Hip Hop Rádio

H.U.T: “Tento desfrutar daquilo que faço e, acima de tudo, do processo criativo”

Rúben Pereira, mais conhecido por H.U.T, sempre gostou muito de escrever, rabiscava os cadernos da escola, escrevia em folhas ou no computador, mas guardava sempre tudo para si. Focado no futsal, nunca imaginou que algum dia teria músicas num canal Youtube. Mais tarde, decidiu pôr a vergonha de lado e entrar na cultura da melhor forma que sabia, pela escrita e, consequentemente, pelo rap.

Quando surgiu a paixão pelo hip-hop?

A minha paixão pelo hip-hop está presente desde que me lembro. Desde miúdo que ouço o estilo e vivo o estilo. Sempre adorei andar de fato de treino e roupas mais largas, características do movimento hip-hop. Sempre escrevi, lembro-me até que uma vez ganhei um concurso de poemas na escola, portanto a paixão acho que nasceu comigo. Lembro-me também de fazer uns rabiscos a imitar graffitis e tudo mais. Acho mesmo que o hip-hop nasceu comigo.

O que te levou a aventurares-te na música?

A aventura começa no final de 2017, através de um amigo, que também se tornou rapper: o Kibow dos Instinto26. Eu já o conhecia, conheci o resto do grupo e comecei a acompanhá-los na ida a listas de escolas. Quando comecei a dar-me mais com eles, o bichinho pela música surgiu com mais força e então decidi mostrar-lhes umas letras que tinha feito. Eles gostaram do meu trabalho e então comecei a ir com eles ao estúdio e lançei umas músicas que entretanto, até já não estão disponíveis no Youtube. Posso dizer que hoje também já não faço parte do grupo, no entanto, foram eles que me deram força e despertaram um talento escondido. Desde já, agradeço muito por isso e fico muito feliz pelo sucesso todo que estão a ter.

Como tem sido o feedback do pessoal à tua música?

Eu acho que o feedback tem sido positivo. Muitas pessoas que me conheciam pelo “Rubinho” que joga futsal, têm ficado algo surpreendidas por eu cantar e pelo que tenho lançado. Posso dizer que ao nível das visualizações, não tenho notado assim um grande impacto ou um feedback muito acentuado, mas principalmente, através de partilhas, gostos e mensagens tenho sentido um feedback muito motivador. Falando particularmente, do último trabalho lançado, o feedback foi, sem dúvida, o melhor de todos. Não esperava, muito honestamente, ouvir a música passar na vossa rádio ou conceder-vos uma entrevista. Acho que o videoclip, realizado pelos ImpactoFilms também deu um toque especial à música.

Quais as tuas maiores influências dentro da cultura?

Eu não posso destacar ninguém em concreto. Ninguém que seja mesmo aquela influência enorme. Acho que hoje em dia o que me fascina mais é o Sam The Kid pela capacidade lírica que ele tem e por ser aquilo que eu mais prezo na cultura hip-hop. Mas as minhas influências foram muito por fases e à medida que fui crescendo e ouvindo novos artistas, fui-me moldando e bebendo de várias sonoridades e estilos. No início, em miúdo e quando comecei a ouvir o estilo, os nomes estrangeiros que ouvia muito, eram o Eminem, o 50 Cent e o DMX. Também me recordo que ouvia muito o Akon e o Ne-Yo.

Portugueses ouvia o Sam The Kid, o Valete, os Da Weasel e o Boss AC. Estes foram os primeiros que tive a oportunidade de conhecer, tanto nacionais como estrangeiros. Mas lá está, todos muito diferentes. E alguns nem sei se os posso considerar rappers. Depois, mais na fase da adolescência, comecei a ouvir, e muito, a Força Suprema. Acho que foram os que mais ouvi e os que me despertaram mais o gosto pelo hip-hop. Também me deram a conhecer nessa fase o Plutónio que também ouvia bastante. Já americanos, comecei a ouvir mais o 2Pac e o Chris Brown, talvez. Acho que foram os que de facto, ouvi mais nessa fase. Mas lá está, várias sonoridades e estilos.

Hoje em dia, posso dizer que ouço um pouco de tudo, muito honestamente. Aliás, acho que sempre foi assim (Risos). Ouço mais hip-hop português que americano, e estou mais a par das novidades em Portugal que no estrangeiro mas ouço vários artistas e estilos. Depende do mood. Acho que destaco, apesar de estrangeiros e de ouvir mais as músicas portuguesas, talvez o XXXTentacion e o Lil Peep que são dois artistas dos que ouço com mais regularidade e com os quais me identifico num estilo mais sad de fazer música. Sinto muito o trabalho deles. Também ouço muito Reggaeton.

Onde gostavas de chegar com a música? Tens algum objetivo já estabelecido?

Acho que a melhor resposta a esta pergunta é a minha última música, “Introspecção” (Risos). Eu não posso considerar que tenha algum objetivo estabelecido. Eu tento desfrutar daquilo que faço e desfrutar, acima de tudo, do processo criativo. O que me dá mais gosto é, sem dúvida, a escrita e portanto tento expressar-me e fazê-la com gosto. Aproveito o momento.

Não posso ser hipócrita e dizer que não almejo ganhar dinheiro com a música, viver dela ou ser conhecido pelo meu trabalho, óbvio que gostava que tal acontecesse, mas não é de todo, o mais importante para mim. Claro que quero chegar o mais longe possível, mas também se nunca viver o sonho de ter este hobby como trabalho, apenas o facto de o puder fazer, a mim já me completa. De verdade. Dá me um prazer enorme ver trabalhos meus na net.

Consegues revelar algum projeto que esteja para sair, se é que estás a pensar nisso?

Se com projeto considerarem alguma mixtape, EP ou álbum, não estou de todo a pensar nisso. A minha ideia é ir lançando mais músicas soltas e ir colocando umas letras com mensagens que considero importantes no meu Instagram. Normalmente falo dos temas do momento, mas tenciono ir deixando lá algumas letras para além desses temas.

No canal, talvez já existem em perspetiva alguns feats, que também possam sair, mas vão ter de acompanhar-me nestas duas plataformas para verem as novidades (Risos). Uma coisa é certa, não estou preso a nenhum estilo, seja mais sad, seja de festa, seja o que for, lançarei o que sentir. Sempre. Portanto, acho que serei sempre uma caixinha de surpresas (Risos).

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