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Crítica | “Juice”

Juice, realizado por Ernest R. Dickerson e lançado em 1992, é um drama criminal que tinha como protagonista Tupac Shakur, no papel de Bishop.

Juice was a slang term used in the inner cities of the 1990s. Juice meant power, influence, and respect.” – Tayannah Lee McQuillar, Fred L. Johnson, (2010), Tupac Shakur: The Life and Times of an American Icon

O filme retrata o dia-a-dia de quatro jovens, Bishop (Tupac Shakur), Q (Omar Epps), Raheem (Khalil Kain), e Steel (Jermaine Hopkins),de Harlem. Exceto Q, que queria ser DJ, nenhum deles tinha planos para o futuro. Os vários acontecimentos a que os jovens são expostos durante a sua rotina leva Bishop a concluir que o grupo não é respeitado por ninguém e que essa situação tem que mudar – We run from cops, we run from Radmaze, we run from security Guards, we run from Old man Quillus with the bullshit store coming at us with that bullshit gun. All we ever do is run, I feel like I’m on a goddamn track team.”

A ambição cega de Bishop levou-o à loucura – You’re right. I am crazy. But you know what else? I don’t give a fuck. Os meios que usa para alcançar poder e respeito acabam por ditar o seu fim. Esta é uma das mensagens com mais peso no filme.

É também interessante perceber como evoluem as relações dentro do grupo de amigos. A distorção de personalidade de Bishop ao longo do filme é cada vez mais acentuada, em contraste com a forte união outrora existente no grupo, que se vai desvanecendo. O filma foca bastante as diferentes personalidades dentro do grupo e o modo como o crescimento individual de cada um altera o caminho a seguir, tanto no imediato, como as perspetivas a longo prazo. Em suma, é um filme que retrata a capacidade de escolha e as consequências que daí advêm.

“There’s a lot of pressure on someone growing up. You have to watch it if it goes unchecked. This movie was an example of what can happen…” – Tupac Shakur, 1991, Entrevista com Davey D.

Escrito por Tiago Francisco

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