Hip Hop Rádio

Daniel Pereira

Festival do caloiro do ISCTE

Estivemos no passado sábado na edição deste ano do Festival do caloiro do ISCTE para uma noite recheada de Hip-Hop. Julinho KSD, nome emergente, abriu a noite, depois X-Tense pôs todos aos saltos, Phoenix RDC mostrou como se faz rap gangster, Kappa Jotta proporcionou os melhores moche-pits da noite e Supa Squad encerraram com ritmos mais dançáveis.

Fica aqui com a foto-galeria por Alicia Gomes (Julinho KSD por bernvs_) de um evento que é já uma referência no que toca às festas académicas de Portugal

Festa do Avante! 2019 trouxe Hip-Hop revolucionário

Foi no passado dia 7 de agosto que estivemos na Quinta Da Atalaia para assistir a mais uma edição da Festa Do Avante! A Festa mais antiga de Portugal, fortemente ligada à revolução trouxe neste dia vários concertos de Hip-Hop com os nomes, claro está, mais revolucionários. Por Daniel Pereira | Fotografia de Irina Gonçalves

Os concertos Hip-Hop começaram cedo com Papillon a atuar logo por volta das 16h00 no palco 25 De Abril. Acompanhado da sua banda, o rapper tocou grande parte daquele que para muitos foi o melhor álbum de Hip-Hop de 2018 “Deepak Looper”. No Cartaz era mencionado que Rui Pereira traria convidados e assim foi. Vasco Ruivo, antigo guitarrista da sua banda, fez parte do leque de músicos e Harold e Nasty Factor, fiéis colegas pertencentes aos GrogNation, cantaram “Voodoo”, êxito do coletivo. Nota ainda para “Camadas”, mais recente single de Papillon que foi muito bem recebido pelo público que era muito e não arredou pé durante todo o concerto, apesar do extremo calor que se fazia sentir.

Achero subiu a palco do Café-Concerto Lisboa perto das 19h e apesar do pouco público presente no início do concerto, fez uma atuação segura que a pouco e pouco foi chamando cada vez mais gente. O newcomer cantou músicas do seu primeiro álbum “Tráfico de Rimas” e mostrou que o Lumiar está muito bem representado através dele. Houve ainda espaço para um accapella. Esperamos ouvir mais rapper que acreditamos ainda tem muito para oferecer.

Já no período da noite, Tom Freakin Soyer atuou por volta das 23h30 no palco Novos Valores. Com uma T-shirt que mostrava em letras gordas a palavra “Almada”, de onde o rapper é oriundo e um grande chapéu de palha que, fora de brincadeiras, lhe fica bastante bem como podem ver através das nossas fotografias, Tom mostrou porque é um dos rappers que dos quais não se pode perder de vista. “M.A.D.”, álbum de estreia, foi a banda sonora principal deste concerto que decorreu na perfeição. Subtil foi o backvoice de luxo e TNT e Silab foram os convidados representando bem a label Mano a Mano. “VNNO” e “No Drama” foram os temas mais celebrados de um concerto cheio de energia e qualidade.

Xtinto fechou o Palco Novos Valores por volta das 00h30. Caso sério no Hip-Hop Nacional e um dos nomes que acreditamos que vai “rebentar” em 2020 teve uma atuação praticamente incólume. Algumas faixas do projeto “Odisseia” e outros temas soltos antes do primeiro álbum do rapper surgir pautaram o concerto. “Sangue Novo” foi um dos momentos altos, tema que contou com a presença de DEZ em palco. Seja em Trap ou Boom Bap, Xtinto tem música com qualidade para apresentar. O mais recente “Pentagrama”, uma autêntica balada, funcionou bastante bem ao vivo e Quentin Miller fechou o concerto com todos o público aos pulos. Uma performance de mão cheia de um dos rappers mais promissores da nova escola.

Aguardamos já a edição da Festa Do Avante! de 2020. Acreditamos que mais uma vez o Hip-Hop fará parte do cartaz pois se há algo revolucionário nos tempos atuais é certamente este estilo de música e de vida de que todos tanto gostamos.

Foto-Galeria para ver aqui.

MEO SUDOESTE 2019: Quando o dia do Hip-Hop são todos

Verão. Alentejo. Música. Festa. Há 22 anos que o início de agosto é caracterizado por estas quatro palavras. Neste ano o MEO Sudoeste voltou a trazer milhares de festivaleiros à Zambujeira do Mar e o Hip-Hop como música predominante. | Por Daniel Pereira | Fotografia de Alicia Gomes

Ainda há bem pouco tempo a presença de nomes Hip-Hop nos cartazes de verão eram uma novidade. De seguida veio a dedicação de um dia (praticamente) inteiro ao genéro. Tudo isto aconteceu num espaço de sensivelmente sete anos. A vida evolui rápido e hoje estas duas situações não são já novidade. O paradigma mudou e estranho é não haver um único dia sem um artista Hip-Hop. O MEO Sudoeste sempre foi um dos melhores (senão o melhor) festival a escolher os nomes que os jovens querem realmente ouvir. Atualmente os jovens querem ouvir música urbana e o Hip-Hop é sem sombra de dúvidas a bandeira principal.

O campismo do MEO Sudoeste abriu portas no dia 3 para quatro dias de aquecimento no Palco Superbock até chegar à abertura do recinto que chegou no dia 7. A primeira artista a atuar foi mesmo Mynda Guevara, rapper da Cova Da Moura que tem um potencial tremendo. Do Palco Santa passámos para o palco LG onde Macaia faria a sua atuação que não deixou ninguém diferente, ora não tivesse ele uma voz de ouro. Papillon foi chamado a palco e ambos cantaram a faixa em colaboração “Areia Vermelha”. Já com dois bons concertos vistos o destaque vai para Pedro Mafama que atuou por volta das 23:20. Um novo artista que é já um nome singular na música portuguesa muito principalmente pelas letras cheias de trocadilhos e pelos beats que muitas vezes remetem à música Portuguesa. Uma lufada de ar fresco que precisávamos e não sabíamos. Sobre o concerto não há muito a dizer a não ser que tirou o espírito dançante de cada um que assistiu. Arriscamo-nos a dizer até que depois da performance de “Lacrau” muitos, que ainda não o conheciam, deixaram de se preocupar com a sempre escassa bateria durante o Sudoeste e foram ao google pesquisar “Pedro Mafama”.

