Hip Hop Rádio

A Iminente ascensão de Slow J

 

A história repete-se, Slow J atua novamente no Festival Iminente após um ano. Um ano também não permite ter mudado muita coisa certo? Pois bem, para não falar do lançamento do álbum em Março e de todos os palcos que tem pisado – incluindo uma ida aos Açores- nem é preciso recuar muito, nesta mesma semana Slow J disponibilizou um tema novo com o qual decidiu abrir o concerto. Não há dúvidas que este está a caminhar para um dia “ser gigante” como diz no tema produzido por Holly que recentemente ganhou os Goldie Awards. “Fome” foi a junção de duas lendas para a criação de verdadeira arte.

E arte foi o que não faltou no Iminente. Entre as árvores do Jardim Municipal de Oeiras podíamos encontrar obras de Vhils, o principal impulsionador do festival, que se certificou que o cartaz iria corresponder a esta atmosfera. Voltando ao concerto, depois de expressar a sua gratidão por estar a partilhar o palco somente com artistas que realmente gosta e admira, chega de conversa e ouve-se um “Vamos fazer Arte?” antes de Fred soltar o instrumental. Continuando o seguimento do álbum vem “Casa” em que a combinação da vibe afro juntamente com versos como  “Casa em todo o lado pode entrar quem quer”, foram como um hino que todos estavam convidados a cantar. Um salto no alinhamento para “Às Vezes”, tema que contou com a participação de Nerve sobre o instrumental grave e melancólico.

Desta vez o rapper estava mais falador que o habitual, talvez o facto de estar tudo tão diferente desde há um ano, para melhor certamente, fizeram-no sentir que devia agradecer ainda mais ao público: “Não achei que isto ia ser tão intenso”, diz-nos entre músicas. Numa atmosfera mais calma surge “Cristalina”, uma das músicas mais conhecidas extraída do EP “The Free Food Tape” lançado em 2015. Voltando a “The Art Of Slowing Down”, Slow J mostra-nos do que é feito em “Comida” e logo de seguida contrasta com “Serenata”, uma das faixas mais calmas do álbum. Esta sua capacidade de fazer resultar dois temas de estilos completamente distintos é um dos melhores exemplos de como não o devemos restringir a apenas um estilo de música.

Tudo indicava que este concerto seria diferente, desde o alinhamento ao ambiente do festival em si. “Talvez nem todos saibam mas sou eu que produzo e misturo as minhas músicas, pensei em mostrar-vos um pouco desse processo em palco”. E foi desta maneira que Slow J nos apresentou uma vertente que não estamos habituados a ver e que o coloca um patamar acima, ouvia-se um instrumental “pitched down” pelo mesmo quando entra Papillon para rimar em cima deste. O membro dos Grognation fez questão de reconhecer o talento crescente em Slow J: “É preciso ser bom para fazer as cenas soarem bem mas só um génio consegue fazer com que os que o rodeiam também soem ainda melhor”, penso que todos concordaram.

“Agora com o Papi em palco o que é que podemos fazer?”, perguntou ao público entre risos, antes de começar “Pagar as Contas”. Gson também marcou presença, membro do coletivo Wet Bed Gang – que, este ano, tem vindo também a surpreender, colocando a Vialonga no panorama – e ninguém melhor para dar hype ao público em “Vida Boa” que foi cantada, e saltada, por todos os presentes. O fim aproximava-se mas Slow J quis despedir-se propriamente, antecipando um dos momentos mais emocionantes do concerto.

A celebração da arte é como se fosse o lema do festival, e que melhor exemplo que Speedy (André Garcia) para nos mostrar que a arte vence todas as adversidades. O B-boy voltou há pouco tempo dos Estados Unidos onde recebeu uma prótese, com o contributo de todos e a ajuda de Slow J na divulgação desta causa. Ao som de “Mun’Dança” vários subiram ao palco para dançar e mostrar o seu talento, incluindo Speedy. Um momento marcante para finalizar o espetáculo, e ainda mais espetacular é como esta “viagem” durou apenas 50 minutos porque, tal como a ascensão de Slow J, pareceu interminável.

Reportagem por: Carolina Costa

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