Mar e o Hip-Hop como música predominante. | Por Daniel Pereira | Fotografia de Alicia Gomes

Ainda há bem pouco tempo a presença de nomes Hip-Hop nos cartazes de verão eram uma novidade. De seguida veio a dedicação de um dia (praticamente) inteiro ao genéro. Tudo isto aconteceu num espaço de sensivelmente sete anos. A vida evolui rápido e hoje estas duas situações não são já novidade. O paradigma mudou e estranho é não haver um único dia sem um artista Hip-Hop. O MEO Sudoeste sempre foi um dos melhores (senão o melhor) festival a escolher os nomes que os jovens querem realmente ouvir. Atualmente os jovens querem ouvir música urbana e o Hip-Hop é sem sombra de dúvidas a bandeira principal.

O campismo do MEO Sudoeste abriu portas no dia 3 para quatro dias de aquecimento no Palco Superbock até chegar à abertura do recinto que chegou no dia 7. A primeira artista a atuar foi mesmo Mynda Guevara, rapper da Cova Da Moura que tem um potencial tremendo. Do Palco Santa passámos para o palco LG onde Macaia faria a sua atuação que não deixou ninguém diferente, ora não tivesse ele uma voz de ouro. Papillon foi chamado a palco e ambos cantaram a faixa em colaboração “Areia Vermelha”. Já com dois bons concertos vistos o destaque vai para Pedro Mafama que atuou por volta das 23:20. Um novo artista que é já um nome singular na música portuguesa muito principalmente pelas letras cheias de trocadilhos e pelos beats que muitas vezes remetem à música Portuguesa. Uma lufada de ar fresco que precisávamos e não sabíamos. Sobre o concerto não há muito a dizer a não ser que tirou o espírito dançante de cada um que assistiu. Arriscamo-nos a dizer até que depois da performance de “Lacrau” muitos, que ainda não o conheciam, deixaram de se preocupar com a sempre escassa bateria durante o Sudoeste e foram ao google pesquisar “Pedro Mafama”.

O Segundo dia começou no Palco Santa Casa com Ary Rafeiro que meteu todos a dançar com o seu Rap misturado com Funk. O rapper apresentou ainda música nova para todos os presentes num concerto que contou ainda com MC Zuka para o tema “Bem-vinda à Favela”. Já com o corpo aquecido, os festivaleiros viraram atenções para o Palco LG onde iria atuar Spliff. Um concerto potente mas instrospetivo que comprovou que o DJ não é “apenas” DJ e dá também muitas cartas como MC. A determinada altura do concerto Spliff emocionou-se e emocionou quando contou à plateia o porquê de os seus rapazes não estarem lá naquele dia. “Não puderam vir porque hoje há mais um estrela no céu”. Pouco depois veio “Pra onde vou”, um dos momentos mais bonitos da tarde que foi cantado por todos. Em plena correria, voltámos ao Palco Santa Casa para ver Uzzy, rapper algarvio que deu um concerto extremamente enérgico. “Esta é a principal pessoa a quem tenho de agradecer por estar aqui hoje”. Uzzy estava a falar de Domi que também foi a palco. O algarve está mesmo vivo. Eram cerca das 20h e mais alguns minutos e muitos já esperavam por X-Tense o próximo dono do Palco LG. Hype Mike, Breakout, Dave Wolf, Kara e claro, Pablo, estiveram em palco para cantar os temas de Rosa Dragão e os novas músicas “latinas” num concerto que teve a mesma dose de qualidade em termos musicais como humorísticos. X-Tense é um autêntica fenómeno de 2019 e a enorme quantidade de plateia assim como a disposição para cantarem com o rapper comprovam-no. Chamadas inesperadas, um refrão que trocou “Narcos” por “Carlos”, “Áudi TT” como encore e até um atuação de Pedro Durão, houve de tudo neste que foi o melhor concerto até então do MEO Sudoeste. Jimmy P foi o nome Hip-Hop a estrear o palco MEO. Acompanhado como sempre de Jêpê, Jimmy mostrou que não apenas os grandes nomes internacionais merecem passar nestes grandes palcos, o rap tuga também o pode fazer, há mais que público para ele. Por falar em nomes grandes, seguiu-se 6Lack. O artista americano atuou depois de Mike Lyte que mostrou mais uma vez não é um mero youtuber que quer ser rapper, mas sim um rapper em todo o sentido da palavra. Voltando a 6Lack, este teve uma performance cheia de qualidade: cantou, rimou e assim cativou o público pois deu-lhe o que este esperava. Sem encore a última música do concerto foi conhecidíssima “Prblms”. Voltámos depois para o Palco Santa Casa onde Phoenix RDC deu um concerto para uma autêntica enchente. Não é novidade nenhuma que o rapper da Vialonga tem uma fiel legião de fãs mas até este estava estupefacto. “Custou a conquistar-vos mas valeu a pena, vocês foram a dama mais difícil de conquistar.” Phoenix RDC igual a si próprio num concerto enorme que ainda trouxe a palco Jimmy P para uma homenagem: “Este homem é Hip-Hop, quem diz o contrário não percebe nada disto.” Recado dado.