O Segundo dia começou no Palco Santa Casa com Ary Rafeiro que meteu todos a dançar com o seu Rap misturado com Funk. O rapper apresentou ainda música nova para todos os presentes num concerto que contou ainda com MC Zuka para o tema “Bem-vinda à Favela”. Já com o corpo aquecido, os festivaleiros viraram atenções para o Palco LG onde iria atuar Spliff. Um concerto potente mas instrospetivo que comprovou que o DJ não é “apenas” DJ e dá também muitas cartas como MC. A determinada altura do concerto Spliff emocionou-se e emocionou quando contou à plateia o porquê de os seus rapazes não estarem lá naquele dia. “Não puderam vir porque hoje há mais um estrela no céu”. Pouco depois veio “Pra onde vou”, um dos momentos mais bonitos da tarde que foi cantado por todos. Em plena correria, voltámos ao Palco Santa Casa para ver Uzzy, rapper algarvio que deu um concerto extremamente enérgico. “Esta é a principal pessoa a quem tenho de agradecer por estar aqui hoje”. Uzzy estava a falar de Domi que também foi a palco. O algarve está mesmo vivo. Eram cerca das 20h e mais alguns minutos e muitos já esperavam por X-Tense o próximo dono do Palco LG. Hype Mike, Breakout, Dave Wolf, Kara e claro, Pablo, estiveram em palco para cantar os temas de Rosa Dragão e os novas músicas “latinas” num concerto que teve a mesma dose de qualidade em termos musicais como humorísticos. X-Tense é um autêntica fenómeno de 2019 e a enorme quantidade de plateia assim como a disposição para cantarem com o rapper comprovam-no. Chamadas inesperadas, um refrão que trocou “Narcos” por “Carlos”, “Áudi TT” como encore e até um atuação de Pedro Durão, houve de tudo neste que foi o melhor concerto até então do MEO Sudoeste. Jimmy P foi o nome Hip-Hop a estrear o palco MEO. Acompanhado como sempre de Jêpê, Jimmy mostrou que não apenas os grandes nomes internacionais merecem passar nestes grandes palcos, o rap tuga também o pode fazer, há mais que público para ele. Por falar em nomes grandes, seguiu-se 6Lack. O artista americano atuou depois de Mike Lyte que mostrou mais uma vez não é um mero youtuber que quer ser rapper, mas sim um rapper em todo o sentido da palavra. Voltando a 6Lack, este teve uma performance cheia de qualidade: cantou, rimou e assim cativou o público pois deu-lhe o que este esperava. Sem encore a última música do concerto foi conhecidíssima “Prblms”. Voltámos depois para o Palco Santa Casa onde Phoenix RDC deu um concerto para uma autêntica enchente. Não é novidade nenhuma que o rapper da Vialonga tem uma fiel legião de fãs mas até este estava estupefacto. “Custou a conquistar-vos mas valeu a pena, vocês foram a dama mais difícil de conquistar.” Phoenix RDC igual a si próprio num concerto enorme que ainda trouxe a palco Jimmy P para uma homenagem: “Este homem é Hip-Hop, quem diz o contrário não percebe nada disto.” Recado dado.

Post Malone foi o principal cabeça de cartaz da edição deste ano do MEO Sudoeste e demonstrou-o em pleno palco MEO. Sozinho, chegou para meter todos a cantar durante todo o concerto. Hits atrás de Hits, desde os mais animados até um “Stay” cantado apenas à guitarra. “Congratulations” foi o aguardado encore. Um artista completo que tem ainda muito para dar, tenha ele cabeça para isso. A par de X-Tense foi sem sombra de dúvidas o melhor concerto deste segundo dia.

O terceiro dia começou cedo com Guetto Roots e Baby Dog no Palco Santa Casa e Chong Kwong ia atuar no palco LG por volta das 20h e pouco. A rapper apresentou-se em palco com DJ Maskarilha nos pratos, com Pablo nas backs e com dois bailarinos. Um concerto que foi um autêntico hino à cultura Hip-Hop com vários sons de outros artistas mas também, claro, “Chong Kwong, a faixa em nome próprio e “Não te convidei”. A artista aproveitou também para informar que o seu primeiro álbum está para breve. Neste palco pudemos ainda ver Loner Johny e Sippinpurpp que demonstram o peso enorme que a Think Music tem atualmente no panorama do Hip-Hop português. Mesmo com concertos sobrepostos no palco MEO, muitos foram os festivaleiros que “guardaram front” para ambos os concertos. Em relação às performances… há quem adore, há quem odeie e não há muito mais que se possa dizer que ambas as posições são válidas. Nota ainda para a passagem de Xtinto no concerto de Loner Johny para cantar o seu tema “Quentin Miller”. No Palco MEO houve Wet Bed Gang, o indubitável maior fenómeno do Hip-Hop português num concerto muito barulhento (no bom sentido) que nos fez sentir num autência concerto de Metal por vezes. Nenny também por lá passou para o seu tema de estreia “Sushi” deixando todos ao Rubro. “Bairro”, “Devia ir” ou “Chaminé” foram apenas alguns dos muitos Hits da banda que se puderam ouvir. No que toca ao Hip-Hop o palco MEO fechou com Russ. Tal como Post Malone este apresentou-se sozinho em palco e deu um concerto que meteu todos a rimar. Com uma voz completamente no ponto ao vivo temas como “Flute Song”, “Ride Slow” e “What They Want” deixaram todos em apoteose. É com extrema felicidade que vemos o MEO Sudoeste convidar artistas internacionais a virem atuar em Portugal que dão realmente um excelente show.

