Hip Hop Rádio

Domi: “Foi talvez o ano mais criativo que tive na minha carreira”

Depois de aproveitar o ano passado para fazer uma pausa, Domi está de regresso com o seu novo single “Ondas da Praia”. Este tema surge num registo diferente daquele que o artista habituou o seu público, mas isso não o deixa preocupado: objetivo do algarvio é marcar a diferença e mostrar precisamente que não se insere numa “caixa”. Em conversa com a Hip Hop Rádio, Domi falou do seu reencontro com a música e sobre o que representa este primeiro de muitos trabalhos a serem lançados em 2021.

Há uma semana saiu “Ondas da Praia”, o teu novo single. Como tem sido o feedback do público?

Tem sido dividido: bom porque foi uma música que não lançava há muito tempo e as pessoas estavam já com saudades de me ouvir… houve até pessoas que, por causa da alteração do registo, gostaram imenso de eu ter arriscado; por outro lado, tenho um feedback menos bom, no sentido em que, – eu também já estava à espera, obviamente -, devido à mudança de registo, as pessoas talvez estão habituadas a ouvir o Domi de outra forma e eu percebo perfeitamente que seja estranho ter aparecido com este registo, mas sou eu na mesma. As pessoas estão no direito de achar estranho, mas tenho tido críticas construtivas, por isso é que não levo isso como uma cena negativa. Claro que às vezes não conhecem o trabalho por trás, o artista em si, o que motivou a mudar de registo, mas só digo ao meu público que não estou fechado numa caixa. Sou um artista e faço diversas coisas, sinto-me à vontade para tal, canto bem, e foi o Charlie também que me puxou um bocadinho… e o “Ondas da Praia” foi sem dúvida fruto desse trabalho do ano de 2020.

Como nasceu este tema?

Precisamente quando eu apresentei a ideia ao Charlie. Ele apresentou-me este beat com uma sonoridade completamente diferente e disse “acho que tu conseguias fazer uma cena fixe aqui”. Sendo o beat algo muito mais musical e melódico, também me puxou logo para fazer algo que fosse nesse registo e assim nasceu o “Ondas da Praia”.

O que significa este som para ti?

Significa que estou muito orgulhoso. É o primeiro passo, ou seja, a primeira música depois de voltar, por causa do ano que estive parado, e marca pela diferença por ser uma música diferente, por ter arriscado. Estou muito orgulhoso por ter conseguido isso, por estar a evoluir e a fazer coisas novas.

Anunciaste que este é o primeiro trabalho de muitos que irás lançar ao longo deste ano. Qual foi o objetivo ao escolher “Ondas da Praia” como cartão de visita?

O meu objetivo foi precisamente esse: não me colocar numa caixa, porque os próximos sons que eu tenho para lançar são muito mais fiéis ao Domi que as pessoas conhecem. Decidi que seria este o primeiro para mostrar que não sou só exclusivamente aquilo, mas muito mais. Apresentei agora uma cena diferente, mas não quer dizer que o meu próximo som não seja já diferente do “Ondas da Praia”, portanto quis marcar a diferença… foi mesmo esse o objetivo.

Não receias que agora o público pense de alguma forma que este é o primeiro de muitos trabalhos, mas todos eles num registo diferente?

Não, de todo, porque aí estaria a fugir àquilo que sou como artista. Isto foi simplesmente um som diferente que representa igualmente o Domi como todos os outros, mas foi um som que as pessoas não estavam habituadas a ouvir. Mas o Domi não é só o “Ondas da Praia”… lá está, eu não gosto de me colocar em caixas… não é porque fiz este som que agora vou fazer todos os sons assim e é isso que eu quero que, na verdade, as pessoas percebam: que eu tenho essa liberdade e que sou eu que escolho.

E ao fazeres um som diferente, isso pode ajudar-te também a ir buscar outros públicos que não te ouviam anteriormente…

Sim, mas nem é na tentativa de ir buscar algo. É porque eu naturalmente tenho isto dentro de mim e sinto-me à vontade para o fazer, então estou completamente resolvido comigo para o fazer e isto também é o Domi.

Durante a pandemia muitos artistas aproveitaram o facto de estarem em casa para produzir mais trabalhos. No teu caso, o processo foi igual ou este ano sabático serviu para te afastares também um pouco da música?

Foi precisamente para me reencontrar outra vez na música. Foi muito bom porque deu-nos tempo para poder estar connosco e poder estar a produzir. Estes dias fechados em casa obrigam-te a ir produzir. Foi muito importante para mim, foi muito produtivo e foi daí que nasceram todas estas músicas que agora vamos ouvir em 2021. Nesse aspeto, foi talvez o ano mais criativo que tive na minha carreira.

Tendo em conta que prevês lançar vários sons teus ao longo deste ano, já tens algum número definido de músicas novas?

Não, vou deixar na incógnita… Ainda não sei bem o que vou fazer, mas tenho temas novos e eles já estão acabados. É só mesmo definir uma estratégia e começar a partilhar o meu trabalho.

Há alguma colaboração prevista?

Sim, tenho várias. Prefiro manter em segredo.

Esperas lançar durante este ano algum EP ou álbum ou neste momento isso não passa pelos teus planos futuros?

É uma boa questão e faz todo o sentido, porque é precisamente isso que eu me pergunto a mim próprio: o que eu quero mais, o que eu preciso mais… Já estou tão abençoado e felizmente as coisas sempre me correram muito bem, mas também tenho um lado humano, como temos todos, e queremos sempre mais, mais e mais… O que eu quero para ficar estável e para me sentir verdadeiramente realizado é precisamente a pergunta que estou à procura de resposta e acho que demora mesmo muito tempo.

Sim e às vezes nem sequer encontramos uma resposta…

Sim e eu acho que é isso que nos move, na verdade.

“Ondas da Praia” encontra-se disponível em todas as plataformas digitais.

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