Hip Hop Rádio

Lil Generation

Para seres sapo grande tens que passar por girino, Dillaz, em “Igual aos Outros”

O muito conhecido Spotify anunciou este verão um pequeno grande facto que não pode passar despercebido na atual geração do rap : foi registado o oitavo milésimo (8000º) artista com Lil no nome. 8000 Lils.

“Se fizesse rap por moda, brother eu ia para estilista” – Dillaz, em Falas de Má Língua

Chegámos a uma generalização que roça o ridículo.

Obviamente que muitos Lil têm uma qualidade notória e certo é que todo o artista pequeno ambiciona crescer.

Mas, no mundo em que vivemos, se queremos singrar não podemos ser só mais um peixe no oceano. Até porque o oceano está cheio de tubarões (“avisa os tubarões que o lago tem crocodilos”). Ceder à sociedade e ao estereótipo traça um caminho exigente rumo ao sucesso muito difícil onde o artista apenas chegará ao destino com uma capacidade  lírica e musical muito acima da média.

Neste oceano, é necessário ter ousadia. É necessário agarrar num “Jurássico Barco” e zarpar rumo a um horizonte desconhecido com imenso por descobrir. É necessário “nadar sem gravidade às vezes rumo a nenhum futuro”.

Por vezes ponho-me a pensar numa questão que me deixa em profunda reflexão. Daqui a uns breves anos, esta geração vai ser “old school”. O que diriam 2pac, The Notorious Big, Eazy-E, Nas e outros tantos rappers que certamente todos juntos seriam bem menos que 8000? O que acharia a (g)old school destes “pequenos” rappers?

A música está em constante evolução. Ritmos, letras, beats. Mas nem tudo muda para melhor. Deixo-vos uma comparação entre a lírica de 2pac e de Lil Pump. Tirem as vossas ilações.

2-pac – Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z

Never surrender, it’s all about the faith you’ve got

Don’t ever stop, just push it til you hit the top

And if you drop, at least you know you gave your all

Be true to you, and that way you can never fall

 

Lil Pump – Gucci gang

Gucci gang, Gucci gang, Gucci gang, Gucci gang

Gucci gang, Gucci gang, Gucci gang, Gucci gang

Spend ten racks on a new chain

My bitch love do cocaine,

I fuck a bitch, I forgot her name

 

Certo é que cada um tem a liberdade de escolher o nome que quiser e fazer rap sobre o que bem lhe apetecer. Mas sei que falo por muitos quando afirmo que “pirosos do caralho” há muitos e que os amantes deste tão prestigiado estilo de música estão receosos com o grande pequeno impacto com a imagem que o hiphop está a passar.

Felizmente, no rap português , temos recebido “Comida” para matar a nossa “Fome” de rappers com grande qualidade que vivem de “Impulsos” e arriscam ir mais “Além“, mesmo que tal não seja fácil.

Fica o desejo de uma grande mudança no hip-hop internacional.

Enquanto liam isto, outro Lil surgiu…

Opinião de Tomás Fernandez

Façam o futuro à vossa imagem, STK em “Juventude é Mentalidade”

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