Post Malone foi o principal cabeça de cartaz da edição deste ano do MEO Sudoeste e demonstrou-o em pleno palco MEO. Sozinho, chegou para meter todos a cantar durante todo o concerto. Hits atrás de Hits, desde os mais animados até um “Stay” cantado apenas à guitarra. “Congratulations” foi o aguardado encore. Um artista completo que tem ainda muito para dar, tenha ele cabeça para isso. A par de X-Tense foi sem sombra de dúvidas o melhor concerto deste segundo dia.

O terceiro dia começou cedo com Guetto Roots e Baby Dog no Palco Santa Casa e Chong Kwong ia atuar no palco LG por volta das 20h e pouco. A rapper apresentou-se em palco com DJ Maskarilha nos pratos, com Pablo nas backs e com dois bailarinos. Um concerto que foi um autêntico hino à cultura Hip-Hop com vários sons de outros artistas mas também, claro, “Chong Kwong, a faixa em nome próprio e “Não te convidei”. A artista aproveitou também para informar que o seu primeiro álbum está para breve. Neste palco pudemos ainda ver Loner Johny e Sippinpurpp que demonstram o peso enorme que a Think Music tem atualmente no panorama do Hip-Hop português. Mesmo com concertos sobrepostos no palco MEO, muitos foram os festivaleiros que “guardaram front” para ambos os concertos. Em relação às performances… há quem adore, há quem odeie e não há muito mais que se possa dizer que ambas as posições são válidas. Nota ainda para a passagem de Xtinto no concerto de Loner Johny para cantar o seu tema “Quentin Miller”. No Palco MEO houve Wet Bed Gang, o indubitável maior fenómeno do Hip-Hop português num concerto muito barulhento (no bom sentido) que nos fez sentir num autência concerto de Metal por vezes. Nenny também por lá passou para o seu tema de estreia “Sushi” deixando todos ao Rubro. “Bairro”, “Devia ir” ou “Chaminé” foram apenas alguns dos muitos Hits da banda que se puderam ouvir. No que toca ao Hip-Hop o palco MEO fechou com Russ. Tal como Post Malone este apresentou-se sozinho em palco e deu um concerto que meteu todos a rimar. Com uma voz completamente no ponto ao vivo temas como “Flute Song”, “Ride Slow” e “What They Want” deixaram todos em apoteose. É com extrema felicidade que vemos o MEO Sudoeste convidar artistas internacionais a virem atuar em Portugal que dão realmente um excelente show.

A edição deste ano do MEO Sudoeste estava quase a acabar no entanto ainda tínhamos Biya para ver no último dia. Acompanhada de banda e com Bruno Abreu nas backs a cantora e rapper deu um bom concerto. Biya mostrou a muitos que apenas conheciam os seus mais recentes hits lançados pela Real Caviar que há um EP de 2018 com também bastante qualidade. James Dos Reis foi a palco para cantar “Sober” e “Wait A Minute” foi a última faixa a ser cantada por uma artista da qual, acreditamos, ainda vamos ouvir muito falar.

Terminou assim mais um MEO Sudoeste. Enche-nos de orgulho ver uma aposta tão grande em nomes Hip-Hop tanto nacionais como internacionais. Que seja sempre assim.

Até para o ano MEO Sudoeste!

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