A edição deste ano do MEO Sudoeste estava quase a acabar no entanto ainda tínhamos Biya para ver no último dia. Acompanhada de banda e com Bruno Abreu nas backs a cantora e rapper deu um bom concerto. Biya mostrou a muitos que apenas conheciam os seus mais recentes hits lançados pela Real Caviar que há um EP de 2018 com também bastante qualidade. James Dos Reis foi a palco para cantar “Sober” e “Wait A Minute” foi a última faixa a ser cantada por uma artista da qual, acreditamos, ainda vamos ouvir muito falar.

Terminou assim mais um MEO Sudoeste. Enche-nos de orgulho ver uma aposta tão grande em nomes Hip-Hop tanto nacionais como internacionais. Que seja sempre assim.

Até para o ano MEO Sudoeste!

FMM Sines 2019: a multiculturalidade do Hip-Hop

O final do mês de julho é já sinónimo de Festival Músicas Do Mundo. Voltámos à cidade de Sines desta vez para ver Sax Machine, Blu Samu, Dino D’Santiago, Branko, Rincon Sapiência e Batida. O cartaz era imenso mas os nomes Hip-Hop eram estes… ou será que descobrimos outros?

Há poucos ou talvez nenhum festival como este em Portugal. Duas localidades, cinco palcos, 51 artistas, 31 concertos grátis, dez dias e estes nem são os fatores mais espetaculares do FMM. A multiculturalidade é a grande mais valia deste festival que traz até Sines cada cantinho do mundo transformando por completo a cidade.

Vamos, no entanto, começar por Porto Covo onde o festival teve o seu ponto de partida. Sabíamos que não tínhamos de “trabalhar” nestes dias a não ser para captar ambiente pois o cartaz para os concertos em Porto Covo não indicava nenhum nome Hip-Hop. A realidade é que, logo no primeiro dia, começámos a ouvir beat-box. Por quem? Nada mais nada menos que Barmer Boys, um grupo oriundo do Rajastão. Um ponto de partida perfeito.

Passados dois dias, o festival teria o seu início em Sines e sabíamos que nos primeiros dois dias na cidade alentejana também não teríamos nenhum Hip-Hop para “apanhar”. Mais uma vez nos enganámos. Logo no primeiro dia, no concerto dos Red Baraat, grupo dos EUA, um dos músicos largou a sua tuba e começou a rimar qual MC numa Hip-Hop party. O tipo de coisas que só acontecem no FMM.

O primeiro concerto Hip-Hop que assistimos foi o de Sax Machine, à tarde, mood perfeito para ouvir um concerto com uma fina mistura entre rap, jazz e funk. Ninguém ficou indiferente a estes norte-americanos. No final da atuação todo o público estava a cantar com eles.

Seguiu-se, à noite, Blu Samu no auditório do Centro De Artes. A luso-descendente confessou-nos durante a tarde que estava expectante para um concerto que se adivinhava mais intimista no entanto disse-nos: “vocês têm de me ajudar a meter toda a gente a saltar!” A realidade é que Blu não precisou de grande ajuda e se o concerto começou realmente intimista, acabou com todos de pé. O seu primeiro EP “Moka” também proporciona isso, canções mais “rimadas” ou mais “cantadas”, canções mais calmas ou mais dançáveis, uma autêntica viagem musical. Talvez o concerto de Blu pedisse outro tipo de palco mas o que é facto é que assistimos a uma das atuações mais singulares de todo o festival. Nota para o miúdo que acabou a dançar break-dance com Blu Samu em pleno auditório. No final do concerto a jovem artistas que acreditamos, será um dos maiores nomes da música nos próximos anos, apenas nos disse: “nunca tinha feito uma coisa assim”. Infelizmente não fomos autorizados a captar imagens do concerto mas podem ouvir  em breve a entrevista com a artista na nossa emissão e ver também no nosso canal de YouTube.

No 4º dia em Sines o grande nome no maior palco – o palco do Castelo – era o de Dino D’Santiago que trouxe até nós a ‘nova Lisboa’ à qual está associada uma cultura urbana imensa. Não, Dino não é rapper, mas é Hip-Hop e isso nota-se na maneira como fala, canta e age. Escutámos uma breve menção à TV Chelas e partimos para um concerto cheio de ritmos africanos e dançáveis. Ninguém, absolutamente ninguém ficou parado. Em palco Dino vários vezes falou para a (extensa) comunidade cabo-verdiana de Sines, confessou ao público que era um sonho para ele estar naquele palco e confessou-nos a nós no final do concerto: “Adorei vir atuar aqui. Aqui nota-se mesmo que as pessoas vêm para a música e não para a selfie por exemplo. Adoro este público”. E nós, todos nós, adorámos o teu concerto Dino.

No dia seguinte Branko entrava também no palco do Castelo e mais uma vez tivemos um concerto extremamente dançável, com alguns convidados é claro, Dino D’Santiago, foi um deles, ficou mais um dia em Sines e foi a palco para cantar os temas em conjunto. Mais uma grande homenagem à cultura urbana.

No penúltimo dia de fmm tivemos Rincon Sapiência a atuar no palco Galp na avenida de Sines (um dos concertos grátis, que luxo!). Rincon é “só” um dos nomes mais emergente do rap e mesmo da música brasileira com rimas e flows estrondosos é uma musicalidade farta. Fez-se acompanhar de banda e o concerto variou entre uma Hip-Hop Party e um baile

 Funk. O MC, que participou na faixa “ Língua Dos Campeões” que juntou rappers e produtores portugueses e brasileiros, terminou o seu concerto ao som de Ponta De Lança, famosa faixa do seu álbum Galanga Livre. Simplesmente um dos melhores concertos de todo o festival.

