Hip Hop Rádio

FAL 2019: cultura urbana invadiu a Cidade Universitária

Na passada sexta-feira e sábado, deslocámo-nos à Cidade Universitária nesta que foi já a terceira edição do Festival Académico De Lisboa. Uma celebração de e para os estudantes em que o Hip-Hop, mais uma vez, não deixou de marcar presença. Papillon, Mundo Segundo & Sam The Kid, Hollyhood e Lhast foram os nomes para os Hip-Hop Heads.

Papillon

FOTOGRAFIAS HIPHOPRADIO

A primeira noite de festival começou cedo e da melhor maneira. Eram cerca das 22h20 min quando o artista que para muitos fez o melhor álbum de rap de 2018 subiu a palco. Papillon, nome artístico de Rui Pereira começou o seu concerto acompanhado da sua banda e com a força que os caracteriza. Percorrendo “Deepak Looper” durante pouco mais de uma hora muitos foram os momentos para relembrar mais tarde. “1:AM” e “Impasse” foram cantadas em uníssono, em “Imbecis/Íman” (que não contou com Slow J em palco), Papillon meteu todos a cantar “Baby não stressa” vezes e vezes sem conta e “Impressões” meteu todos a saltar. Seguiu-se o momento mais emotivo e introspetivo do concerto com “Imagina” que o público tomou com grande respeitou nas longas pausas aplicadas por Papillon. O levantamento do astral ficou a cargo de “I’m the money” que no final contou com um poderoso scratch de X-acto. De seguida Papillon cantou o único tema não pertencente a “Deepak Looper”: com uma bola imaginária simulou um autêntico penalti em direção ao público e, mais uma vez sem Slow J, e também sem Stereossauro e Plutónio, nada que fizesse a música perder força, cantou “Nunca Pares”. Para o final do concerto ficaram reservadas Iminente que gerou uma autêntica festa e Impec que corroborou aquilo que Papillon disse a meio do seu concerto: “O público de Lisboa é um dos melhores públicos para atuar em Portugal!”

Mundo Segundo & Sam The Kid

Logo de seguida entraram em palco quatro históricos do rap nacional. Mundo Segundo & Sam The Kid e DJ não me lembro e DJ Guze. Gaia/Chelas, faixa que já há muito era cantada pelos dois mc’s ao vivo mas apenas recentemente teve lançamento oficial deu o mote inicial. Como a dupla já nos habituou o alinhamento contou com músicas de ambos como “Tu Não Sabes” e muitas de cada um. “Não percebes”, “O recado” e “Sofia” foram algumas das músicas de Sam The Kid que pudemos ouvir. Mundo Segundo cantou “Crise De Identidade”, “Bate Palmas” e “Sou Do Tempo”. Com um concerto composto por tantos hits podemos destacar algumas momentos altos. “Solteiro” foi provavelmente a faixa mais cantada pelo público mesmo que apenas se tenha ouvido o verso de Sam The Kid (Regula não esteve presente e DJ Não me lembro não passou o verso do rapper do Cadujal). Maze foi chamado a palco para cantar alguns temas de Dealema como “Bom Dia”, “Escola Dos 90” mas também para cantar o seu maior sucesso e uma autêntica bandeira do rap nacional, “Brilhantes Diamantes”, outra faixa muito cantada pelo público.”Da parte” de Mundo Segundo e Sam The Kid, respetivamente, pôde ainda ouvir-se “Raio De Luz” (que não contou com NBC no palco da FAL) e Retrospetiva De Um Amor Profundo (que infelizmente não foi interpretada na sua totalidade). Interpretação completa teve “Sendo Assim” num momento muito celebrado por todos os presentes dada a raridade que é ouvir esta recente faixa de Sam The Kid ao vivo. Um autêntica “fan-service” para todos os Hip Hop Heads da plateia. O concerto terminou em apoteose e com o público a cantar em uníssono um dos maiores hits de Sam The Kid “Poetas De Karaoke”

A primeira noite do FAL contou ainda, no que toca ao Hip-Hop, a atuação de Putzgrilla que além de passarem muito rap no seu set contaram ainda em palco durantes momentos específicos com MC Zuka e Vado Más Ki Ás.

HollyHood

Já na segunda noite de Festival, que esteve muito mais cheia, Hollyhood tratou de abrir as hostilidades no que toca aos concertos de Hip-Hop. Acompanhado de Stone Jones e Here’s Johnny foi com “O Meu Nome” que o MC da Linha Da Azambuja começou a sua atuação. Seguiram-se vários temas do único avanço do artista “O Dread Que Matou Golias” e também algumas faixas que farão parte de “Sangue Ruim”, a segunda parte da Triologia há muito prometida. “Ignorante”, “Spotlight”, o muito entoado pelo público “Fácil” e “Cartas Da Justiça” (que contou com a chamada a palco de No Money” foram alguns dos temas que se puderam ouvir na primeira parte do concerto. No Money por lá ficou para cantar o seu Hit “Se Eu Não For Rico” e o seu mais recente single que conta com o featuring de Hollyhood “O Meu People Ri-se”. No que toca a convidados, L-Ali também marcou presença para interpretar a sua mais recente faixa “Siri”. Pudemos perceber que muitos dos presentes não conheciam o trabalho do MC mas de uma coisa temos certeza, ninguém ficou indiferente à sua voz grave e funda e ao viciante beat deste novo tema. Um concerto de Hollyhood não é um concerto de Hollyhood sem mosh pit. Em dose dupla, formou-se um autêntico riot no FAL com “Cala A Boca” e “Cobras E Ratazanas” nesta que foi a última faixa do alinhamento.

Lhast

Apesar de ser um pouco raro ver Lhast atuar ao vivo, a verdade é que a aposta no produtor para encerrar o Festival Académico De Lisboa 2019 antecipava-se segura. E assim foi. Acompanho de Cheezy Ramalho, não como videógrafo como estamos habituados a vê-lo, mas sim como Hype Man, ambos cumpriram num concerto repleto de Hits. No plano nacional “Água De Côco”, “Gravidade” “Mais Caro”, ou “Water” de respetivamente, Profjam, Dillaz, Wet Bed Gang e Richie Campbell puderam ser ouvidos. Já no plano internacional estiveram presentes no set por exemplo Travis Scott e IAMDDB com, respetivamente, “Goosebumps” e “Shade”. Houve espaço também para duas surpresas com as entradas em palco de Kappa Jotta com “Movs” e 9 Miller com “Filho Da Guida”, ambos temas com o selo do produtor. Em relação ao público… praticamente não houve um único tema que este não soubesse de cor.

No final das duas noites de FAL a sensação é de que este é um evento que a pouco e pouco se vai tornando um clássico das festas académicas portuguesas. A cada ano que passa a organização melhora e os cartazes seguem o mesmo ritmo. Que o Hip-Hop nunca deixe de fazer parte deles, são os votos da Hip Hop Rádio.

Até 2020 FAL!

Foto-galeria do dia 10 por Alícia Gomes para ver aqui e de Rodrigo Santos do dia 11 para ver aqui.

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