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Maze: “O objectivo é concretizar um disco que se possa tornar num clássico”

O Negro Luto” foi o tema que celebrou a primeira colaboração entre Maze e Spock. O produtor juntou-se ao MC dos Dealema e disponibilizam, agora, um segundo tema. “Viva” é o mais recente single que vai fazer parte de um disco colaborativo entre os dois artistas.

A palavra de Maze molda-se na perfeição ao beat produzido na clássica Akai MPC2000 XL de Spock, apelando à celebração da vida. O tema conta com videoclipe assinado por Joanna Correia e com edição a cargo de Bernardo Caldeira.

Como o próprio nome do tema indica (Viva), pretendes transmitir uma mensagem motivacional e de inspiração para os teus ouvintes, de modo a desfrutarem da vida? 

Para além desse apelo, para que a vida seja vivida de uma forma apaixonada, que é uma das mensagens mais presentes nos meus versos desde sempre, é também um viva duma celebração de quem está alinhado com o seu propósito e pretende extrair o máximo desta experiência única que é estar aqui e agora neste planeta. 

Não sei qual é a faixa etária em que o público do Maze se encaixa melhor, porém com muitos jovens a ouvirem rap, esta tema também funciona como uma voz mais experiente a relatar as várias fases da vida, quase a aconselhar aqueles que se sintam mais desamparados na vida? 

Eu quero acreditar que as minhas músicas são transversais no que diz respeito a faixas etárias, mas são obviamente entendidas de forma diferente consoante a idade. À medida que vamos envelhecendo quando revisitamos obras aprendemos sempre coisas novas pois vamos amadurecendo e ganhando conhecimento e um posicionamento diferente face às mesmas. O meu objectivo é sempre tocar quem me ouve, estimular o pensamento próprio e livre, e provocar emoções. Fico feliz se chegar aos jovens e principalmente às crianças pois a principal alavanca para a mudança de consciência global passa pela educação.

Enquanto amante do audiovisual, terás certamente desfrutado bastante da realização deste vídeo, onde “dás vida” ao teu perfil de Instagram! Como surge esta ideia?

Essa vida que o meu perfil de Instagram ganha partiu de uma ideia da Joanna Correia que realiza o vídeo, ela sugeriu precisamente cruzar esses meus universos criativos, o que me agradou logo imediatamente. Fomos assim polindo o conceito até chegarmos a um resultado final com o qual me sinto completamente representado. A minha poesia visual funde-se com a palavra na perfeição, o formato quadrado remete imediatamente para o os meus tipos de enquadramentos do meu diário gráfico que vou alimentando diariamente no instagram. A edição do Bernardo Caldeira é de uma sensibilidade extrema, quando eu e o spock vimos pela primeira vez o video percebemos imediatamente que tínhamos encontrado a equipa para representar a nossa música visualmente. Já agora se me quiserem acompanhar, a minha página de Instagram é esta: www.instagram.com/mazedlm.

Dois temas produzidos por Spock e digamos… contrastantes, não é? O “Negro Luto” carrega uma conotação mais pesada e intensa, enquanto que podemos considerar este “Viva” algo mais positivo.

São temas que carregam emoções diferentes, polaridades opostas. Não foi nada premeditado, aconteceu desta forma naturalmente. O spock foi fazendo beats a pensar neste projecto e eu fui pegando primeiro naqueles que me iam inspirando mais, tal como na “O Negro Luto” também este instrumental me pedia para extrair palavras cá de dentro.

Como disse anteriormente, este é o segundo tema produzido pelo Spock. Como surge esta ligação?

A conexão acontece primeiro de forma digital, fomos comunicando e ele enviou-me alguns instrumentais, nos quais ele me via a encaixar o meu estilo de escrita. Quando recebi o beat de “O Negro Luto” escrevi na hora e a partir desse tema fomos trocando ideias, a empatia era forte e decidimos avançar com mais temas.

Para encerrar, esta conexão entre ti e ele vai culminar num trabalho entre vocês? Um álbum, um EP? Conta-nos tudo!

Percebemos muito cedo que a orientação a dar ao projecto seria fazer o formato que mais nos agrada, um álbum. O objectivo, desde o início, é concretizar um disco que se possa tornar num clássico, tanto ao nível dos beats como das rimas. E depois de já termos alguns temas gravados, estamos realmente entusiasmados e cheios de vontade de terminar o disco, mas sempre com a fasquia de exigência elevada.

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