Infelizmente estávamos a chegar ao último dia de FMM. A viagem tinha sido longa mas nunca cansativa e terminaria da melhor forma. Ao início da noite tivemos Batida Apresenta: Ikoqwe que além de apresentar um espetáculo musical forte com rimas políticas também muito fortes teve todo um espetáculo à parte no que toca ao campo visual. Aconselhamos a verem as últimas fotos da nossa galeria…

Os Inner Circle eram os grandes cabeças de cartaz de todo o festival, nome cimeiro do reggae e fecharam o palco no Castelo. Um concerto espetacular que contou com algumas surpresas para os fãs de Hip-Hop com covers de temas como “Young, Wild And Free” e “Old Town Road”.

O último concerto do FMM Sines ficou a cargo de Zenobia, duo da Palestina que atuou por volta das 5 da manhã. Não sabemos se foi pelo avançar das horas mas juramos que nesse concerto pudemos ouvir trap árabe.

O Festival Musicas do Mundo em Sines é algo único que simplesmente não podemos deixar de incluir no espectro de eventos que cobrimos ao longo do ano. Já estamos com vontade de ser surpreendidos outra vez.

Até para o ano FMM!

Vê a foto-galeria completa do evento aqui!

Praia. Skate. Rap. Haverá melhor forma de começar o verão? (Sumol Summer Fest – Dia 2)

Depois de um primeiro dia cheio de energia, o Sumol Summer Fest preparava-se agora para o seu segundo e último dia. Mais um dia de rap, mais um dia de boa música.

Os dias começam cedo na Ericeira. Laro Lagosta no primeiro dia e Oker neste segundo começavam a pintar na zona do Palco Quicksilver por volta das 15h até à hora do primeiro live act da tarde. Cálculo era o senhor que tinha como função abrir as ostes musicais no último dia de Sumol Summer Fest. O MC barcelense fez-se acompanhar de Mace e apresentou-se com banda. Com uma “voz de rádio” notável (quem lá esteve percebe do que estamos a falar) muitos foram os sorrisos que cálculo conseguiu “sacar” à plateia que era muita e vibrante. Um espetáculo cheio, uma musicalidade imensa, uma performance segura fizeram a vibe perfeita para trazer hits como “Salvar o Mundo”, “Não Paro” ou o mais recente “Caixinha”. Harold apareceu para “Iguais” e Zim para “Complicado”. Cálculo assenta muito bem nestes concertos ao final de tarde, o seu tipo de música é com eles compatível no entanto esperamos, e sabemos que não vamos esperar muito, para o ver em palcos maiores.

Deslocámo-nos depois para o palco Sumol onde às 20h iriam atuar Grognation. O coletivo de Mem-Martins há algum tempo que não ia a palco portanto era um dos concertos que tínhamos mais vontade e curiosidade de ver. Não ficámos desiludidos mas sim surpreendidos. O concerto de Grognation foi um dos melhores (senão o melhor) da edição deste ano do Sumol Summer Fest. Com uma energia em palco inesgotável, o coletivo soube analisar com perfeição para que tipo de público estava a atuar e libertou todas as suas faixas “banger”. “Molio” e “Vou na mesma”, logo a abrir meteram todos a saltar havendo claro espaço para momentos mais introspetivos como “Voodoo” ou “Amar Para Esquecer”. Um dos momentos mais lindos de todo o festival foi a retrospetiva da carreira que já vai longa. Os Grognation passaram por todos os seus hits desde o início até aos dias de hoje numa espécie de Medley… ninguém ficou indiferente e muitos ficaram surpreendidos com tanto reportório. Mas o caminho é para a frente e os “Grog” ainda têm muito para dar. “Pescoço” e “Cara” fizeram parte do alinhamento, estas que são faixas do próximo álbum do grupo produzido por Sam the Kid. Uma atuação “redondinha”, são seis pessoas em palco mas funcionam como um só e mesmo com a adição de b-boys a determinada altura do concerto, essa organização não se perdeu. “Barman” fechou o espetáculo em completa apoteose com Neck nas grades e Nasty Factor a fazer crowdsurfing. Um dos concertos deste verão.

Tempo para uma pequena pausa em termos de concertos de Hip-Hop com Deejay Télio a subir a palco por volta das 21h30. O Hip-Hop no entanto está sempre presente ora não fosse Bispo convidado de Deejay Télio para “Com licença”, um dos hits deste verão.

Posto isto, HollyHood era o artista que se seguia no palco Sumol.

O MC da Linha da Azambuja entrou em palco com Stone Jones e Here’s Johnny como já é habitual. Num concerto sem grandes surpresas (não precisava disso na realidade), o rapper chegou, viu e venceu. Muitos foram os moshpits que aconteceram. Sobre “Miúda” Hollyhood: “Pessoal tudo a fazer mosh agora pq este é o único som de amor da tuga em que dá para fazer isso”. E assim aconteceu. No Money foi convidado a aparecer em palco tal como L-Aly e temas como “Ignorante”, “Fácil” ou “Cala a Boca” puseram a plateia ao rubro. A afirmação de uma artista que há muito já merecia pisar um palco com esta dimensão.

Seguiram-se os principais cabeças de cartaz do Sumol Summer Fest 2019. Os Brockhampton vieram deste os EUA até Portugal e mostraram o porquê de terem tantos fãs no recinto do festival. À semelhança de GrogNation apresentaram uma organização e pujança enormes durante todo o concerto. Muitos foram os gritos, letras sabidas de cor e salteado e é moshpits (proporcionaram o maior número da noite) durante temas como “Sweet”, “Gold”, “ New Orleans” ou “1999 Wildfire”. Um dos melhores nomes internacionais que passaram pela Ericeira.

