Hip Hop Rádio

À Conversa com Tranquilow: Tranquitape e a ressurreição das compilações

Tranquitape, novo projeto da Tranquilow, veio trazer o desfibrilhador para reavivar a cultura de compilações que, embora algo esquecida, parece estar a dar sinais de vida ultimamente. Movidos pela vontade de dar a conhecer novos nomes da esfera do hip hop, ao longo do ano de 2020/2021, a página divulgou 48 novos artistas nacionais, num total de mais de 200 participações, que foram alvo de votação pela parte dos seguidores da página e de toda a comunidade. Todo este processo culminou nesta tape, numa primeira edição que contou com participações de Rodo, Krazydread, Benito, Tsuki, Madmarcu$, Kitos, Vácuo, Big S, AËM, Calha, NastyBee, Primo e Vlad.

A Hip Hop Rádio esteve à conversa com Miguel Varela, membro da equipa da Tranquilow, que nos veio falar sobre este projeto, objetivos e planos futuros.

De onde surgiu a ideia de fazer esta tape? Como foi criado este conceito?   

Este projeto nasceu quando o Afonso da Tranquilow entrou em contacto comigo. Na altura eu não fazia parte da equipa e foi este o projeto que me fez entrar. Ele contactou-me na quarentena, quando todos estávamos com tempo, e disse-me que queria fazer uma cena original para divulgar artistas, no fundo, para não ser um simples post, queria fazer algo diferente e criativo. Depois foi reunir e tentar montar uma ideia do que podia ser, o que não podia ser e a ideia nasceu daqui.

E como ocorreu o critério de seleção?

Todos os artistas concorreram por escolha deles, eles enviavam-nos o som e nós, em equipa, selecionávamos os que achávamos melhores, ou que sentíamos mais. Depois todos os meses era feita a divulgação de quatro artistas e desses quatro os nossos seguidores escolhiam quais gostavam mais.

Existiu algum método para a maneira como as 13 faixas foram ordenadas na tracklist? Foi pela ordem de temporalidade em que foram escolhidas ou houve um critério específico?

Foi por ordem de temporalidade. Basicamente é uma faixa por mês, desde a primeira até à última. Só existe uma faixa bónus.

Qual a razão por detrás da faixa bónus? Fala-nos mais sobre a escolha do artista, neste caso, Vácuo.

Como as outras doze foram escolhidas pelos nossos seguidores, nós quisemos escolher uma. Das 48 que tinham sido selecionadas, a faixa “Estilo 90s” do Vácuo foi a escolha da equipa, por ter sido uma das músicas que mais sentimos.

Já se pensa num volume 2 da tape? Pensam em fazer mais algum outro projeto deste género?

Como este correu bem, estamos a pensar fazer o volume dois, ainda não temos data, mas sim. Agora outro projeto deste género, para já, não está nada falado, mas pode surgir. A ideia agora é: como esta compilação correu bem e como quase não há compilações agora, como havia antes, como a Hip Hop Nation ou a Hip Hop Series e sabendo que não há muitas compilações conhecidas no Hip Hop Português, talvez isto seja uma nova cena, espero eu.

Há possibilidade de apresentar esta tape ao vivo?

Era fixe, era bué louco, mas é muito complicado, uma vez que temos MC´S de Norte a Sul e das ilhas inclusive. Se às vezes reunir duas pessoas já é complicado, então reunir treze era bué complicado, tinha que ser quase por partes, um concerto aqui, outro ali. Não está previsto, mas se acontecesse um dia era fixe. Nem que seja reunirmo-nos para outra cena, quem sabe, mas era fixe.

Mas isso é fixe porque mostra a abrangência de MC´S que entraram na tape, reuniram pessoal de Portugal inteiro.

Sim, do país inteiro mesmo.

Como acham que este projeto influenciou os artistas participantes?

Espero que com isto estes artistas tenham sido ouvidos por mais gente, que estas músicas tenham chegado a mais lados, o que no fundo era o objetivo principal, divulgá-los para pessoas que ainda não os conheciam. Espero que tenha ajudado, nem que seja com mais um ouvinte novo.

Estava estipulado desde o início que seria uma edição física? Quem foi o responsável pelo design da tape e qual a inspiração por detrás?

Quando anunciámos a iniciativa foi logo dito que ia culminar na edição física, que era a cereja no topo do bolo, para celebrar a cena. Quanto ao design, a responsável foi a Piedade que trabalha connosco e demos-lhe livre-arbítrio, carta branca, “como queiras, como achares melhor”; basicamente, foi ela que decidiu tudo (risos), por acaso nessa parte foi grande à vontade.

Consideram que atingiram o objetivo que tinham em mente ao terem realizado este projeto?

Sim, sim. Às vezes achamos que a iniciativa não chegou a muitos lados, que podia ter chegado mais longe e o facto de isto ser uma compilação na qual todos os meses era escolhido um som, o facto de ser muito longo o processo, havia aquela preocupação relativa a se as pessoas iam acabar por se esquecer um pouco da cena, como também vivemos numa época de consumo rápido, um ano é muito tempo… mas foi assim que se decidiu e quem quiser estar atento está, quem não quer não está.

Também sabemos que lançaram recentemente merch e tiveram a vossa primeira Tranqui Sesh em Lisboa. Que mais podemos esperar da Tranquilow num futuro próximo?

É isto, mais iniciativas, mais festas se permitirem, se a DGES permitir e merch novo também, já daqui a uma semaninha. Esperem mais festas em Lisboa, como a nossa primeira Tranqui Sesh em Lisboa, com Sillab e Jay Fella.

Para encomendar uma cópia da TranquiTape dirige-te ao site da Tranquilow ou ao instagram da página, onde podes encontrar todas as informações.

Foi feita uma segunda parte desta entrevista na qual Beatriz Freitas esteve à conversa com Krazydread, um dos artistas integrantes da TranquiTape. A escolha do artista foi feita através de um sorteio realizado pela equipa e passará em formato áudio hoje, dia 12 de setembro, às 22:00 horas, no site da Hip Hop Rádio ou na nossa app.