Hip Hop Rádio

Beat The System Crew

Beat The System é a crew, meu irmão!

É assim que se propaga o nome da crew pela calçada de Santo Tirso.
Fundada por acasos de ideias para nomes de projetos, “Beat The System” inicialmente foi um nome escolhido para um a.k.a da dupla Decifra e Mau da Fita, no EP dos mesmos, intitulado como “O Outro Lado do Sistema” (2016), coincidindo na mesma altura em que o Abyss se encontrava a trabalhar na sua mixtape a solo “Segredos do Meu Diário”.
Meses mais tarde, decidiriam então, formar uma crew com o nome que hoje entoa pelos 4 cantos do Distrito do Porto : Beat The System !

“Somos atualmente um grupo de 7 elementos (Abyss, Decifra, Mau da Fita, Evolute, Nerk, Juva e Sentido) e a crew foi fundada com os princípios bases de uma cooperativa.” afirma Abyss.
Um grupo bastante versátil e cheio de aptidões artísticas, Beat The System não é apenas uma crew de rap, mas sim uma mistura de talentos, personalidades e ideologias fortes, que representam a essência do verdadeiro hip-hop.
“Hoje em dia representamos duas vertentes no hip-hop, o rap e o grafitti, e temos rappers, produtores, video-makers, designers, engenheiros de áudio” continua explicando Abyss.
Porém, o grupo não se alimenta apenas de hip-hop , vai muito mais além, “A forma mais breve em que posso apresentar a BTSKrew é a dizer que somos uma família. Porque no fundo é isso que somos.” acrescenta Nerk. “Não viemos foder o sistema, viemos fazer com que o sistema funcione da maneira como queremos” finaliza Mau da Fita.

Todos estão de acordo no que toca ao sentimento que transmitem pelo RAP, “Para mim rap está em tudo que eu penso, para mim rap é saber ouvir, saber falar, sentir, amar o próximo, instruí-lo e aceitá-lo, nunca vi o rap como um movimento egocêntrico e criminal…. ‘tamos na tuga não na América” salienta Juva. Todos chegam a um consenso importante, em relação ao que o RAP realmente é e deveria ser, “É uma das formas mais poderosas de se passar uma mensagem. Ter o dom da palavra é algo poderosíssimo e o rap mudou a minha vida sem dúvida” refere Evolute.
“É arte, é liberdade de expressão, e, para mim, um refúgio, uma forma de terapia, de cura.” – Decifra
“Passo a minha mensagem a minha visão inspirada na minha vida… Ser verdadeiro no rap e fazer o que gosto” – Mau da Fita
“O rap para mim sempre teve um efeito terapêutico. Eu utilizo-o quase como consultório psiquiátrico onde recebo conselhos e direções dos artistas que sigo, e onde exponho partes do meu íntimo que não consigo expressar de outra forma quando escrevo ou canto.” – Abyss

Posto isto tudo, quisemos então saber qual a verdadeira essência da crew Beat The System, pois com tanta diferença de personalidades e talentos, seria algo interessante de saber, mas até nesse aspeto, estão de mãos dadas.
“A crew consiste na união de esforços em prol de um objectivo e ideais comuns.” explica Decifra num breve resumo, e Abyss ainda enfatiza um sentimento subliminar por detrás do nome Beat The System , “A carga ativista que o nome carrega, é um ativismo espiritual e intelectual.”
No entanto, há mais… outros elementos explicam que não é apenas a vertente técnica, mas sim humanista , “Nunca deixem de fazer o que gostam por modas ou porque a sociedade o “obriga”. Seguir sonhos é fácil não acreditem no contrário, difícil é desistir deles e a ideia é essa.” como adianta Sentido.

Em termos de hip-hop, todos querem transmitir as raízes do verdadeiro rap, a mensagem, os beats, e de volta aos primórdios mesmo que estejamos no século 21 , “Beat The System, até que esta merda pife” (verso de Mau da Fita na faixa “Contra o Sistema”).