Mais um ano Sumol Summer Fest, mais grande início dos festivais de verão. Esperemos que seja sempre assim: com muito rap no cartaz.

Até para o ano Sumol!

Foto-galeria por Beatriz Dias para ver aqui.

Praia. Skate. Rap. Haverá melhor forma de começar o verão? (Sumol Summer Fest – Dia 1)

O camping da Ericeira voltou a ser a capital da música urbana. Com um cartaz muito ligado ao Hip-Hop, o fim-de-semana prometia ser wild. Concertos ao pôr do sol e pela noite dentro, campeonatos de skate, streetart e até um jogo da pinata dos tempos atuais… houve de tudo no Sumol Summer Fest. O ponto de partida perfeito está dado: começaram os festivais de verão. Quando chegámos ao recinto já Puro L animava os festivaleiros no palco Quicksilver. Se existem coisas positivas que a globalização e redes sociais trouxeram, certamente uma delas é a facilidade com que é possível divulgar música. É bonito ver como um rapper portuense mete tanta gente de braço no ar na Ericeira. Num festival com tanta boa vibe, melhor início era impossível. Por muito que Daniel cantasse “Fica na tua / Baza da minha”… ninguém bazou e L não conseguia tirar o sorriso da cara. A boa vibe continuou depois com SlimCutz que apresentou um set bastante astuto.

O primeiro concerto no palco Sumol ficou a cargo de Kappa Jotta. Já há muito que o esperávamos com um palco desta envergadura e a sua performance não desiludiu de maneira nenhuma. Com um mini dj set de Maskarilha e “Movs” a abrir o concerto, Kappa Jotta cantou temas que foram muito celebrados como “Pela Cidade”, “Chama” ou “DPDC”. Bad Tchicken teve a sua habitual chamada ao palco para “Tentação”, havendo, no entanto, desta vez outros convidados. Amaro, que faz parte da recente crew de Kappa Jotta “Good Fellas Good Music”, surgiu para cantar o recente “Off set” e ainda presentou todos os presentes com um accapella exímio. O ponto alto do concerto foi o último convidado. Carminho, sim, a filha de Kappa Jotta, foi a palco para cantar “Fala a sério” e apesar da tenra idade já se notam alguns (muitos) traços de MC. “Obrigado por estarem aqui comigo na vossa hora de jantar” disse Kappa Jotta a determinada altura do concerto. Claro, só podia ser assim, saímos todos do concerto com a barriga cheia de boa música.

Era apenas o início, mas ainda faltavam passar muitos nomes pelo palco Sumol.

Seguiram-se os They, primeiro nome internacional a passar por aquele palco. A dupla americana de R&B e Hip-Hop entrou cheio de power e pautou o seu concerto entre esse mood e uma toada mais calma e sentimental. Com Dante Jones e Drew Love é assim, uma autêntica montanha russa musical. Não faltaram hits como “Broken”, “What I Know Now” ou “Pops”. Nem todos conheciam bem o seu trabalho, mas temos a certeza que maior parte desses tem atualmente no seu histórico de pesquisa no google “They”.

Elegemos como momento alto da noite o concerto que se seguiu. Sam The Kid entrou em palco e apresentou Mechelas. Foi só isto, e isto é muito. Houve apenas uma surpresa, uma que vale por muitas outras: mais de quinze convidados que fazem parte da compilação estiveram presentes e cantaram os seus respetivos temas. Cruzfader (que foi o aniversariante da noite) de um lado e Stikup do outro foram os primeiros a entrar em palco. STK entrou depois com Boss AC que foi o primeiro convidado e mostrou o que é ser um verdadeiro histórico do Hip-Hop Tuga. À boleia da “Caravana”, entrámos então num momento que gostaríamos que se prolongasse “eternamente”: era Sir Scratch e Amaura que entravam em palco. Beware Jack mostrou depois que não “engana” e Classe Crua veio mesmo para ficar. Bob Da Rage Sense e Francis Dale vieram de seguida e com eles escalámos “montanhas”. MC Zuka surgiu depois “na fita”, Bispo, claro, também apareceu e foi quase como que a satisfação de uma “necessidade” e Muleca XIII “arrisca”, mas arrisca bem, 3 b-girls acompanharam-na em palco. Nameless veio depois e mostrou o que é ter um flow próprio, próprio de um “narrador”, Karlon Krioulo mostrou que faz mesmo tudo e agora com o palco cheio por culpa dos GrogNation sentimos que ali estávamos a sintonizar o “canal” certo. Continuando a balançar entre a velha e a nova escola, Lancelot apontou a sua “Flecha dos Elfos”, cheia de rap rico, a todos os presentes e Blasph continuou no mesmo espírito e não parou a “ondulação”. Seguiu-se depois Ferry que mostrou o porquê de ser um dos “Reis do Bairro”, entendendo-se por bairro o panorama do rap nacional. De Angola a Portugal, “de experientes a amadores”, surgiu depois Kid MC e Phoenix RDC fechou esta “História”, pelo menos a referente a músicas produzidas por Sam The Kid e cantadas por outros MCs. Estava claro, a faltar algo. O que vale é que a cena saiu mesmo sem pressões e “sendo assim” houve um final perfeito.

Depois de um grande concerto seguiu-se um grande nome do rap internacional que apesar de não ter dado um concerto tão bom como o MC de Chelas, cumpriu. Havendo lançado música nova com Post Malone na tarde daquele dia o público vibrou e muito com o rapper americano, Young Thug, que mesmo estando um tanto ou pouco apático, contagiou. “The London”, “Best Friend” ou “Gang Up” foram alguns dos temas tocados num concerto que foi curto mas pelo que pudemos ver da vibração do público, eficaz.

DJ Overule fechou a noite da melhor forma com um set muito enérgico variando entre a música nacional e internacional. Landu Bi acompanhou-o como MC de serviço e não deixou ninguém indiferente com a sua voz grave.

