Hip Hop Rádio

Diogo Marchante

HHR REPORT | 10 ANOS DE LIGA KNOCK OUT C/ DIOGO MARCHANTE

Nesta emissão especial temos entrevista a Malabá.

Vamos relembrar a grande noite que foi a celebração dos 10 anos da Liga Knock Out, onde são disputadas as batalhas de rap mais carismáticas de Portugal.

Pelo comando do Diogo Marchante, vais poder ouvir excertos das batalhas que aconteceram no Coliseu dos Recreios, saber como foi o caminho da liga até aqui, como vai ser o futuro, e muito mais.

Ouve abaixo!

Fotografias por Bruno Miguel.

ENTREVISTA + REPORT | MUNDO SEGUNDO, T-REX, XEG E CINTIA NO SUMOL SUMMER FEST C/ DIOGO MARCHANTE

Estivemos no Sumol Summer Fest e nesta reportagem trazemos até ti entrevistas a Mundo SegundoT-RexXeg e Cintia.

Com a condução de Diogo Marchante, falou-se não apenas sobre o festival, mas também sobre as carreiras, próximos tempos e algumas surpresas destes artistas.

Mais uma emissão imperdível que podes ouvir abaixo.

Foto-galeria por Bruno Miguel.

Campo (demasiado) pequeno para um Sam The Kid tão grande

Após dois anos e meio de espera, os fãs de Sam The Kid puderam, finalmente, voltar a sentir a magia de um dos principais nomes do hip-hop nacional ao vivo, juntamente com o toque especial dos Orelha Negra e de uma orquestra.

Um evento tão marcante e algo raro não podia começar de qualquer maneira, por isso foi Napoleão Mira, pai de Sam, a assumir os primeiros minutos do espetáculo, fazendo o que melhor sabe: declamando a sua poesia. Sobre o filho, sobre a ligação entre ambos, sobre a suas vidas de um modo geral, estava então dado o mote para o que se avizinhava ser uma noite épica.

E assim foi, “a partir de agora” era a vez do homem da noite assumir os holofotes. Com “decisões” ao nível do reportório que levaram tanto os fãs mais jovens, como os mais graúdos à loucura em 2h de concerto ou, segundo o artista, de “partilha da sua intimidade”.

No entanto, desde cedo se pôde perceber que esta não ia ser, simplesmente, a noite de Sam, muitos dos que o acompanharam na sua jornada e que o ajudaram a alcançar o seu estatuto estiveram presentes e fizeram a festa com ele, para além da importante e sentida homenagem ao falecido grande amigo Snake, onde foi possível ouvir-se uma gravação do mesmo a felicitar Samuel pelo sucesso do álbum “(Entre)tanto” em 1999.

 NBC juntou-se à festa para ajudar a relembrar aos presentes que na carreira de Sam The Kid, “juventude (ainda) é mentalidade” e que Chelas será sempre “o sítio”; se houvesse algum “tagarela” ou “cobardola” que ainda não soubesse que “Gaia-Chelas” é o eixo mais pesado do hip-hop em Portugal, com Mundo Segundo, esta dupla voltou a demonstrar porque é que continuam a percorrer juntos o país como duas das principais referências do rap feito em português; Slow J e Gson também se juntaram à festa e “para sempre” vai ficar na memória dos presentes a forma entusiástica como este trio foi aclamado pelo público – uma celebração autêntica; e os “mais pesados da capital” (Xeg, Regula, Valete e Sam The Kid) tiveram a audácia de protagonizar o momento mais inesperado da noite ao se juntarem para recriar a atuação dos mesmos, em 2012, naquele preciso palco.

Mas “sozinho”, Sam demonstrou ininterruptamente porque é que enche as principais salas de espetáculo do país. Com uma energia e presença contagiantes, o rapper de Chelas puxava por um Campo Pequeno que aplaudia efusivamente e cantava em uníssono as letras  fio a pavio de qualquer canção. Fossem temas mais enérgicos como “Não Percebes”, “Negociantes” ou “Poetas de Karaoke”, ou temas mais introspetivos e íntimos como “Retrospetiva De Um Amor Profundo”, “Hereditário” ou “16-12-95”, a sala era sempre “pequena” para conter o entusiasmo do público que acompanhava Sam The Kid na sua inigualável performance. O “recado” ficou dado, fosse a rimar, fosse a demonstrar beats de Orelha Negra ou até mesmo a mostrar adereços do famoso “Quarto Mágico” da Zona I, Sam “transpira” hip-hop e está num patamar elevadíssimo.

E “sendo assim” o fim do espetáculo chegou. Enquanto recebia um aplauso monumental (de pé) depois de tocar o som que “adora”, Samuel Mira agradeceu, muito sentido, a todos os intervenientes naquele bonito espetáculo, incluindo a orquestra, para o qual é um “orgulho” tocar com as vozes de apoio de David Cruz e Amaura. Neste momento ainda houve espaço para o artista se orgulhar de si próprio por ainda ter capacidade de rimar 2h ao vivo num grande nível de forma constante – “tou fat mas a rima tá forte”. E de facto, podemos confirmar, a grandeza foi muita para um pequeno campo que se foi encerrando com uma frase no ar: “só mais uma”.

Texto: Diogo Marchante
Fotografia: Beatriz Côrte