Hip Hop Rádio

Crónica | Quem matou Ronald Opus?


“Eu nunca vou querer ganhar nada onde não há nada para ganhar”,

disse-nos ontem Holly Hood. Inicia assim a sua carta de suicídio. “Cala a Boca” e “Não Faz Isso” foram subtis crescendos de punchlines e abanões, e nas passadas duas semanas era esperada uma resposta no que deve – ou devia? – acabar por aqui.

Afinal, a primeira estrofe de uma grande música, assim como a primeira cena de um grande filme, tem uma importância intrínseca. O que seria o mundo sem a cena inicial do The Dark Knight onde nos é revelado o melhor vilão da sétima arte, o que seria o mundo sem a beleza de

“Pareceu-me que pretendias agradar-me embora não me conhecesses…”?

Grandes estrofes abrem grandes músicas. Neste “R.I.P” “não há nada para ganhar”. Encerra-se assim este caso, como o caso fictício do suicida Ronald Opus, num justo desenlace e momento iluminado do médico legista. É o fim?

Se – e é – difícil rimar contra a mais recente faixa do assassino de Golias, quero e espero que pelo menos se tente. Porque, e no fim, é esta cultura que se agita e aplaude, que faz o hip-hop vivo. E que vontade tinha a tuga de um bife à portuguesa…  O suicídio, mesmo que descargo de consciência, deve ser evitado pelo bem do hip-hop português. É bom ver boa música, é bom ver novo hip-hop todos os dias. Respostas e diss tracks? Que bem que soa esta rivalidade.

(aguardemos para que seja uma justa competição, agora que a fasquia subiu a pique)

Ontem, os cães ladraram e a caravana pode nem vir a passar. Holly Hood não é Ronald Opus. Piruka não é o homem com a arma. Quem é o suicida, afinal? Metam mais carne no assador.

Texto escrito por: Bruno Fidalgo de Sousa

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