Hip Hop Rádio

Entrevista | Equilíbrio

Quem é o Equilíbrio?

O Equilíbrio é um rapaz, músico e estudante, que encontra na música um refúgio para poder expressar e encontrar o equilíbrio. Sempre tive uma vida tranquila, com alguns altos e baixos, mas no fundo sem grandes problemas e é nisso que foco a minha música, em transmitir energia positiva. Em suma, mostrar o que sou no fundo.

Como e quando é que a tua carreira começou?

Foi mais ou menos no ano 2009/10 que comecei, e nesta altura tinha 15 anos. Com 13 anos já escrevia as minhas letras, mas foi aos 15 anos que comecei a dar mais na música. Também tinha um amigo que tinha um estúdio caseiro na garagem, e então nós íamos para lá e eles diziam que íamos gravar um som e gravávamos. Depois ouvíamos as músicas que gravámos e fazíamos as alterações que a música precisava. Entretanto, ganhei coragem e acabei por gravar o meu primeiro som, apesar de não estar nada de especial, vou ter sempre um carinho especial por ele. Nessa altura conheci o João Pinheiro e foi aí que comecei a conhecer mais coisas. Começou por dar-me uma noção do que era aquilo, porque eu na altura fazia música de uma maneira despreocupada, por exemplo sem atenção à métrica das palavras que usava e ao flow. Com ele é que comecei a levar as coisas mais a sério, por isso a minha carreira começou seriamente quando tinha 17 anos. Mais tarde gravei uma mixtape, e ele disse que tínhamos que começar a preparar um EP e que tinha que começar a conhecer produtores. Nessa altura conheci o Relax, o Kap, o MZ, entre muitos outros.

Quando é que sentiste que querias mesmo ser rapper?

Quando fui fazer o EP, senti-me na dúvida, ia ver como corria, porque pensei que poderia vir a arrepender-me por estar a expor parte de mim num disco, e por consequência esse EP chama-se parte de mim.
Na altura que acabei de gravar o EP e comecei a gravar o meu álbum cheguei à conclusão de que é isto mesmo que eu quero, e quero aprender mais e fazer coisas diferentes, sem nunca me ter arrependido dos passos que dei antes do álbum, porque noto uma evolução enorme, e acabei por ter a certeza de que é música que quero fazer.

Gostavas de alargar os teus conhecimentos no hip hop? Por exemplo, apostar na produção, ou tencionas ficar pelas rimas?

Breakdance, nem pensar, porque o mais provável era espalhar-me pelo chão, mas adoro ver os b-boys e as b-girls a dançar. DJing, também não dá para mim, já tentei na mesa do Slice mas desisti logo da ideia porque aquilo não funcionava comigo, é preciso muita coordenação e eu não tenho nenhuma. Em relação a ser produtor, acho que toda a gente, a nível de rappers, já o tentou ser. É, para mim, algo difícil e algo que requer muito tempo, e como sou uma pessoa com pouco tempo acabo por fazer apenas aquilo que amo, mas se algum dia tiver tempo acho que vou tentar alguma coisa nessa área. Graffiti, é algo que já toda a gente fez. Tive uma altura em que os meus amigos andavam com latas, e houve uma altura que chegámos a ir para uma adega abandonada, fazer lá umas brincadeiras, mas ao início eram apenas com aquelas latas dos chineses, e era fixe mas não passava de umas brincadeiras, pelo menos para mim, porque o Skeeler e o Mauro tinham e têm muito talento.

O teu EP “Parte de Mim” saiu em 2015. Qual foi a tua sensação, quando o tiveste pela primeira vez na tua mão?

Dever cumprido sem dúvida. Para mim a felicidade são metas e este EP foi exatamente isso, uma meta alcançada, agora tenho outras, mas este será sempre o meu “bebé”.

Fala-nos um pouco do tempo de trabalho que dedicaste a este EP.

Teve cerca de 1 ano e qualquer coisa em construção, na altura tinha acabado a mixtape e já estava a escrever e a juntar instrumentais para o EP. Nesse tempo todo ia todos os fins-de-semana para o estúdio.
Nessa altura o pessoal ainda me via na rua, por exemplo agora com o álbum andei desaparecido, porque estudar e fazer música ocupa muito tempo.
Quero aproveitar para agradecer ao Pinheiro, ao Laker, ao Skeeler, ao MasterG e ao Diogo Amorim pelo colaboração no EP.

Sentes carinho e apoio do público sempre que sobes a um palco?

Como estou numa fase em que ainda não sou muito conhecido, a ideia que eu tenho é de chegar ao palco e conquistar as pessoas, depois disso, recebo sempre algo das pessoas.
Durante os concertos interagem muito comigo e no fim do concerto vem sempre alguém ter comigo para dar uma palavra de apreço e fico muito agradecido porque é sempre bom receber críticas sejam elas boas ou más.

De todos os sítios onde que já atuaste qual foi o que mais te marcou?