Foi assim o primeiro dia de Sumol Summer Fest. Queres saber como foi o segundo? Sabe tudo na parte 2 já disponível.

Foto-galeria do primeiro dia, por Beatriz Dias, para ver aqui.

Estraca responde a Benji e pergunta: “Qual a percentagem?”

Estraca lançou há minutos, no seu canal de Youtube, uma nova faixa solta. “Qual a percentagem?” é a mais recente entrada neste beef que dura já há algum tempo entre o MC do Lumiar e benji price. Neste tema, Estraca manda muitas farpas a benji, como seria de esperar, mas alarga-se para a Think Music citando nomes como Profjam ou Lon3r Johny.

Fiquem com a música:

A História do Hip- Hop Tuga: O Cliente nem sempre tem razão

Falta precisamente um mês para o evento mais importante da história do Hip-Hop Tuga. Fácil de perceber porquê: dia 8 de março o Altice Arena será o palco que irá juntar cerca de 40 nomes do hip-hop nacional entre DJs, b-boys, writers e MCs. Inédito? Sim. Enorme passo para esta nossa cultura? Claro. Então porque te queixas só porque o teu rapper preferido não vai lá estar? | Por Daniel Pereira

Há cerca de 10 anos era quase impensável que fosse existir um evento na maior sala de espetáculos do país virado exclusivamente para a cultura Hip-Hop de Portugal. Dessa altura para cá muito mudou e atualmente são raros os cartazes de festivais, semanas académicas, viagens de finalistas e qualquer outro tipo de evento que não conste com pelo menos um nome de hip-hop nacional e, por vezes, até internacional. 16 de julho de 2016 foi, para muitos, o dia que mudou de vez o paradigma nos cartazes dos grandes festivais quando Kendrick Lamar foi o cabeça de cartaz do SuperBock SuperRock e o único a esgotar os bilhetes no dia em que atuou. O concerto, claro está, foi memorável. Falo por experiência própria e do que pude presenciar: hip-hop heads ou não, todos ficaram pasmados com a atuação de K.Dot. Parece que foi ontem, mas 2016 foi há três anos e a partir daquele momento o género afirmou-se cada vez mais na música portuguesa.

Depois, veio o dia 30 de junho de 2017, um marco tão ou mais importante para o movimento. O Sumol Summer Fest tinha no seu cartaz “A História do Hip-Hop Tuga”. Sim, o evento do próximo mês não é totalmente inédito. Esta primeira versão contou com mais de 20 nomes que fizeram, fazem e continuarão a fazer história no hip-hop. No entanto, faltava algo. Faltava pegar em todas as vertentes da cultura. O único DJ era Nel’Assassin. De resto, eram todos MCs e, para mim, o grande ponto forte desta versão 2.0 é existir nomes, mesmo que não estejam em igualdade de número, que representem todas as vertentes do movimento hip-hop.

Quando o primeiro cartaz d’”A História do Hip-Hop Tuga”, em 2017, foi divulgado para o público houve algo que, talvez por ingenuidade minha, me surpreendeu bastante. Nas redes sociais e mesmo no boca-a-boca os comentários de ódio era superiores aos comentários elogiosos. As críticas apontavam ao facto de “faltar gente” ou “esse não merece estar aí”. Ora eu que simplesmente estava radiante pelo primeiro concerto a comprometer-se, através de vários artistas, a fazer uma retrospetiva da história do hip-hop nacional, estava completamente perplexo.

Haters há em todo o lado e há que saber lidar com isso, mas foi algo que me aborreceu bastante. Falo agora para uma dessas pessoas, que espero que também esteja a ler este artigo: tu que apontaste o dedo à organização por não trazer o Zé Manel (nome fictício que estou a dar ao teu rapper preferido) paraste para pensar se foi realmente culpa da organização? Sabes se não houve o convite? Sabes se houve e foi recusado? Sabes se houve e simplesmente o Zé Manel não pôde ir porque já tinha concerto agendado para esse dia? Não sabes. Nem tu. Nem eu. São assuntos relativos à organização e ao artista. O que eu sei é que cheguei a ver rappers que têm mais que lugar na história do hip-hop na área VIP enquanto “A História do Hip-Hop” estava a decorrer, portanto, neste exemplo, de quem é a culpa? Deixo a reflexão para ti. Cada caso é um caso e todos têm a sua razão para aderir ou não a eventos. Sim, estive neste primeiro evento e o que pude ver foi um público extremamente animado e feliz. Acredito que parte desse público pertencia à falange que falou mal, mas pagou bilhete e adorou o que viu porque o seu gosto pelo hip-hop e pela música ainda é superior ao seu ódio.

Em 2018 foi anunciado que o novo evento d’”A História do Hip-Hop” iria acontecer em 2019. Rapidamente o cartaz foi disponibilizado e quantidade e diversidade de artistas é superior em dobro à primeira edição. Ingenuamente, mais uma vez, acreditei que este cartaz seria abraçado por todos e de forma inequívoca. Basta aceder por exemplo ao evento no Facebook para ver que estou errado. As críticas ao facto de o Zé Manel não ir continuam, “faltam nomes da velha escola”, “Como é possível ir este?”, e são o repetir de um filme que já tínhamos visto. Há, no entanto, uma inovação com comentários como “O nome deveria ser ” História do HH e derivados” lol “. Se antes faltava muito gente, agora há gente a mais, gente que supostamente não faz parte. Vamos então ver, e vou meter apenas aqui os rappers:

Ace & Presto, Bispo, Black Company, Bob Da Rage Sense, Boss AC, Capicua, Carlão, Chullage, Dealema, Deau, Dillaz, General D, GROGNation, Holly Hood, Keso, Micro, NBC, Nerve, NGA, Piruka, Phoenix RDC, ProfJam, Sam The Kid, Sanryse & Blasph, Sir Scratch, SP & Wilson, Tekilla, Tribruto, Vado Mas Ki Ás, Virtus, Wet Bed Gang e Xeg

Não há um único nome aqui que não represente hip-hop. Sim eu compreendo que o teu rapper preferido não vá mas será que no teu dia-a-dia, tu que és fã de rap tuga não ouves nenhum destes nomes? Duvido. É óbvio que não são apenas estes nomes que fazem parte da história do Hip-Hop Tuga, para englobarmos toda a gente teríamos de fazer um festival que durasse um mês inteiro ou até mais, e isso é simplesmente impossível. Também não vão muitos dos meus rappers preferidos, mas isso não é motivo para eu dizer mal do evento. Há que elogiar o excelente e árduo trabalho da organização em juntar todos estes nomes mais os restantes das outras três vertentes, no mesmo dia, no Altice Arena. Infelizmente raros são os comentários a elogiar o evento mais importante da história do hip-hop nacional.

