Hip Hop Rádio

FMM Sines 2019: a multiculturalidade do Hip-Hop

O final do mês de julho é já sinónimo de Festival Músicas Do Mundo. Voltámos à cidade de Sines desta vez para ver Sax Machine, Blu Samu, Dino D’Santiago, Branko, Rincon Sapiência e Batida. O cartaz era imenso mas os nomes Hip-Hop eram estes… ou será que descobrimos outros?

Há poucos ou talvez nenhum festival como este em Portugal. Duas localidades, cinco palcos, 51 artistas, 31 concertos grátis, dez dias e estes nem são os fatores mais espetaculares do FMM. A multiculturalidade é a grande mais valia deste festival que traz até Sines cada cantinho do mundo transformando por completo a cidade.

Vamos, no entanto, começar por Porto Covo onde o festival teve o seu ponto de partida. Sabíamos que não tínhamos de “trabalhar” nestes dias a não ser para captar ambiente pois o cartaz para os concertos em Porto Covo não indicava nenhum nome Hip-Hop. A realidade é que, logo no primeiro dia, começámos a ouvir beat-box. Por quem? Nada mais nada menos que Barmer Boys, um grupo oriundo do Rajastão. Um ponto de partida perfeito.

Passados dois dias, o festival teria o seu início em Sines e sabíamos que nos primeiros dois dias na cidade alentejana também não teríamos nenhum Hip-Hop para “apanhar”. Mais uma vez nos enganámos. Logo no primeiro dia, no concerto dos Red Baraat, grupo dos EUA, um dos músicos largou a sua tuba e começou a rimar qual MC numa Hip-Hop party. O tipo de coisas que só acontecem no FMM.

O primeiro concerto Hip-Hop que assistimos foi o de Sax Machine, à tarde, mood perfeito para ouvir um concerto com uma fina mistura entre rap, jazz e funk. Ninguém ficou indiferente a estes norte-americanos. No final da atuação todo o público estava a cantar com eles.

Seguiu-se, à noite, Blu Samu no auditório do Centro De Artes. A luso-descendente confessou-nos durante a tarde que estava expectante para um concerto que se adivinhava mais intimista no entanto disse-nos: “vocês têm de me ajudar a meter toda a gente a saltar!” A realidade é que Blu não precisou de grande ajuda e se o concerto começou realmente intimista, acabou com todos de pé. O seu primeiro EP “Moka” também proporciona isso, canções mais “rimadas” ou mais “cantadas”, canções mais calmas ou mais dançáveis, uma autêntica viagem musical. Talvez o concerto de Blu pedisse outro tipo de palco mas o que é facto é que assistimos a uma das atuações mais singulares de todo o festival. Nota para o miúdo que acabou a dançar break-dance com Blu Samu em pleno auditório. No final do concerto a jovem artistas que acreditamos, será um dos maiores nomes da música nos próximos anos, apenas nos disse: “nunca tinha feito uma coisa assim”. Infelizmente não fomos autorizados a captar imagens do concerto mas podem ouvir  em breve a entrevista com a artista na nossa emissão e ver também no nosso canal de YouTube.

No 4º dia em Sines o grande nome no maior palco – o palco do Castelo – era o de Dino D’Santiago que trouxe até nós a ‘nova Lisboa’ à qual está associada uma cultura urbana imensa. Não, Dino não é rapper, mas é Hip-Hop e isso nota-se na maneira como fala, canta e age. Escutámos uma breve menção à TV Chelas e partimos para um concerto cheio de ritmos africanos e dançáveis. Ninguém, absolutamente ninguém ficou parado. Em palco Dino vários vezes falou para a (extensa) comunidade cabo-verdiana de Sines, confessou ao público que era um sonho para ele estar naquele palco e confessou-nos a nós no final do concerto: “Adorei vir atuar aqui. Aqui nota-se mesmo que as pessoas vêm para a música e não para a selfie por exemplo. Adoro este público”. E nós, todos nós, adorámos o teu concerto Dino.

No dia seguinte Branko entrava também no palco do Castelo e mais uma vez tivemos um concerto extremamente dançável, com alguns convidados é claro, Dino D’Santiago, foi um deles, ficou mais um dia em Sines e foi a palco para cantar os temas em conjunto. Mais uma grande homenagem à cultura urbana.

No penúltimo dia de fmm tivemos Rincon Sapiência a atuar no palco Galp na avenida de Sines (um dos concertos grátis, que luxo!). Rincon é “só” um dos nomes mais emergente do rap e mesmo da música brasileira com rimas e flows estrondosos é uma musicalidade farta. Fez-se acompanhar de banda e o concerto variou entre uma Hip-Hop Party e um baile

 Funk. O MC, que participou na faixa “ Língua Dos Campeões” que juntou rappers e produtores portugueses e brasileiros, terminou o seu concerto ao som de Ponta De Lança, famosa faixa do seu álbum Galanga Livre. Simplesmente um dos melhores concertos de todo o festival.

Infelizmente estávamos a chegar ao último dia de FMM. A viagem tinha sido longa mas nunca cansativa e terminaria da melhor forma. Ao início da noite tivemos Batida Apresenta: Ikoqwe que além de apresentar um espetáculo musical forte com rimas políticas também muito fortes teve todo um espetáculo à parte no que toca ao campo visual. Aconselhamos a verem as últimas fotos da nossa galeria…

Os Inner Circle eram os grandes cabeças de cartaz de todo o festival, nome cimeiro do reggae e fecharam o palco no Castelo. Um concerto espetacular que contou com algumas surpresas para os fãs de Hip-Hop com covers de temas como “Young, Wild And Free” e “Old Town Road”.

O último concerto do FMM Sines ficou a cargo de Zenobia, duo da Palestina que atuou por volta das 5 da manhã. Não sabemos se foi pelo avançar das horas mas juramos que nesse concerto pudemos ouvir trap árabe.

O Festival Musicas do Mundo em Sines é algo único que simplesmente não podemos deixar de incluir no espectro de eventos que cobrimos ao longo do ano. Já estamos com vontade de ser surpreendidos outra vez.

Até para o ano FMM!

Vê a foto-galeria completa do evento aqui!

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