Assim, podemos concluir que todos têm a mesma meta : transmitir sentimentos verdadeiros nas suas músicas e trabalhos, sempre passando mensagem, para que cada ouvinte consiga entrar um pouco na dimensão da crew, Beat The System. “A nossa essência é a nossa mensagem, é por ela que nos guiamos. Vamos sempre passar uma mensagem positiva com o que fazemos. “ – Evolute.
Quase todos deixam bem presente a ligação que têm às raízes Tirsenses , como explica Decifra: “Acho que é natural, temos uma grande ligação com a terra que nos viu crescer.” Como forma de agradecimento, e orgulho bairrista, todos representam a cidade de Santo Tirso na maior parte dos seus trabalhos musicais, “Era impossível fazer RAP e não colocar nele o nome de Santo Tirso.” como diz Sentido. “Eu sinto imenso o carinho e apoio nas ruas da minha zona, e isso faz-me querer vincar o nome da minha cidade nas páginas da história do hip-hop tuga quase que como forma de agradecimento por esse apoio. E vou fazê-lo!” adianta Abyss, podendo ainda escutar nas músicas do mesmo, certos versos referentes a esse agradecimento, “Família um obrigadão, juntos toda a tropa Tirsense, a fazer do Tirso nação” (na faixa “Filé Mignon”). “Seja em música, em arte, na imagem ou na maneira de vestir, tem que ser sempre BEAT THE SYSTEM!”, conclui Mau da Fita.
Contudo, Juva não sendo de Santo Tirso, deixa também patente as suas ligações desde sempre, ao número 4480 , mais precisamente à localidade de Caxina, “Caxina é feita de gente com alma, garra e pessoas genuínas, sem papas na língua, foi lá que cresci ganhei influências e foi por essas ruas que me tornei homem…” afirma Juva.
Evolute,  também não pertence a Santo Tirso, porém acha fascinante toda a luta da crew por esse legado geográfico, “São eles o “core” e a fundação do que toda a gente fala nas letras e é uma forma de agradecimento e respeito sempre que algum mc cita “Santo Tirso Bro” a imagem de marca da cidade”. Podemos ainda escutar essa garra, tanto pela Crew como por Santo Tirso no refrão da música “Calço as Luvas” de Abyss x Decifra x Mau da Fita “Calçamos as luvas com o nosso povo, com as ruas em fogo a gritar em coro BEAT THE SYSTEM!
Vê a colheita de todo o sangue novo, hoje não há tolo que não saiba o sítio onde moro! SANTO TIRSO BRO”.
Assim sendo, não querem ser misturados com o “rap comercial” nem tão pouco serem generalizados com a geração que desvaloriza os primórdios do Rap, que lhes ensinou tudo o que são hoje.

Por fim, quisemos saber que projetos poderão aparecer no futuro, seja em âmbito de Crew, ou individualmente.
Então, podemos avançar certas novidades :
Em relação ao Evolute, podemos adiantar que atualmente está a participar no #madkutzchallenge,  explicando: “Estou a lançar uma beat tape por mês com 10 beats durante o ano de 2018. Dessas tapes estão a sair remixes com pessoal que me vem pedir para usar os beats.”.
Enquanto isso, Decifra revela também algumas surpresas : “Como forma de divulgar o meu trabalho como produtor, estou de momento a produzir/publicar um novo instrumental por dia nas redes sociais. Estou também a trabalhar num EP a solo, cujo lançamento está previsto para este ano.”
Mau da Fita acrescenta da sua parte que, “Futuramente um álbum a solo e um álbum com a crew. E pelo caminho lanço sempre uns beats e umas colaborações com uns barrotes.”
Enquanto isso, Abyss finaliza desvendando um pouco o que está atrás do pano : “Da minha parte, podem contar com o meu primeiro EP nas próximas semanas. O single “Barulho” já está no nosso canal, e o EP vai-se chamar “Já não sei se é RAP”. Quando ouvirem o projeto vão perceber o porquê do título. Para este ano podem ainda contar com um projeto com o meu mano Nerk. Estes são os projetos que já estão mais que assumidos e praticamente prontos a lançar, mas este ano ainda podem contar com mais novidades!” terminando com a frase chave “Como eu disse, estamos todos com muita fome de microfone!”

E assim, numa só voz, poderemos dizer : Beat The System é a Crew!

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