O concerto que mais gostei foi um em que atuei na ponte de S. Gonçalo em Amarante, se não me engano o evento chamava-se “Às 20h na ponte”.
Gostei muito desse concerto por ter sido numa zona histórica, e com uma vista incrível, foi absolutamente inesquecível.

Qual é o teu palco de sonho? E se te dessem a escolher 3 artistas para atuares em palco quais seriam?

O meu palco de sonho é sem dúvida o Hard Club.
Para atuar em palco escolheria o Fuse, o Sam the Kid e o Poeta de Rua.

Tens algum artista que gostasses de fazer uma participação numa música?

No “mundo” do hip hop é o Fuse, se algum dia conseguir vou sentir-me bastante realizado. Aliás eu tenho uma rima em que digo “Chelas no beat, Fuse no feat”.
Fora do hip-hop, era o Manel Cruz dos Ornatos Violeta.

Onde vais buscar inspiração para as tuas letras?

Basicamente é no dia-a-dia, os meus amigos, pessoas, família, música, livros, filmes, momentos passados e adoro que me contem histórias, porque se a história me cativar ou até mesmo identificar com ela, de certeza que vou escrever sobre isso.
Eu não escrevo só sobre mim diretamente, porque seria uma fonte que iria acabar ou até mesmo tornar-se repetitivo.

Qual é o teu método de escrita? Gostas de escrever a escutar o beat, ou escreves e depois tentas adaptar a letra ao beat?

No álbum usei o método de escrever com o beat e fiquei a preferir esse método.
Nos outros trabalhos já adaptei a letra ao beat, mas dá um trabalho maior porque eu tinha que estar a tirar palavras e depois por outras para que tudo saísse como queria.
Para mim escrever a escutar o beat é melhor para organizar a ideia do beat, acabando por ter mais “feeling”, e também porque aquele beat acaba por ser só para aquela letra.

O que é que podes revelar sobre o teu próximo projeto?

O álbum sai a meados de julho, e com o álbum sai também um vídeo. A pessoa que vai misturar e masterizar o álbum vai ser o Gustavo Carvalho. As participações são apenas duas que é um artista chamado “Visão” de Amarante, e o David que já participou na Liga Knockout, ele é de Vila Real, tem também umas vozes nos refrões que é só pessoal de Amarante e o Dj Slice dá os cortes todos.
Os produtores são o Lazy, Fabrik, Produtivo, Slice, e tenho um beat de um artista polaco que se chama Wholelife.
O álbum e o vídeo que vão sair são todos feitos em Amarante.

Como achas que está o hip hop? Achas que está de “boa saúde”?

Eu acho que cada vez há mais pessoas no movimento, mas na minha opinião, muitas dessas pessoas, não estão a viver verdadeiramente o hip-hop.

Qual foi o primeiro álbum que ouviste? Desta nova geração, quais são os artistas que se destacam para ti? E da última fornada de álbuns que têm saído qual é o que gostas mais?

O primeiro álbum que ouvi, se não estou em erro, foi o do Sam the Kid “Entretanto”, mas depois também me lembro de ouvir o álbum do Boss AC “Rimar contra a Maré” e dos Mind Da Gap “Sem Cerimónias”. Recordo-me perfeitamente de uma rima que o Presto diz na música “O Inimigo Foi Vencido” que é “conhecem-se em todo o lado até em Amarante”.
Um álbum que eu adoro ouvir é o “Sintoniza” do Fuse, adoro ouvi-lo.
Desta nova geração, tenho vários artistas que gosto bastante, por exemplo o Lójico, o David, o João Tamura, Smélio, os Grognation, o Weis, o Full, o Gson, são para mim artistas que vão dar muito que falar.
Em relação aos novos álbuns o que mais gostei, foi sem dúvida o álbum do Fuse, “Caixa de Pandora”.

O que é que te faz gostar do hip hop e o que é que ele te faz sentir?

O hip hop é paz, união, amor e divertimento, a partir do momento que as pessoas seguem estes princípios eu acho que faz todo o sentido ter uma vida assim.
Amor porque é a base de tudo,
União que é a família.
Divertimento, porque no fundo estamos aqui para nos divertirmos.
Se tu gostares de hip-hop tu recebes bons valores e as mensagens certas, que nos fazem reflectir sobre temas na sociedade.
E o hip-hop faz-me sentir feliz.

Como descobriste a Hip Hop Rádio e qual é a tua opinião sobre a rádio? Já alguma vez comentaste com algum amigo o nosso projeto? Se sim qual é a opinião?

Descobri através de um convite feito pelo facebook e assisti à emissão em direto, e basicamente foi a partir daí que a conheci. Acho que é uma ótima iniciativa para o movimento.
Os meus amigos ouvem todos a hip hop rádio e todos gostam e aliás o meu primo Hugo está sempre a ouvir a hip hop rádio.

 

Entrevista por: Jéssica Sousa.

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