Vivemos numa era em que a tendência é criticar o pouco que está mal em vez de elogiar o muito que está bem. Se estavas à espera de ” A História do Hip-Hop Underground”, de “A História Do Trap”, de “A História do Boom-Bap”, de “A História do Storytelling”, de “A História do Gangster Rap”, ou outras segmentações, este evento não é para ti. A divisão da história não é toda a história do Hip-Hop Tuga. É a tua história do Hip-Hop Tuga. E isso é legítimo… mas só para ti. Não és só tu que vais estar na plateia.

“Não percebes o hip-hop”, está mais atual que nunca.

Mad Ground: Era impossível sairmos de lá chateados


Existem vários significados para “Mad”: louco, furioso, maluco, raivoso, entre outros. Pelo título é fácil de perceber qual é o que mais se adequa a esta festa. A Mad Ground contou com oito artistas numa só noite, quatro deles de Hip-Hop. | Por Daniel Pereira


Desde 2017 que fazemos questão de estar presentes nas festas de Santiago do Cacém. O salão de festas foi sempre o mesmo: o principal pavilhão da cidade. Apesar da organização ter passado algumas vezes de testemunho a qualidade das festas tem-se mantida semelhante com uma tendência claro de melhoria contínua. Atualmente é a MAD, nova promotora que conta com o apoio da agência de viagens Gate1 quem “gere” este novo conceito. A Mad Ground foi a primeira de muitas festas que vão surgir (num curto espaço de tempo entre cada uma) nesta cidade do litoral alentejano.

Um newcomer com qualidade, uma batalha da Liga Knock Out e um showcase do seu host que dispensa apresentações foram as opções de um cardápio que contou, entre outros estilos, com muito Hip-Hop.

Liga Knock Out: Wilson G vs Suli B

Já com a noite bem adiantada, a festa que até então tinha sido bastante dançável devido aos dois djs que já tinham passado pelo palco, deu lugar à palavra e ao confronto (no melhor sentido da palavra). Com 3 rounds e a moderação de Malabá foram muitas as dicas entre Wilson G e Suli B que se puderam ouvir no pavilhão. O público correspondeu e soube fazer silêncio e barulho nos momentos certos de uma batalha que foi renhida pois tanto o rapper da margem sul como o MC da Amadora souberam estar à altura. A vitória? Teriam de perguntas ao público mas acreditamos que as respostas seriam bastante variadas.

Guynna6

Admitimos: Não conhecíamos o trabalho deste MC de Alcácer Do Sal. Do que pudemos assistir na Mad Ground temos de elogiar principalmente a presença em palco e a empatia com o público que em grande parte desconhecia o seu trabalho mas vibrou e bastante. Guynna6 deu excelentes indicações e causou-nos um medo: há por aí muitos artistas desconhecidos que infelizmente não conhecemos e gostaríamos de dar voz.

Malabá

Um dos nomes mais aguardados na noite. Já o tínhamos visto a entrar ao som do genérico da Liga Knock-Out aquando da batalha mas agora era tempo de showcase em nome próprio. Com uma energia sempre vibrante Malabá contagiou todos os presentes e no final do concerto confessou-nos até que já não ficava sem voz há uns bons anos. A agressividade em “O Nosso Som”, a estreia ao vivo de “Bang Bang” e o refrão em uníssono de “O Circo”, faixa que conta com a participação de Sacik Brow e Evang foram os pontos altos deste concerto.

A Mad Ground acabou às 6 da manhã com o público a pedir mais e a ansiar pela próxima festa neste espaço.

Acreditamos que tenham ficado, tal como o público, bastante empolgados com o que leram portanto anunciamos aqui e em primeira mão que a próxima festa da Mad será dia 23 de fevereiro. Acham que há razões para faltar?

Foto Galeria por Daniel Pereira aqui

Na estrada com: HipnoD

Na passada sexta-feira (16 de novembro) HipnoD atuou na Festa Das Listas X-Heroes, conceito do espaço covilhanense Companhia Club.

Como já sabes, um dos lemas da tua rádio é “Hip Hop Rádio em todo o lado” portanto é óbvio que marcámos presença neste evento.

No entanto vamos apresentar-te uma cobertura de evento diferente do habitual. Daniel Pereira acompanhou HipnoD, Drop, DJ Perez e o fotógrafo da comitiva Bernas em toda a jornada entre Lisboa e a Covilhã e que começou na sexta-feira, terminando no dia seguinte, sábado.

Fica em baixo com a Foto-Galeria pautada com breves descrições e percebe tudo o que envolve a vida de estrada.


O Super Bock em Stock está de volta

O hip-hop nacional na programação do Super Bock em Stock

O “antigo” Mexefest regressa agora com o mesmo nome que utilizou nas primeiras duas edições. O SuperBock em Stock regressa à Avenida da Liberdade, em Lisboa, nos dias 23 e 24 de novembro, e o hip-hop e a Hip-Hop Rádio não faltam à chamada | Artigo de Daniel Pereira.
 
