Hip Hop Rádio

L-ALI: “Um dos meus objetivos quando escrevo é foder as métricas todas”

No passado dia 11 de Janeiro, no espaço DAMAS, deu-se um acontecimento que ficará escrito nas páginas primordiais da atual ascensão do hip-hop em Portugal e a isso temos que agradecer ao Gato Mariano (host da festa) e a todos os artistas que estiveram presentes no evento. Colónia Calúnia e toda a malta ligada a este coletivo, são uns dos principais responsáveis pela nova identidade que se está a dar a este estilo musical. Seriam eles que acenderiam a noite com a apresentação de novos sons de um EP que está para chegar, outros sons já conhecidos e ainda uma extensa e louvada participação de TILT. Para aquecer o ambiente antes da esperada atuação do duo de L-ALI e Vulto, contámos com os beats incessantes de MAF, seguido de DarkSunn que dispensa apresentações e, mesmo antes de se abrirem as cortinas, Metamorfiko no seu humilde SP-404.
Foi uma noite que garantiu que a inovação musical está presente e ainda tem muito a mostrar, e quem teve a oportunidade de assistir a este evento, muito dificilmente esquecerá que lá esteve, num início mais underground de um “novo movimento”.
A equipa da Hip Hop Rádio esteve lá e ainda conseguiu trocar umas palavrinhas com L-ALI.

Já sabemos o nome do teu novo EP, “Lista de Reprodução”, vão surgir algumas participações?

Não, todos os sons estão produzidos pelo Vulto e é tudo cantado por mim.

Em relação a singles, o que é que tens planeado para este ano?

Há muitas cenas planeadas. Vão sair muitas coisas “no plural”, não vou revelar muito mas muitas delas sairão pela Think Music. Vou estar a trabalhar com o Kidonov durante algum tempo, ele está a fazer toda a pós-produção das minhas músicas. Vou continuar a trabalhar com o Vulto, com a malta da Think… Mas os próximos lançamentos vão ter muita mão aqui da malta [Colónia Calúnia].

Fala-nos um pouco sobre a tua sinergia com o Vulto. Concordas que a sonoridade dele acabou por definir, de certa forma, o teu rap?

O Vulto é um dos principais responsáveis pela minha identidade. O nosso método de trabalho já mudou muito… Nós começámos a trabalhar para aí há quatro anos, tínhamos um amigo em comum, e eu fui a casa do Vulto que me mostrou uma sonoridade que eu nunca tinha pensado sequer; nunca tinha experimentado rimar sobre beats daquele tipo. Eu vinha de uma cena mais marcada e aí deu para me desprender de todos os registos que eu tinha. No fundo tive que criar alguma coisa que casasse bem com os beats dele.

Estes registos que falas acabam por ser os teus backgrounds musicais, podes exemplificar alguns?

Eu sempre ouvi muito indie rap: madlib, MF Doom… eu papava tudo, desde os 13/14 anos. Depois mais ou menos na mesma altura surgiu Odd Future, surgiram muitas coisas boas e eu estava a apanhar um bocado de tudo.

A tua música sempre começou por ser lançada exclusivamente pela internet?

Sim, o meu primeiro EP foi largado no Youtube e no Soundcloud. Depois mandámos ao Rimas e Batidas, curiosamente eles curtiram bué da cena e passaram-no logo na primeira emissão. Foi fixe!

Vês a tua ida para a Think Music como uma oportunidade para explorar novas sonoridades?

Foi à procura de novas experiências na música, novos holofotes. Eu acreditava muito no projeto, sabia que eles estavam a aparecer com algo que não se está a fazer em Portugal, isso é um facto. Eu vinha de um projeto que também não se estava a fazer em Portugal e pensei… Porque não? Isto faz sentido.

O Vulto está incluído nalgum futuro lançamento da Think?

Em princípio não, depende um bocado das vontades dele mas eu acho que, em princípio Vulto será Colónia Calúnia. Não vejo as coisas a misturarem para já, mas não é que um dia não possa acontecer.

Quais é que são as diferenças que notas entre o L-ALI do Colónia Calúnia, L-ALI da Think, e o L-ALI “a solo”?

Musicalmente ou liricamente não noto diferença porque cada música é uma música. Acho que a única coisa que muda é o canal. A letra que eu vou fazer vai depender do beat, não vai depender de sair pela Think ou pela Rimas e Batidas, isso é meramente um placar, um carimbo.

Sobre as tuas letras, elas provêm de um lado pessoal mais agressivo ou de um personagem? Ligando isto também à máscara que optaste por deixar para trás.

Uma personagem definitivamente. Eu gosto de brincar com palavras, um dos meus principais objetivos quando escrevo é foder as métricas todas.

Julgo que muitos dos teus ouvintes são fãs do duo L-ALI + Mike El Nite. Há alguma próxima track em vista?

Há aí umas coisinhas para este ano.

Tens algum artista ou projeto musical português em preferência deste ano que passou?

Este ano não fiz listas de preferidos porque sinceramente acho que se está a tornar um bocado redundante e preferi não fazer parte disso. Mas para melhor álbum nacional do ano vou ter que dar ao Slow J, acho que é indiscutível…

A lista do ano é uma boa iniciativa, toda a gente escolhe o que quer da forma mais sincera possível, a Rimas e Batidas e a H2Tuga têm tido malta com boas opiniões para fazerem isso, mas decidi não fazer parte disso desta vez. De facto, o que importa é que este foi um grande ano para o hip-hop tuga e acho que isso chega. Tivemos mais hip-hop em festivais do que em qualquer outro ano.

Reportagem por:                                                            Fotografia:
Christian Ferreira                                                       Christian Ferreira
Diogo Henriques

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