Com origem em 2008 (enquanto Mexefest), o Super Bock em Stock sempre se afirmou como um festival diferente dos demais contribuindo para isso três factores essenciais: primeiro, pela peculiar altura do ano em que se realiza, fazendo dele dos poucos festivais de música a acontecer no inverno.
Em segundo, porque promete apresentar artistas e bandas em ascensão, sejam estes do panorama nacional ou internacional, dos mais variados estilos de música. A única condição é existir qualidade.
Por último, porque para descobrir estes novos artistas é necessário fazer um exercício de deslocação pois este não é um festival de um palco ou até dois ou três palcos. Ao todo são nove as salas que irão proporcionar ao público as melhores experiências musicais mas também permitir descobrir vários cantos da cidade. Cinema São Jorge , Capitólio, Teatro Tivoli BBVA, Maxime, Garagem EPAL, Estação Ferroviária Do Rossio, Palácio Da Independência, Coliseu dos Recreios e Casa do Alentejo são os locais onde passará o SuperBock em Stock.
No que toca ao hip-hop, os nomes serão certamente do agrado da massa adepta: NGA, Lazy, Lolo Zoaui, Russa, Masego, Rejjie Snow, Pedro Mafama, SP Deville, Maria VS Sensei D e Darksunn.
O preço dos bilhetes (passe para os dois dias) custa 45€ até dia 22 de novembro e 50€ nos dias do festival.

Uma Trap House à beira-mar plantada

Texto: Daniel Pereira
Fotografia: Nayara Silva e Daniel Pereira

No passado sábado deslocámos-nos até à Praia Da Nova Vaga na Costa da Caparica para mais uma “It’s A Trap”, a primeira em espaço aberto. São estas as festas de Trap de maior importância em Portugal e um dos motivos principais que leva a tal é precisamente a inovação. É tempo de verão e apesar de este ainda não ter chegado em força o público já não quer festas em espaço fechado. Foi esse o motivo, acreditamos nós, que levou a organização a apostar no cenário mais icónico desta estação do ano, a praia, mais precisamente o Tartaruga Beach Bar, que cedeu o espaço. Aposta ganha, “tava demais o bar da praia”.


Eram cerca da meia noite e meia quando apanhámos a boleia do “Trap Bus” (autocarro especialmente disponibilizado pela festa pois a praia da Nova Vaga é um pouco deslocada dos grandes centros) e passado cerca de meia hora de uma viagem bastante animada chegámos à “It’s A Trap”. De realçar que o “Trap Bus”, que tinha como ponto de partida o Cais Do Sodré, fez várias viagens de ida e volta, com o autocarro sempre cheio deixando infelizmente algumas pessoas de fora, pois era muito o público a aderir a este serviço. Mais um sinal de que estas festas estão com uma vitalidade brutal.

Quando entrámos na festa e vimos o espaço a nossa primeira reação foi de espanto. Parecia tudo bastante improvisado, adaptado e na realidade era. E era assim que tinha de ser. O Tartaruga Beach Bar não tem um palco enorme ou um super bar nem grandes backstages ou áreas VIPs mas isso não é sinónimo de uma grande festa. Uma grande festa tem que ver com a “vibe” entre o público e a música e com a ocasião. Neste “It’s A Trap” o público praticamente misturava-se com os artistas e o objetivo era todos se divertirem, desde a menina que estava a trabalhar no bar até ao rapaz que levou uma máscara do filme “The Purge”.

O primeiro homem da noite a dar música foi Dj Big com um set bastante virado para o Trap como seria de prever, sem descurar também alguns “Boom-Baps”. Um dos momentos mais fortes do set foi a passagem de “SAD!!” de XXXTentacion que meteu todos a cantar e fazer um “X” com os braços de forma a homenagear um talento que partiu cedo. “Goosebumps” de Travis Scott foi outro dos temas mais celebrados. Mais um grande set de Dj Big como já nos habituou.

 

A partir daqui começou a rebaldaria, no melhor sentido. Se durante o set de Dj Big já estavam Profjam e a sua turma a fazerem uma autêntica festa no backstage (era mais um “side stage”, passem pela galeria para perceber melhor), quando chegou a altura dos membros da Think Music fazerem as suas atuações, essa festa exaltou-se ainda mais.

O primeiro a entrar foi, claro está, o fundador da label, Profjam, com “Yaba” seguindo-se depois Prettieboy Johnson com “Vitamina”, Fínix MG com “Think Music”Yuzi que cantou um maior número de músicas entre elas “#YUZIGANG” (com direito a um grande “moche”) e “Gwapo” partilhando o palco com Profjam. Por lá passou também Mike El Nite para cantar o viral “Dr. Bayard” com a ajuda de Fínix MG apenas pois SippinPurp não marcou presença na Praia Da Nova Vaga. Vários rebuçados foram atirados para o público e Mike El Nite então tratou da tosse do público. Outro nome que esteve presente foi L3ner Johny para cantar “Vampire Bite”, mais uma das várias músicas que permitiram um “moche” do público.

Os Live Acts já tinham acabado mas a festa continuou noite dentro com Oseias a assumir os pratos com um DJ set mais uma vez, como era de prever, muito ligado ao Trap.

Gostaríamos de felicitar o João Moura e a sua Rap Notícias não só pela iniciativa mas também pela coragem de organizar as primeiras grandes festas de Trap em Portugal. Só podemos pedir mais, seja com outros artistas, outros tipos de espaços ou outros locais pois acreditamos que as “It’s A Trap” terão sempre sucesso.

Numa altura em que se fala muito se o Trap faz parte do Hip-Hop ou se constitui um género completamente novo uma coisa é certa: o Trap, seja como género ou como sub-género, cria festas singulares para um público singular. Um público singular que no entanto não deixa de ser diversificado pois todos os “Trappers” são diferentes entre si. E na realidade… não é o Hip-Hop, diversidade?